A mosca

Com as vendas em queda livre, bem como sua credibilidade – graças ao estilo tendencioso de jornalismo que pratica -, a Folha tá com campanha nova no ar, criada pelo Nizan Guanaes (África), produzida pela O2 Filmes e dirigida por Fernando Meirelles. Várias ‘estrelas’ do jornal, como Clóvis Rossi, Ruy Castro, José Simão, Angeli e Barbara Gancia, entre outras, citam trechos da música Mosca na Sopa, de Raul Seixas, dando a entender que são paladinos da liberdade de expressão, do interesse público, da pluralidade de opiniões, enfim, todo aquele papo que rola em filmes publicitários para fazer você pensar que a coisa é real, mesmo todo mundo sabendo que não é bem assim…

Tudo muito bem, tudo muito bom, mas aí chega a internet, abaixo personificada pelo presidente americano Barack Obama, e catapimba!

Perdeu, playboy, perdeu! A mídia não é mais a mensagem, as mensagens são a mídia. Não precisamos mais apenas de jornais como intermediário da informação, cut the middle man! Isso não quer dizer que a informação deixará de ser produzida, circulada e compartilhada, pelo contrário. Nunca li tão pouco jornal como hoje e nunca estive tão bem informado. As fontes de informação se diversificaram e se os jornais entenderem e souberem se adaptar a isso, sobreviverão. Caso contrário, vão definhar esperneando. Melhor parar com o mimimi e aproveitar as novas tecnologias para se reinventar! Jornalista que não gosta de novidade melhor mudar de profissão…

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Linux, uma boa escolha

Se eu ainda tinha alguma dúvida sobre o sistema operacional do meu futuro laptop, ela se foi quando eu li o seguinte: o sistema Linux, além de ser mais barato e seguro que os proprietários da Apple e Microsoft, é também mais ecológico!

A ZDNet australiana listou 10 pontos em que o Linux vence seus rivais em termos ambientais. Como o fato, por exemplo, de ser mais leve e por isso não exigir um computador tão potente para funcionar a contento, usando assim menos energia.

Sei que muita gente resiste em usar computadores com Linux afirmando que é complicado demais e que já está acostumado com o Ruindows da M$. O primeiro argumento já foi verdade um dia, não é mais. Saca o Ubuntu e depois me diz. Quando trabalhei na prefeitura de São Paulo durante a implantação do projeto de inclusão digital na capital, vi gente da periferia usando Linux na boa. Perguntei a alguns se sentiam muita diferença e a resposta era meio óbvia: claro que não, afinal era a primeira vez que estavam usando um computador.

Isso nos remete à segunda questão, do costume de usar este ou aquele programa. Ora, você pode estar acostumado a andar de carro e começar a andar de ônibus por questões financeiras e/ou de conscientização. Não tem o costume de dar caronas e fazer isso com mais frequências. Ter o costume de escovar os dentes de torneira aberta e ter que se acostumar a não mais fazer isso. E por aí vai.

Mudanças de hábitos (principalmente os maus) são fundamentais para atingirmos novos patamares civilizatórios, que respeitem o meio ambiente, as pessoas e as regras de boa convivência, inclusive no grande mercado capitalista. Compartilhar, tolerar, reusar, reciclar. Tudo na vida é uma questão de escolha. E por meio delas, definimos nosso futuro.

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O orvalho da manhã, quando cai no bambuzal…

(Fonte da imagem: galeria de sobreiro)

Não me interessa se foi suicídio, putaria ou acidente, cada um morre como quer (ou puder). O fato é que o gafanhoto David Carradine se foi e essa notícia me trouxe à memória o seriado Kung Fu, estrelada pelo ator (o título deste post era uma frase que o mestre sempre dizia ao gafanhoto Carradine no seriado).

Enquanto muitos citaram Kill Bill, do Tarantino, como referência, a mim logo veio a imagem de Carradine novinho, às vezes careca, como mestre shaolin no meio do velho oeste americano. E qual não foi a minha surpresa ao descobrir que boa parte dos episódios (se não, todos) dessa série estão no youtube!

