O jornalismo não morreu – mas tá com uma cara de RP danada

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O que faz o jornalismo ser diferente de um texto publicitário? Ou de um ‘press release’? A resposta está cada vez mais difícil. A diferença anda mais sutil do que nunca. Por um motivo muito simples: o texto publicitário e o release adotaram com eficiência a técnica jornalística. E mais do que isso: são embalados de maneira a parecer um legítimo produto jornalístico. Este artigo do Financial Times mostra como o enfraquecimento das empresas de comunicação, e o consequente crescimento das empresas de Relações Públicas, transformaram as grandes corporações em produtoras de conteúdo que rivalizam com (e muitas vezes superam) o jornalismo tradicional.

Um trecho:

“Enquanto jornalistas lamentam os obstáculos impostos pelo RP, eles raramente admitem um fato importante: os RPs estão vencendo. O emprego nas redações dos EUA caiu em um terço desde 2006, de acordo com a Sociedade Americana de Editores de Notícias, mas em RP está crescendo. As receitas globais de RP aumentaram 11% no último ano, para quase US$ 12,5 bilhões, de acordo com um estudo da indústria chamado The Holmes Report.

Para cada jornalista trabalhando nos EUA, há 4,6 RPs. de acordo com o Escritório Americano de Estatísticas de Trabalho – há uma década, a proporção era de 1 por 3,2. E esses jornalistas ganham 65% do que os RPs.

Conforme escolas de jornalismo desovam novas gerações de jornalistas no mercado, muitos deles não encontrarão trabalho em redações, indo em vez disso para o mercado de como apresentar a notícia de forma mais agradável possível. A eles se juntam jornalistas, editores, produtores e apresentadores demitidos, que têm a habilidade para contar as histórias que as marcas querem que sejam contadas sobre elas mesmas.

““As agências de RP estão agora empregando muito mais ex-jornalistas”, afirma Steve Barrett, editor da PR Week. “Há muitos ‘refugiados’ por aí, jornalistas de alta qualidade que foram para empresas de RP.”

Com as redes sociais então, fica ainda mais difícil para as empresas de comunicação fazerem essa mediação com o público. Com milhões de seguidores no Facebook e/ou Twitter, blogs e sites com conteúdo de primeira qualidade, as grandes empresas estão seduzindo facilmente o público, que vê cada vez menos razão para procurar um site de jornal ou programa de TV jornalístico para se informar. Não raro, a própria imprensa usa esse material publicado pelas empresas. Mais um ponto para o ‘jornalismo RP’.

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