A revanche do carro elétrico

Aos que ficam pesarosos com a penúria da indústria automobilística americana – em especial da GM – sugiro que assistam ao documentário Quem Matou o Carro Elétrico. A novidade é viável, economica e tecnicamente, desde 1996, mas os barões de Detroit moveram montanhas para enterrar o projeto à época. Agora que estão na lona, as montadoras têm no carro elétrico a última chance de sobreviver. É ou não é uma grande ironia do destino?

Who Killed The Electric Car? [VOST] from jon on Vimeo.

(Sugiro que assista o filme em tela cheia, para aproveitar a alta qualidade dos vídeos do Vimeo)

E pra quem gosta de documentários, recomendo o blog Online Documentaries 4 U. O acervo é impressionante. Agora é que não assisto mais TV mesmo…

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Coliseu da nova mídia

Tem portfólio maneiro para apresentar e cavar um lugar ao sol na produção digital contemporânea? Confia no próprio taco? Então manda pra esses caras aqui e vê se consegue se criar. Tem muita cagação de regra, mas são high edge na argumentação e na mão na massa, então tenta a sorte ae.

Agora, deixa eu fazer uma meta-cagação de regra. Tava tudo bem com a discussão dos caras (mesmo, divertido e didático até) e quando chegou às expectativas para 2009 (12:33), o papo continuou fluindo na boa. “Pior do que a crise e o medo da crise”, disse um dos abelhudos ( o terceiro, de pólo preta), com propriedade – eu pelo menos concordo com ele. Mas aí o careca tatuado solta uma gargalhada e diz “quiéisso! a crise taí, não vou mais comprar a porra do meu carro…” Ah, ô, pára, tem em 72x! Se tiver com o nome limpo na praça, compra o carro que quiser. Se vai pagar mais lá na frente é que são elas…Mas um golzinho bola dá, vai. Ou fusca, tá afim? Modelo 73, motor de brasília… :)

Esse cara não tem idéia do que é “crise”.

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Dieta fatal

Tá rolando pelos youtubes da vida um vídeo (na verdade, uma seqüência de fotos) que mostra a vivisseção de um filhote de albatroz encontrado morto por pesquisadores numa das ilhas remotas do noroeste do Havaí. Fica a quilômetros de qualquer agrupamento urbano. Ainda assim, no estômago da ave, foram encontrados 306 pedaços de lixo, de tampinhas plásticas a isqueiros e anzóis. Bateu com sobras o recorde de 272 pedaços encontrados em outro albatroz, achado na Nova Zelândia, que figurou uma peça publicitária do Greenpeace local. O lixo entope o bicho, impedindo ele de comer e rompendo seus órgãos internos. É um sinal assustador de que nossos oceanos estão muito, mas muito detonados mesmo, bem além do que a idílica paisagem deixa transparecer.

Veja o vídeo:

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Vamos pichar!

Piveta, do Masp, foi solta nesta quinta-feira, depois de ficar 50 dias em cana. Por pichar uma parede branca num protesto! Tá certo que o ‘desenho’ não era nenhum Banksy, mas também não precisava tanto – a ida pra delegacia já é estressante o suficiente…

Na rebordosa da história toda, a Bienal, que se propõe a entender a expressão artística contemporânea, poderia incorporar à Bienal do Vazio a interferência promovida pelos grupos de pichadores. Todo vazio atrai conteúdo e, sendo assim, a obra original não foi violada, foi fertilizada! A palavra arte, em sua origem no sânscrito, quer dizer “capacidade de dominar a matéria, moldar ou ajustar uma idéia básica”. O espaço em branco da Bienal provocou uma ação. E talvez deva ser cantado em verso e prosa por ter alcançado isso.

O autor! O autor!

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Viva sapato!

O jornalista iraquiano Muntadar al-Zeidi não conseguiu acertar Bush Jr. com seus sapatos, mas você pode corrigir isso, clicando aqui.

