Um discurso histórico na premiação do Oscar 2020

Joaquin Phoenix e Rooney Mara
Joaquin Phoenix e Rooney Mara após cerimônia do Oscar 2020. Foto: Greg Williams

“Penso que é assim que chegamos ao nosso melhor: quando apoiamos uns aos outros. Não quando cancelamos uns aos outros por nossos erros passados, mas quando ajudamos uns aos outros a crescer. Quando educamos uns aos outros, quando guiamos uns aos outros para a redenção.”

Joaquin Phoenix, 2020 (leia aqui a íntegra do discurso, em inglês)

Foto: Joaquin Phoenix e Rooney Mara comendo hamburguer vegano após a premiação no Oscar 2020, por Greg Williams.

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O Que É – Erich Fried

É um absurdo
diz a razão
É o que é
diz o amor
É azar
diz o cálculo
É só dor
diz o medo
É desespero
diz a inteligência
É o que é
diz o amor
É ridículo
diz o orgulho
É imprudente
diz a cautela
É impossível
diz a experiência
É o que é
diz o amor
(Tradução: Vanderley Mendonça)
Erich Fried, poeta austríacoErich Fried (1921-2988) foi um poeta, tradutor e ensaísta austríaco, descendente de judeus. É considerado um dos principais representantes da poesia política da Alemanha e grande tradutor de Shakespeare para o alemão, por conseguir transmitir os jogos de linguagem do dramaturgo inglês. Traduziu também obras de T. S. EliotDylan ThomasGraham GreeneSylvia Plath e John Synge. Seu único romance é O Soldado e uma Menina, de 1960, e seu mais famoso livro de poemas é Es ist was es ist (1983).
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Impressões do Teatro – Wislawa Szymborska #umpoemapordia

Para mim, o mais importante na tragédia é o sexto ato:
o ressuscitar dos mortos das cenas de batalha,
o ajeitar das perucas e dos trajes,

a faca arrancada do peito,
a corda tirada do pescoço,
o perfilar-se entre os vivos
de frente para o público.

As reverências individuais e coletivas:
a mão pálida sobre o peito ferido,
as mesuras da suicida
o acenar da cabeça cortada.

As reverências em pares:
a fúria dá o braço à brandura,
a vítima lança um olhar doce ao carrasco,
o rebelde caminha sem rancor ao lado do tirano.

O pisar na eternidade com a ponta da botina dourada.
A moral varrida com a aba do chapéu.
A incorrigível disposição de amanhã começar de novo.

A entrada em fileira dos que morreram muito antes,
nos atos três e quatro, ou nos entreatos.
A volta milagrosa dos que sumiram sem vestígios.

Pensar que, pacientes, esperavam nos bastidores
sem tirar os trajes,
sem remover a maquiagem,
me comove mais que as tiradas da tragédia.

Mas o mais sublime é o baixar da cortina
e o que ainda se avista pela fresta:
aqui uma mão se estende para pegar as flores,
acolá outra apanha a espada caída.
Por fim uma terceira mão, invisível,
cumpre o seu dever:
me aperta a garganta.

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Inferno dos vivos – Italo Calvino

– O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço.

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Minhas 7 Quedas – Paulo Leminski #umpoemapordia

minha primeira queda
não abriu o pára-quedas

daí passei feito uma pedra
pra minha segunda queda

da segunda à terceira queda
foi um pulo que é uma seda

nisso uma quinta queda
pega a quarta e arremeda

na sexta continuei caindo
agora com licença
mais um abismo vem vindo

Paulo Leminski foi poeta, escritor, crítico literário, tradutor e professor, nascido em Curitiba (PR). Foi casado com a também poeta Alice Ruiz. Escreveu letras para músicas gravadas por Caetano Veloso, Itamar Assumpção e A Cor do Som. Seu primeiro livro foi Catatau (prosa experimental), publicado em 1975.

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Mergulhe enquanto é tempo

“Não é tarefa fácil amar alguém. É preciso ter uma energia, uma generosidade, uma cegueira… Há até um momento, bem no início, em que é preciso saltar por cima de um precipício: se refletimos, não o fazemos.”
Sartre, em A Náusea (1938)
Foto: Devant Chez Mestre (1947) – Willy Ronis
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A Flor – Robert Creeley #umpoemapordia

Creio que cultivo tensões
como flores
num bosque onde
ninguém vai.

Cada ferida é perfeita,
fecha-se em si mesma num minúsculo
botão imperceptível,
fazendo dor.

A dor é uma flor como aquela
como este,
como aquele,
como esta.

I think I grow tensions
like flowers
in a wood where
nobody goes.

Each wound is perfect,
encloses itself in a tiny
imperceptible blossom,
making pain.

Pain is a flower like that one,
like this one,
like that one,
like this one.

(Tradução: Vanderley Mendonça)

Robert Creely é um poeta e professor universitário americano, integrante da geração conhecida como ‘poetas da Black Mountain’ (anos 1950 e 1960) e também da Geração Beat. Privilegia em seus versos a percepção das coisas e os ritmos da fala. Sua poesia é minimalista, lacônica, direta. Seu primeiro livro, For Love – Poems 1950-1960, foi publicado em 1962.

 

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