A Palavra – Rubem Braga

palavra

Tanto que tenho falado, tanto que tenho escrito — como não imaginar que, sem querer, feri alguém? Às vezes sinto, numa pessoa que acabo de conhecer, uma hostilidade surda, ou uma reticência de mágoas. Imprudente ofício é este, de vi­ver em voz alta.

As vezes, também a gente tem o consolo de saber que alguma coisa que se disse por acaso ajudou alguém a se reconciliar consigo mesmo ou com a sua vida de cada dia; a sonhar um pouco, a sentir uma vontade de fazer alguma coisa boa.

Agora sei que outro dia eu disse uma palavra que fez bem a alguém. Nunca saberei que palavra foi; deve ter sido alguma frase espontânea e distraída que eu disse com naturalidade porque senti no momento — e depois esqueci.

Tenho uma amiga que certa vez ganhou um canário, e o canário não cantava. Deram-lhe receitas para fazer o canário cantar; que falasse com ele, cantarolasse, batesse alguma coisa ao piano; que pusesse a gaiola perto quando trabalhasse em sua máquina de costura; que arranjasse para lhe fazer companhia, algum tempo, outro canário cantador; até mesmo que ligasse o rádio um pouco alto durante uma transmissão de jogo de futebol… mas o canário não cantava.

Um dia a minha amiga estava sozinha em casa, distraída, e assobiou uma pe­quena frase melódica de Beethoven — e o canário começou a cantar alegremente. Haveria alguma secreta ligação entre a alma do velho artista morto e o pequeno pássaro cor de ouro?

Alguma coisa que eu disse distraído — talvez palavras de algum poeta antigo — foi despertar melodias esquecidas dentro da alma de alguém. Foi como se a gente soubesse que de repente, num reino muito distante, uma princesa muito triste tivesse sorrido. E isso fizesse bem ao coração do povo; iluminasse um pouco as suas pobres choupanas e as suas remotas esperanças.

Novembro, 1959

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Redemption Song – Joe Strummer & The Mescaleros

streetcore(Hoje faz 11 anos que Joe Strummer se foi. Esse som é do disco Streetcore, de 2003, finalizado e lançado após a morte do ex-vocalista do Clash, em dezembro de 2002. Para ouvir o disco na íntegra, clique aqui)

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Frank Zappa em Estocolmo

Show completo do Frank Zappa em Estocolmo em 1973. Nessa apresentação estavam Jean-Luc Ponty (violino), George Duke (teclados), Ian Underwood (instrumentos de sopro e sintetizadores), ❤ Ruth Underwood ❤ (percussão), Bruce Fowler (trombone), Tom Fowler (baixo), Ralph Humphey (bateria).

(dica: se você chegar até à música Montana (20:26), será agraciado com um daqueles solos impossíveis zappeanos…)

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Somos errantes

“Explorar está em nossa natureza. Nascemos errantes e ainda somos. (…) Abandonamos a vida nômade, o que nos deixou irritadiços, insatisfeitos. A estrada aberta ainda nos chama, quase uma canção esquecida da infância. (…)

Esse gosto de explorar e investigar tem um claro valor de sobrevivência.

(…) Estamos prontos para enfim içar velas para as estrelas.”

Carl Sagan, morto nesta mesma data, em 1996. Manda um abraço pra ele, Reginaldo!

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Quem nunca cruzou com uma Charlie na vida?

“Então cai a ficha. A Charlie é desagradável. Ela não escuta ninguém, diz coisas terríveis, coisas estúpidas, ela aparentemente não tem senso de humor algum, e fala merda a noite inteira. Talvez ela tenha sido assim desde sempre. Como pude não perceber isso tudo? Como pude fazer dessa garota a resposta para todos os problemas do mundo?”

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The Vagabond – Robert Louis Stevenson #umpoemapordia

(no vídeo, o poema lido num legítimo inglês da Escócia)

Give to me the life I love,
Let the lave go by me,
Give the jolly heaven above
And the byway nigh me.
Bed in the bush with stars to see,
Bread I dip in the river –
There’s the life for a man like me,
There’s the life for ever.

Let the blow fall soon or late,
Let what will be o’er me;
Give the face of earth around
And the road before me.
Wealth I seek not, hope nor love,
Nor a friend to know me;
All I seek, the heaven above
And the road below me.

Or let autumn fall on me
Where afield I linger,
Silencing the bird on tree,
Biting the blue finger.
White as meal the frosty field –
Warm the fireside haven –
Not to autumn will I yield,
Not to winter even!

Let the blow fall soon or late,
Let what will be o’er me;
Give the face of earth around,
And the road before me.
Wealth I ask not, hope nor love,
Nor a friend to know me;
All I ask, the heaven above
And the road below me.

isteveu001p1Poema de Robert Louis Stevenson, escritor escocês do século 19, autor de clássicos como A Ilha do Tesouro e O Médico e o Monstro. Viajou com a família em um veleiro pelas ilhas do Pacífico Sul e se instalou em Samoa, onde participou de uma guerra civil. Morreu aos 44 anos, vítima de um AVC.

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Documentário sobre Captain Beefheart (e pitadas de Zappa)

Captain Beefheart & Frank Zappa

Documentário da BBC sobre Don Van Vliet, mais conhecido como Captain Beefheart, um dos roqueiros mais criativos dos anos 60. Foi amigo de infância de Frank Zappa, teve um disco produzido por ele (Trout Mask Replica) e participou do disco Hot Rats de Zappa, cantando Willie The Pimp.

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5 MB em 1956

5 MB em 1956

Em setembro de 1956, a IBM lançou seu primeiro ‘super’ computador, com um ‘impressionante’ disco rígido de 5 MB, que pesava mais de uma tonelada.

(Fonte: Retronaut)

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Mulheres iranianas sabem ser estilosas – e como!

Moda de rua das mulheres iranianas

Estive em Teerã em 2010 e fiquei impressionado com a beleza e o estilo das mulheres iranianas. São bonitas, elegantes e não evitam o olhar, pelo contrário. Mas o que me chamou mais a atenção foi a forma criativa que usavam os panos para cobrir os cabelos, algo obrigatório em todo país muçulmano. As mais tradicionais ou religiosas, cobriam seus cabelos totalmente – em muitos casos, o corpo inteiro também. Mas as novas gerações são mais ousadas e cobrem os cabelos parcialmente. Na época em que fui para lá estava na moda deixar uma mecha loira de cabelo aparente, para fora dos variados tipos de panos que usavam para cobrir a cabeça. A maioria das mulheres que vi pelas ruas tinham mechas (loiras ou não) para fora, o que me surpreendeu porque eu, como muitos no ocidente, acreditam que no Irã as mulheres andam de burca pelas ruas. Isso poed ser verdade na Arábia Saudita, no Paquistão ou Afeganistão, mas não no Irã.

O blog The Tehran Times se dedica justamente a documentar esse estilo da mulher iraniana pelas ruas. Tem página no Facebook e tudo. O autor do blog e da página, o designer iraniano Araz Fazaeli diz que no Irã a tradição e o moderno co-existem como em qualquer outro lugar do mundo.

“Como designer que sempre prestou atenção para as mulheres na sociedade, acredito que o mero ato de repetir a miséria das pessoas não ajuda muito elas, mas encontrar estórias positivas e motivadoras para amplificar vai educar e promover a mudança.”

Perfeito, meu caro Fazaeli!

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(Fonte: My Modern Met)

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Peter O’Toole (1932-2013) em Calígula

Peter O'Toole em Calígula (1979)

A primeira cena de Peter O’Toole em Calígula, clássico de 1979.

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