Faleceu Ferreira Gullar

Foi-se um grande poeta. Na morte de Clarice Lispector, Gullar escreveu:

“as pedras e as nuvens e as árvores
no vento
mostravam alegremente
que não dependem de nós.”

Verdade. Mas a gente depende, poeta. Precisamos de mais poesia, hoje e sempre!
Descanse em paz.

#umpoemapordia

Falando em Literatura...

Hoje, 04/12/2014, surpreendeu- nos a notícia do falecimento de um dos grandes poetas do Brasil, Ferreira Gullar, aos 86 anos. Deu no Globo, que ele havia sido internado ontem em um hospital do Rio de Janeiro devido a problemas pulmonares. Prêmio Camões em 2010 e imortal da Academia Brasileira de Letras (2014).

O próprio poeta lendo a sua obra- prima, “Poema sujo”:

turvo turvo
a turva
mão do sopro
contra o muro
escuro
menos menos
menos que escuro
menos que mole e duro menos que fosso e muro: menos que furo
escuro
mais que escuro:
claro
como água? como pluma? claro mais que claro claro: coisa alguma
e tudo
(ou quase)
um bicho que o universo fabrica e vem sonhando desde as entranhas
azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu
tua gengiva igual a tua bocetinha que parecia sorrir entre as folhas de
banana entre os…

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Tommy Guerrero: das pistas de skate pro estúdio, com a mesma pegada desconstraída

Tommy Guerrero

Como skatista, Tommy Guerrero era conhecido por um estilo mais largadão e descontraído, e assim conquistou fãs e sucesso na costa oeste dos Estados Unidos nos anos 80, fazendo parte de um time de skatistas profissionais da Califórnia. O tempo passa, e ele decide descambar pra seara da música, trocou os skates por violões. Começou tocando em pequenos grupos de São Francisco, depois se meteu em carreira solo, e vou te falar, tá fazendo bonito, com um estilo de música que vai do rock e jazz pro hip hop e funk.

Já gravou oito discos (um deles, Perpetual, foi lançado apenas digitalmente em 2015), dos quais escutei uns três com prazer entre ontem (em casa, quando o descobri por minhas navegações aleatórias pelo youtube) e hoje (no trabalho).  Soul Food Taqueria (2003) tem mais elementos eletrônicos e de hip hop, Loose Grooves & Bastard Blues (1998, o primeirão) é mais cru e violeiro, já indicando os caminhos por onde seguiria, e o meu favorito (até o momento), Lifeboats and Follies (2011), que tá aí embaixo na íntegra, que é uma mistureba das boas de referências e muito bem gravado e editado. Destaquei uma das músicas do disco que mais me chamou a atenção, Que S’est-il Passe – seja pela boa batida latina e parceria suingada entre órgão e baixo, seja pelo divertido vídeo de turista no verão mediterrâneo.

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Hasta siempre, Comandante!

Viva Fidel! (1926-2016)

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Fotógrafa taiwanesa explora universo feminino de maneira surrealista

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Fotos de Yung Cheng Lin, também conhecida como 3cm. Mais fotos em seu Flickr.

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Três Coisas – Mario Lago e Hermeto Paschoal #umpoemapordia

Três coisas pra mim no mundo
Valem bem mais do que o resto
Pra defender qualquer delas
Eu mostro o quanto que presto
É o gesto, é o grito, é o passo
É o grito, é o passo, é o gesto
O gesto é a voz do proibido
Escrita sem deixar traço
Chama, ordena, empurra, assusta
Vai longe com pouco espaço
É o passo, é o gesto, é o grito
É o gesto, é o grito, é o passo
O passo começa o vôo
Que vai do chão pro infinito
Pra mim que amo estrada aberta
Quem prende o passo é maldito
É o grito, é o passo, é o gesto
É o passo, é o gesto, é o grito
O grito explode o protesto
Se a boca já não dá espaço
Que guarde o que há pra ser dito
É o grito, é o passo, é o gesto
É o gesto, é o grito, é o passo
É o passo, é o gesto, é o grito.

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O contrário de nada é nada – Mutantes

Muito tempo eu andei contra o vento
Mas agora é hora e mudar
Pois o contrário de nada é nada
E assim não se sai do lugar
Quando a cuca da gente se enrola
E se pergunta de que lado vai ficar
Eu sei que Deus está em todas as coisas
Mas contra não está
Se os gregos e troianos atacam
E seus pés já não tem onde pisar
E se você quiser saber onde eu fico é só me escutar
Rock’n’roll yeah! Rock’n’roll yeah!
Rock’n’roll yeah! Rock’n’roll yeah!
Quando a mente está em pleno silêncio
Não esta nessa, e muito menos naquela
É ai que você pode então escolher
Quem conhece bem o branco e o preto
Já viveu e já morreu no caminho
Está pronto para as cores do sol receber

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Os lados – Paulo Mendes Campos #umpoemapordia

Há um lado bom em mim.
O morto não é responsável
Nem o rumor de um jasmim.
Há um lado mau em mim,
Cordial como um costureiro,
Tocado de afetações delicadíssimas.

Há um lado triste em mim.
Em campo de palavra, folha branca.

Bois insolúveis, metafóricos, tartamudos,
Sois em mim o lado irreal.

Há um lado em mim que é mudo.
Costumo chegar sobraçando florilégios,
Visitando os frades, com saudades do colégio.

Um lado vulgar em mim,
Dispensando-me incessante de um cortejo.
Um lado lírico também:

Abelhas desordenadas de meu beijo;
Sei usar com delicadez um telefone,
Nâo me esqueço de mandar rosas a ninguém.

Um animal em mim,
Na solidão, cão,
No circo, urso estúpido, leão,
Em casa, homem, cavalo…

Há um lado lógico, certo, irreprimível, vazio
Como um discurso,
Um lado frágil, verde-úmido.
Há um lado comercial em mim,
Moeda falsa do que sou perante o mundo.

Há um lado em mim que está sempre no bar,
Bebendo sem parar.

Há um lado em mim que já morreu.
Às vezes penso se esse lado não sou eu.

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