Os Meus Versos – Florbela Espanca #umpoemapordia

Rasga esses versos que eu te fiz, amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!

Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!…

Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente…

Rasgas os meus versos… Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!…

florbelaPoema publicado no livro A Mensageira das Violetas, de Florbela Espanca, poeta e escritora portuguesa nascida em 1894. Morreu aos 36 anos (em 1930), na terceira tentativa de suícidio, por overdose de barbitúricos.

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Man Made Lake – Calexico

I’m gonna walk these streets of cold concrete
Like I’m a ghost searching for its grave
Then I’ll dwell by the edge of this man made lake
And descend into the city that holds no place for me

But the streets with no stir of life
And all the houses on the streets are wholly submerged
Then I’ll gather the leaves from the cell phone trees
And return them to their place and pretend someone’s calling for me
Someone’s calling for me

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Idade – Mia Couto #umpoemapordia

Mente o tempo:
a idade que tenho
só se mede por infinitos.

Pois eu não vivo por extenso.

Apenas fui a Vida
em relampejo do incenso.

Quando me acendi
foi nas abreviaturas do imenso.

miacoutoPoema de Mia Couto, pseudônimo de António Emílio Leite Couto, biólogo e escritor de Moçambique. Autor de poemas, crônicas, contos e romances. Ganhou o Prêmio Camões em 2013. Achei o poema no blog Conversas Crônicas.

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Playlist em homenagem ao #JazzDay

jazz2

Hoje é o Dia Internacional do Jazz e passei a manhã toda hoje tuitando alguns dos grandes sons que conheço do gênero. Aproveito então para reunir tudo numa playlist:

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Guns of Brixton – The Clash #BaltimoreRiots

When they kick at your front door, how you gonna come?
With your hands on your head or on the trigger of your gun

When the law break in, how you gonna go?
Shot down on the pavement or waiting on death row

You can crush us, you can bruise us
But you’ll have to answer to, oh, the guns of Brixton

The money feels good and your life you like it well
But surely your time will come as in heaven, as in hell

You see, he feels like Ivan, born under the Brixton sun
His game is called survivin’ at the end of the harder they come

You know it means no mercy, they caught him with a gun
No need for the Black Maria, goodbye to the Brixton sun

(Os protestos de Brixton, na Inglaterra, ecoam em Baltimore…)

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Como é por Dentro Outra Pessoa, de Fernando Pessoa, recitado por Antônio Abujamra #umpoemapordia

Descanse em paz. Uma das cabeças mais interessantes, inteligentes e guerreiras do universo artístico brasileiro. Esse vai fazer uma falta danada…

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Porta-joias – Alice Sant’Anna #umpoemapordia

nessa noite, digo, em quase todas
tenho um sonho horrível
como se acordasse
fosse até a pia do banheiro
lavasse o rosto
e ao enfrentar-me ali
de cabelos revoltos
os dentes cairiam um por um
dominós em série
tentaria em vão segurar as pequenas
peças com as mãos
malabaristas, desastradas
que não conseguiriam deter
a porcelana
sugada com força total pelo ralo
meus dentes pelo ralo, os brincos
de marfim que vovó
separou pra mim

aliceAlice Sant’Anna nasceu no Rio de Janeiro em 1988 e escreve poesia desde os 16 anos. É colaboradora da revista Serrote, publicada pelo Instituto Moreira Salles. Seu primeiro livro, Dobradura, foi lançado em 2008. Tem outros dois: Pingue-pongue (2012) e Rabo de Baleia (2013).

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Minidoc da Agência Pública revela o grande negócio das penitenciárias privatizadas

Ao publicar hoje um texto da Vaidapé sobre a bancada da jaula no Congresso Nacional, que tem interesses milionários na privatização do sistema prisional brasileiro, fiquei sabendo da existência do documentário “A Chegada das Penitenciárias Privadas ao Brasil“, produzido pela Agência Pública de Jornalismo Investigativo. Um tema ainda novo por aqui, apesar de já termos prisões ‘terceirizadas’ em pelo menos 22 locais. A primeira penitenciária oficialmente privada do Brasil é a de Ribeirão Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, inaugurada em janeiro de 2013 graças à parceria público-privada acertada em 2009 pelo então governador Aécio Neves.

Segundo a Agência Pública, existem cerca de 200 presídios no mundo, metade nos EUA, onde o modelo foi criado no governo Reagan, na década de 1980.

A questão, a meu ver, vai um pouco além da disputa Estado x iniciativa privada. Ou conforme explicam especialistas no tema:

Bruno Shimizu e Patrick Lemos Cacicedo, coordenadores do Núcleo de Situação Carcerária da Defensoria Pública de São Paulo questionam a legalidade do modelo. Para Bruno “do ponto de vista da Constituição Federal, a privatização das penitenciárias é um excrescência”, totalmente inconstitucional, afirma, já que o poder punitivo do Estado não é delegável. “Acontece que o que tem impulsionado isso é um argumento político e muito bem construído. Primeiro se sucateou o sistema penitenciário durante muito tempo, como foi feito durante todo um período de privatizações, (…) para que então se atingisse uma argumentação que justificasse que esses serviços fossem entregues à iniciativa privada”, completa.

Laurindo Minhoto, professor de sociologia na USP e autor de Privatização de presídios e criminalidade, afirma que o Estado está delegando sua função mais primitiva, seu poder punitivo e o monopólio da violência. O Estado, sucateado e sobretudo saturado, assume sua ineficiência e transfere sua função mais básica para empresas que podem realizar o serviço de forma mais “prática”. E essa forma se dá através da obtenção de lucro.

Alguns dados sobre o sistema prisional no Brasil:

Brasil

– Existem no Brasil aproximadamente 550 mil presos.

– São aproximadamente 340 mil vagas no sistema prisional.

– O Brasil está em 4o lugar no ranking dos países com maior população carcerária no mundo, atrás de EUA, China e Rússia.

– Entre 1992 e 2012 o Brasil aumentou sua população carcerária 380%.

– Empresas dividem a gestão de penitenciárias com o poder público em pelo menos 22 presídios de sete estados: Santa Catarina, Minas Gerais, Espírito Santo, Tocantins, Bahia, Alagoas e Amazonas.

Minas Gerais

– Em 2003 o Estado de Minas tinha aproximadamente 23 mil presos.

– Em 10 anos essa população mais do que duplicou: hoje são 50 mil presos.

– Em 2003 eram 30 unidades prisionais no Estado, hoje são mais de 100.

– Em 2011 o Estado de Minas já gastava aproximadamente um bilhão de reais por ano com o sistema penitenciário.

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Disposição poética – Waly Salomão #umpoemapordia

waly

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Desbunde

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Do Instagram da Giobretas.

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