O projeto de lei 6424/05, conhecido como Floresta Zero, está na bica de ser votado na Comissão do Meio Ambiente da Câmara dos Deputados e, uma vez aprovado, vai para a plenária com grandes chances de passar. Ele reduz de 80% para 50% as áreas da floresta amazônica a serem conservadas e usadas como atividades de manejo florestal nas propriedades privadas.
Confira aqui os deputados que podem ou não cometer esse ataque ao meio ambiente. Até o Palocci tá na área!
A idéia é mandar mensagens para eles, ligar, perturbar mesmo para que votem contra o projeto. Pode até passar, mas as canelas desses caras vão ficar inchadas…
“Em primeiro lugar, queria agradecê-lo por ter escrito O Tao da Física. Assim que terminei de ler pensei que tinha que fazer isso e agora tenho a oportunidade. Obrigado, sr. Capra.” O deslumbramento do jovem que sentava imediatamente atrás de mim no Teatro Eva Herz, da Livraria Cultura da Paulista, era evidente e, por que não, comovente. Muitos dos que o aplaudiram provavelmente queriam fazer o mesmo e rolou uma identificação imediata. O rapaz foi aplaudido por uma gente sorridente, bonita, harmoniosa, em comunhão – entre si e com com Fritjof Capra, que deu palestra sobre seu livro A Ciência de Leonardo da Vinci (lançamento da editora Cultrix).
Eu logo me identifiquei e relaxei um pouco. Estava tenso por ter que entrevistar Capra para a revista e o site do Greenpeace e também por voltar à rua depois de tempos para exercitar como se deve o ofício de jornalista. Uma coisa influênciou na outra, mas na hora H, foi que foi. Dei até sorte, porque os outros dois jornalistas que compartilhariam comigo os escassos 30 minutos disponíveis para entrevista não apareceram. Pude gravar tranquilo minhas 7 perguntas sobre ecologia, meio ambiente, sustentabilidade, as quais ele respondeu sem rodeios e com firmeza, não deixando transparecer nenhum incômodo por falar de coisas que não eram bem a razão dele estar ali. Se bem que em termos. Capra é ecologista de longa data e Da Vinci, idem.
Ao contrário da trupe do bem que enfrentou chuva e engarrafamento para ouvi-lo falar, Capra é sisudo, circunspecto, um tanto quanto impaciente, mas sempre elegante e atencioso. Me atendeu prontamente quando fui apresentado e respondeu com calma e prestatividade às minhas indagações feitas num inglês inseguro. Da mesma forma atendeu a uma dupla de ciclistas que, pouco antes da palestra começar, entregou a ele um favo de mel, e ouvi atentamente como fazia para degustar aquilo. “É colocar na boca e mastigar de leve como chiclete. Mas dá pra engulir, sem problema, é só cera”, explicou um deles. Tirou fotos com alguns, autografou dezenas de livros (com um simples “Para fulano”, mas enfim…) para a legião de estudantes, artistas, leitores casuais, empresários, escritores e até uma policial militar que lotaram o teatro.
Em uma hora de palestra, com uma apresentação de slides trazendo citações e desenhos de Leonardo da Vinci, o escritor de 69 anos revelou aspectos ambientalistas no artista toscano que eu sinceramente desconhecia solenemente. O próprio Capra disse ter se surpreendido ao achar a seguinte frase nos alfarrábios consultados :
As virtudes da grama, das pedras e das árvores não se encontram em seu ser porque os seres humanos as conhecem… A grama é nobre em si própria sem a ajuda de linguagens ou letras humanas.
É bom observar que as anotações nas quase 6 mil páginas estudadas por Capra fora feitas pelo gênio renascentista em italiano da época e escritas da direita para a esquerda, como os árabes fazem – Da Vinci era canhoto e inovou até na hora de por seus pensamentos no papel. Imagina a dificuldade para quem tem que destrinchar os textos hoje.
Enfim, o que chamou a atenção de Capra foi que Da Vinci antecipou em séculos o que se chama hoje de deep ecology: todos os seres vivos fazem parte de uma grande teia de vida, vivemos numa imensa gaia, e nenhuma espécie é mais importante do que outra. A ciência deve andar em harmonia com a natureza, não dominá-la.
