Antonico – Gal Costa

Ôh Antonico vou lhe pedir um favor
Que só depende da sua boa vontade
É necessário uma viração pra o Nestor
Que está vivendo em grande dificuldade
Ele está mesmo dançando na corda bamba
Ele é aquele que na escola de samba
Toca cuíca, toca surdo e tamborim
Faça por ele como se fosse por mim
Até muamba já fizeram pra o rapaz
Por que no samba ninguém faz o que ele faz
Mas hei de vê-lo bem feliz, se Deus quiser
E agradeço pelo que você fizer, meu senhor

Fa-Tal - Gal A Todo VaporMúsica do disco Fa-Tal – Gal a Todo Vapor, gravado ao vivo pela Gal Costa em 1971. A composição é de Ismael Silva, sambista de Niterói (RJ), que em 1928 fundou no bairro do Estácio o bloco Deixa Falar, considerado de fato a primeira escola de samba do Rio de Janeiro.

Publicado em musica | Com a tag , , , , , , | Deixe um comentário

Sente e escute

strean

“Todo mundo deveria ficar quieto perto de um pequeno riacho e escutar”

Publicado em comportamento | Com a tag , | 2 Comentários

À beleza do mundo

“Quer ver a coisa mais bonita que eu já filmei? Era um daqueles dias quando a neve está para cair, e há um tipo de eletricidade no ar, você quase pode ouvi-la. E esse saco plástico está ali, dançando comigo, como uma criança implorando para eu brincar com ela – por 15 minutos. E esse foi o dia em que percebi que havia uma vida inteira por trás das coisas, e essa força incrivelmente benevolente que queria que eu soubesse que não havia motivos para sentir medo, nunca. O vídeo é uma desculpa pobre, eu sei. Mas me ajuda a lembrar – eu preciso lembrar. Algumas vezes, há tanta beleza no mundo que eu sinto que não consigo suportar, como se meu coração fosse implodir.”

belezaCena do filme Beleza Americana, de 1999, dirigido por Sam Mendes, estrelado por Kevin Spacey. É uma crítica aos padrões americanos de beleza e satisfação pessoal. Foi indicado a 8 Oscars e venceu em cinco categorias: Filme, Diretor, Ator, Roteiro Original e Fotografia.

 

Publicado em filmes | Com a tag , , , , , , | 2 Comentários

Pegue um livro, deixe um livro

livraria gratis

Publicado em livros | Com a tag , | Deixe um comentário

Alcoólicas – Hilda Hilst #umpoemapordia

(Alcoólicas – I)

É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d’água, bebida. A Vida é líquida.

(Alcoólicas – II)

Também são cruas e duras as palavras e as caras
Antes de nos sentarmos à mesa, tu e eu, Vida
Diante do coruscante ouro da bebida. Aos poucos
Vão se fazendo remansos, lentilhas d’água, diamantes
Sobre os insultos do passado e do agora. Aos poucos
Somos duas senhoras, encharcadas de riso, rosadas
De um amora, um que entrevi no teu hálito, amigo
Quando me permitiste o paraíso. O sinistro das horas
Vai se fazendo tempo de conquista. Langor e sofrimento
Vão se fazendo olvido. Depois deitadas, a morte
É um rei que nos visita e nos cobre de mirra.
Sussurras: ah, a vida é líquida.

(Alcoólicas – III)

Alturas, tiras, subo-as, recorto-as
E pairamos as duas, eu e a Vida
No carmim da borrasca. Embriagadas
Mergulhamos nítidas num borraçal que coaxa.
Que estilosa galhofa. Que desempenados
Serafins. Nós duas nos vapores
Lobotômicas líricas, e a gaivagem
se transforma em galarim, e é translúcida
A lama e é extremoso o Nada.
Descasco o dementado cotidiano
E seu rito pastoso de parábolas.
Pacientes, canonisas, muito bem-educadas
Aguardamos o tépido poente, o copo, a casa.
Ah, o todo se dignifica quando a vida é líquida

(Alcoólicas – IV)

E bebendo, Vida, recusamos o sólido
O nodoso, a friez-armadilha
De algum rosto sóbrio, certa voz
Que se amplia, certo olhar que condena
O nosso olhar gasoso: então, bebendo?
E respondemos lassas lérias letícias
O lusco das lagartixas, o lustrino
Das quilhas, barcas, gaivotas, drenos
E afasta-se de nós o sólido de fechado cenho.
Rejubilam-se nossas coronárias. Rejubilo-me
Na noite navegada, e rio, rio, e remendo
Meu casaco rosso tecido de açucena.
Se dedutiva e líquida, a Vida é plena.

