Michel Teló e a Macarena do século 21

Não se fala em outra coisa: Michel Teló é o mais novo sucesso da música brasileira – e mundial! O cara tá arrebentando com esse hit aí de cima, música divertida, com coreografia e tudo. É líder nas paradas aqui e em diversos países europeus, já tendo até versões em inglês e holandês (até onde eu sei…)

Uns acham esse hit do forró universitário pra lá de tosco, outros que seu sucesso pode ser bom pra música brasileira. Eu acho apenas divertido. É música pra pular, pra curtir uma noite com amigos, nada sério. Conquistou o mundo – real e virtual. Tá em todo lugar, em shoppings em Buenos Aires, na festa do apartamento do lado de sua casa ou no youtube, não apenas com o vídeo oficial, mas também em homenagens divertidas, como a desses soldados israelenses:

O sucesso de Teló entrou pruma categoria de música que pode ser usada em qualquer tipo de evento comemorativo, festeiro, a exemplo de tantas outras já consagradas, como Macarena e New York, New York. Vamos a uma pequena lista. Se souber de outra, deixe na área de comentários que publico depois. Mas lembre-se: tem que ser algo universal, não apenas sucesso no Brasil.

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Feliz Natal! E que venha 2012!

E que em 2012 possamos atingir um novo patamar!

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Enfrentando o preconceito com bom humor

Um jeito divertido e inteligente de discutir – e combater – o preconceito. Da cervejaria dinamarquesa Carlsberg.

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Gota d´água, o meme

Já deixei claro aqui e nas redes sociais afora que considero pra lá de cretino aquele vídeo dos artistas questionando o investimento em Belo Monte no rio Xingu, na Amazônia. Mas é inegável que bombou na internet – comprovando que sucesso geralmente pouco tem a ver com qualidade – e seu sucesso está provocando uma enxurrada de vídeos similares, como acontece sempre que algo ganha notoriedade online – é o tal ‘meme‘. Lembra da Banda Mais Bonita da Cidade? Então, é por aí. Até o Rafinha Bastos pegou carona, saca só:


(vídeo de alunos de Economia e Engenharia Civil da Unicamp dando resposta às principais questões levantadas pelo vídeo dos artistas – lançaram até site, o Tempestade em Copo D´Água)


(Um gozador aproveitou a onda e lançou o movimento Gota D’Cachaça, que sinceramente acho bem mais honesto que o tal Gota D’Água…)


(Acho o Rafinha um boçal, mas ri demais com esse vídeo dele… )

ATUALIZANDO: Mais um vídeo, desta vez de estudantes da UnB:

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Bora discutir Belo Monte sem falcatrua?

Ok, vamos discutir Belo Monte? Mas que tal fazermos isso com base em dados reais? Sim, porque qualquer discussão baseada em suposições, falseamento, mentiras, não vai levar a lugar algum. Só vai desvirtuar o debate e promover mais ignorância. Então, a partir dos dados fidedignos, podemos nos posicionar contra ou a favor e, melhor, podemos exigir que se cumpra o combinado. Foram décadas de discussão sobre o projeto, que foi alterado para atender muitas das demandas, como não-alagamento de terras indígenas, diminuição dos impactos na região, melhoria das condições de vida das populações das cidades do entorno.

Não podemos cair na ‘esparrela’ das Reginas Duartes da vida, que aparecem aqui e ali pontuando com a cara constrita que estão “com medo”. Ainda mais quando a causa do medo é informação deturpada. O pior é ver ambientalista tarimbado alimentando essa falcatrua, comemorando por exemplo o sucesso de um vídeo de artistas que em vez de jogar luz sobre o assunto, prefere fazer terrorismo barato, com base em informações defasadas, falsas até – chegaram a afirmar que o Parque Nacional do Xingu, que fica mais de 1.300 km ao sul do local da usina, poderá ser inundado!! Pô, aí não, vai… muita apelação! (não acredita? Veja aqui a distância de um para o outro)

Como bem disse o Gilberto Camara, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), recentemente em seu blog, os ambientalistas estão perdendo a oportunidade histórica de conseguir avançar, exigindo que o governo e a iniciativa privada promovam a sustentabilidade em seus projetos. Em vez disso, estão apelando para o obscurantismo, a desinformação, o marketing raso, e com isso perdem credibilidade. Uma pena. Quando sentam para discutir e negociar honestamente, conseguem boas vitórias – como a moratória da soja, que envolveu sojeiros da Amazônia, Greenpeace e até o McDonald’s. É assim que funciona numa democracia moderna: os diferentes sentam à mesa, colocam seus argumentos, ‘senões’ e ‘poréns’ e tentam chegar a um denominador comum. Isso foi feito com Belo Monte, tanto que o projeto mudou da água pro vinho nesse meio tempo e hoje tem tudo para ser exemplo para outras obras do tipo que virão – e virão, não tem pra onde correr – para a Amazônia.

