O mundo estava no rosto da amada – Rainer Maria Rilke #umpoemapordia

O mundo estava no rosto da amada –
e logo converteu-se em nada, em
mundo fora do alcance, mundo-além.

Por que não o bebi quando o encontrei
no rosto amado, um mundo à mão, ali,
aroma em minha boca, eu só seu rei?

Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.
Mas eu também estava pleno de
mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei.

(Tradução: Augusto de Campos)

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Mas depois da revolução…

Manifesto (2015) – Jules Rosefeldt

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Face a Face – Cacaso #umpoemapordia

São as trapaças da sorte
são as graças da paixão
pra se combinar comigo
tem que ter opinião

Morena quando repenso
no nosso sonho fagueiro
o céu estava tão denso
inferno tão passageiro
uma certeza me nasce
e abole todo o meu zelo
quando me vi face a face
fitava o meu pesadelo
estava cego o apelo
estava solto o impasse
sofrendo nosso desvelo
perdendo no desenlace
no rolo feito novelo
até o fim do degelo
até que a morte me abrace

São as desgraças da sorte
são as traças da paixão
quem quiser casar comigo
tem que ter bom coração

Morena quando relembro
aquele céu escarlate
mal começava dezembro
já ia longe o combate
uma lambada me bole
uma certeza me abate
a dor querendo que eu morra
o amor querendo que eu mate
estava solta a cachorra
que mete o dente e não late

No meio daquela zorra
perdendo no desempate
girando feito piorra
até que a mágoa escorra
até que a raiva desate

(Cacaso)

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Anfiguri – Vinicius de Moraes #umpoemapordia

Aquilo que eu ouso
Não é o que quero
Eu quero o repouso
Do que não espero.

Não quero o que tenho
Pelo que custou
Não sei de onde venho
Sei para onde vou.

Homem, sou a fera
Poeta, sou um louco
Amante, sou pai.

Vida, quem me dera…
Amor, dura pouco…
Poesia, ai!…

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A história de Therèse

Therèse Abakar, jovem do Chade de 26 anos que foi sequestrada pelo Boko Haram com seus cinco filhos e conseguiu escapar – infelizmente apenas com o seu caçula. A história dela foi contada pelo jornal El Periódico, de Barcelona
 
Foto (e que foto!): Pablo Tosco / Oxfam Intermón
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Eu-Mulher – Conceição Evaristo #DiadoPoeta #umpoemapordia

Uma gota de leite
me escorre entre os seios.
Uma mancha de sangue
me enfeita entre as pernas
Meia palavra mordida
me foge da boca.
Vagos desejos insinuam esperanças.
Eu-mulher em rios vermelhos
inauguro a vida.
Em baixa voz
violento os tímpanos do mundo.
Antevejo.
Antecipo.
Antes-vivo
Antes – agora – o que há de vir.
Eu fêmea-matriz.
Eu força-motriz.
Eu-mulher
abrigo da semente
moto-contínuo
do mundo.

ConceicaoEvaristoDe Conceição Evaristo, poeta, romancista e contista, militante do movimento negro. A poeta nasceu em 1946 numa favela da zona sul de Belo Horizonte, conciliou seus estudos com o trabalho de empregada doméstica. Aos 25 anos, no início dos anos 1970, se mudou para o Rio de Janeiro, onde estudou Letras na UFRJ. Estreou na literatura em 1990, com obras publicadas na série Cadernos Negros, publicada pelo grupo  Quilombhoje. É mestra em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, e doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Sua obra mais conhecida é o romance Ponciá Vicêncio, de 2003, que foi traduzido para o inglês e publicado nos Estados Unidos em 2007.

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Segredos pregados por aí

“(…) Agora não tenho mais segredos. Já estão todos pregados por aí.”

(de O Último Suspiro do Mouro, de Salman Rushdie)

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