Esperança é a coisa com penas
Que se empoleira na alma
E canta um som sem palavras
E nunca, mas nunca, pára,
E mais doce é ouvido no vendaval;
E dura precisa ser a tempestade
Que poderia desanimar o passarinho
Que mantém aquecidos a tantos.
Já o ouvi nas terras mais geladas
E nos mares mais estranhos,
Entretanto nunca, mesmo no desespero,
Ele pediu uma migalha a Mim.
—–
Hope is the Thing With Feathers
Hope is the thing with feathers
That perches in the soul,
And sings the tune–without the words,
And never stops at all,
And sweetest in the Gale is heard;
And sore must be the Storm
That could abash the little Bird
That kept so many warm.
I’ve heard it in the chillest land,
And on the strangest Sea;
Yet, never, in Extremity,
It asked a crumb of Me.
(obra de Emily Dickinson, poeta americana do século 19, considerada moderna. Em vida, não publicou mais do que 10 poemas, alguns anonimamente. O restante de seu trabalho veio à tona apenas após sua morte, em 1886. Desprezava fórmulas e tinha uma liberdade sintática peculiar, próxima ao uso oral da língua inglesa. É a poeta da solidão.)
Ibrahim Maalouf é um trompetista franco-libanês, que conheci navegando pelo blip.fm – sim, eu ainda uso. O primeiro som que escutei dele foi esse Nomade Slang e fui arrebatado sem dó nem piedade. Lembrei do Bocato, trombonista paulista que mistura jazz, rock e sonoridades brasileiras com maestria. Maalouf vai um pouco além, adicionando a eletrônica, hip-hop, cancionetas francesas e inúmeras influências árabes.
Ele lançou disco novo no último dia 18 de novembro, em parceria com Oxmo Puccino, cantor de hip hop do Mali. A música só tem a ganhar nessas parcerias Europa-África-Oriente Médio. Sinto falta de algo semelhante aqui no Brasil, com nossos artistas descobrindo e sendo descobertos por argentinos, peruanos, venezuelanos, paraguaios. Mas ainda preferimos ficar arrogantemente de costas pra América do Sul…
Voltando ao Ibrahim. Ele tem seis discos. O primeiro (Diasporas, de 2007) e o penúltimo (Illusions, de 2013), são os meus preferidos. O cara, além de músico, é arranjador, professor de improvisação e toca um trompete pra lá de especial, literalmente falando: foi inventado nos anos 60 pelo pai, também trompetista, para tocar escalas árabes. Toca o trompete ‘micro-tonal’ desde pequeno (9 anos), quando acompanhava o pai em shows pela Europa e Oriente Médio, tocando um repertório barroco (Vivaldi, Purcell, Albinoni, etc). Sua carreira profissional começou propriamente dita após apresentação com uma orquestra de câmara, em que interpretou o Concerto de Brandenburgo, de Johann Sebastian Bach. Ele tinha 15 anos.
Devia ser proibido
Uma saudade tão má
De uma pessoa tão boa
Falar, gritar, reclamar
Se a nossa voz não ecoa
Dizer não vou mais voltar
Sumir pelo mundo afora
Alguém com tudo pra dar
Tirar o seu corpo fora
Devia ser proibido
Estar do lado de cá
Enquanto a lembrança voa
Reviver, ter que lembrar
E calar por mais que doa
Chorar, não mais respirar (ar)
Dizer adeus, ir embora
Você partir e ficar
Pra outra vida, outra hora
Devia ser proibido…
A absolvição do policial branco que matou o jovem negro Michael Brown em agosto passado deu mais combustível aos protestos nos subúrbios de St. Louis, nos Estados Unidos. O pessoal tá partindo pra cima da polícia, com sangue nos olhos. E sabemos bem do que são capazes policiais acuados…
Alguns textos tentam explicar o resultado do julgamento. E este outro traz a transcrição do depoimento do policial Darren Wilson, que atirou em Brown. Enquanto isso, na Casa Branca… E aí, Obama? Vai ficar olhando o bicho pegar?