Uma despedida melancólica para o sujeito, né não? Já vai tarde… Viva Sapato!

Mas até que o cabra foi ágil ao desviar da bagaça, né não?

E o pessoal não perde tempo, já estão pipocando pela internet versões divertidas da sapatada de Alá! Tipo essa:

Mais aqui.

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Pin-ups em luto – morre Bettie Page

Ela foi símbolo sexual de várias gerações e até hoje mexe com a cabeça dos homens. Falou em pin-up, falou em Bettie Page. Foi uma das mulheres mais fotografadas de sua geração – e suspeito que das posteriores também.

Morreu ontem, aos 85 anos, de pneumonia.

Abaixo, ela em ação:

Pra quem quiser conhecer mais sobre Bettie Page, a dica é essa rara entrevista que deu à TV, em 1997:

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Vitória de Pirro no STF?

O julgamento no Supremo Tribunal Federal ainda não acabou, porque o ministro Marco Aurélio Mello quer analisar melhor a questão, mas o resultado já tá definido: a demarcação da reserva indígena na Serra Raposa do Sol, em Roraima, respeitará a Constituição brasileira e será contínua. Os arrozeiros – muitos deles políticos, grileiros e afins – terão que sair. A decisão, que é mas não é ainda, acirrou os ânimos entre invasores e índios. Os primeiros dizem que não vão sair agora, que a Funai tem que rever o valor das indenizações, que o tempo lhes favorece e que eles não vão ser escurrachados de lá pelo governo. Já os índios e ONGs não gostaram do adiamento da decisão final, pedem mais segurança ao governo e, em alguns casos como no do Greenpeace, consideram que o resultado fere os direitos indígenas, porque tira dos índios a prerrogativa de serem consultados sobre as ações do governo na região.

Eu particularmente acho até que, se os índios quiserem declarar independência de seu território, se declararem jupiterianos ou descendentes dos atlântis, é justo, Isso num mundo ideal, claro. Mas sei das implicâncias geopolíticas de tal ato e que muitos países foram à guerra para evitar esse tipo de cisão. Por que não, então, trabalhar com eles, respeitar suas necessidades locais e desenvolver uma espécie de PAC indígena, em parceria? Melhor do que colocá-los em constante estado de suspeição e assim cinicamente negar-lhes o que é seu de direito, não?

Quando o caso é de farinha pouca, cada um tenta cuidar do seu pirão, e é até compreensível (nem sempre justificável…). Mas lá tem terra pra caramba – e de mais a mais os invasores são os arrozeiros e a Constituição brasileira diz que os índios têm razão. Então, qual o motivo de tanta confusão? Vão plantar arroz noutro lugar!

EM TEMPO: Também nesta quarta-feira, o líder sindical e ecologista Chico Mendes foi anistiado pelo governo Lula. A família dele receberá pouco mais de R$ 330 mil de indenização pela perseguição sofrida na ditadura militar e mais uma pensão mensal de R$ 3 mil.

É o preço do autoritarismo, que normalmente se paga em tempos democráticos.

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A inevitável queda

Depois do domingo, vem sim a segunda. Fui ao jogo do Vasco hoje contra o Vitória, com meu pai, meu camarada Jesuan e um amigo dele, mas não teve jeito… Era preciso vencer e ainda torcer por dois outros resultados. Mas perdemos e todos os outros resultados foram desfavoráveis. Que venha então a segundona!

São Januário estava lotado – de torcedores e policiais. O clima era pra lá de tenso. Vesti minha camisa do Expresso da Vitória (esse timaço aí da foto) e fui confiante ao estádio, mas…. céus, que time horroroso!! Os únicos que se salvaram no jogo foram Madson e Odvan (pra vc ver…). O Vitória fez o primeiro gol, o Vasco pressionou, mas muito destrambelhado. E no segundo tempo, veio a pá de cal, com mais um gol dos baianos. Ajudei no coro contra Eurico, o grande responsável pela atual situação do Vasco e fui embora cabisbaixo.

