Análise das ideias anarquistas conectando repressão sexual com autoritarismo, e discussão do livro A Psicologia de Massas do Fascismo, do psicólogo Wilhelm Reich.
Getting back to the installments from the “Anarchist Current,” the Afterword to Volume Three of Anarchism: A Documentary History of Libertarian Ideas, in this section I discuss anarchist ideas connecting sexual repression with authoritarianism.
Authority and Sexuality
Anarchists who sought to understand the popular appeal of fascism turned to the work of the dissident Marxist psychoanalyst, Wilhelm Reich (1897-1957). Reich was unpopular in Marxist circles, having described Soviet Communism as “red fascism,” which resulted in his expulsion from the Communist Party. In his book, The Mass Psychology of Fascism, Reich discussed the role of the patriarchal nuclear family, legal marriage, enforced monogamy, religion and sexual repression in creating an authoritarian character structure (Volume One, Selection 119).
Reich’s work was similar to the earlier psychoanalytic anarchist critique of Otto Gross (1877-1920), who argued on the eve of the First World War, echoing Max Stirner, that previous revolutions “collapsed because…
Os adultos fazem negócios.
Têm rublos nos bolsos.
Quer amor? Pois não!
Ei-lo por cem rublos!
E eu, sem casa e sem teto,
com as mãos metidas nos bolsos rasgados,
vagava assombrado.
À noite vestis os melhores trajes
e ides descansar sobre viúvas ou casadas.
A mim Moscou me sufocava de abraços
com seus infinitos anéis de praças.
Nos corações, nos relógios
bate o pêndulo dos amantes.
Como se exaltam as duplas no leito de amor!
Eu, que sou a Praça da Paixão,
surpreendo o pulsar selvagem
do coração das capitais.
Desabotoado, o coração quase de fora,
abria-me ao sol e aos jatos d’água.
Entrai com vossas paixões!
Galgai-me com vossos amores!
Doravante não sou mais dono de meu coração!
Nos demais – eu sei,
qualquer um o sabe –
o coração tem domicílio, no peito.
Comigo, a anatomia ficou louca.
Sou todo coração – em todas as partes palpita.
Oh! quantas são as primaveras
em vinte anos acesas nesta fornalha!
Uma tal carga acumulada
torna-se simplesmente insuportável.
Insuportável não para o verso
deveras.
Eu tenho medo de polícia, de bandido, de cachorro e de dentista
Porque polícia quando chega vai batendo em quem não tem nada com isso
Porque bandido quase sempre quando atira não acerta no que mira
Porque cachorro quando ataca pode às vezes atacar o seu amigo
Porque dentista policia a minha boca como se fosse bandido
Porque bandido age sempre às escuras como se fosse cachorro
Porque cachorro não distingue o inimigo como se fosse polícia
Porque polícia bandideia minha boca como se fosse dentista
Dentista, dentista…
Canção do disco Cruel, de Sérgio Sampaio, lançado postumamente em 2005 por Zeca Baleiro, que recuperou músicas inéditas do cantor e compositor capixaba, adicionando outros instrumentos, contando com a participação de músicos como o trombonista Bocato e o multiinstrumentista Lui Coimbra. É o terceiro e último álbum de Sérgio Sampaio, que morreu em 1994.
Bom de papo, Franklin explicou aos entrevistadores – Paulo Moreira Leite, Florestan Fernandes Júnior e Andréa Jubé – que começou a se interessar pelo tema em 1997, colecionando músicas, lendo livros a respeito e entrevistando personagens. O material foi sendo publicado aos poucos num antigo site que tinha (não lembro o nome agora, nem sei se ainda está no ar), e quando saiu do governo do ex-presidente Lula decidiu arregaçar as mangas pra fazer o livro. Era tanto material que acabou gerando três volumes. São 1.100 canções reunidas na coletânea, além de informações sobre o contexto das músicas e histórias sobre os fatos políticos e seus personagens. Assim que minhas finanças permitirem, vou adquirir os três livros – por enquanto, tô num momento ‘ajuste fiscal’.
Conheci esse lado do Franklin de colecionador de antigas canções brasileiras quando trabalhei com ele na época do governo Lula. Ele era ministro, eu editor do Blog do Planalto. Foi em maio de 2010. Lula tinha ido ao estaleiro no Porto de Suape inaugurar o primeiro navio petroleiro construído no Brasil em 13 anos, batizado de João Cândido, em homenagem ao marinheiro que liderou a Revolta da Chibata em 1910. Ao escrever o post para o Blog, lembrei da música Mestre Sala dos Mares, do João Bosco, que também homeageava Cândido. Fui ao Youtube e descobri um vídeo com música e imagens da época da Revolta. Detalhe: nesse vídeo, João Bosco canta a letra que todo mundo conhece, mas o vídeo traz na legenda a letra original, que foi modificada por exigência da censura da ditadura militar para ser gravada em 1975. Por exemplo: em vez de “salve, o navegante negro”, como João Bosco canta, a letra diz “salve, o almirante negro”. E assim por diante. Veja o vídeo:
“Jorge, você pode vir à minha sala? É sobre o post que você publicou agora”, disse ele, com autoridade.
“Claro, ministro. Tô indo.”
Gelei. Caramba, será que a o ministro da Marinha viu o post com o vídeo e ficou puto, ligando pro Franklin pedindo explicações? Foi o que pensei na hora que desliguei o telefone. Afinal, a letra original de Mestre Sala dos Mares chama João Cândido de “almirante negro”!
Levantei, ajeitei a gravata e fui ao gabinete do ministro, que ficava em frente à sala do Blog num dos longos corredores do CCBB – a estrutura da Presidência funcionava lá em 2010 porque o Palácio do Planalto estava em reforma. Chegando à sala do Franklin, as teorias conspiratórias haviam tomado conta de mim. Imaginei encontrar oficiais preparados para me levar preso, sob o olhar severo do ministro da Marinha.
Quando entrei, Franklin estava de costas para a porta, olhando algo na internet.
“Senta aí, Jorge.”
Sentei e esperei a sentença. Não tinha oficial da Marinha algum, mas da exoneração não escaparia.
“Você publicou um vídeo com música do João Bosco, não foi? Boa música”
“É, ministro. E tem a letra original, você viu? Se isso cria algum problema, posso tirar, sem problema…”
“Não, não, ficou muito bom. Te chamei aqui porque queria te mostrar uma outra música que fala justamente da Revolta da Chibata, e foi composta no ano que ela ocorreu” , disse ele, abrindo a página do seu site e me mostrando a música, “Os Reclamantes”, de Eduardo das Neves.
Passamos quase uma hora ali no gabinete falando de música, e ouvindo várias delas. Franklin contava histórias de como conseguia as músicas, lamentava não poder dar mais atenção ao site e ao hobby, e me mandou por email a letra, pra eu publicar no post da inauguração do navio João Cândido.
Não preciso dizer que voltei pra minha sala aliviado… 🙂
Boa pedida pra noite desta sexta-feira: documentário What Happened, Miss Simone?, sobre a cantora Nina Simone. Ela é uma das figuras mais interessantes do século passado, referência para 10 entre 10 cantoras da atualidade e dona de um repertório invejável.
E Nina também foi uma ferrenha ativista feminista e por igualdade racial. Chutava o balde com uma elegância de dar gosto. Veja esse trecho de entrevista em que ela fala sobre liberdade:
Agora, não me peça pra indicar um som ou um disco pra conhecer melhor ela. Simplesmente não saberia dizer por onde começar. Na verdade, diria ‘escolha qualquer um’. Escreve ‘Nina Simone’ na busca do Youtube e vê o que aparece. Ou pega a coletânea de remixes abaixo, escolhe um dos sons e vê como era no original. Confie no aleatorismo, ele sempre funciona! 🙂
Tem esse outro remix também, de uma das músicas mais bonitas da Nina, que ficou sensacional:
Em tempo: acabei de ver o filme e é simplesmente phueda. Uma das cenas logo no início do documentário me pegou de jeito: a Nina cantando I Wish I Knew How It Would Feel to Be Free totalmente entregue, livre leve solta, parece até incorporar algum espírito ancestral da música, levantando do piano e dançando na frente do palco.
E fuçando a área de comentários desse vídeo fiquei sabendo de um outro documentário, Nina, a Historical Perspective (1968), feito para a TV britânica.