Quando um dia todo homem acordar escritor

“Aquele que escreve livros é tudo (um universo único para si mesmo e para todos os outros) ou nada. E porque nunca será dado a ninguém ser tudo, nós todos que escrevemos somos nada. Somos desconhecidos, ciumentos, azedos, e desejamos a morte do outro. Nisso somos todos iguais (…)

(…) A irresistível proliferação da grafomania entre os políticos, os motoristas de táxi, as parturientes, os amantes, os assassinos, os ladrões, as prostitutas, os prefeitos, os médicos e os doentes me demonstra que todo homem sem exceção traz em si sua potencialidade de escritor, de modo que toda a espécie humana poderia com todo o direito sair na rua e gritar: Somos todos escritores!

Pois cada um de nós sofre com a ideia de desaparecer sem ser ouvido e notado, num universo indiferente, e por isso quer, enquanto é tempo, transformar a si mesmo em seu próprio universo de palavras.

Quando um dia (isso acontecerá logo) todo homem acordar escritor, terá chegado o tempo da surdez e da incompreensão universais.”

livroTrecho de O Livro do Riso e do Esquecimento, de Milan Kundera, publicado em 1978. Foi o primeiro romance do autor tcheco escrito na França. Narra em sete capítulos (ou partes) as questões políticas, sociais e filosóficas de uma geração de intelectuais, escritores, jornalistas e jovens com o fim da Primavera de Praga, que durou sete meses – de janeiro de 1968, com a eleição de um presidente reformisa (Dubček), a agosto de 1968, com a invasão de Praga pelas tropas soviéticas.

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Horska – Gypsophilia

Animação stop-motion para a música do grupo canadense Gypsophilia, que faz música inspirada na cultura cigana.

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Clandestino – Manu Chao (a trilha sonora da atualidade)

A imigração é uma fuga da perseguição da fome. Se de qualquer maneira vais morrer, que a morte não o encontre sentado.

M. Salem Abdelfatah – imigrante

Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Para burlar la ley

Perdido en el corazón
De la grande babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel

Pa’ una ciudad del norte
Yo me fui a trabajar
Mi vida la dejé
Entre ceuta y gibraltar

Soy una raya en el mar
Fantasma en la ciudad
Mi vida va prohibida
Dice la autoridad

Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Por no llevar papel

Perdido en el corazón
De la grande babylon
Me dicen el clandestino
Yo soy el quiebra ley

Mano negra clandestina
Peruano clandestino
Africano clandestino
Marihuana ilegal

Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Para burlar la ley
Perdido en el corazón
De la grande babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel

Argelino clandestino
Nigeriano clandestino
Boliviano clandestino
Mano negra ilegal

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Skyscrappers – OK Go

Isso é lindo demais. As cores, a dança, a música.

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Gardênias e Hortênsias – Ná Ozzetti e José Miguel Wisnik #umpoemapordia

Gardênias e hortênsias
Não façam nada
Que me lembre
Que a este mundo eu pertença

Deixem-me pensar
Que tudo não passa
De uma terrível coincidência

Subir
No raio de uma estrela
Subir até
Sumir
Subir até sumir
No brilho puro
Subir mais
Subir além
Subir mais
Subir além
Além de toda treva de toda dor
Além de toda treva de toda dor
Deste mundo (até chegar aqui)

Música do disco Ná e Zé (2015), de Ná Ozzetti e José Miguel Wisnik, inspirada por dois poemas de Paulo Leminski (aqui e aqui).

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Vale – Lara Amaral #umpoemapordia

A rede presa entre dois morros

uma altura que não meço em palmos

balanço com pés e cabeça pendurados

equilibrando o frio tenso no estômago
meus cabelos não alcançam o chão

são os cílios que varrem a vegetação
quero dormir ali e ter daqueles sonhos

de vertigem em que se cai da cama

como quem cai no precipício.

laraamaralLarissa Amaral Teixeira – ou Lara Amaral – nasceu em Brasília em 1986, é jornalista, poeta e contista. Tem poemas publicados na coletânea “Maria Clara: universos femininos” (Editora: LivroPronto). Publica no espaço virtual: http://laramaral-teatrodavida.blogspot.com/.

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Se é para cortar ministérios, afiemos a faca!

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E o governo anunciou que pretende cortar 10 dos seus 39 ministérios. É uma facada e tanto, mas acho que cabe mais. Fiz um exercício aqui e cheguei a um corte de 29 ministérios – a Esplanada em Brasília ficaria com apenas 10. Os ministérios mais robustos ficam com mais de um prédio.

A nova Esplanada dos Ministérios então ficaria com:

Ministério da Defesa (junta Marinha, Exército, Aeronáutica ao da Defesa, já existente – corte de três)

Presidência e Casa Civil (junta PR, Casa Civil, Secretaria de Comunicação -Secom, Secretaria de Relações Institucionais -SRI, Gabinete de Segurança Institucional -GSI e Controladoria-Geral da União -CGU – corte de seis)

Ministério do Meio Ambiente (fica como está)

Ministério das Relações Exteriores (fica como está)

Ministério do Desenvolvimento Agrário -MDA (junta o atual MDA com Agricultura e Pesca – corte de dois. DETALHE: este ministério está sob comando do MDA.

Ministério do Planejamento (junta Planejamento com a Secretaria de Assuntos Estratégicos -SAE – corte de um)

Ministério da Fazenda (fica como está, mais o Banco Central)

Ministério da Educação (junta Educação, Ciência e Tecnologia, Cultura e Esportes – corte de três)

Ministério da Justiça (junta Justiça e Advocacia-Geral da União -AGU – corte de um)

Ministério do Trabalho (junta Trabalho e Previdência – corte de um)

Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio (junta o atual MDIC com o da Pequena e Média empresa – corte de um)

Ministério do Desenvolvimento Social (junta o atual MDS com Secretaria Geral, Direitos Humanos, Mulheres e Igualdade Racial – corte de quatro)

Ministério da Saúde (fica como está)

Ministério da Infraestrutura (junta os ministérios das Cidades, Transportes, Portos, Aviação Civil, Turismo, Energia, Comunicações e Integração Nacional – corte de sete)

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Aceleração e depressão (palestra de Maria Rita Kehl)

Numa época em que a vida social parece tão antidepressiva, como é possível que o aumento das depressões tenha adquirido características de uma epidemia? Penso que a aceleração que marca a vivência temporal do sujeito contemporâneo desvaloriza a vida psíquica, produzindo justamente o sentimento de vazio interior que caracteriza as depressões.

Palestra de Maria Rita Kehl no programa Café Filosófico CPFL gravada no dia 24 de junho de 2009, em São Paulo.

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Começou a festa da família brasileira – Barbárie

(o som começa pra valer a partir de 1:22)

A FESTA DA FAMÍLIA BRASILEIRA

O cidadão de bem, a cidadã ordeira
Todo mundo vai curtir uma domingueira
O facho leva o som, a FIESP a bandeira
As madame vai batendo as frigideira
Sorrindo pras fotinha, lépida e faceira
Vai passando a polícia carniceira
Com arma na cintura e dinheiro de empreiteira
O deputado pede o fim da roubalheira
Se a festa é de burguês a mídia é parceira
Divulgando desde segunda-feira
Ó só que bunitim, mininim leite com pêra
“Ce acredita que ele acha que comanda a brincadeira?

Começou a festa da família brasileira
Começou a festa da família brasileira
Começou a festa da família brasileira
Começou a festa da família brasileira

O tio milico grita “fora guerrilheira”
Pra uma burocrata de carreira
Chegou os tio carola, perdendo as estribeira
Querendo queimar as bruxa na fogueira
O atleta mais querido da máfia financeira
Diz que apóia o atacadista das biqueira
O rockista decadente quer salvar sua carreira
Onde tem festa ele anima a zuera
O mundo burguês vai descendo a ribanceira
No cortejo da ruína derradeira
E o tio que é progressista é quem diz pra companheira:
“Que vergonha pra família essa menina baderneira”

Começou a festa da família brasileira
Começou a festa da família brasileira
Começou a festa da família brasileira
Começou a festa da família brasileira

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Fim – Mário de Sá-Carneiro #umpoemapordia

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza…
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

240px-Mário_de_Sá-CarneiroMário de Sá-Carneiro foi escritor e poeta modernista português do início do século 20. Foi amigo de Fernando Pessoa e morou em Paris, bancado pelo pai rico. Na capital francesa, abandonou os estudos na Sorbonne para curtir a vida boêmia. Suicidou-se aos 25 anos no hotel Nice, em MontMartre, em 1916, tomando cinco frascos de estricnina.

 

 

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