O lado bom da crise

Esta semana foi pra lá de corrida pra mim no Greenpeace, por conta de uma coletiva que ajudei a organizar para divulgar o relatório Ciclo do Perigo, sobre os impactos da produção do combustível nuclear no Brasil. Mas valeu à pena: o evento rolou hoje e foi um sucesso, com ampla divulgação.

O relatório trouxe uma denúncia de contaminação da água potável de Caetité, no sertão baiano, por urânio, minério que é extraído da região pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB). Os casos de câncer e outras doenças são altíssimos por lá e a empresa diz que tá tudo bem (novidade…). O caso ganha ainda mais importância se levarmos em conta que o governo Lula pretende ampliar o programa nuclear brasileiro, construindo não só Angra 3 mas também outras dezenas de usinas pelo país, o que ampliaria a mineração de urânio no país – principalmente no interior da Bahia e no Ceará.

A denúncia do Greenpeace mostra que a energia nuclear é suja do início (mineração de urânio) ao fim (lixo nuclear), e que os defensores dessa tecnologia não estão nem aí para o bem-estar das pessoas e do meio ambiente.

Mas se o bom-senso não tem força para interromper essa loucura nuclear, a crise financeira provavelmente terá. Os sinais de que o tal renascimento da indústria nuclear em todo o mundo não passa de um grande esforço de marketing são cada vez mais evidentes. A própria Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) já admite isso. Semana passada, um economista da instituição aconselhou o governo do Quênia a estudar melhor as necessidades energéticas de longo prazo do país antes de construir usinas nucleares, afirmando que poderá “encontrar muitos problemas em financiar uma planta nuclear devido às delicadas condições financeiras internacionais”.

Já o secretário de Energia dos Estados Unidos, Samuel Bodman afirmou durante visita à França que a crise financeira global pode ter impacto no tal “renascimento nuclear”. Segundo ele, projetos de longo prazo como a construção de usinas atômicas “são aqueles que serão os mais difíceis de financiar”.

Para entender porque a energia nuclear não é solução para as necessidades energéticas do mundo, ainda mais agora em tempos de recessão mundial, sugiro a leitura do artigo Nuclear isn’t necessary (Nuclear não é necessário), de Arjun Makhijani, presidente do Instituto para Pesquisa em Energia e Meio Ambiente, publicado no início de outubro no site da Nature. Makhijani é também autor do livro Carbon-Free and Nuclea-Free: A Roadmap for US Energy Policy (Sem Carbono e Sem Nuclear: um Mapa do Caminho para a Política Energética Americana).

A hora de pressionar políticos e empresas é agora! O dinheiro vai ficar cada vez mais curto e desperdiçá-lo em projetos que nada contribuem para o nosso desenvolvimento sustentável não é admissível.

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Karma


Precisamos nos reconectar ao planeta! (filme genial da WWF!)

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Gordos e motorizados

Quer emagrecer? Em vez de dietas malucas, que tal circular pela sua cidade a pé, de bicicleta ou em transporte público? É o que defende o pessoal do Transportation Alternatives, que prova por A + B que onde o carro é menos usado, as pessoas são mais magras e sadias. De quebra vc ajuda a deixar sua cidade mais bonita, menos poluída e barulhenta, e ainda contribui para evitar as mudanças climáticas.

Peguei a dica lá no Blog do Planeta.

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Retratos da crise

Yuppie que perdeu tudo em Wall Street ou sortudo que achou um note de bobeira num lixão?

Yuppie que perdeu tudo em Wall Street ou sortudo que achou um note de bobeira num lixão?

Como tornar a crise financeira num daqueles memes inteligentes da internet? Que tal publicando uma boa seleção de fotos? A sacada do pessoal da Newsweek foi um passo adiante: listar as grandes crises, sob o certeiro título Pânicos Históricos. Da crise das tulipas, ocorrida em 1637 na Holanda (considerada por muitos economistas a primeira bolha especulativa do mundo), à bolha da internet em 2000/2001 e a crise atual.

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Cinema ambiental

Começa nesta quarta-feira a versão paulista do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica). Boa pedida pra quem curte documentários ligados à sustentabilidade e meio ambiente. A versão paulista da mostra criada em 1999 em Goiás traz para a Sala Crisantempo, na Vila Madalena, (rua Fidalga, 521), os vencedores do 10o. festival que aconteceu em junho em Goiás Velho (GO) – terra da poeta Cora Coralina.

O evento vai até sexta-feira (dia 10 de outubro) e conta com produções do Brasil, França, Grécia e Dinamarca – são oito filmes (curtas, médias e longa metragens) com temas diversos:o papel dos madeireiros e fazendeiros nas queimadas na Amazônia; a poluição e crimes causados pela exploração de petróleo na Nigéria; a parceria de uma tribo africana com insetos; a transformação urbana da região do rio Yangtze (China) após a construção da hidrelétrica de Três Gargantas.

