Corporate Cannibal – Grace Jones

Pleased to meet you, pleased to have you on my plate
Your meat is sweet to me, your destiny, your fate
You’re my life support, your life is my sport

I’m a man-eating machine
A man, a man-eating machine

You won’t hear me laughing as I terminate your day
You can’t trace my footsteps as I walk the other way
I can’t get enough prey, pray for me
I can’t get enough prey, pray for me

Corporate cannibal, digital criminal
I’m a corporate cannibal, legalized criminal
Corporate cannibal, eat you like an animal

Employer of the year, grandmaster of fear
My blood flows satanical, mechanical, masonical and chemical
Habitual ritual

I’m a man-eating machine
A man, a man-eating machine

I deal in the market, every man, woman and child is a target
A closet full of faceless nameless pay-more-for-less empitness
And I’ll make you scrounge in my executive lounge
You’ll pay less tax, but I’ll gain more back
My rules, you fools

We can play the money game, greed game, power game, stay insane
Lost in the cell, in this hell, slave to the rhythm of the corporate prison

I can’t get enough prey, pray for me
I can’t get enough prey
Corporate cannibal, digital criminal
I’m a corporate cannibal, legalized criminal
Corporate cannibal, eat you like an animal

I’ll consume my consumers with no sense of humour
I’ll give you an uniform, chloroform
Sanitize, homogenize, vaporize you

I’m the spark, make the world explode
I’ll make the world explode

I’m a corporate cannibal, legalized criminal
Corporate cannibal, eat you like an animal

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O urgente e o importante

Urgente x Importante - Mafalda, Quino

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As músicas de Zen Passado

Pois é, a novelinha tem trilha e tudo! Ao longo do texto tem 11 músicas, mas ouvi outras conforme ia escrevendo, então resolvi incluir na lista. Espero que curtam a playlist.

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Walk Away – Tom Waits

There are things I’ve done I can’t erase
I want to look in the mirror, see another face
I said never would I do it again
I want to walk away, start over again.

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The Dull Flame of Desire – Fyodor Tyutchev


(cena final do filme Stalker, de Andrei Tarkovski, com o poema recitado em russo)

Eu amo os seus olhos, meu amor
Sua esplêndida, radiante chama
Quando por um instante você os levanta,
Ligeiramente para lançar um olhar aconchegante
Como um relâmpago cortando o céu

Mas há um encanto que é ainda maior…
Quando os olhos do meu amor estão baixos
No calor de um beijo apaixonado…

E por entre os cílios baixos
Eu vejo a entorpecida chama do desejo.

——–

Люблю глаза твои, мой друг
С игрой их пламенно-чудесной
Когда их приподымешь вдруг
И, словно молнией небесной
Окинешь бегло целый круг

Но есть сильней очарованья:
Глаза, потупленные ниц
В минуты страстного лобзанья
И сквозь опущенных ресниц
Угрюмый, тусклый огнь желанья

——–

I love your eyes, my dear
Their splendid sparkling fire
When suddenly you raise them so
To cast a swift embracing glance
Like lightning flashing in the sky

But there is a charm that is greater still
When my love’s eyes are lowered
When all is fired by passion’s kiss
And through the downcast lashes
I see the dull flame of desire

(Fyodor Tyutchev)

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Zen Passado – parte 11: A Decisão

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!
(Mario Quintana)

– E aí, meu caro? Tudo certo? O carro ficou pronto, posso te levar no aeroporto amanhã, que tal?

– Valeu pela força, Valtinho. Mas já pedi um táxi pr’amanhã. Não leve à mal, mas o voo é cedão, deixa quieto.

– Qualé, para com isso. Faço questão. Aproveito e te conto umas ‘paradas’ que estão pra rolar… E pago o café!

– Tá certo, combinado. Mas tenho que estar no aeroporto às cinco da matina em ponto. Sem furos, beleza? E sem paradas…

– Ok, entendi. Hasta luego, compañeiro!

