Folha recua e diz que ‘ditabranda’ foi um erro

E o gigante acabou se dobrando diante das formiguinhas. Após dias de protestos online e uma grande manifestação na porta de seu jornal, no sábado, Otávio Frias Filho recuou, afirmando o seguinte em editorial publicado neste domingo (8/3) na Folha:

O uso da expressão ‘ditabranda’ em editorial de 17 de fevereiro passado foi um erro. O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis”.

Considerando a arrogância da Folha em particular e de jornalistas em geral, foi uma vitória e tanto. O caso teve repercussão internacional e o jornal da família Frias ficou muito mal na foto – talvez por isso recuou. Sim, porque não me convenço que o dândi Otavinho realmente tenha admitido um erro assim, publicamente, só porque viu que fez cagada. Pra mim, o recuo foi estratégico, para jogar panos quentes da gritaria toda. No fundo, continua pensando o mesmo, que a ditadura no Brasil pegou leve e não foi tão ruim assim.

O Youtube está repleto de vídeos do que rolou no sábado em frente à sede da Folha, em SP, clique aqui e veja.

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Ditabranda nunca mais

Acabou agora há pouco o protesto em frente ao jornal Folha de São Paulo, na região central da capital paulista. Centenas de pessoas foram ao evento para exigir mais respeito do jornal do dândi Otavinho Frias com as vítimas da DITADURA MILITAR que tantas vítimas fez no Brasil por quase 20 anos.

Eu queria muito ir mas não consegui adiar um frila que tinha para hoje e tive que acompanha tudo de longe. Mas vou ajudar a espalhar a palavra. Leia aqui o que rolou na rua Barão de Limeira (onde fica a sede da Folha) e veja as fotos.

E como sempre, uma tirinha do Laerte resume tudo em apenas três quadrinhos:

(clique na tirinha para aumentar)

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Crise de água no planeta água é o fundo do poço

A World Without Water from senseisoke on Vimeo.

Quando era pequeno, lembro de ficar imaginando o que seria pior, viver sem luz ou sem água. Ia listando os prós e contras de cada situação hipotética, que por vezes se tornava real. Não raro ficávamos sem água ou luz num apertado apartamento em Botafogo, que sempre me vem à mente quando escuto a música Big Brother, do antológico disco Talking Book do Steve Wonder. Ficar sem água, claro, ganhava disparado na disputa imaginária que eu fazia. Não ter como se lavar nem limpar as coisas, ficar sem ter o que beber, nem ter como se refrescar… dureza total.

Toda essa viagem ao passado me ocorreu ao ver a garotinha boliviana nesse documentário Um Mundo Sem Água, do Channel 4 chorando por não ter amigos. Ela é chamada de ‘porquinha’ porque não toma banho e não o faz simplesmente porque a família não tem dinheiro para pagar. Foda.

Cerca de 1/3 da população mundial vive sem acesso pleno à água. Em 40 anos, especialistas estimam que metade do planeta sofrerá dessa escassez. Do jeito que estamos poluindo mares, rios, aquíferos, lagos, matas e ar, esse número só tende a crescer assustadoramente – principalmente na África e Ásia.

E nesse meio tempo, empresas vão tomando conta das fontes de água limpa que restam, privatizando um bem comum e cobrando cada vez mais por isso. Na Índia, mostra o documentário, chegamos ao absurdo da população do Rajistão ter que brigar com a Coca-Cola pelo direito à água subterrânea da região! A empresa suga 500 mil litros de água todos os dias para fazer seu refrigerante, deixando fazendeiros e comunidades inteiras sem água nos poços.

O que é preciso para impedir que um direito básico do ser humano seja usurpado em nome do lucro? Protestos? Quebra-quebra? Guerra civil? Massacre de civis?

A crise da água fresca, como alguns especialistas já a chamam, já bate em nossas portas e deverá ser mais severa e crítica do que a financeira e climática que temos hoje juntas. Para muitos, no entanto, o absurdo de termos uma crise de água fresca num planeta 70% coberto por água ainda é papo de eco-chato, de quem reclama de tudo sem perceber a maravilha que é um pôr-do-sol em São Paulo – mesmo que a cor alaranjada do fim do dia seja puro reflexo da poluição da cidade.

Com esse pessoal, a garotinha boliviana não pode mesmo contar.

E onde está o X da questão? No consumo. Tudo o que consumimos gera impacto, muitas vezes terríveis para determinadas regiões. Produtores podem desmatar uma Amazônia inteira ou redesenhar uma praia ou acabar com parques marinhos como o de Abrolhos se o mercado consumidor assim o exigir. Algumas economias, como a americana e européia, são viciadas em consumo e assim jogam pelo ralo a sustentabilidade que poderia garantir o equilibrio socioeconomico necessário para se evitar novas crises.

Para alguns, conforto é prioritário à saúde, ao bem-estar de outras comunidades, à natureza, às comunidades tradicionais. Mais do que financeira, climática ou de consumo, a crise é de valores. Mas isso uma hora tem que mudar – por bem ou por mal.

ATUALIZANDO: No próximo dia 12 a ONU lança o relatório Água em um Mundo em Transformação, apontando uma crescente pressão sobre os recursos hídricos do planeta. No dia 16, o relatorio será apresentado novamente, durante o V Fórum Mundial das Águas. Se eu conseguir o documento online, publico aqui no blog.

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‘Ditabranda’ é o c….!

