Assassinato colateral

Se você ainda tem algum tipo de dúvida de que guerras são estúpidas, então assista ao vídeo. São 17 minutos e alguns segundos de imagens cruas feitas pela câmera de um helicóptero Apache americano em Bagdá. Um grupo homens, entre os quais dois jornalistas da Reuters, estão lá embaixo e são tomados por insurgentes iraquianos. A simplicidade com que os soldados americanos selam o destino dos que estão sob sua mira é de tirar o fôlego. No Iraque de hoje, um soldado americano é deus e o diabo. E ainda ri disso.

As imagens foram feitas em 2007 e desde então a Reuters tenta obtê-las para exigir uma providência do governo americano. Só foram liberadas hoje. Mais uma vez, recomendo que assista ao vídeo na íntegra. Você nunca mais duvidará da estupidez de uma guerra, da mesma forma que um adolescente jamais esquece um soco bem dado na boca do estômago.

Para mais detalhes sobre a história do vídeo, clique aqui.

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Pushkin facts

Há duas semanas comecei, na livraria Sebinho (406 norte, Brasília), um curso de literatura russa. Há tempos sou fã dos autores russos, Tolstoi, Tchecov, Gógol, Dostoievski – sem falar nos autores políticos como Kropotkin e Bakunin – e o anúncio do curso feito no twitter pelo meu camarada Daniel Duende caiu como uma luva pra mim. Era a chance que eu tinha para enfim conhecer melhor meus ídolos literários e também um pouco mais da história russa.

Desde pequeno tenho fortes ligações com a Rússia. Meu avô paterno, Henrique João Cordeiro, foi um dos fundadores do Partido Comunista Brasileiro e morou em Moscou um tempo após o golpe militar de 1964. Em 1977 minha mãe, oficial de chancelaria do Itamaraty, foi morar em Sofia (Bulgária) e eu e meus irmãos passamos três anos por lá. Mal comparando, a língua búlgara está para o russo como o português está para o espanhol e o alfabeto cirílico é o mesmo. Culturalmente há muitas semelhanças também (os búlgaros e russos têm raízes eslavas). Em 1980 acompanhei, maravilhado, os Jogos Olímpicos de Moscou em transmissão da TV russa.

Para fechar com chave de ouro, fui casado por oito anos com uma legítima descendente de russos e aprendi mais detalhes sobre a cultura russa, suas crenças, costumes e culinária – nunca esquecerei do bolo de macarrão com gemada que dona Rognieda Sapojkin, minha sogra, fez um dia.

Enfim, por tudo isso, estou mais do que satisfeito em fazer meu curso, toda terça-feira, lá no Sebinho. A professora Eva é atenciosa e nos atiça a curiosidade com boas histórias sobre os autores e preciosas indicações de textos para leitura. A primeira aula foi sobre contos populares. A segunda, o grande mestre Alexandre Pushkin, gênio que inspirou praticamente todos os autores russos posteriores.

Vou compilar aqui as tuitadas que dei ao longo da noite de ontem, pelo celular, após a aula que tive sobre Pushkin. O twitter, tal e qual o antigo telex das redações, é perfeito para mandar pílulas de pensamento que podem ser depois consolidadas num texto. Poderia fazer isso, mas vou deixar o material bruto mesmo, da forma como mandei ontem à noite para o meu twitter. Como disse uma amiga, são os Pushkin Facts!

* Boêmio e mulherengo, enfant terrible invejado pelos nobres, Pushkin inovou trazendo temas populares à literatura russa.

* Foi o historiador da alma russa. Talentoso desde cedo, morreu aos 37 anos, em duelo com conde francês, após cortejar sua esposa.

* Pushkin era fã de Lord Byron, Shakespeare, Pedro o Grande e contos populares russos.

* Vários poemas seus viraram óperas (de Tchaikovsky, Rimski-Korsakov, Mussorgski) e faziam sucesso tanto na corte do tzares quanto entre o povo.

* Contos lidos pra aula de hj: A Dama de Espadas, O Tiro, O Chefe da Estação e O Fazedor de Caixões.

* Pushkin tinha avô etíope e trabalhou no Ministério das Relações Exteriores de Alexandre I. Nasceu em Moscou (1799) e morreu em S. Petersburgo (1837).

* ‘Não importa a minha origem, meu modo de pensar nunca dependeu dela’ – Pushkin passou metade da vida vigiado por suas posições políticas.

* Ao saber da morte de Pushkin, Gogol lamentou: ‘Que esquisito, a Rússia sem Pushkin!’ Foi enterrado às escondidas, por medo de revolta popular.

* E meu primo russo Igor me avisa pelo Facebook q sou parecido fisicamente com Pushkin (mas sou uma negação em poesia…)

Na biblioteca virtual do Projeto Gutenberg há várias obras de Pushkin, em russo, inglês, francês e até finlandês – ver aqui.

