Love Letters – Metronomy (álbum completo)

Último disco do grupo Metronomy, lançado em março de 2014. Segundo li nos cometários do Youtube, é um trabalho que retorna à essência ‘indie’ do quarteto, depois de alguns flertes com o pop sem-vergonha… Eu não conhecia, descobri dia desses em uma de minhas expedições pelo universo musical dazinternet. Curti o som livre, leve e solto do grupo, que é de Londres.

Dá pra garimpar coisas mais antigas deles na página oficial.

O clipe que está bombando nas redes é este:

Publicado em musica | Com a tag , , | Deixe um comentário

Trecho de A Noite, conto de Guy de Maupassant

noite

“Amo apaixonadamente a noite. Amo-a como amamos nossa pátria, ou nosso amante, com um amor instintivo, profundo, invencível. Amo-a com todos os meus sentidos, com meus olhos que a contemplam, meu olfato que a respira, meus ouvidos que escutam o silêncio, com toda minha carne, que as trevas acariciam. As calhandras cantam ao sol, no espaço azul, no ar tépido, no ar leve das manhãs claras. O mocho voa à noite, mancha negra que corta o espaço negro e, satisfeito, embriagado com a negra imensidade, solta seu grito vibrante e sinistro.

O dia cansa-me e entedia-me. É brutal e barulhento. Reluto em levantar-me, visto-me com enfado, saio a contragosto, e cada passo, cada movimento, cada gesto, cada palavra, cada pensamento, tudo me cansa como se eu erguesse um peso esmagador.

Mas quando o sol se põe, invade-me uma alegria confusa, uma alegria de que participa o meu corpo inteiro. Desperto, animo-me. À medida que a sombra se adensa, vou-me sentindo outro, mais jovem, mais forte, mais disposto, mais feliz. Vejo condensar-me a grande e doce sombra que cai do céu: ela inunda a cidade, tal uma onda imperceptível e misteriosa, oculta, apaga, anula as cores, as formas, comprime as casas, os seres, os monumentos com o seu toque sutil.

Então tenho ímpetos de gritar de prazer, como as corujas, de correr pelos telhados, como os gatos; e um intenso, um invencível desejo de amor acende-se nas minhas veias.”

guy(Trecho do conto A Noite, de Guy de Maupassant, considerado o pai do conto fantástico. Publicou mais de 300 contos e vários romances e poesias. Trabalhou também como jornalista. Teve como tutor e amigo o escritor francês Gustave Flaubert, que o apresentou a escritores como Émile Zola e Ivan Turgueniev. Morreu aos 42 anos, num manicômio, onde foi internado após tentar o suicídio.)

Publicado em livros | Com a tag , , , , , , | Deixe um comentário

A Segunda Vinda – W. B. Yeats #umpoemapordia

Girando e girando a voltas crescentes
O falcão não escuta o falcoeiro.
Tudo se parte, o centro não sustenta.
Mera anarquia avança sobre o mundo,
Marés sujas de sangue em toda parte
Os ritos da inocência sufocados.
Os melhores sem suas convicções,
Os piores com as mais fortes paixões.

É certo, está perto a revelação;
É certo, está perto a Segunda Vinda.
Segunda Vinda! Mal digo as palavras
E a imagem vasta do Spiritus Mundi
Turva-me a vista: no pó de um deserto
Um corpo de leão de crânio humano,
O olhar vazio e duro como o sol,
Move as pernas pesadas, e ao redor
Rondam sombras de pássaros coléricos.
Volta a escuridão; mas eu sei agora
Que o sono pétreo desses vinte séculos
Deu em sonho mau no embalo de um berço.
Qual besta rude, vinda enfim sua hora,
Arrasta-se a Belém para nascer?

(tradução de Paulo Vizioli)

The Second Coming

Turning and turning in the widening gyre
The falcon cannot hear the falconer;
Things fall apart; the centre cannot hold;
Mere anarchy is loosed upon the world,
The blood-dimmed tide is loosed, and everywhere
The ceremony of innocence is drowned;
The best lack all conviction, while the worst
Are full of passionate intensity.

Surely some revelation is at hand;
Surely the Second Coming is at hand.
The Second Coming! Hardly are those words out
When a vast image out of Spiritus Mundi
Troubles my sight: somewhere in sands of the desert
A shape with lion body and the head of a man,
A gaze blank and pitiless as the sun,
Is moving its slow thighs, while all about it
Reel shadows of the indignant desert birds.
The darkness drops again; but now I know
That twenty centuries of stony sleep
Were vexed to nightmare by a rocking cradle,
And what rough beast, its hour come round at last,
Slouches towards Bethlehem to be born?

wbyeatsPoema de William Butler Yeats de 1919, publicado um ano depois, que descreve a atmosfera geral na Europa após a Primeira Guerra Mundial. Yeats foi um poeta, dramaturgo e místico irlandês, cuja obra tem características românticas, modernistas e nacionalistas. Nasceu em 1865 em Dublin e morreu em 1939 em Menton, na França. Ganhou o Nobel de Literatura em 1923 e o Prêmio Gothenburg em 1934, juntamente com Rudyard Kipling.

Publicado em poesia | Com a tag , , , , , | 3 Comentários

Amor e sonhos – Simone de Beauvoir

simone

Publicado em cultura | Com a tag , , , | Deixe um comentário

Simone de Beauvoir e a teoria política

“Que nada nos limite. Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.”

