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Até o momento, o nome ‘Nelson Mandela’ foi citado 3,5 milhões de vezes em postagens nas redes sociais pelo mundo, principalmente no hemisfério sul do planeta, como podemos ver pela imagem acima.
E justamente numa rede social, o Twitter, encontrei a primeira entrevista dada pelo líder sul-africano, em 21 de maio de 1961, ao jornalista Brian Widlake, para a Independent Television Network (ITN), do Reino Unido, sobre o regime de apartheid na África do Sul. Vale conferir esse documento histórico.
Como sempre acontece quando alguém famoso morre, o líder sul-africano ganhou manchetes elogiosas em veículos de todo o mundo nesta sexta-feira, como bem merece. Mas a maioria dos jornais, especialmente os brasileiros, fizeram de tudo para esconder quem realmente era Nelson Mandela: um líder revolucionário de esquerda, pró Cuba e Palestina, anti imperialismo e crítico das ações americanas e israelenses pelo mundo.
Afinal, se tem uma coisa que a grande imprensa faz bem é maquiar a realidade de acordo com seus interesses.
Vejamos as frases:
Sobre a invasão americana ao Iraque
“Se há um país no mundo que cometeu atrocidades inomináveis no mundo, é os Estados Unidos. Eles não se importam com seres humanos.” (fonte: CBSNews)
Sobre Israel
“Israel deveria desistir de todas as áreas que ganhou dos árabes em 1967, e em especial Israel deveria desistir completamente das Colinas de Golã, do Sul do Líbano e da Cisjordânia.” (fonte: JWeekly.com)
Sobre a invasão americana ao Iraque
“Tudo que o sr. Bush quer é o óleo iraquiano.” (fonte: CBSNews)
Sobre Fidel Castro e a revolução cubana
“Desde o princípio, a Revolução Cubana também foi uma fonte de inspiração para todas as pessoas amantes da liberdade. Nós admiramos os sacrifícios do povo cubano em manter sua independência e soberania em face à campanha imperialista orquestrada para destruir o ganho impressionante da Revolução Cubana. Vida longa à Revolução Cubana! Longa Vida ao camarada Fidel Castro.” (fonte: lanic.utexas.edu)
Sobre o ditador Muammar Kadafi
“É nosso dever apoiar nosso líder-irmão… principalmente levando-se em conta as sanções que não atingem apenas ele, mas também a população líbia em geral… nossos irmãos e irmãs africanos.” (fonte: The Final Call)
Sobre a preparação dos Estados Unidos para invadir o Iraque em 2002
“A atitude dos Estados Unidos é uma ameaça à paz mundial” (fonte: Newsweek)
Sobre o estado palestino
“As Nações Unidas tomaram uma medida forte contra o apartheid e, ao longo dos anos, um consenso internacional foi construído, o que ajudou a acabar com esse sistema. Mas nós sabemos muito bem que nossa liberdade é incompleta sem que haja liberdade para os palestinos.” (fonte: CBSNews)
(Fonte: BuzzFeed)
(clique na imagem para ver como o livro é por dentro)
Já estava desistindo de me dar algum presente este ano mas a Cosac Naify me salvou aos 45 do segundo tempo. Recebi hoje um email deles com um cupom de desconto (50%) e lá fui eu no site da editora ver o que tinha de bom (e barato, porque as vacas ainda estão magrinhas…).
De cara me deparo com os dois volumes da série Caixa Photo Poche, com fotos do Robert Capa, Cartier-Bresson, Koudelka, Man Ray e outros. Tentador, mas o preço (R$ 169), mesmo considerando que pagaria apenas a metade, me fez segurar a onda. E de clique em clique pelo site cheguei a esta maravilha, Antologia de literatura fantástica, uma coleção de contos fantásticos com curadoria de mestres como Borges e Bioy Casares (confesso que não conheço Silvina Ocampo, mas por estar em tão boa companhia imagino que seja fera também).
Estou feliz porque sou muito fã de literatura fantástica. Tenho vários livros do gênero, com destaque para Contos Fantásticos do Século XIX escolhidos por Italo Calvino. Foi este livro que me apresentou a Jan Potocki, autor, nobre e militar polonês conhecido por um dos textos mais incríveis e intrincados da literatura mundial, Manuscritos Encontrados em Zaragoza, um romance gótico que faz um incrível retrato da Espanha do século 17. Foi adaptado ao cinema na década de 1960, por um diretor também polonês – veja um trecho abaixo:
A coletânea organizada por Calvino começa justamente com um conto do Potocki, História do Demoníaco Pacheco – que por sua vez faz parte do romance Manuscritos Encontrados em Zaragoza. É de deixar em pé todos os pêlos do corpo.
Enfim, tô mais feliz do que pinto no lixo. Ho ho ho 🙂
“E não podemos admitir que se impeça o livre desenvolvimento de um delírio, tão legítimo e lógico como qualquer outra série de idéias e atos humanos.”