Confira os slides apresentados por Capra na palestra:
Para Fritjof Capra, físico teórico e escritor que há anos promove a educação ecológica, principalmente para crianças e adolescentes, foi um achado e tanto. A investigação sobre o mestre italiano lhe mostrou que os desenhos dele eram complexos diagramas científicos, porque para estudar a natureza, era preciso desenhá-la; e para desenhá-la, era preciso estudá-la. Combinou ciência, estética e ética como ninguém, quase sempre orientada por uma filosofia ecológica lato sensu. Dá o que pensar saber que Da Vinci ficou obscuro por séculos. Que seja fonte de inspiração nesses novos tempos que se avizinham, com mudanças importantes acontecendo no mundo. Obama na Casa Branca, sustentabilidade e ecologia na ordem do dia, todo mundo pensando no que pode fazer para contribuir.
As perguntas da platéia, ao final da palestra, refletiram essa consciência coletiva de que algo precisa ser feito para mudar o estado das coisas e Capra acabou discutindo ali muito do que falou em nossa entrevista: Obama, o papel da sociedade civil na consolidação desse outro mundo possível, as chances de termos um mundo realmente sustentável. Publico aqui assim que sair a revista do Greenpeace, valeu?
Quem perdeu a palestra dele em SP terá mais uma chance a partir do próximo dia 19, quando o escritor estará na Conferência EcoPower, em Florianópolis, para falar sobre uma ciência para viver de maneira sustentável. Esse evento vai ser deveras interessante. Além de Capra, estão agendados para falar Lester Brown (fundador do Worldwatch Institute e da Earth Policy Institute) e Patrick Moore, ex-membro do Greenpeace e hoje grande lobista da indústria – seja ela nuclear, madeireira, mineradora ou de biotecnologia.
Enquanto isso, curta uma das aventuras do Riuston, o valente entregador da livraria Cultura. O blog é divertido também. Descobri navegando pela internet, pra juntar essa coleção de links deste blog…
Foi a Rita, da Socito, quem me avisou pelo orkut: o Parque Ecológico do Mendanha, na zona oeste do Rio de Janeiro, corre o risco de virar um loteamento! Obra do vereador Jorge Felippe (PMDB-RJ), que apresentou projeto de lei na Câmara dos Vereadores pouco antes das eleições municipais deste ano. O projeto foi aprovado pelos digníssimos vereadores cariocas e sancionado pelo prefeito César Maia em agosto. Que beleza de legado deixa o prefeito maluquinho no final do seu mandato, não?
O vereador diz que não é bem assim, que a lei vai apenas dar título de propriedade a trabalhadores que moram há mais de 40 anos por ali, não permitindo loteamento e conjuntos habitacionais. Mas saca só o que diz a lei (grifos meus):
Art. 1.º Fica declarada como área de especial interesse social, para fim de inclusão no projeto de regularização e titulação, nos termos da art 141, de Lei Complementar n.º 16, de 4 de julho de 1992, a área do Parque Municipal Ecológico do Mendanha.
Art. 2.º O Poder Executivo estabelecerá o tamanho padrão dos lotes de forma a assegurar às atividades existentes e fundamentais a sobrevivência dos residentes e adotará os procedimentos necessários à regularização urbanística e fundiária aprovando projeto de parcelamento de terra e estabelecendo normas que respeitem a tipicidade da ocupação e as condições de urbanização, compatibilizando com o Parque Municipal já implantado.
Art. 3.º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Alguém realmente acha que, dada a voracidade imobiliária que temos hoje, esses trabalhadores não serão pressionados a venderem seus lotes para dar lugar a condomínios? Hello??
O Parque do Mendanha era uma das mais bem preservadas Unidades de conservação do Rio e eu tive o prazer de conviver ali durante anos quando moleque, já que a família do meu pai é da região (Campo Grande) e tem dois modestos sítios por ali. O lugar é bonito pacas, com cachoeiras, trilhas, pequenos vales, até um vulcão extinto! Como Área Especial de Interesse Social, conforme a nova lei, o parque teria que dar lugar para conjuntos habitacionais, mas alguém duvida que vai virar um paraíso da especulação imobiliária, com a construção de condomínios cafonas para deleite de novos-ricos e afins, que poderão usufruir das belezas locais? De uma forma ou de outra, é um desastre!
Inacreditável o que fizeram. O jeito agora é protestar, encher o saco desses caras (eis o email do vereador autor da proeza – jorge.felippe@camara.rj.gov.br) e tentar anular essa lei absurda.
Quem sabe meu camarada Mansur, na segunda edição do seu livro O Velho Oeste Carioca, não acrescenta um capítulo sobre essa triste história? Aliás, fica a dica: lançamento do livro sobre a história da zona oeste carioca, de Deodoro a Sepetiba, contada desde o século 16. Vai ser dia 9 de dezembro, lá na livraria Arlequim, no Paço Imperial, na Praça 15, a partir das 17 horas. E depois, no dia 13, no Chopp da Villa, na Estrada do Pré, 91, Largo da Villa Santa Rita, em Campo Grande.