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Imagem é tudo

Marta em vermelho, Kassab em laranja. (clique na imagem para aumentar). Agora, com o esperado apoio de Alckmin, Maluf e, pasmem!, Soninha no segundo turno, o candidato-oco da paulicéia desvairada promete nadar de braçada…

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O segundo ocaso da energia nuclear

Artigo de Rogério Cezar de Cerqueira Leite, professor emérito da Unicamp e presidente do Conselho de Administração da ABTLuS (Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron), publicado nesta sexta-feira na Folha de S. Paulo. O tiozinho mandou ver!

Foi na década de 1960 que a energia nuclear surgiu como glorificada promessa de energia barata, inesgotável, segura e limpa. O primeiro ocaso da energia nuclear ocorreu após os acidentes de “Three Miles Island” (EUA) e “Tchernobil” (Ucrânia) e subseqüentes discussões sobre segurança e resíduo nuclear.

Essas foram as observações que provocaram a revisão da opção nuclear.

Todavia, as verdadeiras razões para a sua rejeição foram de ordem econômica. Tanto os custos do potencial (MW instalado) como o da energia (MWh) se mostraram entre três e quatro vezes mais elevados que aqueles inicialmente esperados. Pois bem, é verdade que as condições externas mudaram, o que justifica um reexame da opção nuclear. As conseqüências catastróficas, já evidentes, do aquecimento global e o aumento dos preços dos combustíveis fósseis seriam certamente suficientes para justificar uma reavaliação.

Como conseqüência, apesar de não ter necessidade de uma contribuição térmica elevada, passou o Brasil à frente dos países industrializados, lançando um ambicioso, para não dizer megalomaníaco, programa de usinas nucleares.

Baseado nos dados da Eletronuclear, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) anunciou a implantação de 60 mil MW e investimentos de R$ 360 bilhões, o que corresponde a um preço de US$ 3.500 por kW (supondo US$ 1 = R$ 1,7), além das três usinas de Angra e outras quatro já programadas.

Das 17 companhias americanas de geração com planos para adicionar usinas nucleares, apenas uma -ou talvez duas- deverá ser comissionada até 2015. Essa era a data final para muitas das referidas companhias.

A conclusão é do relatório da Moody’s Investor Service, que calculou um valor entre US$ 5.000 e US$ 6.000 para o kW núcleo elétrico em 2007. No caso concreto do único contrato fechado, Flórida Power, para a Usina Turkey Point, o kW deverá ficar em US$ 8.000, “caso não haja novos aumentos de custos de materiais, forjaria, equipamentos e mão-de-obra”.

A discrepância entre os dados de custos nos EUA e no Brasil são flagrantes. Como o setor nuclear brasileiro não erra jamais, podemos concluir que as empresas americanas não sabem fazer bons negócios. Tivessem contratado a Eletronuclear, o preço do kW sairia por menos da metade.

Há apenas dois anos, a indústria nuclear falava em US$ 2.000 o kW.

Como se vê, a história se repete. Eis por que não são poucos os analistas que prevêem o “segundo ocaso da energia nuclear”.

Por outro lado, a comparação pertinente para o Brasil só pode ser com a hidroeletricidade, e o parâmetro adequado não é mais o preço do kW, mas o do kWh, pois há uma grande disparidade entre os fatores de uso (utilização etc.) de cada tecnologia (percentual do tempo em que a usina está em operação).

Tomando o fator de uso mais otimista possível (87% mencionado para Angra 3, porém inatingível em qualquer parque nuclear do mundo, inclusive no de Angra), o MWh nuclear custaria hoje R$ 180, de acordo com os cálculos irretocáveis de J. Carvalho (os dados básicos são aqueles fornecidos pela Eletronuclear). Usando o mesmo roteiro, J. Carvalho calcula para a hidroelétrica de Belo Monte (fator de uso de 40%) R$ 39/MWh, e, para Santo Antônio e Jirau (fator de uso de 50%), R$ 77/MWh.

E é bom lembrar que os valores de custos para a opção nuclear aqui mencionados não incluem o descomissionamento do reator (alguns especialistas afirmam que será de cerca de 50% daqueles da instalação) e o da contenção do rejeito nuclear (lixo), que ninguém é capaz de adivinhar. Isso tudo fica para nossos filhos, netos e as próximas 50 gerações pagarem.

Aliás, os técnicos brasileiros fizeram uma grande descoberta. Pensava-se até recentemente que o lixo nuclear fosse composto de uma série de isótopos com tempos de vida (período em que a radioatividade decai à metade de seu valor inicial) variados. (Por exemplo, o césio 135, com 3 milhões de anos, o césio 137, com 33 anos, o iodo 129, com 17 milhões de anos, o iodo 131, com apenas oito dias, e dezenas de casos intermediários.) Pois não é que os brasileiros descobriram que nos dez primeiros anos a radioatividade cai a 1% do inicial? Nos próximos dez anos, a 0,01% e assim por diante, como se o lixo fosse composto de um único isótopo. Tenho pena desses apoucados americanos e europeus gastando bilhões para resolver o caso do lixo nuclear.