(Antonin Artaud)
Hoje é Dia do Samba e, para celebrar, sugiro ouvir em alto e bom som (no fone, claro) o Testamento de Partideiro, do mestre Candeia – aliás, acho ‘partideiro’ tão mais agradável do que ‘pagodeiro’, mas enfim, talvez seja apenas preconceito…
Testamento de Partideiro
(Candeia)
Prá minha mulher, deixo o meu sentimento, na paz do Senhor
E para os meus filhos deixo o bom exemplo, na paz do Senhor
Deixo como herança força de vontade, na paz do Senhor
Quem semeia amor, colhe sempre saudade, na paz do Senhor
Aos meus amigos deixo o meu pandeiro, na paz do Senhor
Honrei os meus pais e amei meus irmãos, na paz do Senhor
Mas aos fariseus não deixarei dinheiro, na paz do Senhor
Pros falsos amigos deixo o meu perdão, na paz do Senhor
Porque o sambista não precisa ser membro da academia
Ao ser natural em sua poesia, o povo lhe faz imortal
O sambista não precisa ser membro da academia
Ao ser natural em sua poesia, o povo lhe faz imortal
Mas se houver tristeza, que seja bonita, na paz do Senhor
Pois tristeza feia o poeta não gosta, na paz do Senhor
Um surdo marcando o som da cuíca, na paz do Senhor
Viola pergunta, mas não tem resposta, na paz do Senhor
Quem rezar por mim, que o faça sambando, na paz do Senhor
Porque um bom samba é forma de oração, na paz do Senhor
Um bom partideiro só chora versando, na paz do Senhor
Tomando com amor batida de limão, na paz do Senhor
E como levei minha vida cantando, na paz do Senhor
Eu deixo o meu canto pra população, na paz do Senhor
E como eu levei minha vida cantando, na paz do Senhor
Eu deixo o meu canto pra população, na paz do Senhor
(Alcoólicas – I)
É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d’água, bebida. A Vida é líquida.
(Alcoólicas – II)
Também são cruas e duras as palavras e as caras
Antes de nos sentarmos à mesa, tu e eu, Vida
Diante do coruscante ouro da bebida. Aos poucos
Vão se fazendo remansos, lentilhas d’água, diamantes
Sobre os insultos do passado e do agora. Aos poucos
Somos duas senhoras, encharcadas de riso, rosadas
De um amora, um que entrevi no teu hálito, amigo
Quando me permitiste o paraíso. O sinistro das horas
Vai se fazendo tempo de conquista. Langor e sofrimento
Vão se fazendo olvido. Depois deitadas, a morte
É um rei que nos visita e nos cobre de mirra.
Sussurras: ah, a vida é líquida.
(Alcoólicas – III)
Alturas, tiras, subo-as, recorto-as
E pairamos as duas, eu e a Vida
No carmim da borrasca. Embriagadas
Mergulhamos nítidas num borraçal que coaxa.
Que estilosa galhofa. Que desempenados
Serafins. Nós duas nos vapores
Lobotômicas líricas, e a gaivagem
se transforma em galarim, e é translúcida
A lama e é extremoso o Nada.
Descasco o dementado cotidiano
E seu rito pastoso de parábolas.
Pacientes, canonisas, muito bem-educadas
Aguardamos o tépido poente, o copo, a casa.
Ah, o todo se dignifica quando a vida é líquida
(Alcoólicas – IV)
E bebendo, Vida, recusamos o sólido
O nodoso, a friez-armadilha
De algum rosto sóbrio, certa voz
Que se amplia, certo olhar que condena
O nosso olhar gasoso: então, bebendo?
E respondemos lassas lérias letícias
O lusco das lagartixas, o lustrino
Das quilhas, barcas, gaivotas, drenos
E afasta-se de nós o sólido de fechado cenho.
Rejubilam-se nossas coronárias. Rejubilo-me
Na noite navegada, e rio, rio, e remendo
Meu casaco rosso tecido de açucena.
Se dedutiva e líquida, a Vida é plena.
(Alcoólicas – V)
Te amo, Vida, líquida esteira onde me deito
Romã baba alcaçuz, teu trançado rosado
Salpicado de negro, de doçuras e iras.
Te amo, Líquida, descendo escorrida
Pela víscera, e assim esquecendo
Fomes
País
O riso solto
A dentadura etérea
Bola
Miséria.
Bebendo, Vida, invento casa, comida
E um Mais que se agiganta, um Mais
Conquistando um fulcro potente na garganta
Um látego, uma chama, um canto. Amo-me.
Embriagada. Interdita. Ama-me. Sou menos
Quando não sou líquida.
Palhaços estranhos estão causando um certo, digamos, desconforto em pedestres em algumas cidades inglesas. Eles aparecem nas ruas e escolhem aparentemente aleatoriamente alguém para seguir durante um tempo. Não há relatos de agressão alguma, ou roubo ou qualquer outro tipo de ação violenta. A polícia está alerta e tem afirmado que vai dar “duras advertências” aos sujeitos que estão pregando essa peça. Mas a polícia também avisa: “Não é ilegal se vestir de palhaço.”
Leia a história completa aqui.