Olha que beleza:

Que Carradine descanse em paz. E que sua morte não seja em vão: reprisem Kung Fu!!!

(A internet está repleta de homenagens hoje a Carradine. Essa galeria de fotos do Yahoo! News e esse video da AP publicado no site do Washington Post são dois bons exemplos.)

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A GM faliu? Viva a GM!

Michael Moore, sempre ele, fez um texto brilhante sobre a anunciada falência da General Motors e deu o caminho das pedras para o governo americano, agora principal acionista da empresa, dar um foco sustentável no empreendimento. O texto já vem rodando pela net há algum tempo, mas faço questão de registrá-lo aqui. São nove dicas de como a GM pode ser socioambientalmente responsável, deixando de fabricar carrões poluentes e egoístas para produzir transporte de massa, limpo e seguro. Nas palavras de Moore:

Não coloque outros US$ 30 bilhões nos cofres da GM para a fabricação de carros. Em vez disso, use esse dinheiro para manter a atual força de trabalho da empresa – e boa parte daqueles que foram demitidos – empregada para que possam produzir os novos modelos do transporte do século 21. Deixem eles começarem os trabalhos de conversão já.

(leia aqui o texto na íntegra, em inglês)

Moore praticamente deve à GM seu sucesso no mundo dos documentários, já que ela foi a estrela do seu primeiro filme, Roger & Me (de 1989), em que o cineasta persegue o então presidente da empresa – Roger Smith – para que ele explique o fechamento de 11 fábricas na região de Flint, cidade natal de Michael Moore. Veja aqui o trailer do filme.

O futuro da GM (agora sigla para Government Motors, piadinha que andou circulando pelo twitter), empresa que matou o carro elétrico na década de 1990, pode sinalizar os novos caminhos de toda a indústria automobilística. O mundo dá voltas…

Aliás, já viu o filme Quem Matou o Carro Elétrico? É um documentário de 2006 sobre o EV1, veículo produzido pela GM na década de 1990 e foi abortado por pressão da indústria petrolífera e automobilística. Tá aqui, dividido em 10 partes de cerca de 10 minutos cada. Tranquilinho.

Ok, vai uma palinha – o trailer:

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Versão literal

A nova onda no Youtube é fazer versões literais de videoclipes famosos, com as letras dizendo exatamente o que rola no vídeo. É a tal Literal Video Version e é de rolar de rir! Já tem versões de Penny Lane e Strawberry Fields Forever (Beatles), White Wedding (Billy Idol), Total Eclipse of the Heart (Bonny Tyler), Take on Me (A-Ha) e Losing My Religion (REM), entre muitas outras.

As minhas duas preferidas são:

Total Eclipse of the Heart (Bonny Tyler)

Penny Lane (Beatles)

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9

9, novo filme de animação do Tim Burton

Eu já tinha postado aqui sobre esse filme de animação, que tem produção do Tim Burton. Era um pequeno trecho, o suficiente pra ver que se tratava de algo bem engenhoso. Pois agora o filme tá pronto e, claro, vai ser lançado dia 9/9/09.

Burton tem se especializado em animações, cada vez mais bizarras e geniais. A primeira delas, Vincent (do tempo em que trabalha nos estúdios Disney!), já dava mostras disso. Mesmo os seus filmes convencionais, com pessoas reais, tem um ‘Q’ de animação – Eduardo Mão de Tesouras, Batman, Ed Wood. Todos sempre meio sombrios, com um fino humor negro, a la Edgar Allan Poe (uma de suas notórias inspirações). ‘9’ não é diferente.

Confira o trailer:

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Discussão ambiental no Brasil (ainda) é um desastre

Para se ter uma idéia do nível da discussão ambiental no país, dá uma conferida neste post do Greenblog, do pessoal do Greenpeace. É tão bizarro que vou reproduzir abaixo algumas das declarações feitas durante encontro da Câmara Americana de Comércio (Amcham) para discutir o Código Florestal brasileiro. Não sei ainda se é pra rir ou para chorar, mas enfim…

Antônio Fernando Pinheiro Pedro, presidente do Comitê de Meio Ambiente da Câmara Americana de Comércio (Amcham)

“Se essa defesa antipatriótica do meio ambiente que fazem aqui no Brasil fosse feita por essas pessoas na China, elas já teriam levado tiro e família ter pago a bala.”

comentário: ou seja, para Pinheiro Pedro, patriota é aquele que baixa a cabeça para toda e qualquer agressão ambiental, caso contrário ele deveria ir para o ‘paredão dos ambientalistas’.

