sem título – Velimir Khliebnikov

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Basta-me um mínimo:
lasca de pão,
gota de leite
e, céu acima,
nuvens alvíssimas.

(tradução Haroldo de Campos)

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Fragmentos

Eu sou meu estandarte pessoal.
Preciso do desperdício das palavras para conter-me.
O meu vazio é cheio de inerências.
Sou muito comum com pedras.
……………………………………
(O que está longe de mim é preclaro ou escuro?)

(…)
Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu
destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.

(fragmentos do poema “Os Deslimites da Palavra”, de Manoel de Barros. Leia a íntegra aqui.)

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À espreita

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(Foto: O Escriba)

“E o amor saltou sobre nós como um gato preto salta de um beco escuro…”

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Entre galos e cigarros, o amor – Flávio Morgado #umpoemapordia

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o amor em sua ilusão
é como o fumo que se queima
e sabe em seu fogo
a existência.
mas enquanto se esvai,
atribui à boca que o traga
sua permanência.

o amor em sua metafísica
canta como os galos
que sabem alvorecer a manhã
mas tornam ao sono
na esperança de que o
próprio canto os desperte.

(Poema de Flávio Morgado publicado em seu primeiro livro, Um Caderno de Capa Verde, de 2013, pela editora 7 Letras)

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Habemus náusea

Jpeg

Bem-vindos à nausea online, azeda como um prato de arroz vencido que como por entre fileiras de formigas ativas e baratas à espreita.

Que caiam restos de meu banquete para celebrarmos, nas frestas de um castelo em ruínas, a derrota dos renegados.

Pois também vou festejar, pequeninas companheiras insones.

Em zigue-zague altivo, o mendigo ultrajante lhes oferece o grão.

O labirinto é sua casa! Ocupem!

Fanfarras às alturas!

Em meu pulmão respiro a fumaça toxica de mais um consolo indigente. Alimento dos desesperados.

Que venha a avalanche!

Deixemos as pedras rolarem por todo canto.

Somos ínfimos e inatingíveis para tudo que pesa e destroça.

Se colocam a lâmina enferrujada em nosso peito, com o dedo nos lábios peçamos silêncio e empurremos o punhal ao fundo, para que encontre a sólida rocha que bombeia sangue arenoso.

Pragas que somos, sobreviveremos a mais uma noite.

Somos nela invisíveis.

Zumbizemos até a aurora.

E mastiguemos as pedras pela eternidade na fria correnteza que nos levará além.

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(foto: O Escriba)

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Do Desejo – Hilda Hilst

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(imagem do filme Os Amantes, de Louis Malle – 1958)

E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.

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Seja como a água

“Esvazie sua mente… seja disforme, como a água. Você coloca água num copo, ela se torna o copo. Coloca água numa garrafa, ela se torna a garrafa, você coloca água num bule, ela se torna o bule. A água pode fluir ou pode colidir. Seja água, meu amigo… ”

(Bruce Lee)

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Banksy & Pixies

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Isto é uma ordem!

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(Pegue a estrada com alguém divertido. Agora!)

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Cicatrizes, por Leonard Cohen

“Crianças exibem suas cicatrizes como medalhas. Amantes a usam como segredos a serem revelados. Uma cicatriz é o que acontece quando a palavra se torna carne. É fácil exibir feridas, as orgulhosas cicatrizes de guerra. O difícil é ter espinhas.”

(Leonard Cohen, em A Brincadeira Favorita)

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