Só me faltava o Valtinho me arrumar uma ‘parada’ no Chile. Esse cara é maluco. O homem-rolo. Acho que nunca exerceu a profissão que tem, vive de bico. Alguns são jogadas de mestres; outros, roubadas homéricas. Tô fora. Não preciso mais disso, tenho que focar nesse trampo e aproveitar a calmaria – se houver – pra escrever. Finalmente. Uma terapia e tanto. Uma página após a outra…

Por aqui, tudo certo. A proprietária não gostou muito de trocar o último aluguel por móveis detonados e alguns aparelhos eletrônicos ultrapassados, mas o que posso fazer? Foi bons pros dois: eu me livrei de coisas que não poderia levar e ela pelo menos minimiza o prejuízo.

Agora é separar o que vou levar de roupa, livros e CDs, e deixar o resto pro Cabral vir aqui pegar. Ele é o meu ‘reciclador’ oficial, pega tudo, diz que é pr’uma biblioteca comunitária e tal, vai saber. Pra mim, pouco importa. Que venda e ganhe um dinheirinho, fique com tudo, pelo menos as coisas circulam. Minha última boa ação. ‘Tava tudo mofando aqui em casa, sem uso. Bora aliviar um pouco a carga. Um amigo diz que seu objetivo na vida é ter apenas o que couber no carro. Ok, ele tem uma doblô, ainda assim é louvável sua meta.

Acho que consigo me virar bem com o que estou levando. Mas vou sentir falta daquela livraiada toda. Me confortavam em tempos difíceis. De qualquer maneira, sinto que chegou o momento de por um pouco pra fora tudo que consumi nesses anos todos. Ler menos e escrever mais.

– Hola, que tal, mi camarada? Te gusta pisco? Las muchachas chilenas son bonitas, no?

– Ouvir seu portunhol logo de manhã é tudo que eu queria… o carro ficou bom, hein?

– Não é? Novinho em folha. E agora é meu, fechei o negócio com minha tia. Ela ficou feliz, eu também. Ficou bom pra todo mundo.

– Parabéns. Me ajuda aqui com essa mala. A rodinha quebrou, saco.

– Porra, pesado pacas, hein? Tá levando um defunto aí dentro?

– Livros, bicho. Papel pesa mesmo.

– Joga fora tudo, meu, o negócio agora é ‘ebuqui’, Tudo numa caixinha desse tamaninho, ó!

– Maneiro. Mas sou fetichista, gosto de pegar, cheirar, olhar pro livro. E já deixei coisa bastante pra trás. Melhor nem pensar…

– Sai dessa, mano! Livro já era. Agora cabe tudo que tem nessa porra de mala nesse bagulhinho aqui. E a tela é boa pra ler. Quando você tiver um, vai me dar razão. Se quiser te arrumo.

– Nah, xapralá. Tenho outras prioridades agora.

A ida até o aeroporto é tranquila. Na medida do possível, claro. Valtinho não para de falar em paradas de tudo quanto é tipo, continua dirigindo insanamente, mas chego com tempo de sobra pra tomar um bom café e trocar um dinheiro. Me despeço com um abraço e a promessa de que ele poderá passar uns dias comigo em meu retiro nos Andes. Quer andar de esqui, ver a montanha, tomar uns piscos originais. É, pode ser divertido.

No avião, relaxo, ponho o fone de ouvido e deixo a mente vagar. Não quero pensar nas coisas que deixo pra trás, são fantasmas do que um dia sonhei em construir. No que depender de mim, morrem hoje.

Hora de construir um novo passado.

I did not become someone different
That I did not want to be
But I’m new here
Will you show me around?

No matter how far wrong you’ve gone
You can always turn around

Met a woman in a bar
Told her I was hard to get to know
And near impossible to forget
She said I had an ego on me
The size of Texas

Well I’m new here and I forget
Does that mean big or small?

