Hashtag no Twitter incentiva usuários a escreverem à mão

JpegHoje é o Dia Nacional de Escrita à Mão na Inglaterra e vários perfis ingleses no Twitter criaram a hashtag #nationalhandwritingday pra incentivar o pessoal a mandar trechos de poemas ou livros, escritos à mão. Mandei de um dos meus poemas favoritos, Mal Secreto, do Waly Salomão.

Não escrevo mais à mão no dia a dia, faço tudo em teclados – do computador, do celular. Escrever mesmo, só eventualmente. Até sinto falta, pero no mucho. É bem mais fácil – e rápido – fazer no teclado. Mas cientistas noruegueses advertem: escrever à mão favorece o processo de aprendizagem, por exige mais esforço e concentração do cérebro. Portanto, não custa nada de tempos em tempos fazer algumas anotações com a velha e boa caneta bic, né não?

Algumas das imagens de trechos escritos à mão enviadas pela galera no Twitter:

Este slideshow necessita de JavaScript.

Se você se animar, envie sua contribuição e eu incluo na galeria! 🙂

Publicado em livros, poesia | Com a tag , , , , , , , | Deixe um comentário

Veneno – Alceu Valença

Aprendi com a chuva
Você não quis me ensinar
Fiz toalha do sol também
Você não quis me enxugar
Eu fui jogado entre as feras
Olho por olho é a lei
Qualquer dia eu enfrento sua guerra
E minhas balas têm gosto de hortelã
Eu sou a terrível febre amarela
E o veneno da cobra e da maçã

Publicado em musica | Com a tag , , | Deixe um comentário

“Apagar a linha entre humanos e máquinas é obscurecer a linha entre humanos e deuses” (do filme Ex Machina)

AVA

“A melhor ficção científica geralmente aborda as mais antigas questões. No coração do filme Ex Machina está um dos mais duros nós intelectuais da humanidade, sobre consciência artificial. É possível construir uma maquina que não é apenas inteligente, mas também senciente: que tem consciência, não apenas do mundo mas também de si própria? Podemos construir um ‘golem’ moderno, aquele ser do folclore judaico que é moldado de matéria disforme e pode tanto servir à humanidade como também se voltar contra ela em determinadas condições?

E se pudermos, o que aconteceria conosco?”

Tô ansioso pra ver esse filme, do diretor inglês Alex Garland, que deve estrear em abril. Faz tempo que não vejo um filme de ficção científica inteligente, a indústria está mais preocupada em lançar bobagens como Interestelar e Gravidade, centrados mais na forma do que no conteúdo. Com plateias cada vez mais adolescentes (ou adolescentes tardios), faz todo sentido, mas… enfim, como bem diz essa matéria da revista New Scientist, é raro ver um filme sobre ciência que não faz concessões intelectuais. Ex Machina parece ser o caso – assim como o último filme do Terry Gilliam, O Teorema Zero. Os fãs de ficção científica agradecem.

Atualização: Finalmente vi Ex Machina. Filme de ficção científica de gente grande, para espectadores cansados de efeitos especiais estéreis. Ava, a ginoide do filme (versão feminina de androide, que é todo robô em forma de homem), é uma personagens das mais perturbadoras dos últimos tempos. Conquistou até a mim! 🙂

Publicado em filmes | Com a tag , , , , , , , | 2 Comentários

Resíduo – Carlos Drummond de Andrade #umpoemapordia

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
― vazio ― de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil…
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver… de aspirina.
De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.

Poema de Carlos Drummond de Andrade publicado no livro A Rosa do Povo, de 1945 (ed. José Olympio)

Publicado em poesia | Com a tag , , , , | Deixe um comentário

Festival online de filmes franceses começa nesta sexta (16/1)

Que beleza! Um festival online de cinema francês! Começa nesta sexta (16/1) – são 10 longas e 10 curtas em competição, a maioria lançado em 2014. Além disso, outros quatro filmes fora da competição, um deles um clássico com Alain Delon. Tudo legendado.

Na boa? Todo festival de cinema deveria ser online, pra ter alcance global.

Prepare o cabo HDMI e bon voyage!

Avatar de carolnogueira76quadrado

RESPIRE

Você descobre que está profundamente deboísta quando passa em revista todos os mil e quinhentos filmes do Netflix e acha que já viu tudo o que te interessa. Quando nem os lançamentos Now te enchem mais os olhos. Cinema, já foi tudo. Seu livro Devagar está devagarzinho chegando ao fim.

Mas aí vem a notícia deboísta da semana: o Meu Festival de Filmes Franceses!

Quem teve essa ideia foi um gênio, sério. São curta-metragens e dez filmes lançados no ano passado, além de um filme belga e um clássico. O festival tem premiação do juri e da audiência – da qual, claro, você vai poder participar online.

A partir de sexta-feira e até 16 de fevereiro, você entra aqui, escolhe o filme e dá play. Tudo legendadinho. De graça da silva.

Tchau, vida social.

Ver o post original

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé – Ná Ozetti #umpoemapordia

De Ariana Para Dionísio

Três luas, Dionísio, não te vejo.
Três luas percorro a Casa, a minha,
E entre o pátio e a figueira
Converso e passeio com meus cães

E fingindo altivez digo à minha estrela
Essa que é inteira prata, dez mil sóis
Sirius pressaga

Que Ariana pode estar sozinha
Sem Dionísio, sem riqueza ou fama
Porque há dentro dela um sol maior:

Amor que se alimenta de uma chama
Movediça e lunada, mais luzente e alta

Quando tu, Dionísio, não estás.

