Laje dos sonhos

Ontem participei com o Greenpeace de uma atividade muito legal na Laje de Santos, a grande baleia de pedra no meio do mar. Uma grande celebração à vida, reunindo ambientalistas, mergulhadores, turistas, pesquisadores, autoridades do governo, o Arctic Sunrise, lanchas e até uma canoa havaiana. Áreas marinhas protegidas como o Parque Marinho Estadual da Laje de Santos são o caminho das pedras para salvar os oceanos. Temos menos de 1% deles protegidos de alguma forma, quando o razoável seria ter pelo menos 40% de reservas marinhas.

Passei o final do dia de ontem e praticamente o dia inteiro hoje por conta da divulgação do evento e produção de alguns materiais de comunicação, muitos dos quais espalhei pela internet – isso inclui uma pequena e sincera homenagem à Lelê (o último vídeo deste post), uma pessoa adorável, da qual sou fã. Vai, Lelê!

A produção foi intensa. Eu, Alê e Johnny nos viramos em oito para fazer textos, fotos e vídeos de qualidade que resumissem bem a emoção do que vimos, agitamos e refletimos na Laje de Santos.

Meus textos aqui e aqui. As fotos do Alexandre Cappi, no Flickr e no slideshow abaixo:

E os vídeos do João Talucchi:

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Trilha radical

Fazer trilha de bicicleta não é das coisas mais seguras ou agradáveis que existem por aí. Mas o que esses dois malucos fizeram nos penhascos de Mohan, nas ilha Emerald (Irlanda), supera qualquer noção que possamos ter de algo ‘radical’. Como disse um camarada meu, “não teria coragem de fazer esse caminho nem a pé!”

E no final tomaram sua cervejinha num legítimo pub irlandês, que ninguém é de ferro. Confira aqui a aventura deles.

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Lost Grooves

The Lost Grooves: Rare And Previously Unissued Slices Of Funk From The Vaults Of Blue Note, 67-70. Esse é um dos meus discos preferidos. Uma coletânea de soul/funk jazz de primeira, só com fera: Lou Donaldson, Eddie Harris, Lonnie Smith, Les McCann, Grant Green, Stanley Turrentine, Big John Patton, Reubens Wilson. É pra escutar sem medo de enjoar.

Fica aqui a dica – para baixar, comprar, pegar emprestado. Ou para mandar o play abaixo e deixar rolar neste fim de semana chuvoso. As nove canções do disco estão no player, basta ir clicando nas setinhas laterais pra circular por elas. Bom som!

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Bob Dylan é a mensagem

Pensei: nunca vi Bob Dylan tocando Idiot Wind. Mas também nunca procurei. Pá-pum, achei esta preciosidade aí abaixo no YouTube: ele ao vivo durante a Rolling Thunder Revue, turnê americana de 75/76 iniciada logo após o fim das gravações do disco Desire (que acabou sendo lançado no meio do tour). O show do vídeo foi o penúltimo da turnê e considerado fraco pela crítica – estariam todos cansados da estrada e de si mesmos.

Pode ser, mas não me impressionou negativamente. Na verdade, senti a mesma energia de quando escutei Idiot Wind pela primeira vez. A música é de Blood On The Tracks, disco anterior a Desire, mas a versão da música aqui tá mais pro clima deste último. Dylan é craque nisso de dar novas roupagens a tudo que faz. O tempo todo. Fez isso quando subiu ao palco do Festival de Folk de Newport em meados dos anos 60 e apresentou uma eletrificação de seu som que assustou os que foram lá ver o trovador de beira de estrada de anos antes. Já vi reclamarem disso num show dele tempos atrás no Sambódromo, acho que de abertura pros Rolling Stones, que ele não toca ao vivo o mesmo som do disco/CP/MP3. Seria um desperdício. Bob Dylan dá conta na boa de reler sua própria obra. E ela assim fica exponencialmente maior enquanto estiver por aí, na estrada – como está. Música é ao vivo. A mídia não é a mensagem; as mensagens são a mídia.

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Google e Twitter, tudo a ver?

O buchicho tá na área: com o sucesso do Twitter, que pulou de 600 mil usuários para 6 milhões em um ano, há muita gente boa considerando que o Google cresceu o olho pra cima da ferramenta de mídia social que mais cresce no mundo. A mina de ouro estaria no sistema de busca do Twitter, que nos dá respostas bem mais ‘online’ do que as do já tradicional Google. Se as pessoas estão num show ou num jogo de futebol e ‘tuitam’, vc ao fazer a busca no Twitter saberá o que está acontecendo em ambos naquele exato momento – algo que no Google não acontece.

