Especial EBC: 1964, Um Golpe na Democracia

ditadura

Acabo de receber esse especial muito phoda da EBC sobre o golpe militar de 1964. É conteúdo que não acaba mais. Bom demais!

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Temer a morte ou o sofrimento? Lições de Kubrick e Iron

kirk

Horas antes de partirem para uma sangrenta e de antemão perdida batalha contra os alemães na Primeira Guerra Mundial, em 1916, dois soldados franceses conversam na trincheira sobre a morte. A questão é: o medo é da morte ou do sofrimento? Reproduzo o diálogo, um dos pontos altos do filme Glória Feita de Sangue, filme de 1957 do Stanley Kubrick.

Soldado 1: Não tenho medo de morrer amanhã, apenas em como serei morto.
Soldado 2: Isso é claro como a lama.
Soldado 1: Bem, como prefere ser morto: por baioneta ou por metralhadora?
Soldado 2: Ah, por metralhadora, naturalmente.
Soldado 1: Claro, esse é o meu ponto. Ambos são pedaços de metal estraçalhando suas entranhas, apenas que a metralhadora é mais rápida, limpa e menos dolorosa, certo?
Soldado 2: Sim, mas o que isso prova?
Soldado 1: Prova que a maioria de nós tem mais medo de se machucar do que de morrer. Veja o Bernard, ele entra em pânico quando o assunto é gás. O gás não me incomoda nem um pouco. Ele viu fotos de mortes por gás. Não me dizem nada. Mas lhe digo uma coisa, odiaria por outro lado estar sem meu capacete. Mas não me importo em não ter um capacete para o meu rabo. Por que isso?
Soldado 2: Você está maluco, porque…
Soldado 1: Porque eu sei que um ferimento na cabeça doeria muito mais do que no rabo. O rabo é apenas carne, mas a cabeça.. ah, a cabeça é toda ossos.
Soldado 2: Isso é…
Soldado 1: Me diga uma coisa: além da baioneta, o que mais te assusta?
Soldado 2: Explosivos.
Soldado 1: Exatamente! E penso o mesmo, porque eu sei que pode te mastigar pior do que qualquer outra coisa. Veja, como eu estou tentando te dizer, se você tem realmente medo de morrer, você estaria fodido pro resto da vida, porque você sabe que irá morrer um dia, qualquer dia. E além disso…
Soldado 2: Sim?
Soldado 1: Se é a morte que você realmente teme, por que deveria se importar com o que vai te matar?
Soldado 2: Ah, você é muito esperto para mim, professor. Tudo o que sei é que ninguém quer morrer.

Pois é, temer a morte é sofrimento inútil e desnecessário. É a única certeza que a gente tem na vida, certo? O que pega mesmo é o sofrimento, que corrói as entranhas, tira a paz, nos desvia do que realmente importa – uma vida tranquila, uma passagem serena, um riso sincero. Ninguém quer morrer, mas todo mundo sofre. O inverso é mais verdadeiro…

Pois como bem diz a última estrofe desse som do Iron Maiden, “quando você sabe que seu tempo chegou, talvez você comece a entender que a vida é apenas uma estranha ilusão”.

Ou um sonho dentro de um sonho.

I’m waiting in my cold cell, when the bell begins to chime
Reflecting on my past life and it doesn’t have much time
‘Cause at 5 o’clock they take me to the gallows pole
The sands of time for me are running low

When the priest comes to read me the last rites
I take a look through the bars at the last sights
Of a world that has gone very wrong for me

Can it be that there’s some sort of error
Hard to stop the surmounting terror
Is it really the end, not some crazy dream?

Somebody please tell me that I’m dreaming
It’s not so easy to stop from screaming
But words escape me when I try to speak
Tears flow but why am I crying
After all I’m not afraid of dying
Don’t I believe that there never is an end

As the guards march me out to the courtyard
Somebody cries from a cell “god be with you”
If there’s a god then why has he let me go?

As I walk all my life drifts before me
Though the end is near I’m still not sorry
Catch my soul, it’s willing to fly away

Mark my words believe my soul lives on
Don’t worry now that I have gone
I’ve gone beyond to see the truth

When you know that your time is close at hand
Maybe then you’ll begin to understand
Life down here is just a strange illusion

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Quem nunca deu um ‘tapa na pantera’ numa kombi?

kombi

Pois é, a kombi saiu oficialmente de linha. Agora, quem quiser uma terá correr atrás das milhares que ainda rodam por aí. A exemplo do fusca, a kombi conquistou corações e mentes mundo afora com sua simplicidade, design simpático e eficiência, além do preço, claro.

A Volkswagen fez um bonito e emocionante vídeo de despedida para o carro, que ficou no mercado por 57 anos. Por um momento pensei que a voz da narradora fosse da Tônia Carrero, mas acabei de descobrir que é da atriz Maria Alice Vergueiro, aquela que fez muito sucesso anos atrás na internet com o vídeo Tapa na Pantera.

pantera

Tudo a ver. Afinal, dar um ‘tapa na pantera’ numa kombi foi das coisas mais comuns na história desse carro.

 

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Último fantasma – Castro Alves

Quem és tu, quem és tu, vulto gracioso,
Que te elevas da noite na orvalhada?
Tens a face nas sombras mergulhada…
Sobre as névoas te libras vaporoso …

Baixas do céu num vôo harmonioso!…
Quem és tu, bela e branca desposada?
Da laranjeira em flor a flor nevada
Cerca-te a fronte, ó ser misterioso! …

Onde nos vimos nós? És doutra esfera ?
És o ser que eu busquei do sul ao norte. . .
Por quem meu peito em sonhos desespera?