Talvez porque eles se sintam responsáveis pelas próximas dezenas de gerações que serão soterradas por lixo nuclear, enquanto nós, brasileiros, podemos dormir de consciência tranqüila, pois nossos técnicos sabem que, no Brasil, o decaimento da radioatividade é tão rápido que em poucos anos estará neutralizado.

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Lá vem o Bobs de novo!

Ontem foi o último dia de inscrição para o concurso The Best of Blogs 2008, da estatal alemã Deutsche Welle, e eu corri não só pra confirmar a minha participação mas também de gente que eu acho que merece um lugar ao sol. Vários dos que mandei pra lá já estão aqui na minha lista de blogs – agora transferida para uma página à parte, Bloguenrol – mas outros eu descobri muito recentemente. São eles o blog do Rex Weyler, que volta e meia aparece aqui no Escriba com seus artigos sobre a história do ambientalismo e do Greenpeace; Corporate Anti Hero, do Martin Lloyd; e Eco-Geekery, do Brian Fitzgerald.

Foram no total 8 mil blogs sugeridos em todo o mundo, 340 só na categoria Melhor Blog em Português, na qual estou. O júri do concurso vai agora escolher 11 blogs para participar em cada categoria (são 16 delas). Há uma votação dos jurados e outra pública, que acontece a partir do dia 27 de outubro. Os vencedores serão anunciados no dia 27 de novembro – os prêmios até que são maneiros…

No ano passado, o Escriba ficou em segundo lugar na votação popular, na categoria Melhor Weblog em Português. Perdi para o renomado Pensar Enlouquece – uma honra e tanto. Vamos ver o que rola agora.

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Tecnobrega aponta o futuro

Amanhã tem lançamento de um livro bacana no Rio: Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da Música, do Ronaldo Lemos e da minha amiga Oona Castro. Vai ser na livraria do Unibanco Arteplex (Praia de Botafogo, 316), a partir das 19h30. É da editora Aeroplano e faz parte da coleção Tramas Urbanas.

Ronaldo e Oona estudaram ao longo de 2006 e 2007 os modelos de negócios abertos, pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas Direito Rio, em parceria com o Overmundo, FGV Opinião e Fipe-USP. O livro é baseado em relatórios e materiais produzidos por pesquisadores de primeira: o próprio Ronaldo Lemos, Hermano Vianna, José Marcelo Zacchi, Elizete Ignácio e Monique Menezes, entre outros.

Hermano Vianna explica o contexto do livro:

Que a indústria fonográfica mundial está em crise, disso ninguém duvida. Todo mundo anda procurando o “novo modelo de negócios”. Escondido em Belém do Pará, o tecnobrega testa uma original economia criativa há anos, na marra. As músicas saem direto de estúdios de periferia e são distribuídas nos camelôs da cidade, animando gigantescas festas de aparelhagem, sem mais depender da grande mídia ou gravadoras. Um mundo paralelo cujo funcionamento é finalmente revelado neste livro, estudo pioneiro sobre as novas indústrias culturais que comandam a vida musical mais popular no Brasil de hoje. Quem quiser pensar o futuro da música não pode ignorar as lições tecnobregas da Amazônia digital.

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Amostra grátis do ponto de não-retorno

Muito se fala em aumento do nível do mar, no degelo do Pólo Norte, do aumento da temperatura do planeta e tal, mas difícil visualizar o que isso realmente representa para nós, pobres mortais. Apesar da forte campanha de certos negadores do aquecimento global, a gente tá na marca do pênalti. E pior: há fortes evidências de que os líderes mundiais permanecem céticos em relação aos alertas que ambientalistas e cientistas vêm dando há anos. É mais fácil eles darem US$ 700 bilhões para salvar especuladores e tubarões de Wall Street do que tirar o planeta dessa sinuca de bico.

O site Climate Time Machine, que a Nasa colocou no ar recentemente, provavelmente não vai sensibilizar esses caras mais do que relatórios do IPCC ou imagens do que ainda resta do Ártico. Mas pode sensibilizar as pessoas e inspirá-las a aumentar a pressão sobre seus governantes. Quantos países têm plano para combater as mudanças climáticas? E não vale o arremedo lançado pelo governo brasileiro esta semana, ralo toda vida.

Na página da Nasa vc pode acompanhar graficamente a evolução do aumento das emissões de CO2 de 1980 a 2004 ou o que ocorrerá ao sul dos EUA ou ao delta do rio Amazonas caso o mar suba 6 metros (a quem interessar possa: a ilha de Marajó vai pro saco). E há quem diga que esses cenários são até otimistas…

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