Mas enfim, vamos aos fatos sobre Belo Monte, que estão longe do bicho-papão pintado por aí:

* O lago de Belo Monte terá 503 km2, dos quais 228 km2 já são o leito do próprio rio Xingu. E boa parte da área restante já está desmatada por criadores de gado, agricultores e madeireiras ilegais. O desmatamento efetivo por conta da usina, portanto, é muito pequeno se comparado com o tamanho do empreendimento, a energia que fornecerá e os benefícios que trará à região. E o lago, uma vez criado, servirá para proteger o entorno de cerca de 28 mil hectares (280 km2), já que vira uma Área de Preservação Permanente (APP).

* É normal que empreendimentos hidrelétricos, e quase todas as fontes de geração de energia, tenham uma capacidade de geração e um fator de potência – ou seja quanto dessa capacidade será possível gerar em média em um ano. No caso de Belo Monte, que tem capacidade instalada de 11.233 MW, a geração média é de 4.571 MW, ou 41%. Esse número é o suficiente para abastecer 40% do consumo residencial de todo o Brasil. Ao longo de sua elaboração, o projeto Belo Monte foi modificado para restringir os impactos que poderia causar ao meio ambiente e à população da região, reduzindo-se a área de inundação prevista em 60% em relação ao projeto inicial. Isso diminuiu a geração média de energia, mas foi importante para a diminuição do seu impacto.

É pouco? Nem tanto. Dá uma olhada nos dados que este blog compilou sobre a média em outros países (na China é 36% e nos EUA, 46%) e mesmo no Brasil, em outras usinas já em operação, como Itaipu, Tucuruí.

* A média nacional de área alagada é de 0,49 km2 por MW instalado, em Belo Monte essa relação é de apenas 0,04 km2 por MW instalado.

* 100% da energia a ser produzida por Belo Monte destinam-se ao Sistema Interligado Nacional (SIN), sendo que 70% são para pôr nas redes das distribuidoras de energia de todo o país com o segundo menor valor por MWhora entre todos os empreendimentos elétricos nos últimos 10 anos (R$ 78 por MWh). Aquele papo de que a energia de Belo Monte beneficiará apenas esta ou aquela empresa, é balela, lenda. A energia gerada pela usina será conectada ao SIN e, com isto, gera energia para todo o país. O mesmo acontece com TODAS as demais usinas construídas por aqui.

* Há duas maneiras de se construir uma usina hidrelétrica: basear-se exclusivamente no critério de eficiência, em que tería que dispor de um lago enorme, como era o projeto original de Belo Monte de 1980, alagando amplas regiões, ou um sistema energeticamente menos eficiente – o de geração de energia em cima da corretenza do rio, denominado fio d’água – justamente para privilegiar questões ambientais. Belo Monte é desse segundo tipo, não sendo tão eficiente como a média das hidrelétricas brasileiras (na faixa de 50%) justamente em respeito a questões sociais e ambientais.

* Nenhum índio terá que sair de suas terras por causa do projeto e os ribeirinhos que serão realocados vivem, em sua maioria (quase 7 mil famílias), em palafitas nos igarapés de Altamira, em condições sub-humanas. O governo pretende realocar essas famílias para condomínios habitacionais que ficam em torno de 2 quilômetros de distância de onde estão hoje. São cerca de 18 mil pessoas. A promessa do governo é que essas pessoas receberão casas em locais totalmente urbanizados, com saneamento básico, postos de saúde, escolas e locais de lazer, tudo antes do final de 2014. É anotar e cobrar.

* Substituir a energia de Belo Monte por eólicas e energia solar parece fácil, mas é praticamente impossível. Precisamos de 5 mil MW por ano de energia adicionada ao sistema para garantir o mínimo necessário para que o país continue se desenvolvendo e gerando emprego e renda, e garantindo a inclusão de milhões de brasileiros que hoje estão à margem de todo e qualquer consumo. Isso não é possível, no curto/médio prazo, com eólica e solar. O Brasil até tem investido bastante nessas duas formas de geração de energia, somos o país que mais tem atraído empresas do setor para cá, mas é coisa para médio-longo prazo. Enquanto isso, fazemos a transição – mas com energia de baixo impacto e limpa, como a hidrelétrica. Nenhum outro país do mundo consegue isso – EUA, China, Europa, Ìndia, todos estão fazendo investimentos em energia renovável (eólica, solar, etc) com base numa economia sustentada por energia suja – nuclear, térmicas a carvão ou óleo diesel.