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Logorama

Curta francês de animação que ganhou o Oscar 2010 na categoria. Bem legal. Esse Ronald McDonald nunca me enganou.

PARTE 1

PARTE 2

Clique aqui para conhecer a página oficial da animação. Para curtir a música de abertura e a que fecha o filme, clique aqui e aqui.

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Obras completas de William Blake (1757-1827)

O Escriba tá parado mas não tá morto – muito menos sua biblioteca. Acrescento a ela hoje as obras completas de William Blake (1757-1827), genial e excêntrico poeta, pintor e artista gráfico. Blake Jamais viajou para fora da Inglaterra em seus 70 anos de vida e produziu uma obra instigante, com muitas referências a passagens bíblicas e mitologia antiga. A Biblioteca do Escriba ganha um reforço e tanto.

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Tel Aviv, em Israel, e Brasília compartilham o mesmo sonho modernista

arquiteto2Por estar à beira do Mar Mediterrâneo, ter sol quase o ano inteiro e ser um popular destino turístico, com muitos bares, restaurantes e estilo de vida cosmopolita, Tel Aviv lembra muito o Rio de Janeiro. Mas a segunda maior cidade de Israel, fundada há 100 anos, é considerada irmã de corpo e alma de uma outra cidade brasileira, com metade de sua idade: Brasília. Ambas nasceram no meio de regiões áridas, fruto do sonho de seus futuros moradores, e têm em suas origens a influência de dois importantes momentos da arquitetura modernista (a alemã Bauhaus e a francesa de Le Corbusier), que lhes garantiu a honraria de serem consideradas Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

Para entender melhor essas semelhanças, o Blog do Planalto conversou com o arquiteto brasileiro Sérgio Lerman, que mora em Tel Aviv há 40 anos e foi um dos responsáveis pela recuperação do patrimônio mais singular da cidade: seus prédios de estilo Bauhaus, movimento modernista alemão que teve seu auge na década de 1930. São mais de 2 mil edifícios por toda a cidade, o que levou Tel Aviv a ser conhecida como a Cidade Branca, por causa da cor predominante desses prédios.  Veja aqui alguns deles.

“O DNA das duas cidades veio da arquitetura moderna. A Bauhaus influenciou muito o arquiteto Le Corbusier que, por sua vez, influenciou Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, os responsáveis por Brasília”, disse Lerman durante conversa em um café próximo ao centro histórico de Tel Aviv. Mostrando uma foto em que alguns colonos judeus se reúnem para comprar os primeiros lotes no meio do deserto, em meio a dunas e barracas, onde dormiam enquanto as primeiras casas não eram construídas, Lerman afirma que a visão dos pioneiros de Tel Aviv e de Brasília também é muito similar:

As cidades foram construídas do zero. Não existiam antes. Tel Aviv nasceu no meio das dunas de areia, Brasília no meio do barro do Planalto Central. Ambas pelo esforço de milhares de pessoas – judeus que vieram de todo o mundo e brasileiros que vieram de todas as regiões do País. Tel Aviv foi o sonho dos peregrinos judeus, assim como Brasília foi a cidade dos sonhos de todos os brasileiros que ajudaram a construi-la. E os edifícios das duas cidades traduzem esses sonhos.

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Lerman, que trabalhou por 10 anos (1985-1996) na prefeitura de Tel Aviv como seu arquiteto-chefe e hoje dá aulas de preservação de edifícios na Universidade de Tel Aviv, nos leva então para conhecer in loco alguns dos prédios com influência Bauhaus no centro de Tel Aviv, pelo boulevard Rothschild, onde tudo começou. Nesse tour guiado por um especialista, fica mais fácil entender as muitas semelhanças arquitetônicas entre a cidade israelense e a capital brasileira.

“O estilo arquitetônico aqui é da década de 1930 e, em Brasília, dos anos 50, mas a escola é a mesma, a moderna”, afirma o arquiteto brasileiro, destacando que o planejamento urbano das duas cidades também é bastante similar. O escocês Patrick Geddes teve ideias nos anos 20 para Tel Aviv muito parecidas com as superquadras de Brasília, com muito espaço verde e centros comerciais localizados. A organização e funcionalidade do espaço urbano eram requisitos básicos tanto para Geddes como para Lúcio Costa.

O estilo modernista chegou a Tel Aviv no início dos anos 30 juntamente com os arquitetos judeus alemães que estudaram na escola Bauhaus na Alemanha. Sua filosofia básica previa a construção rápida de residências econômicas e funcionais, com um desperdício mínimo de espaço. “Toda a construção pública e muitas privadas em Tel Aviv foram baseadas na Bauhaus nesse período”, afirmou Lerman. “E isso caiu muito bem com o planejamento de Geddes, que pensou a cidade para ser um lugar prazeiroso para todos, uma cidade-jardim, bem no espírito socialista do movimento Bauhaus. Brasília é a versão brasileira e ainda mais moderna desse sonho.

