Pushkin facts

Há duas semanas comecei, na livraria Sebinho (406 norte, Brasília), um curso de literatura russa. Há tempos sou fã dos autores russos, Tolstoi, Tchecov, Gógol, Dostoievski – sem falar nos autores políticos como Kropotkin e Bakunin – e o anúncio do curso feito no twitter pelo meu camarada Daniel Duende caiu como uma luva pra mim. Era a chance que eu tinha para enfim conhecer melhor meus ídolos literários e também um pouco mais da história russa.

Desde pequeno tenho fortes ligações com a Rússia. Meu avô paterno, Henrique João Cordeiro, foi um dos fundadores do Partido Comunista Brasileiro e morou em Moscou um tempo após o golpe militar de 1964. Em 1977 minha mãe, oficial de chancelaria do Itamaraty, foi morar em Sofia (Bulgária) e eu e meus irmãos passamos três anos por lá. Mal comparando, a língua búlgara está para o russo como o português está para o espanhol e o alfabeto cirílico é o mesmo. Culturalmente há muitas semelhanças também (os búlgaros e russos têm raízes eslavas). Em 1980 acompanhei, maravilhado, os Jogos Olímpicos de Moscou em transmissão da TV russa.

Para fechar com chave de ouro, fui casado por oito anos com uma legítima descendente de russos e aprendi mais detalhes sobre a cultura russa, suas crenças, costumes e culinária – nunca esquecerei do bolo de macarrão com gemada que dona Rognieda Sapojkin, minha sogra, fez um dia.

Enfim, por tudo isso, estou mais do que satisfeito em fazer meu curso, toda terça-feira, lá no Sebinho. A professora Eva é atenciosa e nos atiça a curiosidade com boas histórias sobre os autores e preciosas indicações de textos para leitura. A primeira aula foi sobre contos populares. A segunda, o grande mestre Alexandre Pushkin, gênio que inspirou praticamente todos os autores russos posteriores.

Vou compilar aqui as tuitadas que dei ao longo da noite de ontem, pelo celular, após a aula que tive sobre Pushkin. O twitter, tal e qual o antigo telex das redações, é perfeito para mandar pílulas de pensamento que podem ser depois consolidadas num texto. Poderia fazer isso, mas vou deixar o material bruto mesmo, da forma como mandei ontem à noite para o meu twitter. Como disse uma amiga, são os Pushkin Facts!

* Boêmio e mulherengo, enfant terrible invejado pelos nobres, Pushkin inovou trazendo temas populares à literatura russa.

* Foi o historiador da alma russa. Talentoso desde cedo, morreu aos 37 anos, em duelo com conde francês, após cortejar sua esposa.

* Pushkin era fã de Lord Byron, Shakespeare, Pedro o Grande e contos populares russos.

* Vários poemas seus viraram óperas (de Tchaikovsky, Rimski-Korsakov, Mussorgski) e faziam sucesso tanto na corte do tzares quanto entre o povo.

* Contos lidos pra aula de hj: A Dama de Espadas, O Tiro, O Chefe da Estação e O Fazedor de Caixões.

* Pushkin tinha avô etíope e trabalhou no Ministério das Relações Exteriores de Alexandre I. Nasceu em Moscou (1799) e morreu em S. Petersburgo (1837).

* ‘Não importa a minha origem, meu modo de pensar nunca dependeu dela’ – Pushkin passou metade da vida vigiado por suas posições políticas.

* Ao saber da morte de Pushkin, Gogol lamentou: ‘Que esquisito, a Rússia sem Pushkin!’ Foi enterrado às escondidas, por medo de revolta popular.

* E meu primo russo Igor me avisa pelo Facebook q sou parecido fisicamente com Pushkin (mas sou uma negação em poesia…)

Na biblioteca virtual do Projeto Gutenberg há várias obras de Pushkin, em russo, inglês, francês e até finlandês – ver aqui.

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4 respostas para Pushkin facts

  1. Leela disse:

    Fiquei muito interessada nesse seu curso de literatura russa. Pena não encontrar nenhum assim aqui no Rio. Tudo começou com meu namorado (ele é russo de são petersburgo) e eu comecei a amar a cultura, o idioma, e a culinária russa. Eu faço um curso de russo na Lapa, mas estou aprendendo a língua. Nunca pensou em ler esses autores no idioma original?

    Espero que compartilhe mais Russian facts aqui!

    Beijos.

  2. Clodonil Ferreira Neto disse:

    Passei por aqui, em meio a leitura de “O Idiota”, vol I, pág 283, edição de l949, Editora José Olympio… quando Pushkin foi citado.
    Depois de ler Os Cossacos, estou devorando O Idiota… e já pesquisando mais obras de autores russos, em “portuga” é claro. Valeu e está valendo a pena… Obrigado pela contribuição …

  3. Anônimo disse:

    Pois é, Leela, outro dia me perguntei se um dia teria o privilégio de ler os originais em russo – cheguei a pensar em fazer um curso de russo, mas falta tempo. Fico com a leitura e cursos em portugues, por enquanto.

    E Clodonil, boa leitura! Recomendo dois que conheci recentemente: Bulgákov e Isaac Babel. Abs!

  4. Pingback: Elegia – Aleksandr Pushkin #umpoemapordia | O Escriba

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