Edy foi a estrela da Virada Cultural 2009 em SP

Pela primeira vez me aventurei na Virada Cultural de São Paulo pra valer, circulando pelas ruas do centro da cidade na noite do último sábado e madrugada de domingo. Assisti a shows bem legais do Geraldo Azevedo, Joelho de Porco e Trio Mocotó, vi o Jon Lord todo prosa na sacada de um hotel na avenida Ipiranga, acenando para o público (fui perguntar prum cara na rua se era mesmo o ex-tecladista do Deep Purple e o cara, bebum, me disse: “Não sei, mas aquele ali do lado dele é o Steven Segall…), tomei um estabaco inacreditável na Praça da República quando acelerei o passo pra não perder a apresentação do Joelho de Porco (foi bom pracarái) e me esbaldei no palco samba-rock ali na avenida Rio Branco, principalmente vendo os casais rodopiarem na rua, no meio da galera, em espaços mínimos, lindo lindo.

Mas perdi dois showzaços: o coletivo Instituto, BNegão e outros camaradas tocando as músicas do Tim Maia Racional, na avenida São João, e a apresentação do Edy Star no Parque da Luz, no palco dedicado aos 20 anos que estamos sem Raul Seixas. Edy cantou as músicas do antológico disco Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez, que gravou em 1971 com Raul, Miriam Batucada e Sérgio Sampaio.

Sou fã do Edy, já o entrevistei para uma matéria na revista Outra Coisa (arquivo em PDF), escrevi um verbete na Wikipedia sobre ele, e volta e meia nos falamos, por email ou pelo orkut. Hoje recebemos, eu e vários outros fãs/amigos/admiradores, mensagem dele diretamente de Madri, onde mora. Nela, Edy agradece o carinho com que foi recebido durante o evento e faz as honras de dividir os aplausos com quem de direito. Vou tomar a liberdade de publicar aqui a mensagem, tenho certeza de que ele aprovará.

Valeu, Edy! Vc definitivamente é uma estrela!

Amiguinhos,

estou acabando de chegar em casa, em Madrid, com a alma em festa y o êxtase de uma missão bem cumprida!

Y logo ao abrir o correio, encontro as mensagens de muitos amigos, ansiosos de divulgar y também fazer chegar até mim, os ecos do êxito do nosso show!

Para mim, que só estava preocupado em fazer um bom espetáculo y nâo decepcionar aos Raulseixistas, é uma grata surpresa y alegria, saber que fui considerado pela maioria da assistencia o `melhor show´do Palco Raul..

Ver o reconhecimento do esforço do trabalho a que me propuz..

Mas, que saibam todos, que NÂO É um show unicamente meu! É uma coisa de grupo, de equipe… Que seria de mim, se não tivesse subido ao palco com o grupo que desejava y escolhi?

Y assim, quero fazer saber que nada teria o sucesso obtido, se lá não estivesse o excelente guitarrista Caverna, o arrepiante baixo do Lu Stopa, y todo o resto da banda: o Dada no teclado, o Américo na bateria, as incríveis y simpáticas meninas Ivani y Renata (Táta) no back-vocal.

Havia tambem o garoto da percursâo, y o trio de metais (que não lembro nomes agora!), y mais a presença-surpresa do Thildo Gama com seu sax, que foi de Salvador especialmente pra estar conosco!

Outras figuras que não podem ser esquecidas: o Sylvio Passos, a quem convidei pra contracenar comigo nas vinhetas, fazendo as `falas´ do Raul (quem poderia fazer melhor?), y o Rodrigo Titarelli (o Rodrigâo de Belô!) que também veio de Belo Horizonte só pra encarnar o Dr. Paxeco, pra delírio do publico…

Então, a toda essa gente, sou muito agradecido.

Eles é que me deram a segurança nescessaria pra fazer um show diferente bem ao meu gosto: honesto, divertido, colorido, cativante, y acima de tudo respeitando y encarnando o verdadeiro espírito anárquico-crítico da `Sociedade Kavernista – Apresenta Sessão das 10´.