Quem és tu? Quem és tu? – És minha sorte!
És talvez o ideal que est’alma espera!
És a glória talvez! Talvez a morte!

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São Paulo sem o famigerado minhocão

sampa

Quanto mais vemos fotos antigas, mais nos certificamos: destruíram São Paulo ao longo do tempo.

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Todo jovem é punk por natureza

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Vendo as fotos do Derek Ridgers da juventude punk de Londres do final dos 70 e início dos 80, lembrei dos tempos em que eu flertei com o movimento, indo a shows do Cólera e Olho Sêco nos subúrbios do Rio, festinhas no Méier e, bem mais tarde, lugares como Crepúsculo de Cubatão (em Copa) e Dr. Smith (Botafogo) – aliás tem um blog ótimo chamado Memórias da Noite Carioca que conta um pouco da história desses e outros lugares lendários da cidade. Comecei nessa onda quando tinha, sei lá, uns 15, 16 anos, e andava todo maltrapilho, pra desespero do meu pai, que vivia me ameaçando (um dia chegou a rasgar uma calça minha já toda retalhada e desenhada – e eu provoquei ainda mais, dizendo que ele tinha deixado ela ainda mais maneira).

De qualquer maneira, era uma sensação boa andar da forma que a gente achasse legal pelas ruas (ainda mais no Rio, paraíso dos playboys e patricinhas). Só não radicalizei com o cabelo, nesse ponto eu arreguei, máximo que fiz foi deixar um topete encaracolado gigante, e raspar um pouco (máquina 3) dos lados. Fazia um certo sucesso, capotão preto, bota, jeans apertado e todo rasgado, camiseta branca (ou preta) Hering por baixo.

Acho que todo jovem é punk por natureza. Está na transição da infância pra idade adulta, ainda está processando tudo que viveu, sem saber direito pra onde está indo. É na adolescência que rompemos pra valer o hímen da vida, quando temos o mundo em nossas mãos e infinitos caminhos a seguir. Chutar o balde é necessário.

Me empolguei lembrando meus tempos punk que quase esqueci de falar do autor das imagens da galeria de fotos acima, Derek Ridgers, que achei lá na Slate. Começou fotografando shows de rock no início da década de 1970 e, depois, se ligou no movimento punk que tomou as ruas e boates de Londres.  Acabou de lançar um livro contando essa história, 78-87 London Youth

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Os 5 estágios da bebedeira

Acho que nunca cheguei às fases 4 e 5… 🙂

drunk

(fonte: 9Gag.com)

 

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Ain’t got no heart – Frank Zappa

Ain’t got no heart
I ain’t got no heart to give away
I sit and laugh at fools in love
There ain’t no such thing as love
No angels singing up above today
Girl I don’t believe
Girl I don’t believe in what you say
You say your heart is only mine
I say to you, you must be blind
What makes you think that you’re so fine
That I would throw away
The groovy life I lead
‘cause baby, what you’ve got, yeah
It sure ain’t what I need

Girl you’d better go
Girl you’d better go away
I think that life with you would be
Just not quite the thing for me
Why is it so hard to see my way

Why should I be stuck with you
It’s just not what I want to do
Why should an embrace or two
Make me such a part of you
I ain’t got no heart to give away
Away

Freak_Out!

(música do disco Freak Out!, que marcou a estreia do grupo Mother of Invention em 1966, liderado por Frank Zappa. Considerado o primeiro álbum conceitual da história, uma análise satírica dos valores políticos e culturais dos Estados Unidos na década de 1960.)

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Memórias Chorando – Paulinho da Viola (álbum completo, 1976)

De onde vem esta memória, revelando mundos
revirando tudo, como se fosse um tufão?
A varrer, cuspindo entulhos
num erguer e demolir de muros
Nas esquecidas e despovoadas ruas de meu coração?
De onde vem essa memória
às vezes festa, às vezes fúria
num abrir e fechar de portas
louca procura de respostas, mistura de murmúrios
fonte de delícias e torturas?
Onde anda, agora, essa memória?
No mundo da lua, brincando de soltar subterfúgios
a ficar na rua, se fazendo de surda e me deixando assim
um dia, um ser perdido em lutas e outro
um pobre menino
a flutuar sonhos absurdos?
Onde anda essa memória
a que horas chegará, como sempre, obscura
com suas preciosas falhas
que recolho agradecido
para traçar o rumo de minhas canções?
Velhas estórias, memórias futuras?
Sei de onde vem, já sei por onde andou
saiu para de trocar de roupa, não pode andar nua

Amo o oceano que retém no fundo
os mistérios de sua natureza

memoria

(Poema de Paulinho da Viola no encarte do disco Memórias Chorando, nono álbum de estúdio de Paulinho da Viola, lançado em 1976 simultaneamente com Memórias Cantando)

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Can Ye Dance – Donovan

Can ye dance with silver moonsteps
On the love couch of the sand ?
I will sing and play a fairy reel
Upon a swany lute
A tale of silver sandals
And an elf who loved to fish
For the twinkles in the evening waves
With an oaken dish
As ye skip and spin and reel
Can ye loose thy velvet band
And send thy mane atossing
To the kissing of the moon
And as ye bid me enter
Thine eyes will open love
To the allnesss of the smallness
And the starry sky above

Donovan-HMS_Donovan

(Do disco H.M.S. Donovan, décimo disco de Donovan, 1971, com canções inspiradas em poemas sobre e para crianças, como os dos livros Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho, de Lewis Carroll)

 

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