Žižek: A lição da vitória de Corbyn

Toda a esquerda brasileira, os movimentos sociais, coletivos, ONGs etc do campo progressista, com raras exceções, precisam ler com urgência e entender que o caminho que trilham é tão autoritário quanto o que combatem…

Além desse texto do Zizek, outro muito interessante que vai na mesma linha é o da Camila Spósito, que li no site Outras Palavras. Alguns trechos:

“Triste é o papel daqueles que, tendo se proposto a mudar o mundo, tornam-se incapazes de buscar alternativas e se limitam a imitar, com sinal trocado, a atitude do opressor.”

(…)

“A esquerda tem que deixar de ser reativa e abandonar padrões mentais que empacam a análise política na identificação da “culpa” do opressor, ou vai perder mais uma vez a chance de ser a voz porta-voz da nova sociedade que se anuncia, confirmando, por ação ou omissão, a tendência sombria de ser a vítima histórica.”

Precisa desenhar?

Blog da Boitempo

PorSlavoj Žižek.

O inesperado sucesso de Jeremy Corbyn e do Labour Party nas urnas inglesas deixou vermelha de vergonha a sabedoria cínica predominante entre os pretensos especialistas políticos. Até mesmo aqueles que se diziam simpatizar com Corbyn, mas que se esquivavam com a desculpa de que “Sim, eu votaria nele, mas a realidade é que ele é inelegível, o povo está muito manipulado e amedrontado, o momento ainda não é ideal para um lance tão radical.”

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Veteranos: Faces da Segunda Guerra Mundial

Livro do fotógrafo ucraniano Sasha Maslov publicado recentemente apresenta retratos e entrevistas com veteranos da Segunda Guerra Mundial – de todos os lados do conflito. Maslov os fotografou em suas respectivas casas e registrou as histórias de como eles entraram no maior conflito do século passado e como sobreviveram. São mais de 50 personagens russos, americanos, poloneses, indianos, chineses, gregos, alemães, franceses, finlandeses, eslovenos, austríacos e canadenses contando suas experiências, sonhos e frustrações.

“Percebi que precisava procurar mais e mais vozes e mais e mais lugares para fazer justiça à diversidade das experiências dessa geração”, afirma Maslov, que descobriu que “principalmente nos países menores, os veteranos são imensamente orgulhosos de papel que desempenharam na guerra e têm grande participação nas comunidades locais”.

Aqui alguns depoimentos dos veteranos.

O livro Veteranos: Faces da Segunda Guerra Mundial pode ser comprado aqui.

Fonte: PDN Online

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Nada é original – Jim Jarmusch

Nada é original.

Roube de qualquer lugar que ressoa com a inspiração ou de combustíveis para sua imaginação. Devore filmes antigos, novos filmes, música, livros, pinturas, fotografias, poemas, sonhos, conversas aleatórias, arquitetura, pontes, placas de rua, as árvores, as nuvens, as massas de água, luz e sombras. Selecione somente para roubar coisas que falam diretamente à sua alma. Se você fizer isso, o seu trabalho (e roubo) será autêntico.

Autenticidade é inestimável; originalidade é inexistente. E não se sinta incomodado em esconder seu roubo – o celebre se você sentir vontade.
Em todo caso, lembre-se sempre o que Jean-Luc Godard disse:

“Não é de onde você pega as idéias, mas para onde você as leva”.

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#GypsieRaleigh

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Livro reúne fotos de carros solitários dos anos 70 em Nova York

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Entre 1974 e 1976, o fotógrafo Langdon Clay percorreu as ruas de Nova York durante a noite para registrar velhos carangos (gíria da época para carrões), alguns em estado bem duvidoso, quase abandonados. Essa série de fotos foi publicada no final do ano passado num livro (Langdon Clay: Cars: New York City, 1974–1976) com 115 imagens – aqui, para comprar na Amazon.

Clay fotografou os carros com uma câmera Leica, tripé, lente de 40mm e filme Kodachrome, sempre com longas exposições (ou seja, velocidade muito baixa de obturador, o que dá um ar meio fantasmagórico para os ambientes ao redor dos carros). A premissa, básica: um carro, uma rua, um cenário de fundo. E as cores da noite.

“Eles são os reis da noite, aqueles Charges, Gremlins, Checkers, Galaxies 500, Fairlanes, Sables, Rivieras, LeSabres e Eldorados. Eles exibem sem vergonha alguma seus amassados, ferrugem e portas empenadas.”

Sempre que vejo um carro antigo, principalmente anos 70 ou 80, eu paro para admirar. São guerreiros sobreviventes, e têm um charme particular. Já tive minha cota de carros antigos – Marea, Kadett, Fusca, Gol bolinha, Parati – mas se algum dia voltar a ter um carro, certamente será uma dessas valorosas latas-velhas. Tipo uma Variant mostarda que vi certa vez na rua João Moura, em Pinheiros (SP). O cara queria 15 mil irreais – ficou querendo…

(fonte: Hyperallergic)

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A Segunda Ida – Philip Levine #umpoemapordia

Novamente o
dia começa, mas
ninguém quer sua sanidade
ou sua claridade ofuscante. A luz do dia
não é o que viemos até aqui buscar.
Uma pitada de sal, um pingo de aguardente em nossa xícara
de lágrimas, um bilhete para a vida que virá, uma vida curta de
longas noites e amanheceres ausentes e um pouco de misericórdia no chá.

(tradução minha mesmo, desculpa qualquer coisa)

Original em inglês:

The Second Going

Again the
day begins, only
no one wants its sanity
or its blinding clarity. Daylight is
not what we came all this way for. A
pinch of salt, a drop of schnapps in our cup
of tears, the ticket to the life to come, a short life of
long nights & absent dawns & a little mercy in the tea.

Philip Levine é um poeta americano, nascido em Detroit (1928), ganhador do prêmio Pulitzer de Poesia em 1995. Suas obras têm como tema os operários e suas causas. Morreu em 2015, aos 87 anos, de câncer no pâncreas.

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Poema – Frank O’Hara (1950) #umpoemapordia

Se eu soubesse exatamente porque a castanheira
parece estar a ponto de flamejar ou morrer, suas pirâmides

tremulam, eu te contaria? Talvez não.
Nós devemos manter o interesse por selos estrangeiros,

horários de trem, placares de baseball, e
psicologia anormal, ou tudo se perde. Eu

poderia te contar além do que eu e você
suportaríamos, e eu suponho que você responderia

com gentileza. É uma coisa terrível se sentir como
quem faz um piquenique e esqueceu o almoço.

E todas as coisas se resolvem sozinhas,
elas se entendiam sem nós antes. Mas deus,

fez tudo então! E agora é a nossa árvore
que está em flamas, ainda florescendo, como se

não tivesse nada melhor para fazer! Não temos nós
um dever com ela, como se ela fosse uma mina de ouro

nós sucumbimos a íngremes montanhas desertas,
ou a uma criança suja, ou a um abscesso fatal?

Frank O’Hara foi um poeta e crítico de arte americano, um dos fundadores da chamada Escola de Nova York, que reunia teatro, pintura, poesia e música, sempre numa linguagem mais comum, sem afetação. Foi curador de arte no Museu de Arte Moderna de Nova York nos anos de 1960, mas abandonou o cargo para dedicar-se integralmente à literatura. Morreu atropelado, aos 40 anos.

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