It might not be the right time
I might not be the right one
But there’s something about us I want to say
Cause there’s something between us anyway
I might not be the right one
It might not be the right time
But there’s something about us I’ve got to do
Some kind of secret I will share with you
I need you more than anything in my life
I want you more than anything in my life
I’ll miss you more than anyone in my life
I love you more than anyone in my life
Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.
Esse talvez seja o disco que mais curti este ano, e que agora encontro pra download no blog O Olho Derramado (que infelizmente parece estar desativado): um mixtape digital com sambas, digamos, menos conhecidos de mestres como Jards Macalé, Nelson Cavaquinho e João Bosco. Como esse belíssimo Roendo as Unhas, do Paulinho da Viola, que está no disco Nervos de Aço, sexto álbum dele, lançado em 1973:
Meu samba não se importa que eu esteja numa
De andar roendo as unhas pela madrugada
De sentar no meio fio não querendo nada
De cheirar pelas esquinas minha flor nenhuma
Meu samba não se importa se desapareço
Se digo uma mentira sem me arrepender
Quando entro numa boa ele vem comigo
E fica desse jeito se eu entristecer
Meu samba não se importa se eu não faço rima
Se pego na viola e ela desafina
Meu samba não se importa se eu não tenho amor
Se dou meu coração assim sem disciplina
Tem um link pra baixar a mixtape no moribundo Olhar Derramado (abaixo), mas se não rolar, sem estresse, ouça no youtube.
Já inclui na playlist de discos de MPB que criei no Youtube – tá com 147 álbuns completos e crescendo!
Para compensar a ausência de duas semanas, compartilho no O Olho Derramado um mixtape que fiz no ano passado. Não havia achado ainda uma boa ocasião para publica-lo, chegou a hora.
Mas isso não é um blog de cinema? Sim, mas esse mixtape tem um Q de filme, seja nos climas, na montagem ou no poder narrativo dos sambas escolhidos.
Boa viagem aos porões da alma humana através da música popular brasileira.
Samba Obscuro Volume 01
01- Roendo as Unhas (Pailinho da Viola) – Paulinho da Viola
02- E Daí? (Miguel Gustavo) – Jards Macalé
03- Cravo Branco (Paulo Vanzolini) – Adauto Santos
04- Pode Sorrir (Guilherme de Brito/Nelson Cavaquinho – Nelson Cavaquinho
05- Você Está Sumindo (Jorge de Castro/Geraldo Pereira) – Itamar Assumpção e banda Isca de Policia
06- Bodas de Prata (Aldir Blanc/João Bosco) – João Bosco 07- Me Deixa Em Paz (Monsueto Menezes/Airtom Amorim)…
Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto …
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.
Como toda lista que se preze, essa da Vulture é boa, mas incompleta. Eu, por exemplo, arranjaria um jeito de incluir os dois vídeos abaixo: o primeiro é do Death in Vegas, que conta com vocais do Iggy Pop, no papel de um serial-killer que se revela a uma modelo e a persegue (no youtube tem uma outra versão de vídeo pra essa música, com cenas de vários filmes de terror/suspense). O segundo, do músico, poeta e ativista Gil Scott-Heron, tem uns carinhas mascarados andando de skate como vultos pela cidade à noite.
Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.
Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão…
(poema de Miguel Torga, pseudônimo do poeta português Adolfo Correia da Rocha, em ‘Diário VII’. Escreveu também contos, romances, peças de teatro e ensaios. É um humanista clássico, anti-clerical. Seu pseudônimo é homenagem a Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno, e a uma planta da montanha típica de Portugal, chamada Torga.)
Documentário de 1972 sobre o blues tocado em Chicago, cidade ao norte dos Estados Unidos que tem uma grande comunidade negra, fruto de migração dos estados do sul ao longo de décadas. O filme foi feito ainda no clima das tensões políticas e raciais que agitaram os Estados Unidos no final dos anos 1960.
Entre os músicos que aparecem no filme estão Muddy Waters, Johnnie Lewis, Buddy Guy, J.B. Hutto, Junior Wells e Floyd Jones, que sofreram um bocado tocando um som de preto numa sociedade altamente racista.
Os médicos cubanos, tão achincalhados por seus pares brasileiros (aqueles coxinhas de jaleco que não aceitam trabalhar em Carapicuíba, que dirá em Serra Leoa) , não cansam de prestar solidariedade a quem precisa no mundo. E não estão poupando esforços para enfrentar uma das doenças mais terríveis que está fazendo um estrago danado na África, o ebola.
Ontem, o jornal The New York Times publicou um editorial sob o título “O impressionante papel de Cuba no ebola”, em que tira o chapéu para os profissionais cubanos e afirma que esse espírito solidário deveria ser emulado pelo mundo. E ainda dá uma boa cutucada em países ricos, como o próprio Estados Unidos, que apesar de terem mais condições materiais para ajudar, pouco fizeram de concreto para enfrentar o problema:
“Enquanto os Estados Unidos e vários outros países ricos têm se contentado em prometer recursos, apenas Cuba e poucas organizações não-governamentais estão oferecendo o que é mais necessário: profissionais médicos no campo.
Médicos da África ocidental precisam desesperadamente de apoio para estabelecer o locais de isolamento e mecanismos para detectar casos precocemente. Mais de 400 médicos e enfermeiros foram infectados e cerca de 4,5 mil pacientes já morreram. O vírus já apareceu nos Estados Unidos e na Europa, levantando o temor de que uma epidemia poderia se tornar uma ameaça global.”
(…) Com apoio técnico da Organização Mundial da Saúde (OMS), o governo cubano treinou 460 médicos e enfermeiros para as precauções que devem ter no tratamento das pessoas que têm o vírus altamente contagioso. O primeiro grupo de 165 profissionais chegou em Serra Leoa nos últimos dias. José Luis Di Fabio, representante da OMS em Havana, afirmou que os médicos cubanos são adequados para a missão porque muitos deles já trabalharam na África.”
nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa
ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas
(cena do filme Hannah e Suas Irmãs, de Woody Allen, em que um dos personagens lê o poema acima)
(Poema de E. E. Cummings em tradução de Augusto de Campos – leia também a versão original em inglês. Edward Estlin Cummings foi também pintor, ensaísta e dramaturgo. Seus poemas são melodiosos e têm uso inovador da pontuação, tipografia não linear e reconstrução de palavras, explorando fonemas individuais. Seu primeiro livro, O Quarto Enorme, de 1922, não é de poesia, mas romance autobiográfico sobre sua prisão na Primeira Guerra Mundial. O primeiro livro de poemas é de 1923.)