Anões de jardim homenageiam ícones pop

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Sempre achei anão de jardim uma coisa esquisita e meio brega, mas depois de me deparar com as imagens desses anões estilizados, em homenagem a personagens da cultura pop, tô começando a mudar de ideia. Pô, eu teria fácil um Lemmy ou Dr. Evil na minha sala.

O autor se apresenta como Ian, the Gnome no site de vendas Etsy. Pelas estatísticas de lá, já vendeu quase 200 peças, que despacha de Boston para poucos países (Canadá, Reino Unido, Austrália e EUA). As peças são vendidas por preços que variam de US$ 40 a US$ 120, dependendo do nível de detalhes das pinturas.

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Ao largo – Marina Colasanti #umpoemapordia

Um homem nada

em mar aberto.
Metade do seu corpo nada
em água
metade do seu corpo nada
em céu
e ele todo em azul nada
e mais nada.

Um homem quando nada
não é barco
é casco e passageiro ao mesmo tempo
é moinho de vento
em movimento.

Um homem não tem vela
que o impulsione
tem a esteira de espuma
que o acompanha
e o hélice dos pés que adiante
o leva.

Um homem nada

em mar aberto
linha reta traçada
sempre em frente
como se houvesse meta
em seu percurso
ou porto adiante
ou terra.

E adiante é mar somente
e mar às costas
sem ponto de chegada
Que se veja
e sem medida outra
que não seja
a braçada.

(Poema de Marina Colasanti, publicado em 2005 na antologia República dos Poetas)

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Fator seda

seda

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Olho de Lince – Waly Salomão #umpoemapordia

quem fala que sou esquisito hermético
é porque não dou sopa estou sempre elétrico
nada que se aproxima nada me é estranho
fulano sicrano beltrano
seja pedra seja planta seja bicho seja humano
quando quero saber o que ocorre à minha volta
ligo a tomada abro a janela escancaro a porta
experimento invento tudo nunca jamais me iludo
quero crer no que vem por aí beco escuro
me iludo passado presente futuro
urro arre i urro
viro balanço reviro na palma da mão o dado
futuro presente passado
tudo sentir total é chave de ouro do meu jogo
é fósforo que acende o fogo de minha mais alta razão
e na sequência de diferentes naipes
quem fala de mim tem paixão

(Poema de Waly Salomão, publicado no livro Gigolô de Bibelôs, de 1983 – aqui o poeta lendo o texto)

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Documentário sobre Julio Cortázar (de Tristán Bauer)

Cortázar, documentário de 1994 sobre o escritor e poeta argentino, dirigido por Tristán Bauer, com entrevistas e imagens baseadas em seus textos.

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Montana – Frank Zappa

Maneiro o pisante do Zappa…

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Trechos de A Nuvem de Smog, conto de Italo Calvino

“Era um período em que não me importava coisa alguma, nada, quando vim me estabelecer nesta cidade. Estabelecer não é a palavra certa. De estabilidade eu não tinha nenhum desejo; queria que em volta de mim tudo ficasse fluido, provisório, e só assim tinha a impressão de salvar minha estabilidade interna, a qual, no entanto, eu não saberia explicar em que consistia.”

“Eu a amava, em suma. E era infeliz. Mas como poderia ela algum dia entender essa minha infelicidade? Há aqueles que se condenam ao cinzento da vida mais medíocre porque tiveram alguma dor, alguma desgraça; mas há também aqueles que o fazem porque tiveram mais sorte do que podiam suportar.”

(Trechos do conto A Nuvem de Smog, do livro Amores Difíceis, de Italo Calvino, 1970)

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Novo livro de Alan Moore tem 1 milhão de palavras (e nenhuma editora)

Alan Moore

O bruxo Alan Moore acaba de por o ponto final no que em breve será o segundo romance de sua carreira, Jerusalem, iniciado em 2008. Quem deu a notícia foi sua filha, Leah, na página que mantém pro pai no Facebook. Segundo ela, a obra tem mais de um milhão de palavras (!) e só falta editar. Pra se ter uma ideia do tamanho da bagaça, tem 200 mil palavras a mais do que a Bíblia! Trabalhinho fácil, hein?

AlanMoore

Pelo que li aqui e ali sobre o novo livro do Moore, será novamente uma ode à sua cidade natal, Northampton, na Inglaterra, como foi em A Voz do Fogo, lançado em 1996. Em cada capítulo, segundo o próprio autor, um membro de sua família é homenageado, e o estilo do texto também muda – pode ser parecido com uma peça de Samuel Beckett, lembrar o estilo joyceano n’outro. Moore diz que um dos capítulos foi escrito numa linguagem que praticamente inventou, sendo quase incompreensível. Cara, estou curioso pacas pra ver o que o velho bruxo aprontou dessa vez…

Não há data certa para o lançamento de Jerusalem, parece que nem editora o Alan Moore conseguiu ainda para por o novo livro na praça. O jeito é ficar atento ao noticiário – online, principalmente – e torcer pra que alguma editora brasileira se anime a trazer a obra pra cá o quanto antes.

Nessa entrevista acima, no ‘tapete vermelho’ do festival Frightfest 2014 (festival de cinema fantástico, suspense e de terror), Alan Moore falou um pouco sobre o seu novo livro. Vou transcrever porque a entrevista, claro, está em inglês. E pior: um inglês truncado. Pior ainda: a voz do Moore é sorumbática e deixa tudo ainda mais confuso. Eu já aprendi a decifrar o inglês do cara, então custa nada ‘traduzir’:

“Estou a seis páginas do final [a entrevista foi concedida em agosto passado] do meu romance gigantesco, Jerusalem, que é maior do que a Bíblia, e será um pouco menor do que as obras completas de Shakespeare. Eu não estou dizendo que essa enorme quantidade significa algo em termos de qualidade, mas vou deixar isso meio que no ar para que os outros talvez pensem isso… Tenho orgulho de todo o meu trabalho, tirando aquela parte de super-heróis que eu fiz e que todo mundo gosta. Não tenho mais cópia alguma daquilo em casa, não aguento nem olhar pr’aquilo. Foi muito doloroso, muitas perdas de amizades… As coisas que mais me excitam são sempre as coisas que estou fazendo agora. Isso inclui este filme (Show Pieces – veja o trailer aqui), inclui o livro Jerusalem. As coisas que estou fazendo agora são genuinamente muito melhores do que qualquer coisa que já fiz antes, porque… bom, espero que seja mesmo, porque senão estou deteriorando, né mesmo?”

Neste outro vídeo, Moore lê um dos capítulos do seu novo livro na Biblioteca de Northampton, num evento que rolou no início do ano.

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Proibido bicicletas fumar cães

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Quem mandou? – Alice Ruiz #umpoemapordia

collage-8
Você já veio com contra indicação
altos riscos de contaminação
não dei bola joguei a bula fora
quem mandou?
Chegou assim de vírus, radiação
contaminando minh’ alma e coração
não dei bola joguei a bula fora
quem mandou?
Tive febre de todas as cores
me arderam todos os amores
rasguei seda, comi flores
fiz das tripas, coração
quase que aperto o botão
do juízo final
você já veio…

alice-ruizAlice Ruiz é poeta e tradutora brasileira, nascida em Curitiba, vencedora do Prêmio Jabuti de 2009 com o livro Dois em Um, que reúne seus poemas da década de 1980. Foi casada com o também poeta Paulo Leminski, com quem teve três filhos.

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