Para se ter uma ideia, para ter o mesmo potencial energético de Belo Monte, seria necessário instalar mais de 6 mil aerogeradores, de 3MW cada, ocupando uma área de 470 km2 – ou quase o tamanho do lago de Belo Monte (503 km2).

Bom, tem muito mais coisa para se pontuar, mas já tem um bocado aí pra refletirmos, né mesmo? As coisas nem sempre são tão simples como querem fazer crer uns e outros, nem o diabo é tão feio.

Tem mais informação boa circulando por aí, seguem algumas dicas – quem quiser indicar outros bons textos, coloca na área de comentários que acrescento à lista abaixo:

Belo Monte: vídeo de globais é teatro

Os Belos e Belo Monte

Prefeita de Altamira fala sobre Belo Monte

Belo Monte: Os fatos sobre a vazão reduzida na Volta Grande

Eu não assino petições contra Belo Monte

ADENDUM IMPORTANTE: todas as informações que estão neste post foram retiradas dos links citados, reportagens impressas e televisivas e dados dos ministérios de Minas e Energia, Planejamento e Meio Ambiente. Tenho alguns PDFs que não achei e por isso não estão aqui – vou passá-los pro Slideshare e colocá-los aqui também. ATUALIZAÇÃO: aqui estão algumas das apresentações: O Empreendimento de Belo Monte e o Planejamento e a Expansão do Sistema Elétrico Brasileiro, Plano de Desenvolvimento Sustentável do Xingú e Fatos e Dados sobre a usina.

ADENDUM 2: O professor Idelber Avelar vai publicar em seu blog uma lista de 50 textos contrários à construção da usina Belo Monte. Me cobraram a falta de argumentos contra a usina, pois então aqui está! Ainda não li tudo por lá, mas do que li só reforça minha posição de que o projeto, do jeito que está, é inteligente, sustentável e respeitador do meio ambiente e das populações locais.

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Feliz aniversário, Alan Moore!

Com a ficção, a arte, a escrita, é importante que, ainda que você esteja trabalhando em áreas da fantasia completamente diferentes, haja ali uma ressonância emocional. É importante que uma história soe real a nível humano, mesmo que nunca tenha acontecido.

Pra comemorar os 58 anos do Alan Moore, um dos mais geniais autores de HQ de todos os tempos, o guru do Neil Gaiman, nada melhor do que rever o documentário sobre sua obra e pensamentos. São do Moore histórias antológicas como Watchmen, V de Vingança, Do Inferno, Liga Extraordinária, e um romance até agora, A Voz do Fogo (excelente, tem no Brasil, pela editora Conrad – aqui). E parece que tá escrevendo um novo livro, Jerusalém.

Suas histórias estão recheadas de mitologia, paganismo, misticismo, política. Sou fã de carteirinha.

Eu tendo a pensar o paganismo como um tipo de alfabeto, de linguagem. É como se todos os deuses fossem letras dessa linguagem. Elas expressam nuances, sombras de uma espécie de significado ou certa sutileza de idéias, enquanto o monoteísmo é só uma vogal, onde tudo está reduzido a uma simples nota, que quem a emite nem sequer a entende.

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Seasick Steve e a salvação da música (ou pelo menos do roquenrol)

steve

Conheci o cara ontem, enquanto trabalhava e escutava a rádio que montei no blip.fm. Quando tocou Never Go West (vídeo abaixo), com um tal de Seasick Steve, parei o que tava fazendo e fiquei prestando atenção. Uau, era só bateria e uma guitarra invocada, com um som rascante de dar gosto. Aí fui ver o vídeo. A guitarra que Steve tocava é tipo a tatataravó desse instrumento, conhecida como Cigar Box Guitar, muito usada pelos blueseiros dos primórdios, como Blind Willie Johnson. Mas o som que ele tirava daquela caixa de madeira era coisa de outro mundo, roquenrol puro!

Seasick Steve também toca uma guitarra de três cordas, uma outra estilo banjo com apenas uma corda, com o bottleneck pra fazer slide, e sempre a caixinha de madeira pra bater com o pé, que ele chama de Mississippi Drum Machine, devidamente amplificada, claro.

