Poema – Frank O’Hara (1950) #umpoemapordia

Se eu soubesse exatamente porque a castanheira
parece estar a ponto de flamejar ou morrer, suas pirâmides

tremulam, eu te contaria? Talvez não.
Nós devemos manter o interesse por selos estrangeiros,

horários de trem, placares de baseball, e
psicologia anormal, ou tudo se perde. Eu

poderia te contar além do que eu e você
suportaríamos, e eu suponho que você responderia

com gentileza. É uma coisa terrível se sentir como
quem faz um piquenique e esqueceu o almoço.

E todas as coisas se resolvem sozinhas,
elas se entendiam sem nós antes. Mas deus,

fez tudo então! E agora é a nossa árvore
que está em flamas, ainda florescendo, como se

não tivesse nada melhor para fazer! Não temos nós
um dever com ela, como se ela fosse uma mina de ouro

nós sucumbimos a íngremes montanhas desertas,
ou a uma criança suja, ou a um abscesso fatal?

Frank O’Hara foi um poeta e crítico de arte americano, um dos fundadores da chamada Escola de Nova York, que reunia teatro, pintura, poesia e música, sempre numa linguagem mais comum, sem afetação. Foi curador de arte no Museu de Arte Moderna de Nova York nos anos de 1960, mas abandonou o cargo para dedicar-se integralmente à literatura. Morreu atropelado, aos 40 anos.

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