Quase 30 anos após sua morte, Simone de Beauvoir continua mais atual do que nunca. E ouso dizer, mais atual até do que Sartre. (pedras voando em 3, 2, 1….)

Avatar de BoitempoBlog da Boitempo

Simone de Beauvoir _ Feminismo e política[Simone de Beauvoir, em retrato de Henri Cartier Bresson, 1945, Magnum, Paris]

Por Flávia BiroliLuis Felipe Miguel.

A figura de Simone de Beauvoir (1908-1986) ocupa para o feminismo contemporâneo uma posição fundadora ainda mais central que a de Mary Wollstonecraft para seus primórdios. Ela se tornou uma espécie de lenda em vida, encarnação da mulher liberada dos constrangimentos da sociedade machista, capaz de fazer o próprio caminho. Sua relação com Jean-Paul Sartre aparecia como promessa de uma nova conjugalidade, mais livre, equilibrada e satisfatória, uma idealização que ignorava que a ruptura com algumas das premissas predominantes na organização das relações afetivas convivia, no relacionamento entre os dois, com a manutenção de assimetrias muito significativas e a aceitação, por parte dela, de uma posição bastante subordinada.1

Mas a influência de Beauvoir se deveu sobretudo à publicação de O segundo sexo, em 1949. Apesar da flagrante falta de unidade…

Ver o post original 644 mais palavras

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

13 de abril: faleceu o escritor Eduardo Galeano

Tive o prazer de ouvir Galeano na 2a. Bienal do Livro de Brasília, em 2014, quando leu no auditório do Museu Nacional de Brasília alguns contos de seu último livro, Os Filhos dos Dias – lançado no Brasil com tradução de Eric Nepumoceno.

Publicado em livros | Com a tag , , , , , , | 2 Comentários

Antanas Sutkus, o Doisneau lituano

Antanas SutkusSempre dou uma incerta na Caixa Cultural aqui em Brasília pra ver se tem alguma exposição ou show interessante – e raramente me decepciono. É um dos espaços mais legais da cidade em termos de eventos culturais. E cabe no bolso de qualquer jornalista durango kid como eu. Num desses rasantes por lá, vi uma exposição fotográfica de um fotógrafo lituano do qual nunca ouvira falar: Antanas Sutkus.

Ele se especializou em registrar o seu povo, nos tempos da União Soviética. Conforme fui percorrendo a exposição, me veio a comparação do Sutkus com o Robert Doisneau, fotógrafo francês famoso por registrar o cotidiano dos bairros periféricos de Paris. Há quem o compare com outra lenda francesa, Cartier-Bresson, mas talvez essas semelhanças tenham mais a ver com o período histórico da fotografia, entre as décadas 1930 e 1950, muito marcada pela Segunda Guerra Mundial e pelo registro da vida de pessoas comuns. Sempre em preto e branco, claro.

Sutkus criou na Lituânia uma agência de fotografia e conseguiu fazer seu trabalho de registrar a rotina do povo de seu país sem cair no controle estatal, de propaganda soviética. São imagens belíssimas de um povo que tem uma história de resistência incrível – dos teutônicos e eslavos, aos nazistas e russos. Foi um dos últimos povos pagãos da Europa, com a conversão ao cristianismo só ocorrendo no final do século 14.

Uma das minhas fotos favoritas do Sutkus é essa que ilustra o post – uma mulher se esticando na varanda para ver algo na rua. Tenho essa imagem em tamanho grande aqui em casa, do convite para a exposição na Caixa Cultural. Vou emoldurar e pendurar numa das paredes aqui – passou a ser uma das minhas fotos favoritas. No slideshow abaixo, outras fotos do Sutkus, inclusive os registros da visita do Jean-Paul Sartre à Lituânia. Para a obra completa, recomendo visitar a página oficial dele.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Publicado em fotografia | Com a tag , , , , , , , , | Deixe um comentário

Suzuki – Tosca (álbum completo)

(Suzuki é um disco gravado em 2000 pelo duo austríaco Tosca. Foi dedicado ao mestre zen Shunryu Suzuki, que contribuiu para divulgar o zen budismo nos Estados Unidos na década de 1960)

Publicado em musica | Com a tag , , | Deixe um comentário

De V Internacional – Vladimir Maiakovski #umpoemapordia

love and revolution

Eu
à poesia
só permito uma forma:
concisão,
precisão das fórmulas
matemáticas.
Às parlengas poéticas estou acostumado,
eu ainda falo versos e não fatos.
Porém
se eu falo
“A”
este “a”
é uma trombeta-alarma para a Humanidade.
Se eu falo
“B”
é uma nova bomba na batalha do homem.

(Poema de Vladimir Maiakovski com tradução de Augusto de Campos. Foi poeta, dramaturgo e teórico, nascido em julho de 1893 na região da Geórgia do antigo Império Russo. Era conhecido como o poeta da Revolução. Se suicidou em 1930 em Moscou, deixando para a posteridade uma carta-poema agridoce.)

Publicado em poesia | Com a tag , , , , , , , | Deixe um comentário

Nas Mãos – Caio Fernando Abreu

nasmaos

(trecho do livro de contos Morangos Mofados, de Caio Fernando Abreu, publicado em 1982. Imagem tirada do tumblr Que Seja Doce)

Publicado em livros | Com a tag , , , , | Deixe um comentário