“Por que vocês acham que o Príncipe Charles veio ao Brasil na véspera do julgamento da reserva indígena Raposa Serra do Sol, no STF? Ele veio influenciar no julgamento porque a Inglaterra tem interesses em prejudicar a produção brasileira agrícola pois ela disputa conosco a produção de alimentos no mundo. É uma competidora nossa.”

comentário: taí, como teria sido exatamente essa influência do Príncipe Charles? Foi durante um papo regado a chá?

“Nessa história de defesa da biodiversidade, nós temos que lembrar que o mais importante somos nós, e não o micróbio.”

comentário: Quanta injustiça. Sem os pobres micróbios, não haveria vida no planeta, nem humana!

“Essa legislação ambiental atual é um cancro para o nosso país.”

comentário: Seriam as leis de trânsito responsáveis pelos milhares de acidentes fatais? Os hospitais são os culpados pelos doentes?

Deputado federal Luciano Pizzatto (DEM-PR)

“No Brasil, o fascismo ambientalista funciona assim: ele não consegue debater com quem tem idéias e argumentos, então tenta destruir a todos. Vão tentar nos prender (ruralistas) e isso vai acontecer também com vocês (referindo-se aos empresários presentes).”

comentário: bom, Dorothy Stang e Chico Mendes tentaram debater com idéias e argumentos. Foram assassinados. São deles que o deputado está falando? Acho que não…

“O que os defensores do meio ambiente devem entender, é que o universo é violento e destrutivo. Portanto preservar o meio ambiente deve considerar isso, porque senão poderá às vezes nos prejudicar. Ao derrubar uma árvore, estamos na verdade dando o direito de outra nascer.”

comentário: Pensando assim, nem é tão ruim constatar que o planeta está sendo destruído, porque teremos em breve um novinho em folha! Genial!

Rodrigo Justus, assessor técnico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA)

“Essa história da Marina Silva de que os pobres que moram na Amazônia podem viver do extrativismo e do conhecimento é papo furado. Não pensem que uma indústria farmacêutica vai vir para o Brasil pegar o micróbio e pagar royalties para essas populações. O Brasil não vai viver de ser gigolô de micróbio.”

comentário: Depois dessa… Justus, você está demitido!

“A agricultura familiar só produz 5% de todo alimento do país, ao contrário do que andam divulgando por aí. Ainda bem que para essas pessoas tem Bolsa Família, senão elas morreriam de fome.”

comentário: acho que Justus leu algum relatório de cabeça pra baixo. Segundo o IBGE, a agricultura familiar representa 70% de todo alimento produzido no país.

“Hoje, na discussão ambiental, o que importa é o micróbio e os bichinhos, e o ser-humano fica para depois.”

comentário: já na discussão ruralista, primeiro vem os grileiros, depois os madeireiros, em seguida bois, soja… quando você vai ver, a discussão ambiental ficou pra nunca mais.

“Há pessoas que são contra o plantio de exóticas. Na última reunião em que estive em Brasília eu pedi para tirarem as rosas da sala, que não são brasileiras. Desse jeito, temos que parar de tomar água de côco…”

comentário: acho que deveria haver algum tipo de legislação contra pessoas com pensamentos exóticos…

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Valeu, Zé!

Demorei mas encontrei um tempinho pra também homenagear o Zé Rodrix, que morreu na última quinta-feira, aos 61 anos. Já escrevi muito sobre ele aqui no blog e tive a honra de entrevistá-lo por duas vezes: uma pelo JB em 2001, quando voltou a se reunir com Sá e Guarabyra para tocar no Rock in Rio 3 (foi capa do Caderno B ) e outra se não me engano no ano seguinte, pela editora Record, quando estava lançando o primeiro livro da trilogia sobre o templo de Jerusalém, Johaben.