Ele já foi várias vezes ao programa do Jools Holland, um dos mais legais da TV para shows musicais. Num dos vídeos abaixo, quando ele toca Never Go West no programa, dá pra ver a cara estupefata dos outros convidados, marvilhados com o som – alguns até dançam! No vídeo em que Steve toca Dog House Booggie, com a guitarra de três cordas, também no programa do Jools, se não me engano aparece o Paul Weller (The Jam), vidrado no som. No início de 2011, quem se juntou a Steve no palco do programa do Jools Holland foi John Paul Jones, ex-Led Zeppelin.

A lição que fica desse cara mal ajambrado, que toca com umas roupas caipiras, instrumentos que parecem ter sido encontrados no lixo da rua, já de barba branca e tal, é: se vc tá afim mesmo de tocar um bom som por aí, e ganhar respeito, tem que se ligar mais na música do que na pose. Roupinhas e cabelos descolados não farão seu som ser mais do que realmente é. Se o som for bom, a pose vem – o contrário não é verdadeiro.

Chega de cagação de regra, bora curtir o som do cara:

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1o. hangout da rádio Escriba

Ontem a noite rolou o primeiro hangout no Google+ da rádio Escriba, antigo projeto mambembe meu. Nunca tinha usado a ferramenta hangout antes e foi bem legal. Ponho os vídeos das músicas que quero no youtube e passo pra quem estiver online comigo na ‘transmissão’. Entre uma música e outra, trocamos ideias sobre o vídeo, o som e tudo o mais que vier à cabeça.

Esse primeiro programa, se é que podemos assim chamar, foi dedicado a músicas que tinham alguma relação com Halloween – ou seja, terror, monstros, vampiros, zumbis, essas coisas. Fomos de Michael Jackson e Rockwell a Danzig e Dead Kennedys – veja a playlist abaixo (ou aqui).

Agradeço ao Cesar, Dani e Lu pela participação – Fábio e Bruno também apareceram, mas por motivos acredito eu técnicos não ficaram. Na próxima segunda-feira tem mais, a partir das 22 horas. O tema ainda está em aberto, se tiver alguma sugestão, deixa aí na área de comentários!

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Homenageie as vítimas do 11 de setembro divulgando o doc Fahrenheit 911 online

Quer entender melhor o que rolou há 10 anos em Nova York? Pois assista a esse documentário, Fahrenheit 911, em que Michael Moore coloca seu dedo em várias feridas até hoje abertas – e mal explicadas.

Um dos melhores documentários que já vi: instigante, revelador, divertido, revoltante.

Escrevi sobre esse doc na época do seu lançamento, Quando o cinema faz História:

“O documentário Fahrenheit 9/11, de Michael Moore, que estreou no Brasil no último dia 30 de julho, está fazendo história. Não apenas por ter sido o primeiro documentário desde a criação do cinema a conseguir um faturamento de mais de US$ 100 milhões nas bilheterias americanas, ou ser o primeiro filme americano desse tipo a vencer a Palma de Ouro 2004 em Cannes. Fahrenheit 9/11 faz história também porque dá à História esse ‘agá’ maiúsculo que ela merece.

Quem conhece Michael Moore por seus outros filmes, como Roger e Eu ou Tiros em Columbine, sabe o que vai encontrar: boas histórias que ficaram de fora da história oficial, da história dos vencedores. Em Roger e Eu (1989), no auge da deificação da globalização, teve a pachorra de mostrar os ‘efeitos colaterais’ de um ‘laisser-faire’ econômico que tinha regras bem definidas – nós (o G8 e as grandes corporações) ganhamos, vocês (o resto) aguardem sua vez. Tiros em Columbine tocou em 2002 na grande ferida americana, os massacres provocados por jovens estudantes e o psico-fascínio por armas que transformou os Estados Unidos numa nação paranóica e violenta.

Você pode discutir e discordar da versão de Moore para os temas propostos – os ‘efeitos colaterais’ da globalização e o duvidoso benefício do armamento civil – mas nunca negá-los simplesmente. Ignorar tais fatos sem debatê-los é contribuir para o empobrecimento do conhecimento humano. É fazer História para poucos. A História, dizem, é dos vencedores. São eles quem ditam o que as gerações futuras têm que conhecer sobre os fatos, jogando pra debaixo do tapete detalhes, coincidências ou ‘teorias conspiratórias’ que possam manchar as glórias e feitos dos heróis escolhidos. Divergências e dúvidas não são bem-vindas.”

A íntegra aqui.

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Sony coloca Poderoso Chefão no Youtube

Os caras piraram de vez ou perceberam que essa é uma boa forma de combater a ‘pirataria’ e ainda fazer uma média com os consumidores? Se virar tendência vai ser show de bola!

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