Outras ferramentas semelhantes ao Twitter habitavam a internet tempos atrás, como o Pownce (que eu usei durante um tempo por volta de 2007) e o Jaiku, que acabou sendo comprado pelo Google e, depois, meio que abandonado. Mas a voz do povo é que manda e o Twitter prevaleceu. Por mais que os executivos do Google neguem interesse pela ferramenta, é improvável que não percebam que seu negócio só tem a ganhar. Se deixarem passar a oportunidade – comprando, se associando, o que for – podem ser eclipsados, como preveem outros analistas. Há quem diga até que ao negar uma possível compra do Twitter, o Google quer apenas manter os preços em patamares razoáveis para fazer a aquisição sem gastar muito. É, pode ser.

Enquanto isso, o Facebook, do alto de seus cerca de 60 milhões de usuários, já incorporou a novidade dos recados em 140 caracteres. Agora, na página inicial de todo perfil, há uma ferramenta semelhante ao Twitter. E o pessoal tá mandando ver. Acho que esse movimento do Facebook pode acelerar uma aproximação do Google (via Orkut, por exemplo) com o Twitter. Foi o que disse ao meu camarada Marcelo Nóbrega, conhecedor dos meandros desse mundinho interneteiro: não estranharia se o Orkut e o Twitter unissem forças, pra enfrentar o Facebook com as mesmas armas. Seria um primeiro passo para o que andam chamando por aí de ‘twoogle’. Acho que nós, usuários dessas ferramentas, só teríamos a ganhar.

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Pax transgênica


Água mole em pedra dura tanto bate até que… molha! Enfim consegui emplacar um artigo sobre transgênicos na grande imprensa brasileira, saiu hoje (sexta-feira) na página A3 da Folha de S. Paulo. Por mais incrível que pareça, foi a primeira vez que publicaram um artigo do Greenpeace sobre o tema!

Eu escrevi em parceria com Rafael Cruz (coordenador da campanha de transgênicos do Greenpeace) e Sérgio Leitão (diretor de campanhas da ONG), que assinam o artigo.

Segue abaixo:

Pax Transgênica

RAFAEL CRUZ e SÉRGIO LEITÃO

NO FINAL do século 19, enquanto republicanos e monarquistas debatiam o fim do Império e o nascimento da República no Brasil, a população permaneceu à margem de todo o processo. Alheios à transição política que estava em plena ebulição no país, os brasileiros assistiram “bestializados” à queda de d. Pedro 2º e à formação do novo governo, conforme constatou um desapontado Aristide Lobo, republicano de primeira hora. O império se foi e o brasileiro permaneceu apático, sem saber bem o que estava acontecendo.

Ainda que o espírito republicano tenha aberto espaços de participação popular nos destinos do país, certos setores da sociedade não aprenderam a incluir o cidadão comum nas discussões que lhe dizem respeito.

O debate sobre os transgênicos no Brasil, por exemplo, é um caso emblemático de “bestialização” moderna. As indústrias de biotecnologia e de alimentos, a comunidade científica, os grandes produtores rurais e os ambientalistas se digladiam há anos por meio de termos científicos, técnicos, ambientais, agrícolas e econômicos sem se preocuparem em traduzir essa sopa de letrinhas para a parte mais interessada: os consumidores.

Apesar de serem plantados no Brasil desde 1997, quando a soja geneticamente modificada foi introduzida ilegalmente nos campos do Sul do país, contrabandeada da Argentina, os transgênicos continuam sendo um grande mistério para os brasileiros. Pesquisa realizada em 2007 pelo Instituto Ipsos, a pedido do Greenpeace, revelou que a maioria (70%) expressa dúvida muito grande sobre a validade ou não do consumo de transgênicos. O que mostra que os cidadãos não estão recebendo informação necessária que lhes permita a tomada de decisão séria e responsável sobre o assunto.

O debate sobre os transgênicos poderia estar mais popularizado se a indústria respeitasse e o governo exigisse o cumprimento do decreto nº 4.680/2003, que entrou em vigor no Brasil no ano seguinte. Segundo o texto da lei, todo alimento que tenha sido fabricado com matéria-prima transgênica é obrigado a ter em seu rótulo um símbolo triangular amarelo, com um T preto no meio.

Apesar de estar em vigor há cinco anos, apenas algumas marcas de óleo de soja de algumas empresas foram rotuladas -e, mesmo assim, só a partir do início de 2008, por decisão da Justiça, a partir de denúncias enviadas pelo Greenpeace ao Ministério Público. O silêncio da indústria de alimentos permanece para os produtos que estão, em imensa quantidade, nas prateleiras dos supermercados e que são fabricados a partir de soja transgênica -e em breve do milho transgênico, recém-aprovado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança.