Alguém tem aí o telefone do motorista da delegação do Corinthians? Ele será o primeiro reforço do Vasco para a Segunda Divisão…

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O Mundo Segundo a Monsanto agora no Brasil

A jornalista francesa Marie-Monique Robin lança na próxima segunda-feira, no anfiteatro do departamento de Geografia da USP, a edição brasileira do seu livro O Mundo Segundo a Monsanto, com direito a exibição gratuita do documentário homônimo, seguido de debate com a autora. A partir das 18 horas. Imperdível!

Robin depois irá para Piracicaba, Brasília e Rio de Janeiro. Confira a agenda dela aqui.

A Vanity Fair fez um perfil da empresa no início do ano, saca só.

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A última chance da indústria automobilística

Lembro de ter ficado bastante intrigado quando descobri, ao cobrir a edição de 1996 da tradicional corrida de calhambeques London-Brighton, que os primeiros automóveis do mundo – basicamente carruagens sem os cavalos – eram modelos elétricos! O primeiro foi inventado em 1830. Em 1920, 90% dos taxis de Nova Iorque eram movidos a bateria, época em que todos os bondes das cidades eram elétricos também – leia mais aqui.

Pensei: “Ora, como não desenvolveram a idéia desde então?” Bem, até desenvolveram, mas meio que em segundo plano, já que os motores a diesel e gasolina eram muito mais lucrativos. O petróleo era baratinho, fácil e abundante, e coisas como poluição do ar e doenças respiratórias, denunciadas por proto-ambientalistas ao longo do século 20, eram externalidades aceitáveis pelo bem do progresso.

Pois bem, quase um século depois, voltamos ao ponto de partida. O modelo de negócio baseado em carrões movidos a petróleo sofreu um grande baque com a crise financeira americana e o carro elétrico volta a ser uma opção – desta vez, até onde eu tenho lido, pra valer. As grandes fabricantes de carros dos EUA – Chrysler, GM e Ford – abriram o bico, estão na lona, implorando mais de US$ 30 bilhões para continuarem existindo. A população americana se diz contra o empréstimo, e muitos congressistas também. Eles sabem que, sem uma contrapardida equivalente, é jogar dinheiro no lixo. Muito dinheiro. Agora, qual seria uma contrapartida justa e viável? Certamente não estamos falando da baboseira de ver os altos executivos dessa indústria recebendo salários anuais de US$ 1

Ou essas empresas mudam pra valer, ou têm mais que ir pro buraco. Sim, porque se continuarem a tocar o negócio da forma como o fazem hoje, vão quebrar mais dia menos dia. Por que não, então, investir no futuro? Em projetos como Better Place, de um empresário israelense, que já despertou o interesse de países como Dinamarca, Austrália e Israel, além de alguns estados americanos, como a Califórnia e Havaí.

A idéia é criar uma extensa rede elétrica para alimentar os veículos por todo o país, com ênfase no transporte público. Mas quem quiser ter seu carrinho elétrico, sem problemas. Vai ser até mais fácil: você pagará pela quantidade de eletricidade que usar. E só. O carro pode ser até dado de graça. Um sistema semelhante ao que vem sendo adotado com sucesso na telefonia celular hoje. Só compra celular quem quiser algo exclusivo. A maioria, no entanto, vai adotar os modelos mais populares. Eu não compro um celular há quatro anos e ainda assim consegui ter bons aparelhos – hoje tenho um modelo smartphone razoavelmente bom. Genial, não? E o melhor: temos toda a tecnologia necessária para por esse projeto em prática.

Aí, GM, Chrysler e Ford! Querem mesmo sair do buraco? Então pensem com a sustentável cabeça de amanhã, não com a gananciosa e poluidora de ontem. Vai ser bom pra vocês e pra gente também!

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