Quebra-cabeça

Quebra cabeça
(Fonte: Tumblr Tomorrow and Beyond)

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O amor, por Susan Sontag

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Interessantes reflexões de Susan Sontag – sobre a natureza humana, o amor, a vida:

“De Rilke:

‘… a grande questão: … se somos continuadamente inadequados no amor, incertos na decisão, impotentes face à morte, como é possível existir?’

Ainda assim, existimos, afirme isso. Afirmamos a vida de paixão. Ainda assim há mais. Fugimos não da real natureza, que é animal, id, para uma consciência auto-torturante imposta externamente, super-ego, como Freud diria – mas o contrário, como Kierkegaard diz.

Nossa sensibilidade ética é o que é natural ao homem, fugimos disso para a besta; o que é meramente para dizer que eu rejeito a paixão fraca, manipulativa, desesperadora, não sou uma besta, não serei um ‘futilitário’. Eu acredito em mais do que o épico pessoal com uma busca heróica, em mais do que minha própria vida: acima dos desesperos falsos, há a transcendência da liberdade. É possível conhecer mundos que outros não experimentaram, escolher uma resposta para a vida que nunca foi oferecida, criar uma essência forte e frutífera…”

“Nada é misterioso, nenhuma relação humana. Exceto o amor.”

“Amar significa desejar destruir a si mesmo pela outra pessoa.”

“Só tenho interesse em pessoas engajadas num projeto de auto-transformação.”

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Por Não Estarem Distraídos – Clarice Lispector

 

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Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.

Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.

Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso.

Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.

Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

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Washington D.C. Hospital Center Blues – Skip James

Yes, I was a good man
But I’m’s a po’ man
You understand

In the hospital, now In Washington D.C.
Ain’t got nobody
To see about me

But I’m’s a good man
But I’m’s a po’ man
You can understand

All the doctors
And nurses, too
They came and they asked me
‘Who in the world are you?’

I says, I’m the good man
But I’m’s a po’ man
You can understand

The doctors and nurses
They shakin’ their head
Said, ‘Take this po’ man
And put him to bed’

Because he’s a good man
We know he’s a po’ man
We can understand

I didn’t go hungry
I had a-plenty to eat
I had good treatment
And a place to sleep

Because I was a good man
They knew I was a po’ man
They could understand

I met a little damsel
She promised me
That she would love me
And always be sweet

She found out I was a po’ man
And I thought I was a good man
She couldn’t understand, no

Now, when she left me
She got in the do’
She waved me, good-bye
I haven’t seen her no mo’

She found out I was a good man
She knew I was a po’ man
She couldn’t understand

The doctors and nurses
They shakin’ my hand
Say, ‘You can go home now,
Skip You’s a sound, well man’

Because you’s a good man
You’s a po’ man
We can understand

I’d thankin’ my doctor
And I was shakin’ his hand
I’m gon’ play these, ‘Hospital Blues’
‘Till you’s a wealthy man’

You took me as a good man
You know’d I was a po’ man
You could understand

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Se Porém Fosse Portanto – Cacaso

Se trezentos fosse trinta
o fracasso era um portento
se bobeira fosse finta
e o pecado sacramento
se cuíca fosse banjo
água fresca era absinto
se centauro fosse anjo
e atalho labirinto
Se pernil fosse presunto
armadilha era ornamento
se rochedo fosse vento
cabra vivo era defunto
se porém fosse portanto
vinho branco era tinto
se marreco fosse pinto
alegria era quebranto
se projeto fosse planta
simpatia era instrumento
se almoço fosse janta
e descuido fosse tento
se punhado fosse penca
se duzentos fosse vinte
se tulipa fosse avenca
e assistente fosse ouvinte
se pudim fosse polenta
se São Bento fosse santo
dona Benta fosse benta
e o capeta sacrossanto
se a dezena fosse um cento
se cutia fosse anta
se São Bento fosse bento
e dona Benta fosse santa

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Sem saída

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Ausência – Carlos Drummond de Andrade

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Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência:
A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

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Qual o limite para a fotografia de rua?

Mulher num bazar em Teerã (Irã)

(foto que fiz num bazar em Teerã, no Irã, em 2010. Por falar nisso, já visitou meu Flickr?)

Boa discussão: qual o limite para a fotografia de rua? O autor do blog Still Thrill joga luz no assunto partindo de premissas da filosofia utilitarista de John Stuart Mill, e lista 4 situações que devem ser evitadas a todo custo:

– Fotografar mesmo quando alguém pede para que você pare
– Fotografar por baixo das saias de mulheres
– Fotografar momentos indiscretos
– Fotografar alguém que precisa de ajuda, em vez de ajudar

Talvez a questão do ‘momento indiscreto’ seja relativa demais para ser encaixada nessa lista, mas no geral, é uma boa relação para se ter em mente quando se vai à rua fotografar pessoas – comuns ou celebridades.

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Palavras – Sylvia Plath

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Golpes,
De machado na madeira,
E os ecos!
Ecos que partem
A galope.

A seiva
Jorra como pranto, como
Água lutando
Para repor seu espelho
sobre a rocha

Que cai e rola,
Crânio branco
Comido pelas ervas.
Anos depois, na estrada,
Encontro

Essas palavras secas e sem rédeas,
Bater de cascos incansável. Enquanto
Do fundo do poço, estrelas fixas Decidem uma vida.

(Tradução: Ana Cristina Cesar)

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Utopia

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