O assunto promete ganhar força a partir do dia 18 de março, quando a CTNBio fará audiência pública sobre o arroz geneticamente modificado da Bayer. Diferentemente do que ocorre com a soja e o milho, que passam por processamento industrial para virar ração ou óleo, com o arroz poderemos ter, pela primeira vez, um produto geneticamente modificado que irá diretamente do campo para o prato do brasileiro. E seremos os primeiros no mundo a consumir o arroz transgênico, já que o produto da Bayer não está aprovado em nenhum outro país.

A correta identificação dos produtos transgênicos dá aos consumidores a liberdade de escolha e à sociedade civil e à indústria de alimentos a chance de responder aos brasileiros a pergunta óbvia: o que são transgênicos? As pessoas aprenderam a ler rótulos e procuram se informar sobre as substâncias ali indicadas. Se os transgênicos são tão seguros quanto afirmam as empresas que desenvolvem essa tecnologia, que sejam identificados nos alimentos que os contêm. E os consumidores se informarão sobre o assunto, como o fazem hoje para saber os teores de gordura trans, carboidratos e sódio dos alimentos. Anos atrás, a indústria também resistiu a dar esse tipo de informação.

Na verdade, ao final da guerra pela liberação dos transgênicos, quando foi aprovada no Congresso a Lei de Biossegurança, as condições para a “pax transgênica” que deveriam ser seguidas nunca foram respeitadas -a correta identificação dos produtos que contivessem transgênicos e a garantia da coexistência da sua produção com a convencional e/ou a orgânica. E, como em toda guerra, a maior parte do ônus fica com a sociedade civil, que é obrigada a conviver com a negação de um direito básico: saber o que está comendo.

Indicar nos rótulos aqueles alimentos que de alguma forma têm organismos geneticamente modificados em sua composição é o caminho para que a população brasileira entre de vez nesse debate. Que a decisão dos brasileiros se dê em meio ao excesso de informação, não sob sua escassez.

RAFAEL CRUZ, cientista social, é coordenador da campanha de engenharia genética do Greenpeace.

SÉRGIO LEITÃO, advogado, é diretor de campanhas do Greenpeace. Foi diretor do Instituto Socioambiental.

Agora que tal assinar a petição contra o arroz transgênico da Bayer? Clique aqui e ajude o Brasil a ficar livre de transgênicos.

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Carmem, de Bizet, em mimimi

(paródia da ária de abertura Habanera, também conhecida como L’amour est un oiseau rebelle)

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Tudo ao mesmo tempo agora!

See All CardsSprint.com/now

Isso é apenas um tira-gosto do grande painel NOW, da Sprint. Saca só a coisa completa – parece até aquele painel de monitores do Ozymandias, em Watchmen.

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Eles proíbem, a gente libera

A Justiça do Rio de Janeiro decidiu hoje manter a biografia Roberto Carlos em Detalhes, de Paulo César de Araújo, fora do mercado, proibindo sua publicação e comercialização. Quem comprou quando a obra saiu, em 2006, comprou – e eu fui um deles. Quem não conseguiu, resta ler online. Eu tenho uma cópia na Biblioteca do Escriba, um arquivo pdf para baixar. Dá pra ler na boa, até porque tem tanta história boa no livro que quando vc perceber, já acabou!

Clique aqui para abrir o arquivo pdf e começar a leitura. Se quiser salvar o arquivo no seu computador, é só clicar com o botão direito do mouse e mandar salvar o arquivo. Boa leitura!

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Adeus, mundo velho

Se o julgamento que está rolando na Suécia sobre a legalidade na troca de arquivos pela internet for favorável ao pessoal do The Pirate Bay, teremos um admirável mundo novo pela frente, pode apostar. A indústria de música e cinema, que processa os bucaneiros suecos, vai ter que rebolar para correr atrás do prejuízo… O resultado do julgamento sai em abril. A indústria quer, basicamente, proibir… links. E como sabemos, link é a base da internet. Impedir que sejam trocados é como enxugar gelo.

Ok, a indústria obteve algumas vitórias ao longo do caminho, todas de Pirro. Tirou o Napster do ar, enquadrou o YouTube e caçou milhares de ‘piratas’ mundo afora, em sua maioria adolescentes que baixaram e trocaram arquivos de música, filmes e jogos. E o que conseguiram com isso até agora? Picas. Ganhariam muito mais se investissem todo esse tempo e dinheiro na transformação de seu negócio. Mas sei lá, parecem masoquistas, gostam de dar soco em ponta de faca. Enquanto isso, a nau pirata segue seu rumo…

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