Riqueza – Gabriela Mistral #umpoemapordia

Tenho a fortuna fiel
e a fortuna perdida.
Uma assim como a rosa,
a outra assim como espinho.

Não me prejudicou
o roubo que sofri.
Tenho a fortuna fiel
e a fortuna perdida.

E estou rica de púrpura
e de melancolia.
Como é amada a rosa,
como é amante o espinho!

Tal num duplo contorno
frutas gêmeas unidas,
tenho a fortuna fiel
e a fortuna perdida.

Dois Anjos
Não é um anjo apenas
que me afeiçoa e guia.

Como embalam as duas
orlas ao mar, embalam-me
o anjo que traz o gozo
e o que traz a agonia;
o que tem asas voantes
e o que tem asas fixas.

Eu sei, quando amanhece,
qual vai reger-me o dia,
se o anjo cor de chama,
se o anjo cor de cinza.

E dou-me a eles como
alga às ondas, contrita.

Voaram uma só vez
com asas unidas:
foi o dia do amor,
o da epifania.

Fundiram-se numa asa
as asas inimigas
e apertaram o nó
que junta à morte a vida.

Poema de Gabriela Mistral, pseudônimo de Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga, poeta e feminista chilena, Nobel de Literatura de 1945 – foi o primeiro escritor latino-americano a receber o prêmio. Foi também diplomata e, como tal, morou em Petrópolis (RJ). Morreu em 1957, nos Estados Unidos.

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Orozco – Tosca (dubphonic dub)

Do disco Suzuki in Dub (2000) que, como o nome já indica, é uma versão dub do original Suzuki, do duo eletrônico Tosca, formado pelos austríacos Richard Dorfmeister e Rupert Huber.

O disco é dedicado ao mestre zen budista Shunryu Suzuki.

Álbum completo:

Álbum Suzuki original:

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Ram Balram – Bombay 2: Electric Vindaloo

E viva o aleatorismo. Navegando a esmo pelo Youtube, esbarrei com um disco de remixes eletronicos de trilhas de filmes indianos de Bollywood. Divertido demais! O primeiro da série, Bombay The Hard Way, foi retirado do ar, por problemas com direitos autorais, mas o segundo tá lá, resistindo bravamente.

Publico o som que achei mais maneiro, uma pegada místico-funk irresistível. Praquele momento em que já tá todo mundo meio babalu-da-aldeia, saca?

Álbum completo:

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A Carlos Drummond de Andrade – João Cabral de Melo Neto #umpoemapordia

Não há guarda-chuva
contra o poema
subindo de regiões onde tudo é surpresa
como uma flor mesmo num canteiro.

Não há guarda-chuva
contra o amor
que mastiga e cospe como qualquer boca,
que tritura como um desastre.

Não há guarda-chuva
contra o tédio:
o tédio das quatro paredes, das quatro
estações, dos quatro pontos cardeais.

Não há guarda-chuva
contra o mundo
cada dia devorado nos jornais
sob as espécies de papel e tinta.

Não há guarda-chuva
contra o tempo,
rio fluindo sob a casa, correnteza
carregando os dias, os cabelos.

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The Grand Wazoo – Frank Zappa

Zappa costumava dizer que usava o roquenrol apenas como meio para sua verve experimental e erudita, e isso ficava bem evidente quando fazia álbuns instrumentais como The Grand Wazoo.

O disco foi pensando para grandes bandas, uma coisa meio orquestral – na música aqui publicada, são 20 músicos.

Curiosidade: ao gravar este disco, Zappa ainda se recuperava de um grave acidente ocorrido num show em Londres em 1971, quando foi puxado por um fã para fora do palco. Ele caiu no fosso do teatro, quebrou uma perna, um braço e teve um sério ferimento na cabeça.

O álbum completo:

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Epitaph – King Crimson

The wall on which the prophets wrote
Is cracking at the seams
Upon the instruments of death
The sunlight brightly gleams
When every man is torn apart
With nightmares and with dreams
Will no one lay the laurel wreath
When silence drowns the screams

Confusion will be my epitaph
As I crawl a cracked and broken path
If we make it we can all sit back
And laugh
But I fear tomorrow I’ll be crying
Yes, I fear tomorrow I’ll be crying

Between the iron gates of fate
The seeds of time were sown
And watered by the deeds of those
Who know and who are known
Knowledge is a deadly friend
If no one sets the rules
The fate of all mankind I see
Is in the hands of fools

Confusion will be my epitaph
As I crawl a cracked and broken path
If we make it we can all sit back
And laugh
But I fear tomorrow I’ll be crying
Yes, I fear tomorrow I’ll be crying

Aqui, uma versão com a voz do Greg Lake mais destacada:

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Crimson Jazz Trio

Um dos bateras do King Crimson (Ian Wallace, da fase 71-72) montou um trio de jazz lá por 2005 e reinterpretou as canções da banda. O resultado é belíssimo e só comprova o quanto as composições do ‘Rei Escarlate’, um dos grupos mais psicodélicos e engenhosos de sua época, estavam muito acima da média. Afinal, quantas bandas de roquenrol têm cacife pra terem suas músicas transformadas em jazz de primeira?

O álbum completo:

A versão original:

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E o Papa Francisco visita terra da poeta Safo, que a Igreja da Idade Média baniu

safoE o papa Francisco foi à ilha de Lesbos, na Grecia, terra da poeta Safo (anos 600, a.C.), devota de Afrodite e décima musa, segundo Platão. Autora de poemas de elegia à beleza, mas também que colocavam a mulher no centro da vida política, social e sexual da ilha. E lider feminista que se dedicou à liberdade da mulher. Na Idade Média, seus textos foram considerados eróticos e hereges, e boa parte foi destruída. Restaram apenas fragmentos.

“Não me cante canções do dia, pois o sol é inimigo dos amantes. Cante as sombras e a escuridão, cante as lembranças da meia-noite.”

“Safo é o meu nome, e destaquei entre as mulheres,
com minha poesia tanto como Homero entre os homens.”

“Eros sacudiu minhas entranhas
como um vento abatendo- me no monte
sobre os carvalhos.”

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Jiro Inagaki & His Soul Media

Jiro Inagaki é um saxofonista japonês de jazz que neste som usa e abusa da mistura com funk, soul e rock. O disco todo, aliás, é nessa vibe. Pena que é raríssimo e custa uma fortuna no mercado de usados. Por isso, ave Youtube!

Abaixo o álbum completo:

 

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A visão é o verdadeiro ritmo criativo – Robert Delaunay

Janelas, de Robert Delaunay

Janelas, de Robert Delaunay

“Ver é em si um movimento. A visão é o verdadeiro ritmo criativo. Discernir a qualidade de ritmos é um movimento, e a qualidade essencial da pintura é representação do movimento da visão que opera em objetivar a si mesma rumo a realidade. Isto é o essencial da arte, e sua maior intensidade.”

delaunayRobert Delaunay, pintor francês nascido nesta data em 1885 (morreu em 1941), começou impressionista (Monet, Degas, Renoir), aderiu ao cubismo (Picasso, Braque, Maiakovki) e participou do orfismo, movimento derivado do cubismo que abusava de cores fortes e formas geométricas. Esse movimento, iniciado por volta de 1912, contou também com participação do escritor Guillaume Apollinaire e o pintor e escultor Marcel Duchamp, entre outros.

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