(Alcoólicas – V)

Te amo, Vida, líquida esteira onde me deito
Romã baba alcaçuz, teu trançado rosado
Salpicado de negro, de doçuras e iras.
Te amo, Líquida, descendo escorrida
Pela víscera, e assim esquecendo
Fomes
País
O riso solto
A dentadura etérea
Bola
Miséria.
Bebendo, Vida, invento casa, comida
E um Mais que se agiganta, um Mais
Conquistando um fulcro potente na garganta
Um látego, uma chama, um canto. Amo-me.
Embriagada. Interdita. Ama-me. Sou menos
Quando não sou líquida.

hilda(poema Alcoólicas, de 1990, da poeta paulista Hilda Hilst (1930-2004), autora de mais de 40 livros, de poesia, prosa, dramaturgia e crônica. Em 1966, decide viver numa chácara próxima a Campinas (SP), a Casa do Sol, onde trabalhava, recebia amigos – alguns passavam a morar por lá – e criava cachorros vira-latas. Atualmente no local funciona a Instituição Hilda Hilst.)

Publicado em poesia | Com a tag , , , , , , | Deixe um comentário

Pode-se mudar de tudo, menos…

“O sujeito pode mudar de tudo: de cara, de casa, de família, de namorada, religião, de Deus…Mas, tem uma coisa que o sujeito não pode mudar, Benjamín. Não se pode trocar de paixão.”

(O Segredo de Seus Olhos, 2009)

Publicado em filmes | Com a tag , , , | Deixe um comentário

#VaiTerCopa e muita emoção para argentinos, chilenos, uruguaios e brasileiros!

Hoje vi alguns filmes publicitários excelentes que resumem bem a paixão de argentinos, chilenos, uruguaios e brasileiros por futebol e Copa do Mundo. O chileno então, com os mineiros que ficaram dias a fio presos numa mina no deserto do Atacama e sobreviveram, é de arrepiar…

Publicado em esporte, filmes | Com a tag , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

What’s Going On – Playing For Change

Mother, mother
There’s too many of you crying
Brother, brother, brother
There’s far too many of you dying
You know we’ve got to find a way
To bring some lovin’ here today, yeah

Father, father
We don’t need to escalate
You see, war is not the answer
For only love can conquer hate
You know we’ve got to find a way
To bring some lovin’ here today

Picket lines and picket sign
Don’t punish me with brutality
Talk to me
So you can see
Oh, what’s going on
What’s going
What’s going on
What’s going on

Right on, baby
Right on
Right on

Mother, mother
Everybody thinks we’re wrong
Oh, but who are they to judge us
Simply because our hair is long
Oh, you know we’ve got to find a way
To bring some understanding here today

Picket lines and picket signs
Don’t punish me with brutality
Come on talk to me
So you can see
What’s going on
What’s going on
Tell me what’s going on
I’ll tell you ya, what’s going on

Publicado em musica | Com a tag , | Deixe um comentário

Noite de Verão – Edu Lobo

Este não sou eu
Meus lábios nos teus lábios não são meus
O meu olho no seu olho no meu olho no seu
Duvida do que vê

Deve ser um rei
Deve ser um deus
O homem que possui você

Não pode ser eu
Você fala meu nome, quem sou eu
Você fala meu homem, meu homem, sim, mas qual
Eu nunca fui ninguém

Deve ser demais
Deve ser o tal
O homem que lhe faz tão bem

Sonho de mulher
Em noite de verão
Por que é que você veio me perder
Quer se divertir
Fingindo me adorar
Ou finge se enganar
Me amando pra valer

Beije-me um outro beijo uma outra vez
Que importa se esses beijos não são meus
Que eu só tenha esta noite de favor
Nos braços de uma atriz

Este não seu eu
Este é um impostor
Que pobre de amor se diz

Deve ser um rei
Deve ser um deus
Como deve ser feliz

cambaioMúsica do disco Cambaio, composto por Chico Buarque e Edu Lobo e lançado em 2001. Foi a trilha da peça de mesmo nome, de João e Adriana Falcão. O disco conta com a participação de Gal CostaLenine e Zizi Possi. Recebeu em 2002 o prêmio Grammy Latino de melhor álbum de MPB.

 

Publicado em musica | Com a tag , , , , , , , | Deixe um comentário

A visibilidade é uma armadilha – Michel Foucault

visibilidade

O princípio é conhecido: na periferia uma construção em anel; no centro, uma torre; esta é vazada de largas janelas que se abrem sobre a face interna do anel; a construção periférica é dividida em celas, cada uma atravessando toda a espessura da construção; elas têm duas janelas, uma para o interior, correspondendo às janelas da torre; outra, que dá para o exterior, permite que a luz atravesse a cela de lado a lado. Basta então colocar um vigia na torre central, e em cada cela trancar um louco, um doente, um condenado, um operário, um escolar. Pelo efeito da contraluz, pode-se perceber da torre, recortando-se exatamente sobre a claridade, as pequenas silhuetas cativas nas celas da periferia. Tantas jaulas, tantos pequenos teatros, em que cada ator está sozinho, perfeitamente individualizado e constantemente visível. O dispositivo panóptico organiza unidades espaciais que permitem ver sem parar e reconhecer imediatamente. (…) A visibilidade é uma armadilha.

Michel Foucault, em Vigiar e Punir: nascimento da prisão (1975)

Publicado em filosofia | Com a tag , , | 2 Comentários