Poema Melancólico a não sei que Mulher – Miguel Torga #umpoemapordia

Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.

Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão…

(poema de Miguel Torga, pseudônimo do poeta português Adolfo Correia da Rocha, em ‘Diário VII’. Escreveu também contos, romances, peças de teatro e ensaios. É um humanista clássico, anti-clerical. Seu pseudônimo é homenagem a Miguel de CervantesMiguel de Unamuno, e a uma planta da montanha típica de Portugal, chamada Torga.)

 

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