Independente do pessoal da técnica, de luz y som, a quem também agradeço,

*OBRIGADO A TODA ESSA GENTE, ESSES MUSICOS MARAVILHOSOS QUE ME APOIARAM;

*AOS AMIGOS QUE LÁ ESTIVERAM , QUE APLAUDIRAM Y SE DIVERTIRAM;

*AO PESSOAL DA PRODUTORA, QUE ME CONVIDOU Y CONFIOU;

*AOS JORNALISTAS TODOS,

MAS PRINCIPALMENTE AO EDMUNDO LEITE (O Estado de São Paulo), QUE ESCREVEU `ESSA COISA´ SOBRE O `NOSSO SHOW´ – leia aqui.

Abaixo, Edy cantando Êta Vida na Virada Cultural SP 2009. Foi uma farra!

Publicado em musica | 1 Comentário

Petropolis

Embaixo da floresta boreal canadense, em Alberta (ao norte do país), está a segunda maior reserva de petróleo do mundo. Numa areia escura e lamacenta, que se estende por uma região quase do tamanho da Inglaterra, está o betume, que vem atraindo cada vez mais o interesse das grandes companhias petrolíferas do mundo. Só que esse ‘ouro negro’ é puro veneno. Para se obter um barril de betume ‘limpo’, são necessárias duas toneladas dessa areia, um processo que gasta muita energia, emite CO2 na atmosfera como poucos e desmata quilômetros e mais quilômetros de florestas primárias. Perto das areias betuminosas de Alberta, o pré-sal brasileiro é fichinha – tanto em tamanho como em danos possíveis ao meio ambiente. O Greenpeace Canadá fez um impressionante documentário sobre essa nova fronteira petrolífera e seu impacto no meio ambiente – local e mundial. O filme se chama Petropolis e ganhou este ano o prêmio do júri num festival suíço de documentários, em Nyon. Confira o trailer aqui.

EM TEMPO: Acabei de ficar sabendo que o presidente Lula, em uma reunião na última quinta-feira em Brasília, admitiu pela primeira vez a hipótese de participar da Conferência da ONU sobre clima marcada para dezembro em Copenhague. A idéia é dar mais peso à apresentação do plano brasileiro de combate às mudanças climáticas, o que inicialmente estaria a cargo dos ministros Celso Amorim (Relações Exteriores) e Carlos Minc (Meio Ambiente). Lula que aproveitar seu prestígio internacional para dar uma ‘bombada’ na proposta brasileira. Se até lá ele melhorar o documento, incluindo propostas como o desmatamento zero na Amazônia, maior incentivo às energias renováveis no país e a proteção dos oceanos com a criação de áreas marinhas, pode ser um bom negócio mesmo.

Publicado em Meio Ambiente | 3 Comentários

Estamos doentes e a culpa não é da gripe suína

Toda vez que um especialista é chamado a falar sobre gripe suína na TV, rádio ou jornal, fico na vã expectativa dele tocar no X da questão. Alguns especialistas até chegam a dar a senha do real problema que temos, lembrando que o crescimento da população mundial impõe uma produção massiva de alimentos, cada vez mais industrial, mas evitam criticar diretamente.

Tô pagando pra ver quem será o primeiro a dar o nome aos bois: a gripe é do modelo industrial de produção de alimentos, não dos porcos.

Enquanto isso, gripes suína e assemelhadas (aviária, por exemplo) continuarão a surgir, umas mais fortes outras mais fracas (como a atual), por conta dessa excessiva aglomeração de animais em espaços diminutos, todos alimentados com rações carregadas de agrotóxicos (e transgênicos) e tratados indiscriminadamente com antibióticos – ver aqui e aqui. Ferem o sândalo e ainda querem sair perfumados…

Pense nisso cada vez que for ao supermercado comprar alimento industrializado ou mesmo carne (bovina, suína ou de frango). Podem ser produtos mais baratos do que outros fabricados de forma ética, como os orgânicos, mas é o clássico caso do barato que sai caro. Enquanto nós, consumidores, não dermos mostras à indústria de que não queremos mais produtos fabricados às custas da saúde do planeta e nossa, nada mudará. E não é tão difícil fazer isso: consumir menos carne, dar preferência aos produtos que não usam agrotóxicos nem são fruto de práticas anti-éticas, ter uma alimentação mais equilibrada, se informar.