No matter how far wrong you’ve gone
You can always tournaround

And I’m shedding plates like a snake
And it may be crazy but I’m
The closest thing I have
To a voice of reason

Turnaround turnaround turnaround
And you may come full circle
And be new here again

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O Que Há – Álvaro de Campos #umpoemapordia

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas
Essas e o que falta nelas eternamente
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,

Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço…

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Devagar e sempre

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(Uma página de cada vez)

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Cogito – Torquato Neto

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.

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Zen Passado – parte 10: A Amizade

amigos
(Foto: O Escriba)

Não contava com essa chuvinha de fim de tarde. São Paulo sempre me pega de surpresa. Não deveria, já que estou careca de saber que aqui fazem as quatro estações do ano num mesmo dia. Minha caminhada até o bar do Pedrão miou, vou ter que pegar outro táxi. Lá vai barão…

No caminho, deixo o livro do Camus de lado, mas Sísifo me acompanha nas divagações. Nas calçadas, nos bares, residências, carros vizinhos, estamos todos empurrando o rochedo morro acima. Alguns resignados (e felizes, até), outros com fé numa improvável providência divina, que os premiará pelos esforços feitos. Somos treinados a esperar compensações, certo? Um grande amor, um cargo importante, uma redenção, o fim de uma dor, um carro novo. São cenouras amarradas no cangote. Sem elas, empacamos. E o rochedo cai no vale profundo.

O taxista para o carro na esquina do bar. Desço e pego um pouco de chuva. Se não estivesse frio, teria vindo à pé. Gosto de andar na chuva.

Valtinho me chama pra mesa quando me vê. Já está meio bêbado, provavelmente chegou na hora do almoço e foi ficando. Já fiz muito isso.

– E aí, cara! Sentaí. Como foi nas entrevistas?

– De boa. Se tudo der certo, em duas semanas vou pro Chile.

Eu e minhas expectativas. Não consigo evitar.

– Sério? Que beleza! Vou te visitar por lá!

– Será um prazer. Mas se rolar não vai ser em Santiago, mas numa cidadezinha do interior. Lugar chamado Salamanca. Trampo com uma mineradora. Tem uma estação de esqui por lá. Mas não é minha praia. Vou aproveitar o tempo livre, se houver, pra escrever algumas coisas.

– Vai virar escritor! Nada melhor do que um lugar isolado ora escrever. Mas aí, sair de São Paulo e ir pro fim do mundo no Chile não deve ser fácil. Mas você se adapta. Já morou no Gabão, não foi?

– Não cara, foi Quênia. E isso tem muito tempo, nem lembro direito. Mas sim, devo sentir falta de São Paulo…

– Bom, os amigos estão aqui pra isso. Sempre que sentir saudades, vem pra cá passar o fim de semana e a gente toma todas aqui no Pedrão!

– É , pode ser.

É incrível como para o Valtinho, tudo se resolve. Sempre. É um otimista incorrigível. Bom, tem que ser. Vive de esquemas, paradas, rolos. Se não for otimista, não sobrevive. E nem convence os amigos a entrarem nas jogadas. Já me dei bem em algumas delas, mas a última foi um sinal de que precisava mudar de ares.

– Dói muito ainda o nariz? E o carro, como ficou?

– O nariz ainda incomoda, mas nada que um poderoso uíscão não resolva. E o carro já tá na oficina, em duas semanas pego ele de volta. E fiz um rolo com minha tia, vou ficar com ele. E cara, o que foi aquele acidente? Putaqueopariu!

– Sua tia é uma santa… E eu tenho uma ou duas definições pro que aconteceu, mas melhor ficar quieto…

– Hahahaha, tá certo – eu que me fodo e você quem reclama. Gostou no novo estilo do meu nariz? A pancada deixou ele mais curto, o médico disse!

A filha do Pedrão passa pela mesa e nos calamos em respeito à graciosidade. Peço mais uma cerveja pro Pedrão e ele pede pra filha levar. Chega sorridente, deixa a garrafa e sai assoviando algum roquenrol das antigas, que só conhece porque tem o pai que tem. Pedrão soube dar uma boa educação pr’essa mina.

Mila manda um SMS. Pede desculpas pela noite anterior e diz que quer sair. Respondo que estou com Valtinho tomando umas e outras e ela diz que vai chegar.

