Lowdown – Wire

The time is too short
But never too long
To reach ahead
To project the image
Which will in time
Become a concrete dream
Another cigarette
Another day
From A to B
Again avoiding C, D, and E
‘Cause E’s
Where you play the blues
Avoiding a death
Is to win the game
To avoid relegation
The big E
Drowning in the big swim
Rising to the surface
The smell of you
That’s the lowdown
That’s the lowdown
Drowning in the big swim
Rising to the surface
The smell of you
That’s the lowdown

Wire é uma banda inglesa formada em 1976 e considerada uma das mais importantes da cena punk e pós-punk. Pink Flag é o primeiro disco da banda.

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A Poesia é uma Arma Carregada de Futuro – Gabriel Celaya #umpoemapordia

Quando já nada se espera particularmente exaltante,
mas palpitamos e seguimos aquém da consciência,
feramente existindo, cegamente afirmando
como um pulso que golpeia as trevas;

quando miramos de frente
os vertiginosos olhos claros da morte;
dizemos as verdades:
as bárbaras, terríveis, amorosas crueldades.

Dizemos os poemas que enchem os pulmões
dos que, asfixiados,
pedem ser, pedem ritmo,
pedem lei para aquilo que sentem em excesso.

Com a velocidade do instinto,
com o raio do prodígio,
como mágica evidência, o real que se transforma
no idêntico a si mesmo.

Poesia para o pobre, poesia necessária
como o pão de cada dia,
como o ar que exigimos treze vezes por minuto,
para ser e, enquanto somos, dar o sim que glorifica.

Porque vivemos aos tropeços,
porque apenas nos deixam
dizer que somos quem somos,
os cânticos não podem ser sem pecado, um adorno.
Estamos chegando ao fundo!

Maldigo a poesia concebida como um luxo
cultural para os neutros,
que, lavando-se as mãos, se desentendem e evadem!
Maldigo a poesia de quem não toma partido,
partido até manchar-se!

Faço minhas as faltas. Sinto em mim os que sofrem
e canto respirando.
Canto, e canto, e, cantando para lá de minhas penas, me amplio.

Quisera dar-lhes vida, provocar novos atos.
E calculo, por isso, com a técnica que posso.
Me sinto um engenheiro do verso e um operário
que forja com outros a Espanha em seus alicerces.

Assim é minha poesia: poesia-ferramenta,
ao mesmo tempo o pulsar do unânime e cego.
Assim é: arma carregada de futuro expansivo
que aponto o teu peito.
Não é uma poesia gota a gota pensada.
Não é um belo produto. Não um fruto perfeito.
É algo como o ar, que todos respiramos,
e é o canto que expande o que dentro levamos.
São palavras que repetimos sentindo como nossas
e voam. São mais que o pensado:
são gritos no céu; e, na terra, são atos.

Poema de Gabriel Celaya, poeta e ativista espanhol, amigo de García Lorca e combatente republicano na Guerra Civil Espanhola. Fundou com sua esposa, Amparo Gastón, a coleção de poesia “Norte”, com trabalhos traduzidos de Rainer Maria Rilke, Arthur Rimbaud e William Blake.

Seu primeiro livro de poesias, Marea del Silencio, foi publicado em 1935.

Aqui a versão original do poema, em espanhol.

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Os cúmplices do golpe imóveis em suas confortáveis bolhas

É triste, pra dizer o mínimo, constatar que tenho amigos e familiares que defendem, sem o menor constrangimento, o retrocesso pelo qual passa o país. Uns apoiaram e colaboraram com o golpe de caso pensado, outros sem saber exatamente o que estavam fazendo – e hoje penam para justificar a lambança. São no mínimo cúmplices… Não os odeio, mas mantenho uma salutar distância.

Pensei neles quando li este artigo sobre a liberdade em tempos sombrios. Rosa Luxemburgo resume: “Quem não se movimenta não percebe as correntes que o aprisionam.”

Tem gente que está paralisada na bolha de privilégios e não quer sair nem a pau… ou não sabe sair.

“A experiência francesa durante a ocupação alemã guarda certa similitude com o Brasil de hoje. Na França parte da sociedade (muito maior do que os franceses gostam de admitir) foi complacente ou colaborou com o invasor que massacrava seu povo e aniquilava os mais elementares direitos dos franceses. Hoje, parte da sociedade brasileira assiste inerte, é complacente, apoia ou apoiou usurpadores que vão reduzindo a pó o pouco de direitos e garantias de um povo já miserável.”

Aqui o artigo completo, publicado no blog Justificando.

Perdoar sim; esquecer, jamais.

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Exposição apresenta as cópias contato das fotografias de Os Americanos, de Robert Frank

Foram cerca de 800 rolos de filme usados pelo fotógrafo Robert Frank em suas viagens pelos Estados Unidos até chegar às 83 imagens finais de Os Americanos, sua obra-prima publicada em 1958.