Não se assuste: o desenho acima, do Latuff, é uma provocação, traduzindo o que a Folha de S. Paulo quis dizer por ‘ditabranda’, em editorial publicado no dia 17 de fevereiro passado. Para o jornal do dândi Otavinho Frias, o regime militar no Brasil foi moleza. E quem tentou deixar seu protesto na seção de cartas do jornal foi esculachado mais uma vez. Por isso no próximo dia 7, sábado, vamos reunir uma galera boa em frente ao prédio da Folha, na rua Barão de Limeira (SP) para um ato em repúdio à ‘ditabranda’. De lá vamos blogar, tuitar, iutubar, via celular, laptop e o que mais tivermos em mãos.

Se vc tem um blog ou algo parecido, copie a imagem acima, divulgue e apareça!

Mais detalhes aqui.

(Em tempo: texto imperdível lá no Vi o Mundo, do Azenha – A Escolinha do Professor Kamel)

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Um dia a bordo do Arctic Sunrise

O navio do Arctic Sunrise continua sua viagem pela costa brasileira com a expedição Salvar o Planeta. É Agora ou Agora para as pessoas conhecerem um pouco dos problemas ambientais que afetam o país e o mundo. O barco Já passou por Manaus, Santarém, Belém, Fortaleza, Recife e agora está chegando a Abrolhos, na Bahia. Depois vai para Salvador, Rio de Janeiro e, finalmente, Santos, no final de março.

A tripulação do barco dá um duro danado todos os dias, das sete da matina às seis da tarde, pra deixar tudo nos trinques. Lá vale aqueles recados de vovó, lembra? Sujou, lavou. Tirou do lugar, põe de volta. E por aí vai. O vídeo abaixo mostra um dia na vida da galera que está a bordo do Arctic Sunrise:

(fonte: Green Blog)

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Quando ‘reciclagem’ é igual a ‘picaretagem’

Cada vez que descartamos um produto eletrônico, estamos criando um sério problema ambiental. Pra onde vai aquela TV, aparelho de som ou computador que já não nos serve, cheia de componentes químicos e tóxicos? O Greenpeace tem pesquisado a fundo esse tema e denunciado a exportação de lixo eletrônico europeu, americano e japonês para países pobres, principalmente na África e Ásia. A organização ambientalista fez um teste: levou uma TV detonada, praticamente inútil, para ser reciclada na Inglaterra. Resultado? O aparelho foi ‘exportado’ para a Nigéria. Picaretagem pura. Confira abaixo:

Mais detalhes aqui.

Ou no vídeo abaixo:

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Nove

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O Mundo Segundo a Monsanto agora legendado no Youtube

O documentário O Mundo Segundo a Monsanto, da jornalista francesa Marie-Monique Robin, finalmente ganhou legendas em português no Youtube. Está dividido em 12 capítulos. Quem quiser realmente entender o que está por trás da engenharia genética aplicada a alimentos precisa ver esse filme.

Robin agora está se dedicando a desvendar as relações entre a industrialização da agricultura e o aumento nos casos de câncer no mundo, segundo disse em entrevista à revista Época. Não é de hoje que sabemos que comida industrializada é lixo embalado. A questão é quanto isso está fazendo mal para nossa saúde. Uma matéria publicada terça-feira no Estadão, por exemplo, mostra que estamos envenenando nossas crianças com excesso de gordura, sal, açúcares.

Os transgênicos são apenas parte do problema. A questão central é o descaso da indústria – e de boa parte dos consumidores – com algo tão fundamental como nossa comida do dia-a-dia. Devemos sempre conhecer o que ingerimos, saber o que pode provocar em nosso organismo, quais as contra-indicações, e assim por diante. Mas para isso precisamos de honestidade por parte da indústria, o que não acontece. Eles só se mexem quando há pressão de consumidores e/ou Justiça – quando se mexem. Mas a gente tá aqui pra dar bicuda na canela deles até que tomem vergonha na cara e mudem o paradigma do seu negócio, né não?

Enfim, vamos ao filme:

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Robert Plant dignifica Grammy e dá prova definitiva de que não é um ectoplasma

Não acompanho a premiação do Grammy, sempre achei um evento brega e descolado da realidade do que acontece de bom na música mundial. Mas de vez enquando os caras acertam, como no caso da premiação deste ano para o melhor álbum. Os vencedores foram Robert Plant e Alison Krauss, com o belíssimo trabalho Raising Sands.

Eu baixei o disco assim que foi lançado e comentei aqui mesmo que era uma das melhores coisas de 2007/2008. Clique aqui e curta um pouco do som da dupla.

Com esse disco, Robert Plant deu mostras claras de que não é um ectoplasma do roquenrol, como vários de seus pares dos bons tempos, que insistem em exumar o som que levavam há 30 anos. Recentemente ele disse que não pretende voltar a se reunir com seus antigos parceiros de Led Zeppelin. Tá certo. David Gilmour, ex-Pink Floyd, também se incluiu fora dessa. Águas passadas não movem moinhos. Que o saudosismo se limite aos tocadores de MP3 da vida.

E por falar em Led Zeppelin, tá circulando por aí uma canção que provaria ser Stairway to Heaven um plágio de uma música da obscura banda Spirit. É, são canções bem parecidas, mas faço minhas as palavras de um comentaristas do Youtube: “Zeppelin soa mais luminoso para mim, mais solar, Spirit um tanto quanto escuro.”

Escute as duas versões abaixo e tire suas conclusões:

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Condições de trabalho

Vou exigir um adicional de insalubridade ao Greenpeace…

(O Baitelo publicou a versão dele, veja aqui)

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