Zen Passado – parte 8: A Separação

Lucien Clergue (Nude #4)
(Foto: Lucien Clergue)

O desejo é a essência da realidade (Jacques Lacan)

Mila flutua pela sala. Seu perfume domina o ambiente. Ela não para de falar, exigir minha atenção, opinião até. Mas estou distraído demais e acompanho seu ritmo quase instintivamente. Não consigo parar de olhar pra ela. Seu jeito meio italianado e sua segurança nas afirmações dão um tesão danado. Me insinuo pr’um longo beijo e acaricio seu corpo. Ela treme, monta em mim e suspira nos meus ouvidos:

– Quero gozar por cima agora.

Ela segura meu pau e mete na buceta. Quente, úmida, meu pau preenche, como é bom isso. Mila tem uma buceta incrível. E a boca também. É uma segunda buceta. Tão suculenta e macia quanto. Não paramos de nos beijar, e rolamos pela cama. Sem desencaixar. Sem parar de meter. Nos lambuzamos de saliva, língua, dedos e mucosas, queremos nos sugar. Mordo seu ombro com força suficiente para sentir sua carne. Gozo logo depois dela. Tesão gera tesão.

Poderia ficar encaixado aqui pro resto da vida. Viveríamos de sexo, beijos e gozos, alguma água e cigarros.

Não esperava passar a noite hoje com Mila. Nosso encontro na padaria mais cedo não indicava em nada que acabaríamos aqui na cama, suados e embaralhados por entre lençóis, travesseiros e meias. Nos esbarramos ao acaso na fila do caixa – ela saindo, eu entrando. Tomamos um café e tivemos uma boa conversa de quase amigos. Mila é um bom papo. Falou da situação complicada que vive em casa, da vontade de sumir.

Quando saímos da padaria, o clima estava leve e, quase sem querer, a convidei em casa. Ela aceitou naturalmente. Havia no ar a necessidade mútua da presença do outro. E deixamos rolar. Ontem no bar do Pedrão foi diferente, seguimos cada um por seu caminho. As frequências não bateram. Hoje houve sintonia. E quero que a noite seja eterna enquanto dure.

Mila levanta e vai sonolenta ao banheiro, ajeitando os cabelos. Acendo um cigarro e vou à janela. Ela volta e me abraça por trás. Pede um trago e desabafa.

– Meu casamento não existe mais. Estou pensando em ir embora.

– Vou com você.

– Você já está comigo… não basta?

– Você não quer que eu vá?

– Você não entende… estou cansada. E Paulo não quer me dar o divórcio, que saco. Ele acha que me mete medo. Faz ameaças, diz que vou ficar na merda. Vocês homens acham o quê? Que não conseguimos viver sozinhas? Que precisamos de um pau para sermos felizes?

– Se você gosta de pau, ajuda.

– Babaca. Acho que vou embora. É tarde.

– Fica mais um pouco…

– Não dá. E não estou legal. Quero ficar só.

– Vem cá, faço uma massagem.

– Outro dia. Vamos marcar um Jazz pra semana.

– Vamos sim.

E foi embora. Sempre deixa um vazio, e não sei lidar com isso. Mas vou aprender.

A deep river flows of weathered sins and weathered souls
A kiss a hooded kiss in the seeds of desire
So grief heavenly grief my love you’re bringing to me
But you’ve got shipwreckers eyes and all a cutting stingray smile

I heard the wind has blown a blessed lie and lovers pains
Over streets and wires underneath alien streams
So sweet heavenly sweet my love you’re bringing to me
But you’ve got shipwreckers eyes and all a cutting stingray smile

A river flows
Of weathered souls
But I can see shipwreckers eyes
And all that cutting stingray smile
A kiss a hooded kiss for the one I love

I crossed a lonely road a beggar with sullen clouds in my head
And these lines in my face for every tear you’re away
So sweet heavenly sweet my love you’re bringing to me
But you got shipwreckers eyes and all a cutting stingray smile

(Leia a história completa aqui)

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