(Trecho de poema de Hilda Hilst, musicado por Zeca Baleiro. Para o poema completo, clique aqui)

Publicado em poesia | Com a tag , , , , , , | Deixe um comentário

Into the Mystic – Van Morrison

We were born before the wind
Also younger than the sun
Ere the bonnie boat was won as we sailed into the mystic
Hark, now hear the sailors cry
Smell the sea and feel the sky
Let your soul and spirit fly into the mystic
And when that fog horn blows I will be coming home
And when that fog horn blows I want to hear it
I don’t have to fear it
I want to rock your gypsy soul
Just like way back in the days of old
Then magnificently we will float into the mystic
And when that fog horn blows you know I will be coming home
And when thst fog horn whistle blows I got to hear it
I don’t have to fear it
I want to rock your gypsy soul
Just like way back in the days of old
And together we will float into the mystic

Publicado em musica | Com a tag , , | Deixe um comentário

Robert Crumb tambem fala (e desenha) sobre o massacre na revista Charlie Hebdo

“Não vou fazer minha carreira tentando fisgar alguns malditos fanáticos religiosos, insultando seu profeta. Não faria isso. Me parece doido fazer isso. Mas depois que eles foram mortos, eu simplesmente tinha que desenhar o cartum mostrando o profeta. O cartum que desenhei mostra eu segurando o desenho que acabei de fazer. Um desenho cru, de uma bunda com a legenda “A Bunda Cabeluda de Mohamid””. (risos)

The Hairy Ass of Muhammad - Robert Crumb

The Hairy Ass of Mohamid – Robert Crumb

Robert Crumb é um dos maiores cartunistas de todos os tempos, criou personagens que não deixaram pedra sobre pedra na cultura americana e vive na França há cerca de 25 anos. Fonte perfeita para falar depois do massacre na iconoclasta revista francesa Charlie Hebdo, não? Claro! Mas a ficha demorou a cair para a imprensa americana, e Crumb só foi procurado uma semana depois. Ok, antes tarde do que nunca, mas … que bola fora, hein?

Enfim, de qualquer maneira a repórter Celia Farber, do jornal semanal New York Observer, fez uma excelente entrevista com Crumb, que vive desde 1991 em Sauve, na França. De saída, o cartunista desceu a lenha no jornalismo americano (isso pq não conhece o brasileiro…): ao ser perguntado se estava respondendo a muitas questões sobre o caso, Crumb mandou:

Não, voce é a primeira. Vocês não têm mais jornalistas (nos EUA), o que tem lá agora é gente de relações públicas. É isso que eles têm na América hoje. 250 mil pessoas em relações públicas. E alguns poucos jornalistas e repórteres.

Pois é…

Sobre o caso da Charlie Hebdo em si, Crumb lembra que a revista é famosa por insultar não apenas muçulmanos, mas também cristãos, judeus, o Papa, o presidente, não importa. E que não existe nos EUA uma revista parecida (a MAD não chega nem próximo do que a Charlie faz), por isso é tão difícil os americanos entenderem essa lógica – que é uma tradição na França. Crumb afirma ainda que o estilo da revista francesa não é bem o seu (ainda que ele tenha provocado sérias discussões sobre a visão de racismo e feminismo que aplicava em seu trabalho), mas que depois das mortes, resolveu fazer um cartum em homenagem às vítimas, ainda que de maneira totalmente ‘crumbeana’, digamos assim. Ou seja, dá a pancada, mas deixa uma brecha ‘covarde’, como ele mesmo admite.

Publicado em civilização, HQs e charges, humor | Com a tag , , , , , | 8 Comentários

Quadrinista e jornalista Joe Sacco discute qual o limite do humor e da sátira

“Quando desenhamos uma linha, frequentemente a cruzamos também. Porque linhas no papel são armas, e sátira foi feita para cortar até o osso. Mas osso de quem? Qual exatamente é o alvo?”

Agora que a poeira do ataque à revista francesa Charlie Hebdo abaixou, podemos discutir melhor o humor e a sátira, e seus limites e consequências. Joe Sacco, quadrinista e jornalista, premiado em ambas categorias com as HQs sobre a Palestina, coloca alguns pingos nos ‘iis’, discutindo o assunto de maneira equilibrada. Sim, ele diz, podemos desenhar, debochar e criticar o que quisermos. Mas com qual propósito? Onde queremos chegar? Veja o quadrinho que Sacco fez, publicado hoje pelo The Guardian:

joesaccoonsatire1200

Publicado em civilização, HQs e charges | Com a tag , , , , , , , | Deixe um comentário

Charlie Hebdo, uma revista herdeira do movimento anarco socialista francês de 1968

Todo mundo falando sobre a revista francesa Charlie Hebdo, mas pouca gente sabe qual era sua linha editorial, seu posicionamento político, etc. Esse texto do blog da editora Boi Tempo explica bem do que se trata a publicação.

Avatar de BoitempoBlog da Boitempo

JE SUIS CHARLIEPor João Alexandre Peschanski.

O Charlie Hebdo, cuja redação foi alvo de um atentado terrorista em 7 de janeiro de 2015, é um veículo de comunicação de extrema-esquerda. A origem política e artística dos principais nomes do veículo remonta aos anos 1960 na França. É a essa geração original que pertenciam Cabu e Wolinski, que estão entre as doze vítimas confirmadas até o momento em que escrevo este texto, com vários feridos ainda em estado grave. A marca inicial soixante-huitarde – dos participantes dos protestos de 1968 – está impregnada em toda a trajetória do semanário satírico.

O diretor de redação do Charlie Hebdo, Charb, também assassinado no ataque, era parte de uma nova geração de artistas e jornalistas, diretamente herdeira do grupo original. Três décadas mais jovem que Cabu e Wolinski, era ele quem orientava a linha política e editorial do semanário desde 2009. Segundo…

Ver o post original 888 mais palavras

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário