“Minhas fotografias são feitas com a mesma luz solar que energiza todos os sistemas de vida da Terra”, Martin Hill, fotógrafo autor dessas esculturas que precisam da luz do sol para se completar.
(Fonte: My Modern Met)
“Minhas fotografias são feitas com a mesma luz solar que energiza todos os sistemas de vida da Terra”, Martin Hill, fotógrafo autor dessas esculturas que precisam da luz do sol para se completar.
(Fonte: My Modern Met)
Essa entrevista de 2012 concedida pelo filósofo Giorgio Agamben a Ragusa News (agência online de notícias da região da Sicília) é bem interessante sobre os tempos que vivemos. Giorgio é considerado um dos mais importantes filósofos da atualidade. Na entrevista, que li no blog da Boitempo (editora dos livros do Agamben no Brasil) fala de política, economia, crise européia, democracia, Estado, capitalismo, poder. A desconfiança geral e irrestrita que governos impõem sobre seus cidadãos restringe a participação popular na política e mina os fundamentos da democracia, afirma o filósofo italiano. Na mosca!
Um trecho que considero particularmente importante:
O estado de exceção, que o senhor vinculou ao conceito de soberania, hoje em dia parece assumir o caráter de normalidade, mas os cidadãos ficam perdidos perante a incerteza na qual vivem cotidianamente. É possível atenuar esta sensação?
Vivemos há decênios num estado de exceção que se tornou regra, exatamente assim como acontece na economia em que a crise se tornou a condição normal. O estado de exceção – que deveria sempre ser limitado no tempo – é, pelo contrário, o modelo normal de governo, e isso precisamente nos estados que se dizem democráticos. Poucos sabem que as normas introduzidas, em matéria de segurança, depois do 11 de setembro (na Itália já se havia começado a partir dos anos de chumbo) são piores do que aquelas que vigoravam sob o fascismo. E os crimes contra a humanidade cometidos durante o nazismo foram possibilitados exatamente pelo fato de Hitler, logo depois que assumiu o poder, ter proclamado um estado de exceção que nunca foi revogado. E certamente ele não dispunha das possibilidades de controle (dados biométricos, videocâmeras, celulares, cartões de crédito) próprias dos estados contemporâneos. Poder-se-ia afirmar hoje que o Estado considera todo cidadão um terrorista virtual. Isso não pode senão piorar e tornar impossível aquela participação na política que deveria definir a democracia. Uma cidade cujas praças e cujas estradas são controladas por videocâmeras não é mais um lugar público: é uma prisão.
Mas como bem lembrou Giorgio, citando Marx, “a situação desesperada da época em que vivo me enche de esperança”. Issoae!

“Sempre acreditei no hoje. Maioria das pessoas vivem ou no passado ou no futuro, e assim elas nunca vivem realmente. Há tantas pessoas ocupadas em se preocupar com o futuro da arte ou da sociedade, que acabam ficando sem tempo para preservar o que temos. A utopia está no momento. Não em algum tempo futuro, em outro lugar, mas no aqui e agora, caso contrário é lugar nenhum.”
(Alfred Stieglitz, fotógrafo, editor de revistas sobre fotografia e dono de galerias de arte no início do século 20 em Nova York – 1864 – 1946)
Poema clássico do escritor americano adaptado para ‘homenagear’ a NSA, agência americana de segurança. Não sei quem é o autor da versão, mas ficou divertida. Infelizmente é complexo demais pra eu me aventurar na sua tradução… sorry!
Once upon a database query, while I pondered weak security,
And many avenues of access via backdoor,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a wiretapping,
As of some one gently sniffing, sniffing at our server’s door.
“‘Tis some hacker,” I muttered, “tapping at our server door
Or just a virus, nothing more.”Presently my fear grew stronger; acquiescing then no longer,
“Spy,” said I, “truly your secrecy I deplore;
But the fact is you’re wiretapping, and so quietly you came tapping,
And so faintly you came tapping, wiretapping at our server’s port,
That scarce was sure I’d detected you—and when I opened wide the door; —
a National Security Letter, speak nothing more.“Deep in our network you were peering, long I stood there wondering, fearing,
about the emails we never thought were shared to read before;
But the silence was unbroken, until a leak by some kid named Snowden,
And the only words there spoken were the whispered words, ‘no more’
This he whispered, and the people murmured back the words, ‘no more!’
Merely this and nothing more.Open wide he flung the spying, when, with many companies denying,
In there stepped a federal Agent saying, ‘but….the war!.’
Not the least apology made he; not for looking at your IP;
But, with secretly approved authority, connected to our server’s port—
An NSL that lets them watch our server’s port—
Connected, they watched, and spoke nothing more.But the Agent, sitting directly in the network, spoke incorrectly,
“Precedent! Misunderstanding!”, as if in denial he could hide.
“Nothing to see here” then they uttered—more denials that they stuttered—
Till I scarcely more than muttered “Other governments have also lied –
On the morrow you will deny this, as if it was not possible that you spied.”
The Agent only said, “Classified!”And the Agent, never quitting, still is sniffing, still is sitting
Across the network, never satisfied;
And the spies do all the scheming of an agency beyond redeeming,
While leaks throw their ugly story open wide;
Never mind the programs they denied,
Quoth the Agent: “Classified!”
Leia o poema original em inglês, em português segundo tradução de Machado de Assis e segundo tradução de Fernando Pessoa.
“Fico pensando… será que as lembranças não seriam o combustível de que os homens precisam para viver? Se essas lembranças são ou não realmente importantes para a manutenção da vida, não vem ao caso. Elas podem ser apenas um combustível. Seja uma propaganda de jornal, um livro filosófico, uma foto pornográfica ou um maço de notas de dez mil ienes, tudo isso não passa de papel na hora de queimar, não é mesmo?
O fogo não queima tudo questionando “Nossa! Isto é Kant!” ou “Isto é a edição vespertina do Yomiuri” ou “Puxa! Que peitos!”, concorda? Para o fogo, tudo não passa de papel. É a mesma coisa com a memória. As lembranças importantes, as mais ou menos importantes, ou até as que não têm importância alguma, tudo, indiscriminadamente, é apenas matéria de combustão.”
(Trecho de ‘Após o anoitecer’, de Haruki Murakami)
Paula Schargorodky, uma argentina de 35 anos, se acostumou com a vida de solteira e cigana que leva por conta de sua profissão – assistente de produção. Também se acostumou a filmar seus namorados. Esta semana, Paula publicou um texto e um vídeo no New York Times refletindo sobre sua vida e como a sociedade cobra certas posições e atitudes, principalmente se você for mulher.
O vídeo você pode ver aqui. O texto, reproduzo abaixo em português:
Nos últimos 10 anos, eu filmei compulsivamente todo mundo e tudo por nenhuma razão específica. Todas as minhas histórias de amor e rompimentos foram gravadas e sistematicamente guardadas.
Conforme eu continuei a mudar de namorados e de cidades a cada dois anos, eu filme meus amigas com seus namorados, seus maridos e suas barrigas de grávidas, até que estivessem cercadas de crianças. Quando minha última amiga solteira da escola se casou, eu dormi na noite do casamento e não apareci.
Tenho 35 anos, sou argentina, judia e solteira.
E todas essas quatro categorias não parecem se dar bem juntas. Então decidi fazer um filme sobre as questões que venho tentando responder. ‘Regras sociais podem ser quebradas’, ou ‘será que minha juventude está finalmente acabando?’
Depois que terminei de filmar, encontrei alguém. Ele é imperfeito e eu o amo. Desta vez eu percebo que posso viver com questões sem respostas, e está tudo bem.
O fotógrafo tcheco Josef Koudelka ficou mundialmente conhecido e ganhou pencas de prêmios com as fotos que fez da invasão soviética à República Tcheca, conhecida como Primavera de Praga, em 1968. Mas seu trabalho anterior, fotografando grupos ciganos pela Europa é inda mais interessante, registrando a alegria e perseverança de um dos povos mais perseguidos do planeta. O livro Ciganos: O Fim da Viagem mostra a paixão que Koudelka tinha pelo povo nômade europeu. Um italiano homenageou Koudelka no Youtube, com um vídeo-colagem de algumas de suas fotos – com direito a trilha cigana e tudo!
Fazer listas de coisas favoritas é ingrato demais. Elas são sempre incompletas e reducionistas. Por isso sempre fui um pouco arredio com elas. Até que um dia li a forma como Bob Dylan faz as dele: simplesmente relaciona os preferidos do momento. Referem-se apenas ao momento presente, ao exato instante em que faz a lista. Passei a adotar tal estratégia e realmente ela faz todo o sentido. As listas se tornam fotografias instantâneas de quem as cria. E convenhamos, nada mais constrangedor do que uma lista desatualizada…
Uma amiga no Facebook pediu que eu relacionasse meus 15 álbuns favoritos de todos os tempos. Aqui está ela. Mas é a do momento:
Tábua de Esmeraldas – Jorge Ben
É o décimo primeiro álbum de estúdio do cantor brasileiro Jorge Ben Jor e foi lançado em 1974. O álbum é considerado como o principal da carreira de Jorge Ben Jor, abrindo a sua fase chamada de “alquimia musical” e um dos principais discos da música popular brasileira, tendo sido eleito em lista divulgada pela revista Rolling Stone Brasil, o sexto melhor disco da música brasileira de todos os tempos.
Blood on the Tracks – Bob Dylan
Blood on the Tracks é o décimo quinto álbum de estúdio do cantor Bob Dylan, lançado a 17 de Janeiro de 1975. Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame.
Se o Caso é Chorar – Tom Zé
Tom Zé é O disco, lançado em 1972, tinha como nome apenas “Tom Zé”. Mas em 1984, quando foi relançado, ganhou o título “Se o Caso é Chorar”, nome de uma das músicas.
Good God’s Urge – Porno For Pyros
Good God’s Urge é o segundo e último álbum da banda, lançado em 1996. Pouco antes, a banda havia dado um tempo nas apresentações porque seu guitarrista, Peter DiStefano, foi diagnosticado com câncer. Daniel Ash (Bauhaus), David J (Love and Rockets) e Kevin Haskins (The Bubblemen) participam da música Porpoise Head. A mulher que aparece na capa, Christine Cagle, era a então namorada do vocalista da banda, Perry Farrell.
Krig-ha Bandolo – Raul Seixas
É o primeiro álbum solo do cantor e compositor baiano e foi lançado em 1973. O título “Krig-há, Bandolo!” faz referência a um grito de guerra do personagem Tarzan, conhecido à época nas revistas em quadrinhos, e que significa “Cuidado, aí vem o inimigo”
Hot Rats – Frank Zappa
É o segundo disco solo do artista, lançado em 1969. Cinco das seis faixas são instrumentais, uma contendo uma breve parte vocal por Captain Beefheart. Foi o primeiro lançamento de Zappa após a dissolução do Mothers of Invention originais, sendo o seu segundo álbum a solo. Zappa descreve este álbum como “um filme para os ouvidos”.
Love Supreme – John Coltrane
Álbum lançado em 1965, considerado um dos mais importantes da história do jazz. A Love Supreme significou, para Coltrane, um verdadeiro grito musical, influenciado por religiões africanas, indianas, cubanas e até pelo candomblé, que dizia basicamente que tinha algo maior do que ele, maior do que todos nós, e que não estávamos mais sozinhos.
All Things Must Pass – George Harrison
É o primeiro álbum solo do ex-guitarrista da banda The Beatles. Lançado em 1970, foi também o primeiro álbum triplo a ser lançado por um único artista. A maioria das músicas foram escritas ainda na época dos Beatles, porém, acabaram não sendo aproveitadas.
Exile on Main St – Rolling Stones
É o décimo álbum de estúdo da banda britânica, lançado em 1972. É o único álbum duplo com canções inéditas da discografia dos Stones. Tem influências de blues, country, gospel e soul. As gravações foram realizadas em 1971 numa grande casa alugada por Keith Richards perto de Nice, no sul da França, onde o grupo se refugiou para não pagar impostos devidos no Reino Unido.
Physical Graffiti – Led Zeppelin
Sexto álbum de estúdio do grupo britânico, lançado em 1975. Foi o primeiro álbum duplo da banda e o primeiro editado pela Swan Song Records, gravadora criada pelo grupo. O edíficio da capa do disco fica em Nova York. O homem que aparece sentado numa das entradas é o guitarrista Jimmy Page. O encarte interno traz inúmeras fotos de personagens famosos que podem ser colocados de forma a aparecerem nas janelas da capa.
Rock and Roll Animal – Lou Reed
Álbum ao vivo lançado em 1974, com apenas cinco canções, quatro delas da época do Velvet Underground, antigo grupo de Lou Reed. Todas elas foram rearranjadas para ficarem com uma pegada mais roquenrol. O baixista que toca nesse disco é Prakash John, um indiano canadense, que posteriormente virou músico de grupos de funk e soul. Ele e os demais músicos que tocam nesse disco formaram depois a segunda banda de Alice Cooper.
Eastern Sounds – Yusef Lateef
Álbum gravado em 1961 pelo multiinstrumentista americano que avança nas suas explorações da música oriental, notadamente a indiana e chinesa. Traz uma versão jazzy da música original do filme Spartacus, de Stanley Kubrick.
Blues For The Red Sun – Kyuss
Segundo álbum de estúdio da banda, lançado em 1992. Foi considerado um dos pilares do movimento conhecido como stoner rock. Foi sucesso de vendas e considerado um dos 50 álbuns mais pesados de todos os tempos pela revista inglesa Q.
Secos & Molhados – Secos & Molhados
Disco de estreia do grupo, lançado em 1973, que vendeu mais de 300 mil cópias em apenas dois meses. No total, vendeu mais de 2 milhões de cópias. O grupo se transformou em um dos maiores fenômenos da MPB, batendo todos os recordes de vendas de discos e de público em shows. Em fevereiro de 1974, fizeram um show histórico no Maracanãzinho, com público de 30 mil pessoas e outras 90 mil do lado de fora.
Ragged Glory – Neil Young
É décimo nono disco do músico canadense e o quinto com a banda Crazy Horse. Foi lançado em 1990. O álbum tem canções longas (duas delas com mais de 10 minutos), com extensos solos de guitarra. Críticos à época saudaram o disco como sendo “um monumento ao espírito da garagem: dar preferência à paixão sobre a precisão/perfeição”.