Os papos foram sempre na confortável casa onde morava ali perto da avenida Sumaré, zona oeste da capital paulista. Maçon, multi-instrumentista, compositor de primeira e aficcionado por romances históricos, Zé era bom de papo e conversávamos por horas sobre música, política, literatura, religião. Integrante de várias bandas de primeira, como Som Imaginário (que acompanhava Milton Nascimento na década de 1970), o trio Sá, Rodrix & Guarabyra e Joelho de Porco, autor de muitos sucessos (Casa no Campo, Mestre Jonas, Hoje Ainda é Dia de Rock, Fala), Zé Rodrix não se conformava com a exaltação da mediocridade que imperava (e ainda impera) na mídia. Dizia que pretendia lançar um livro cujo título seria algo como “Alugaram Nosso Gosto”, para descer a lenha nesse pessoal que não tem coragem de dizer que a voz do Milton Nascimento já era, que a Rita Lee está gagá para o roquenrol e que Barão Vermelho é pastiche de si mesmo há anos.

Vai fazer uma puta falta esse cara, ô se vai! Saber que ele estava por aí, batucando as teclas de um piano ou computador, era reconfortante. Agora resta seus discos, livros, vídeos e nada mais…

No meio das lembranças do passado eu não estou sozinho:

Feira Moderna (Som Imaginário – 1970)

Hoje Ainda é Dia de Rock (Sá, Rodrix & Guarabyra – 2001)

Trombadinhas (São Paulo By Day) (Joelho de Porco – 1976). Ok, não é com o Zé Rodrix, que só entraria anos depois, mas essa música é foda!

Primeira Canção da Estrada (Sá, Rodrix & Guarabyra – 1972)

Fala (Secos & Molhados – 1973) Zé Rodrix fez os arranjos e tocou teclado mini-moog nessa música)

Jingle para a Chevrolet – anos 80)

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Pequena notável pode virar peça de decoração

Ficar em casa durante um fim de semana friorento tem suas vantagens. Sem frilas pendentes ou filhos pra cuidar, passei sabado e domingo arrumando a casa e eis que redescubro uma preciosidade comprada pela minha mãe na década de 1980, descansando numa caixa vermelha num canto obscuro do armário: uma legítima câmera fotográfica Pentax Auto 110, considerada por aí como a mais versátil pequena câmera automática já feita. Corpinho enxuto, três lentes (18mm, 24mm e 50mm), filtros variados, motor, flash. Fiquei que nem criança quando ganha brinquedo novo, mas logo veio a ducha de água fria: o filme! A Auto 110 só funciona com os hoje raríssimos filmes 110 outrora produzidos pela Kodak e Fuji. Na Amazon, encontrei um cartucho de 24 poses por incríveis US$ 75! Espero que minha pesquisa tenha sido falha, que exista algum santo lugar pra comprar esses filmes a preços razoáveis. Algum fotógrafo na área pra dar uma força?

O manual, pelo menos, achei num site na internet. Clique aqui (com o botão direito do mouse) para baixar o arquivo pdf. (Vou aproveitar e publicar na Biblioteca do Escriba também).

Tá, ok, talvez seja mais fácil adquirir esta outra belezinha, a Canon G10. A ver…

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Quem avisa amigo é

Pois é, e não é que os tais ecoxiitas que alertavam lá atrás que a aprovação do milho transgênico pelo Brasil traria problemas aos agricultores estavam certos? Os produtores do Paraná, responsáveis pela maior parte do milho plantado no país, estão sofrendo com a contaminação de suas lavouras pela versão transgênicas, assunto tão grave que ganhou manchete na Folha dias atrás. Se ambientalistas fossem mesmo chatos ficariam que nem aquele personagem de Carangos e Motocas que, ao final de cada episódio, repetia: “Eu te disse! Eu te disse!”