Se considerarmos que cada rolo de filme usado tinha 36 poses, são quase 30 mil fotos tiradas! Desse total, ele separou 81 rolos (quase 3 mil fotos) para fazer a edição final, chegando enfim às 83 imagens que foram publicadas.

Na época da fotografia analógica, era preciso revelar os negativos dos filmes e, depois, ampliar as imagens. Mas para não se gastar muito papel fotográfico e tempo no laboratório (e consequentemente dinheiro), se faziam ‘cópias contato’ dos filmes (imagem acima), basicamente reproduzindo o filme inteiro em imagens-miniatura (sem ampliação) para que as melhores imagens pudessem ser escolhidas e, aí sim, ampliadas.

As cópias contato dos 81 rolos de filme que deram origem a um livro em 2009 e agora estão em exposição na galeria Danziger, em Nova York, até o próximo dia 8 de abril.

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As impossíveis esculturas humanas de Jörg Heidenberger

Mais ‘esculturas’ na página oficial do fotógrafo.

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Julga-me a gente toda por perdido – Luís de Camões #umpoemapordia

Julga-me a gente toda por perdido,
Vendo-me tão entregue a meu cuidado,
Andar sempre dos homens apartado
E dos tratos humanos esquecido.

Mas eu, que tenho o mundo conhecido,
E quase que sobre ele ando dobrado,
Tenho por baixo, rústico, enganado
Quem não é com meu mal engrandecido.

Vá revolvendo a terra, o mar e o vento,
Busque riquezas, honras a outra gente,
Vencendo ferro, fogo, frio e calma;

Que eu só em humilde estado me contento
De trazer esculpido eternamente
Vosso fermoso gesto dentro na alma.

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Nem Sequer Sou Poeira – Jorge Luis Borges #umpoemapordia

Não quero ser quem sou. A avara sorte
Quis-me oferecer o século dezassete,
O pó e a rotina de Castela,
As coisas repetidas, a manhã
Que, prometendo o hoje, dá a véspera,
A palestra do padre ou do barbeiro,
A solidão que o tempo vai deixando
E uma vaga sobrinha analfabeta.
Já sou entrado em anos. Uma página
Casual revelou-me vozes novas,
Amadis e Urganda, a perseguir-me.
Vendi as terras e comprei os livros
Que narram por inteiro essas empresas:
O Graal, que recolheu o sangue humano
Que o Filho derramou pra nos salvar,
Maomé e o seu ídolo de ouro,
Os ferros, as ameias, as bandeiras
E as operações e truques de magia.
Cavaleiros cristãos lá percorriam
Os reinos que há na terra, na vingança
Da ultrajada honra ou querendo impor
A justiça no fio de cada espada.
Queira Deus que um enviado restitua
Ao nosso tempo esse exercício nobre.
Os meus sonhos avistam-no. Senti-o
Na minha carne triste e solitária.
Seu nome ainda não sei. Mas eu, Quijano,
Serei o paladino. Serei sonho.
Nesta casa já velha há uma adarga
Antiga e uma folha de Toledo
E uma lança e os livros verdadeiros
Que ao meu braço prometem a vitória.
Ao meu braço? O meu rosto (que não vi)
Não projecta uma cara em nenhum espelho.
Nem sequer sou poeira. Sou um sonho

(publicado em “História da Noite”, tradução de Fernando Pinto do Amaral)

Poema original, em espanhol:

No quiero ser quien soy. La avara suerte
me ha deparado el siglo diecisiete,
el polvo y la rutina de Castilla,
las cosas repetidas, la mañana
que, prometiendo el hoy, nos da la víspera,
la plática del cura y del barbero,
la soledad que va dejando el tiempo
y una vaga sobrina analfabeta.
Soy hombre entrado en años. Una página
casual me reveló no usadas voces
que me buscaban, Amadís y Urganda.
Vendí mis tierras y compré los libros
que historian cabalmente las empresas:
el Grial, que recogió la sangre humana
que el Hijo derramó para salvarnos,
el ídolo de oro de Mahoma,
los hierros, las almenas, las banderas
y las operaciones de la magia.
Cristianos caballeros recorrían
los reinos de la tierra, vindicando
el honor ultrajado o imponiendo
justicia con los filos de la espada.

Quiera Dios que un enviado restituya
a nuestro tiempo ese ejercicio noble.
Mis sueños lo divisan. Lo he sentido
a veces en mi triste carne célibe.
No sé aún su nombre. Yo, Quijano,
seré ese paladín. Seré mi sueño.
En esta vieja casa hay una adarga
antigua y una hoja de Toledo
y una lanza y los libros verdaderos
que a mi brazo prometen la victoria.
¿A mi brazo? Mi cara (que no he visto)
no proyecta una cara en el espejo.

Ni siquiera soy polvo. Soy un sueño
que entreteje en el sueño y la vigilia
mi hermano y padre, el capitán Cervantes,
que militó en los mares de Lepanto
y supo unos latines y algo de árabe…
Para que yo pueda soñar al otro
cuya verde memoria será parte
de los días del hombre, te suplico:
mi Dios, mi soñador, sigue soñándome.

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