Clique aqui para conhecer outros patrimônios culturais da humanidade do Brasil.

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A invenção do Dr. Nakamats

Yoshiro Nakamatsu tem 80 anos e diz não ver nem sinal da morte. Está certo de que poderá viver até os 144 anos. É forte, gosta de lutar sumô, dorme 4 horas por dia (“no máximo”, frisa) e gosta de cheirar câmeras fotográficas profissionais para determinar se elas são boas ou não. Seria apenas mais um excêntrico velhinho de Tóquio, mas Nakamatsu – ou Dr. Nakamats – é um grande inventor, com mais patentes registradas do que Thomas Edison. É também uma grande celebridade no Japão.

Entre as invenções registradas por ele estão o CD, o DVD e a máquina de karaokê.

Confira o trailer do documentário The Invention of Dr. Nakamats:

(Fonte: Disinformation)

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Adeus, Hummer – já foi tarde

Ontem foi um dia histórico: a GM anunciou o fim da marca Hummer, esse carro gigantesco aí da foto, muito usado na Guerra do Golfo nos anos 90 e que ganhou as ruas nos Estados Unidos devido à sanha megalomaníaca de consumo que o americano tem.

Além do militarismo exarcebado, o Hummer também simboliza o consumismo desmedido, a poluição, o egoísmo, até o Bush! Esse aí já se foi, faltava mesmo o Hummer.

Ok, ainda tem muitos desses rodando por lá, então toma 10 motivos para não se comprar esse grande equívoco da indústria automobilística – talvez o maior depois do Fiat 147.

Definitivamente, não vai fazer a menor falta…

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Homenagem a Arnaud Rodrigues (1942-2010)

Cheguei em casa e fiquei sabendo que o Arnaud Rodrigues morreu num acidente de barco em Tocantins. Ator, comediante, compositor, Arnaud ficou famoso pela dupla Baiano e os Novos Caetanos, que fez com Chico Anysio na década de 1970 para o humorístico Chico City. Depois atuou em algumas novelas da Globo (Roque Santeiro por exemplo) e também no programa humorístico A Praça É Nossa, no SBT.

Tenho o CD do Baiano e os Novos Caetanos e lembro que, ao ouvi-lo pela primeira vez, me surpreendi com a qualidade das músicas. Em que pese o fato da dupla ser fictícia, por assim dizer, produziu um disco clássico da música brasileira – Vou Batê Pa Tu, Ciranda, Folia do Rei, Urubu Tá Com Raiva do Boi e Tributo ao Blues, entre outras, são belas canções, bem humoradas e melodiosas. Dá pra escutar o CD no dia a dia sem ser tachado de excêntrico ou coisa parecida.

Arnaud tem outros discos gravados, que devem ser bem difíceis de se achar – mesmo na internet. Nunca escutei. Mas esse Baiano e Novos Caetanos é uma obra-prima.

Da dupla em ação, só achei este vídeo (se alguém souber de outros, por favor avise!):

(O CD tá baratinho no Submarino, R$ 9,90)

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A maior coleção de LPs do mundo

O cara tem mais de um milhão de discos! Segundo ele, 83% do que já foi lançado nos EUA em LP entre 1948 e 1968 nunca foi lançado em CD. Detalhe: esse período de 20 anos é tido por muitos como a época de ouro do jazz, do folk, do soul e até do rock americano.

Agora, a parte triste: o cara não encontra quem queira ficar com sua coleção. Ela vale uns US$ 50 milhões e ele quer US$ 3 milhões – vende até por menos, acredito eu, mas ninguém fez oferta alguma. Esse curta documentário é emblemático do fim de uma era – não apenas da indústria fonográfica mas também de boa parte da produção musical do século 20, que vai sumir sem que ninguém tenha escutado. Dá um aperto no coração de pensar nisso…

O documentário pode ser visto na íntegra aqui.

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Lemmy, o filme

Se tem um cara que é sinônimo de roquenrol é o Lemmy, vocalista e baixista do Motörhead. Já foi roadie do Jimmy Hendrix (o bicho tem mais de 60) e continua na estrada, tocando seu Rickenbacker e cantando com o microfone acima da cabeça, virado para baixo (dizem que é para deixar a voz ainda mais rouca). Sua dedicação canina ao roquenrol parece estar bem representada nesse documentário sobre sua vida e obra – veja aqui a página especial do filme. Quando será que chega por aqui, heim?

Fui apenas uma vez num show do Motörhead, em São Paulo (se não me engano no Credicard Hall, em 2001), e sai tonto de tanto bater a cabeça. Mas quem consegue ficar parado ao som de Overkill ou Stone Dead Forever? Ou deixar de fazer air guitar durante One Track Mind? Confere só:

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