Fui ver Interestelar cheio de esperança, estimulado pelos comentários que li durante a produção, por gostar dos trabalhos do Nolan e por ser fã de filmes sobre o espaço. Mas conforme a história se desenrolava, fui ficando mais e mais decepcionado. A começar pela falação técnica dos personagens que, como professores de astrofísica, pareciam agarrar os espectadores pelo colarinho e sacudi-los, dizendo “prest’enção, tô falando um monte de coisa importante pra você entender o filme!”. E pior: tanto verbo gasto pra explicar como a humanidade faria para encontrar um novo planeta pra sobreviver e quase nada sobre o que levou o planeta à penúria que justificaria seu abandono. Aliás, um mundo em caos, morrendo de fome, sem governo, sem forças militares regulares e nenhuma revolta visível? Quem escreveu o roteiro? Glória Perez?
Ao longo das três horas de projeção, também me decepcionei com as atuações clichês de Matthew McConaughey (meio over), Anne Hathaway (sem sal) e Michael Caine (que tem feito sempre o mesmo papel, alternando com Morgan Freeman…) e a falta de elegância na trilha sonora, que por várias vezes pontuava de maneira excessiva momentos chaves da história.
Faltou poesia e sensibilidade para contar uma história tendo o espaço como pano de fundo – ainda mais quando se propõe a usá-lo para falar do amor e seus insondáveis caminhos. Acho que Nolan levou demais ao pé da letra o poema do Dylan Thomas (ponto alto do filme) recitado por Michael Caine, não entrando com suavidade na boa noite escura. Referências para tal ele tem de sobra: Kubrick (2001), Kaufman (Os Eleitos) e Tarkovski (Solaris), que souberam transpor à tela, de forma lúdica, poética e científica, todos os ancestrais anseios da humanidade despertados pelo chão de estrelas que nos persegue desde a aurora dos tempos. Nolan tentou, mas se perdeu em meio ao emaranhado sedutor das teorias quânticas. Como bem disse o crítico Pablo Villaça, criou um Deus Ex Quantum para amarrar tudo. Fracassou solenemente.
Em tempo: Justiça seja feita: minha experiência com Interestelar no cinema foi bem prejudicada por um casal que sentou do meu lado, comendo suas pipocas, biscoitos e sei-lá-mais-o-que como se fossem dois suínos, chafurdando com gosto naquela lavagem industrial, pouco se importando com o barulho que faziam. Me senti na companhia daqueles porcos de Viagem de Chihiro. Foi um exercício e tanto manter uma postura zen pra evitar barraco na sala de projeção.
PS – A imagem acima é de Europa, lua de Júpiter, feita com registros enviados pela sonda espacial Galileo, que passou por lá entre 1995 e 1998. Sua superfície é de gelo e tem um imenso oceano por baixo. Já inspirou um excelente filme, Europa Report. Mais um belo registro para o catálogo visual do cosmos, que já tem cerca de 4 mil anos.
A Ericsson publica, a cada quatro meses, um relatório sobre o estado em que se encontram as telecomunicações móveis em todo o mundo. Acho-o muito legal, mas admito que a maioria das pessoas não concorde comigo, pois, da maior parte dos ângulos que se olha, é um tanto chato com aquele monte de números, tabelas e gráficos (coloridos, mas ainda assim…). Por isso, não pediria para ninguém ler se não achasse importante (pelo menos para quem se preocupa com coisas de somenos como o futuro do jornalismo).
O motivo de achar importante que você dê uma olhada no relatório da empresa sueca é a análise do bravo Alan D. Mutter. No artigo, o “newsosaur” avisa que, nos EUA, cerca de metade dos acessos às notícias já acontece por meio de aparelhos móveis (smartphones e tablets) e que o jornalismo feito para este tipo de dispositivo é, necessariamente, diferente do que…
It wasn’t in the words that kept sticking in their throats
It wasn’t with the angels in their quilted coats
These battered wings still kick up dust
Seduced by the noise and the bright things that glisten
I knew all the time I should shut up and listen
And I’m finding my way home from the great escape
The further on I go, oh the less I know
I can find only us breathing
Only us sleeping
Only us dreaming
Only us
I hear you calling me
Yes I hear you calling me
Home from the great escape
Yes I can read you loud and clear
The further on I go, oh the less I know
Friend or foe, there’s only us
I’m coming home again, home again
And I hear you calling me home again
I am coming home again
Três senhoras que nunca fumaram maconha antes recebem o convite para experimentar a recém legalizada substância no estado de Washington, Estados Unidos. O resultado é revelador: a maconha é uma poderosa droga… contra a estupidez e o falso moralismo!