Há mais de uma década que a contaminação no campo provocada pelas culturas transgênicas é conhecida e denunciada, bem como a ameaça que representam à biodiversidade e o aumento no uso de agrotóxicos no campo. A imprensa brasileira, no entanto, passou esse tempo todo apenas reproduzindo o canto da sereia entoado pela indústria de biotecnologia, de que os transgênicos aumentariam a produção, os ganhos dos plantadores, combateriam a fome, seriam a resposta para a agricultura em tempos de mudanças climáticas. Mais de 20 anos depois da tecnologia estar na praça, o que temos? Plantas geneticamente modificadas para resistir a agrotóxicos – tudo feito pelas mesmas empresas (Bayer, Monsanto, Basf, Dow Química). Não é uma beleza? Não é raro ler editorais acusando ambientalistas e cientistas de serem ‘anti-ciência’, ‘obscurantistas’ ou mesmo ‘terroristas’, por pedirem tão somente um maior cuidado com um assunto envolto em tanta polêmica.

Foi preciso que diversos países europeus levantassem barreiras aos transgênicos no campo – entre eles França e Alemanha, dois dos maiores produtores agrícolas da Europa – e que a primeira colheita de milho transgênico no Brasil fosse tamanho desastre para que a nossa imprensa olhasse para fora da semente e percebesse que o quadro geral é bem mais feio que pintavam os promotores da nova tecnologia.

A questão toda não é a tecnologia em si. Como bem observou Jeffrey Smith em sua entrevista ao Roda Viva (gravada na última quinta-feira e que deve ir ao ar em breve na TV Cultura), ela pode um dia vir mesmo a ser interessante para a agricultura. “Mas ainda estamos longe desse dia”, alertou o americano, diretor executivo do Instituto pela Tecnologia Responsável e autor dos livros Sementes da Decepção e Roleta Genética, cuja edição nacional foi lançado semana passada no Brasil.

Tendo como entrevistadores Flavio Finardi Filho, professor da USP e membro do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) – ONG bancada pela indústria de biotecnologia -, os jornalistas Alexandre Mansur (revista Época), Fernando Lopes (Valor Econômico) e Washington Novaes, Jeffrey Smith fez uma bela exposição dos riscos que corremos ao liberar no campo uma tecnologia tão cheia de buracos. Mansur e Finardi Filho, com a ajuda do apresentador Heródoto Barbeiro, bem que tentaram encurralar o entrevistado (“Então a FDA não é confiável?”, “A imprensa está vendida?”, “Se os transgênicos são tão ruins, porque tantos agricultores querem plantá-lo?”), mas ele se saiu bem lembrando da força da Monsanto no órgão federal americano que regula os alimentos no país; do caso dos jornalistas da Fox perseguidos por denúncias ao Posilac; e das muitas ilusões que a indústria vende aos produtores. Não foi contestado, apenas recebeu de volta risinhos debochados. A discussão, como se vê, ainda engatinha por aqui. Quando a imprensa brazuca parar de ver a questão toda por meio apenas das informações vindas da indústria, talvez aí as coisas fiquem mais claras. Por ora, serve apenas de biombo para uma ciência cega, que corre para chegar mais rápido ao buraco.

A imprensa aliás, como bem observou Luciano Costa Martins, é mais do que cúmplice disso tudo; é coautora do crime que se está cometendo com a agricultura e meio ambiente brasileiros. Não adianta culpar apenas o governo pela falta de fiscalização (a velha mania nacional), como fez a Folha na matéria sobre o milho transgênico no Paraná, é preciso rever parâmetros na hora de discutir temas tão controversos, para dar um panorama mais claro que vem acontecendo. Ou vão esperar o caldo entornar geral para enfim notarem que há mais verdades por aí do que as alegadas pelo CIB e companhia?

Ninguém aqui é contra a tecnologia, mas sim contra a sua aplicação inadequada. Devagar com o andor, galera, que o planeta é de barro.

Em tempo: Dias atrás, um membro da CTNBio, comissão encarregada da aprovação dos transgênicos no Brasil, visitou este blog e questionou minha argumentação sobre o assunto. Pedi uma entrevista ao Paulo Paes de Andrade, geneticista da UFPE, ele aceitou.

As respostas às 10 perguntas enviadas estão aqui. Agradeço ao Paulo pela boa vontade e elegância com que vem travando o debate – pelo menos neste blog.

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