Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto …
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.
(Trecho do poema Via Lactea, de Olavo Bilac (1865 – 1918), publicado no livro de estreia Poesias, de 1888)
CHE scuitá strella, né meia strella!
Você stá maluco! e io ti diró intanto,
Chi p’ra iscuitalas montas veiz livanto,
i vô dá una spiada na gianella.
I passo as notte acunversáno c’oella,
Inguanto cha as otra lá d’un canto
St’o mi spiano. I o sol como um briglianto
Nasce. Ogliu p’ru çeu: _Cadê strella?!
Direis intó: _O’ migno inlustre amigo!
O chi é chi as strallas tidizia
Quano illas viéro acunversá contigo?
E io ti diró: _Studi p’ra intendela,
Pois só chi giá studô Astrolomia,
É capaiz de intendê istas strella.
Juó Bananére – “Uvi Strella”, in “La Divina Increnca”, 1915.
Que beleza, poema em italiano! (vou por no google tradutor, pq não manjo xongas de italiano… 🙂