Tem gente no entanto que prefere pateticamente circular por aí de máscara e por a culpa nas autoridades. Paralisados em suas zonas de conforto, posando de vítimas, se deixando aterrorizar pelas manchetes, aguardando o próximo surto de gripe.

EM TEMPO: Para acabar com essa paranóia estúpida em relação à gripe suína, sugiro a leitura deste artigo do New York Times. Basicamente, diz: o vírus não é mais ‘mortal’ que a gripe comum e lavar as mãos regularmente é um procedimento pra lá de bem-vindo. O resto é cultura do medo.

Depois relaxa com o Sneeze.

Publicado em Meio Ambiente | 8 Comentários

E o DDT era bom…

DDT é bom pra mim!!!

Em tempos de mudanças climáticas, energias renováveis e sustentabilidade, ninguém quer ficar de fora do bonde. A onda agora é ser verde. Na verdade, ‘parecer’ verde. Basta um discurso bem trabalhado, investimento pesado em relações públicas e publicidade, e pronto, uma empresa como a Petrobrás, Vale do Rio Doce ou Monsanto aparece na mídia – e aos olhos dos consumidores – como ambientalmente responsável. E isso não é de hoje. Clique na imagem acima e leia com atenção. É um cartaz publicitário que conta as maravilhas que o DDT faz por você, sua família, os animais e o meio ambiente. Logo no início, diz:

As grandes expectativas geradas pelo DDT foram concretizadas. Durante 1946, exaustivos testes científicos mostraram que, quando usado apropriadamente, o DDT mata vários tipos de insetos, e é benéfico para toda a humanidade.

Outros cartazes desse tipo sobre o DDT podem ser vistos aqui.

Hoje sabemos bem o que esse poderoso pesticida pode causa à saúde humana, aos animais, ao ambiente. Sim, o DDT teve importância na erradicação da malária e do tifo em várias regiões do planeta, mas o custo disso foi altíssimo, aumentando a mortalidade de animais e causando câncer em milhares de pessoas. A meu ver, inadmissível. Para combater um problema, causaram outro tão ou mais grave.

O debate hoje sobre sustentabilidade vai nessa direção. Qual o nível de degradação ambiental, social e de saúde aceitável? Quantas empresas promovem hoje atividades insustentáveis, mas que aos olhos do público e dos govenos, parecem trazer mais benefícios do que prejuízos? Quantas empresas são transparentes o suficiente, permitindo que possamos debater o nível de sustentabilidade de suas atividades? Quais delas têm a coragem de admitir que suas atividades são mais nocivas do que benéficas e, assim sendo, estão dispostas a investir mais (e lucrar menos) para procurar o melhor jeito de produzir?

Infelizmente a resposta a essas perguntas é a mesma: não muitas. Algumas já se conscientizaram e têm mudados suas práticas, mas a maioria ainda prefere investir primeiro na área de marketing/relações públicas para lavar a imagem e dar cores verdes ao que fazem.

Os tempos estão mudando e viver de forma ambientalmente responsável e sustentável exige esforço, comprometimento, ética e muita, mas muita força de vontade. Não é nada fácil. Sempre que vou ao supermercado, restaurante, loja de roupas ou brinquedos, fico um tempão analisando o produto que penso em comprar, de onde veio, pra onde vai, como foi feito, como vai ser descartado, etc. Tenho tentando explicar isso aos meus filhos e amigos, e em muitos casos recebo desdém e desesperança, parece ser impossível mostrar que é possível sim pisar no freio e mudar. Nós, consumidores, temos um papel importante nisso tudo. É só exercermos nosso poder de decidir o que vai vingar ou não no mercado. É trabalho de formiguinha mesmo.

Tem hora que dá vontade de desistir, mas aí vejo a Monsanto posando de defensora da agricultura sustentável, a Esso cagando baldes para as energias renováveis, a Vale se dizendo preocupada com a sustentabilidade e tantas outras empresas aparecendo na mídia como modelos corporativos – quando na verdade, por trás das cortinas, continuam as mesmas predadoras de sempre. É quando penso: “tá fácil demais pra esses caras…” e volto a dar minhas bicudas nas canelas desse pessoal…

Afinal de contas, se é pra morrer, que seja com minhas botas calçadas!

Publicado em Meio Ambiente | 3 Comentários

Oguyê

Salve, Jorge!