– Mila tá vindo pra cá.

– Caramba, meu. Tá rendendo com a figura, hein? Viraram amantes oficiais?

– Não sei o que viramos. Não quero pensar muito nisso…

– Boa, deixa rolar. O que tiver que ser, será.

Lá vem a filosofia de boteco do Valtinho. Ele não deixa de ter razão. Já passei da fase de esperar algo com a Mila. Ela me instiga, é certo, como uma cidade exótica que atrai o visitante para descobrir todas as suas quebradas, com os prazeres e riscos que isso possa implicar. Acho que temos mais coisas em comum do que diferenças – e são os iguais, e não os diferentes, que se atraem. Aí que está a merda: não sei se quero estar com alguém parecido comigo. Pelo menos não agora. E até onde eu percebo, ela tem outros planos – e não estou incluído neles.

Pedrão se junta a nós no papo na mesa. Traz uma garrafa de vinho e enche os copos – menos o do Valtinho, que prefere ficar no uísque. Quando os últimos fregueses saem, Pedrão libera o cigarro. Ótimo, porque chove cântaros lá fora. Acendo um e trago com força. Encho os pulmão e exalo uma fumaça encorpada. Quando ela se desfaz, Mila entra no bar. Está ensopada, cabelos lambidos escorrendo pelos ombros. Está mais bonita do que nunca.

A filha do Pedrão se despede, seu namoradinho chegou. Vai cair na balada. Pedrão dá os conselhos de praxe, que todo pai manda nessa hora, e ergue um brinde “à filha mais bonita da cidade”. Não há o que discutir. Voltamos ao papo. Mila só escuta. Tento não demonstrar muita ansiedade mas com o canto dos olhos percebo que ela está cabisbaixa, alheia.

– Tá tudo bem?

Pergunto, discretamente, enquanto Valtinho e Pedrão discutem sobre os rumos da humanidade com o novo papa.

– O de sempre. Precisava sair de casa, respirar, ver gente. Mas acho que cheguei tarde aqui…

– Quer ir pr’algum lugar?

– Não, tudo bem. Vamos ficar, o papo tá animado. Já é alguma coisa.

Mila se serve e entorna a primeira taça com vontade. Na segunda, para na metade. Fica um tempo apenas olhando ora Valtinho, ora Pedrão. Mas logo, aproveita uma brecha e entra no papo, já me incluindo, perguntando se não concordo que o papa é marqueteiro. Discordo, só pra por mais lenha na discussão. Ela já está mais animada. É o vinho quente subindo à cabeça.

Conto a novidade pra Mila.

– Acho que vou pro Chile.

– É mesmo? Que coisa boa! A passeio ou trampo?

– Trampo. Ficaram de me dar a resposta semana que vem. E se tudo correr bem, na outra já estarei por lá.

– Vai ganhar bem? Tem que ganhar, né? Pra mudar assim de país, tem que ter compensação. E Santiago é linda!

– Não vou pra lá. O trampo é numa cidade do interior, perto da montanha.

– Ai, que tudo! Um dia vou te visitar. Pode?

Fico sem resposta. Mila nem percebe. Já está engatada novamente no papo sem fim da mesa. Já está eufórica, soltando suas gargalhadas calculadas. Preciso aprender a desencanar das coisas como ela faz.

Pedrão, Valtinho e Mila levantam seus copos e brindam à minha viagem. Me enchem de perguntas sobre o trabalho, o lugar, as expectativas, e cada resposta rende mais uma rodada de vinho e sonhos. Assim varamos a noite. Tenho os melhores amigos do mundo. E um grande amor que bateu na trave.

Sou um cara de sorte.

Que os quatro
como num teatro
conservem a mão
sem nenhum
gesto

que o vinho quente
do coração
lhes suba à cabeça
espessa

que do bolso de
cada um dos quatro
como num teatro
voem
pombas
(pombas
brancas)
…e amanheça.

(Leia a história completa aqui)

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