Eterno – Carlos Drummond de Andrade #umpoemapordia

olho

E como ficou chato ser moderno.
Agora serei eterno.

Eterno! Eterno!
O Padre Eterno,
a vida eterna,
o fogo eterno.

(Le silence éternel de ces espaces infinis m’effraie.)

— O que é eterno, Yayá Lindinha?
— Ingrato! é o amor que te tenho.

Eternalidade eternite eternaltivamente
eternuávamos
eternissíssimo
A cada instante se criam novas categorias do eterno.

Eterna é a flor que se fana
se soube florir
é o menino recém-nascido
antes que lhe dêem nome
e lhe comuniquem o sentimento do efêmero
é o gesto de enlaçar e beijar
na visita do amor às almas
eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo
mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma
[força o resgata
é minha mãe em mim que a estou pensando
de tanto que a perdi de não pensá-la
é o que se pensa em nós se estamos loucos
é tudo que passou, porque passou
é tudo que não passa, pois não houve
eternas as palavras, eternos os pensamentos; e
[passageiras as obras.
Eterno, mas até quando? é esse marulho em nós de um
[mar profundo.
Naufragamos sem praia; e na solidão dos botos
[afundamos.
É tentação a vertigem; e também a pirueta dos ébrios.
Eternos! Eternos, miseravelmente.
O relógio no pulso é nosso confidente.

Mas eu não quero ser senão eterno.
Que os séculos apodreçam e não reste mais do que uma
[essência
ou nem isso.
E que eu desapareça mas fique este chão varrido onde
[pousou uma sombra
e que não fique o chão nem fique a sombra
mas que a precisão urgente de ser eterno bóie como uma
[esponja no caos
e entre oceanos de nada
gere um ritmo.

(poema publicada no livro Fazendeiro do Ar, 1954)

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The Breeze: An Appreciation Of JJ Cale – Eric Clapton

(Tiraram do Youtube o vídeo com o álbum completo, então substituo por esta entrevista do Clapton sobre o disco e sobre JJ Cale – pelo menos até que subam novamente The Breeze para a internet)

01 – They Call Me The Breeze (mas não tá no video, nao sei porque)
02 – Rock And Roll Records (Feat. Tom Petty)
03 – Someday (Feat. Mark Knopfler)
04 – Lies (Feat. John Mayer)
05 – Sensitive Kind (Feat. Don White)
06 – Cajun Moon
07 – Magnolia (Feat. John Mayer)
08 – I Got The Same Old Blues (Feat. Tom Petty)
09 – Songbird (Feat. Willie Nelson)
10 – Since You Said Goodbye
11 – I’ll Be There (If You Ever Want Me) (Feat. Don White)
12 – The Old Man And Me (Feat. Tom Petty)
13 – Train To Nowhere (Feat. Mark Knopfler & Don White)
14 – Starbound (Feat. Willie Nelson & Derek Trucks)
15 – Don’t Wait (Feat. John Mayer)
16 – Crying Eyes (Feat. Christine Lakeland & Derek Trucks)

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Onde vive o amor?

amor

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Migração – Roxana Labagnara

Migration by Roxana Labagnara     Veja mais fotos de Roxana Labagnara.

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As Minas do Rei Salomão – Raul Seixas

Entre, vem correndo para mim
Meu princípio já chegou ao fim
E o que me resta agora é o seu amor
Traga a sua bola de cristal
E aquele incenso do Nepal
Que você comprou num camelô

E me empresta o seu colar
Que um dia eu fui buscar
Na tumba de um sábio faraó
E me empresta o seu colar
Que um dia eu fui buscar
Na tumba de um sábio faraó

Veja quanto livro na estante!
“Don Quixote”, “O Cavaleiro Andante”
Luta a vida inteira contra o rei
Joga as cartas, lê a minha sorte
Tanto faz a vida como a morte
O pior de tudo eu já passei

Do passado me esqueci
No presente me perdi
Se chamarem, diga que eu saí
Do passado eu me esqueci
No presente eu me perdi
Se chamarem, diga que eu saí

Veja quanto livro na estante!
“Don Quixote”, “O Cavaleiro Andante”
Luta a vida inteira contra o rei
Joga as cartas, lê a minha sorte
Tanto faz a vida como a morte
O pior de tudo eu já passei

Do passado eu me esqueci
No presente me perdi
Se chamarem, diga que eu saí
Do passado me esqueci
No presente me perdi
Se chamarem, diga que eu saí
Ha!

krigha(música do disco Krig-ha, Bandolo!, primeiro álbum solo do cantor e compositor Raul Seixas, lançado em 1973. Foi eleito o 12º melhor disco da música brasileira pela revista Rolling Stone. O título do disco refere-se ao grito de guerra de Tarzan, que significa “Cuidado, aí vem o inimigo”.)

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Arrepio

corpos

Nenhum dos sentidos é repetição. Ainda que se tenha escutado aquele som, hoje está em outros lábios. Por mais que se tenha olhado aquela criança, agora está em outro tempo. A pele é o que menos se repete no corpo. Por mais que se suplique por aquilo – aquela carícia, aquele atrito, aquela travessia -, sempre receberá isto – esta carícia, este atrito, esta travessia. A linguagem que sente é uma voz com alguém atrás, um silêncio com alguém dentro.

(Carlos Skliar, em Hablar con desconocidos, 2014 – foto Em um momento sensual, de Carsten Witte)

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#GazaUnderAttack #FreePalestine

gaza

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Mick Jones canta ‘Should I Stay or Should I Go?’ na biblioteca pública que montou em Londres

Apresentação do guitarrista do Clash, Mick Jones, na biblioteca pública de roquenrol que ele criou em Londres em 2009. A biblioteca reúne livros, revistas de música, filmes, bonecos, posters e outros objetos relacionados ao universo roqueiro que Jones foi colecionando ao longo de sua vida – uma memorabilia de respeito que agora está à disposição do público.

O acervo de Jones inclui de álbuns de Frank Sinatra a partituras de músicas do Big Audio Dynamite (banda de Jones após o fim do Clash), roupas usadas em shows, edições de revistas como Creem e Rock Scene, e uma infinidade de livros e discos.

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Árvore da Vida – Gustav Klimt (1901)

treeklimt

(Árvore da Vida, pintura de Gustav Klimt, de 1901)

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Ao Amor Antigo – Carlos Drummond de Andrade

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

(do livro Amar se Aprende Amando, de 1985)

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