ATUALIZAÇÃO: Tá rolando uma petição online a ser encaminhada à Procuradoria Geral da República e ao Ministério Público do Estado do Rio. Clique aqui. Vamos assinar, pessoal!
Miriam Makeba, cantora sul-africana que morreu na madrugada desta segunda-feira depois de um show na Itália, cantava “Sat wuguga sat ju benga sat si pata pata…“, mas a gente mandava no melhor estilo embromation society: “Tá com pulga na cueca, lári laralá…“
Mais um virundum clássico como “sul de Madureira… suuuul, de madureeeeiraaaaa…”, “Ajudar o peixe….”, “Renal, renal, tô com criiiiiseeee reeeenaaaalll…”, “…e essa vida chata!”, e o antropofágico “… tocando B.B. King sem parar…” – alguém se arrisca a identificar essas músicas? Tem uma infinidade de outros no Arquivo de Letras Ouvidas Erradas (ê traduçãozinha mequetrefe de misheard…)
Mas vamos à Makeba e a pulga, aqui em gravação da TV Record, 1968, com Sivuca (arranjador da música) no violão acústico:
Um negro boa pinta, com nome árabe que lembra o maior algoz americano, chegou à Casa Branca, num país com histórico terrível de intolerância e racismo. E de quebra ainda fez o Bush Jr. sair da história pela porta dos fundos. Não é pouco. Mas no frigir dos ovos, não sei o quanto a vitória do Obama servirá para mudar a pegada americana no mundo – politica, financeira e militarmente. Fiquei pensando nisso durante a madrugada, quando acompanhei os finalmentes da votação e o início da apuração (pela Record News, que deu um banho nas outras emissoras nesse quesito, parabéns!)
Se lembrarmos de Clinton na presidência, há oito anos, veremos que as grandes corporações deitaram e rolaram as usual, bem como as forças militares americanas pelo mundo, que atacaram vários países (Afeganistão, Somália, Haite, Bósnia, entre outros) e violaram leis da Comunidade Internacional, entre elas a Convenção de Hague, Pacto de Paris, Carta da ONU, Carta da OEA, Tratado do Atlântico Norte, Convenção de Genebra, e por aí vai.
Nesses ataques, usaram munição radioativas (com urânio), bombas de fragmentação (cujo único propósito é matar e ferir) e até armas químicas. Morreu gente às pencas, o mundo protestou e ficou por isso mesmo.
Não estou dizendo que Obama fará o mesmo, mas a máquina é bem maior do que ele e engana-se quem pensa que o novo presidente dos EUA vai muito diferente do que vimos até hoje por lá. De qualquer forma, é muito maneiro ver um presidente negro na Casa Branca. Não à toa líderes de todo o mundo estão pra lá de esperançosos.
Bom ficar atento às promessas feitas pelo novo presidente americano, pra ver se tudo não passa de retórica ou significa mesmo que estamos num processo irreversível de mudanças. Cacife ele tem, mas terá disposição?
Pra que ele não esqueça do que prometeu o pessoal do Avaaz está pensando em fazer um imenso mural em Washington DC com mensagens de apoio a Obama, e convidando o cara a trabalhar em parceria com o mundo. Clique aqui e mande a sua!
Roberta quer ir pra Cuba. E a ansiedade é tanta que resolveu abrir um blog pra dar detalhes de todos os preparativos, além de destacar notícias sobre a ilha. Já tem material bem legal por lá, vale a conferida!
Tá rolando agora, ao vivo, no site do programa Roda Viva, a entrevista com o economista inglês Nicholas Stern autor do relatório Stern que avalia o impacto das mudanças climáticas na economia mundial. Dá pra mandar perguntas e tudo. Eles estão gravando provavelmente para passar na próxima segunda-feira na TV Cultura.
ATUALIZANDO: Acabou a transmissão ao vivo… mas o site tá lá, com imagens feitas in loco, de bastidores, e mais os desenhos do Chico Caruso. Além dos comentários da galera que participou.
E por fim tem uma longa entrevista (devidamente picotada em séries de vídeos de no máximo 3 min, divididas por temas) com o economista no Youtube, gravado pelo pessoal que o trouxe ao Brasil.
Um trecho do artigo:
Os países desenvolvidos precisam ser capazes de mostrar ao mundo em desenvolvimento que o crescimento econômico com baixa emissão de carbono é possível, que os fluxos financeiros aos países em desenvolvimento podem ser substanciais e que as tecnologias de baixo carbono serão economicamente viáveis, disponíveis e compartilhadas.