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.

Trilha sonora:

(pra quem não sabe, hoje é dia de São Jorge)

Publicado em cultura | 2 Comentários

De volta ao batente com algo inspirador

Eu sei, eu sei, estou em dívida aqui com este espaço. Alguns já andaram reclamando, eu mesmo tava angustiado pra retomar o blog. Minha ausência tem um pouco a ver com o twitter, que supre parte de minha ânsia por compartilhar informação, mas também com a campanha Salvar o Planeta, do Greenpeace (que me consumiu durante três meses) e meus filhos, com quem tenho passado boa parte do tempo para matar as saudades.

Mas vamos lá reativar esta bagaça neste Dia da Terra. Não sou muito de blogagem coletiva, mas calhou de aparecer um vídeo bem legal justamente hoje. Eu na verdade tava afim de escrever sobre alimentação, agricultura industrial/transgênica x orgânica e contaminação de nossa comida por agrotóxicos, mas não tive tempo nem disposição pra elaborar algum texto que prestasse. Calma, né? Tenho que voltar devagar… :)

Então, me contento em publicar o vídeo Inspiring Action, do Greenpeace, que em menos de 24 horas chegou ao 5o. lugar no Viral Vídeo Chart, que mede a audiência dos vídeos publicados na internet.

Publicado em Meio Ambiente | 4 Comentários

Greentube

(não precisa assistir até o final – para ver outros, clique no botão que aparece no vídeo)

Publicado em Meio Ambiente | 1 Comentário

Juli canta Dolores

Tô em falta aqui no blog, é verdade… mas vou retomar, após longo e tenebroso inverno. Por ora, fica a dica do show da Juli Mariano (minha cunhadinha querida!), no Rio, em homenagem à Dolores Duran. Vale conferir!

Publicado em musica | 3 Comentários

Recompensa

E após três meses de muita ralação, eis o resultado!

Publicado em Meio Ambiente | 3 Comentários

1o. abril

Cena 1 – Ato violento contra o G20 em Londres

Milhares de pessoas saem às ruas em Londres para protestar contra o G20, que se reuniria na cidade no dia seguinte. Alguns mais exaltados promovem quebra-quebra, enfrentam a polícia e impedem que a população da cidade circule livremente pelo bairro de Banks. A população procura alternativas, anda quilômetros para chegar a outras estações de metrô ou de ônibus, e desviam de suas rotas rotineiras de carro. Os comentários giram em torno do descaso dos líderes mundiais em relação às pessoas e ao meio ambiente, que banqueiros e especuladores de Wall Street têm tido mais atenção do que o resto. A mídia passa o dia dando notícias sobre o conflito, com ênfase no teor principal dos protestos, não os problemas causados no trânsito.

Cena 2 – Ato pacífico contra o G20 no Rio de Janeiro

Cerca de 40 ativistas do Greenpeace promovem um protesto na Ponte Rio-Niterói, na parte da manhã. Escaladores descem pela murada da ponte para estender uma faixa de 30 metros por 50 com os dizeres: ‘Líderes do mundo, clima e pessoas primeiro’. O recado era para que o G20 não discutisse em Londres apenas a crise financeira, mas também a climática, que pode afetar milhões de pessoas em todo o mundo nos próximos anos. A ação, que bloqueou uma das pistas da ponte por 15 minutos, acabou causando um engarrafamento grande em Niterói. As pessoas que passavam de carro, ônibus ou van pelo local xingavam os ativistas e também aproveitavam para diminuir a velocidade do seu veiculo para tirar fotos – o que contribuiu bastante para piorar o tráfego. A mídia passou o dia falando praticamente apenas sobre o trânsito, ignorando a mensagem que o Greenpeace queria passar.

O que essas duas cenas, comparadas, querem dizer? Numa rápida reflexão, eu diria que a população londrina é mais consciente e menos imediatista que a carioca e niteroense, e que a mídia lá é menos provinciana. Estamos numa baita encruzilhada e poucos brasileiros, mesmo os mais instruídos, parecem se dar conta. Escrevi sobre o assunto no blog do Greenpeace, confira aqui.

Existem dois dias no ano em que não podemos fazer nada: o ontem e o amanhã.

Publicado em Meio Ambiente | 3 Comentários