Sem palavras

Statuesque é um curta escrito e dirigido por Neil Gaiman. Estreou semana passada na TV inglesa. O cara é brilhante:

(Fonte: BiblioFilmes Festival)

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A Lapa de cada um

Quem vai à Lapa deixa a alma em casa
Aqui, o mais bobo acende o cigarro no relâmpago

Arcos da Lapa e Catedral do Rio de Janeiro

De uma forma ou de outra, todo carioca teve a Lapa em sua vida. Eu tive a minha, nos anos 80 e 90. Fui iniciado no bairro mais boêmio do Rio pelas mãos do Circo Voador, casa de shows que abrigava o melhor da música alternativa da cidade e de algumas grandes estrelas também – lá vi apresentações antológicas de Tim Maia, Jorge Ben, Buddy Guy, Celso Blues Boy, Plebe Rude, Barão Vermelho (com e sem Cazuza), Pato Fu, The Wailers, Lulu Santos. Ao cabo de cada show, era comum se perder pelos botecos das ruas mal iluminadas da região, misturando-se à fauna local, tomando todo cuidado para não pagar de otário em meio a tantos malandros.

Lembro de noitadas antológicas, como uma em que de repente me vi numa grande mesa no Nova Capela capitaneada por Francis Hime e Miúcha, que cantavam alegremente canções de outrora ao raiar do dia. Ou dos saraus no Arco da Velha, ali no canto dos Arcos da Lapa, início da Ladeira de Santa Teresa – que tambeḿ invariavelmente acabavam em perambulações pelo bairro, solitárias ou em grupo, em busca de mais uma dose.

Pois tudo isso me voltou à mente nestes primeiros dias de 2010 com o livro Lapa do Desterro e do Desvario – Uma Antologia (ed. Casa da Palavra), organizado por Isabel Lustosa, que traz textos de escritores, poetas, compositores, jornalistas e quetais sobre a Montmartre carioca.

Tem Arthur Azevedo, João do Rio, Lima Barreto, Orestes Barbosa, Noel Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Francisco de Assis Barbosa, Vinicius de Moraes, Mário Lago, Madame Satã, Fernando Sabino, João Antônio, Rubem Fonseca, Aguinaldo Silva e outros. Uma beleza. Fiquei impressionado em saber que a Lapa já era tida como decadente na década de 1920! E eu que, na minha época, achava que era coisa recente…

No livro, curti muito os textos do Mário Lago (A Rainha Lapa morreu antes de El-Rei D. Sebastião, de 1976), Rubem Fonseca (O caso de F.A., de 1982) e as memórias de Madame Satã (1974), o malandro-símbolo da Lapa. No texto do Mário Lago tem, aliás, o ponto alto do livro, em que descreve o momento que conheceu a lendária figura:

Lapa em liquidação para entrega do prédio, apenas isso encontrei de tudo que estava nas recordações de meu pai. Com cabarés de terceira e mulheres cova-rasa, caracterizada na tabuleta de uma farmácia existente na esquina da Mem de Sá com Maranguape, o último abencerragem que resistiu à demolição: “Lavagens de permanganato a 1.000 réis”. Lapa que só continuei a frequentar porque estava no meu caminho para casa, e sem maiores motivos para registro, não fosse certa madrugada em que vi um homem.

O arranca-rabo foi em frente à Leiteria Bol. Oito meganhas cercavam um mulato, na tentativa de arrastá-lo para o tintureiro ou abrir-lhe as costas a golpes de chanfalho. Mas o mulato lhes escapava das mãos como uma enguia, quase não dando tempo para se ver seus pés tocando o chão, num rola-pra-cá-des-rola-pra-lá que tinha a rapidez e a imprevisibilidade de um tornado. Num abrir e fechar de olhos suas mãos se transformavam em pés e os pés, em volteios alucinantes, agrediam com a violência de um bate-estaca. Mil de vezes sumiu dentro do próprio corpo flexível e magro como um junco, e outras mil de vezes reapareceu mais adiante, esquivando-se aos golpes dos chanfalhos, eficientemente usados pelos meganhas nas costas dos homens simples do povo, e agora nada podendo contra o mulato só.

Mágica? Artes do diabo? Coisas do sobrenatural? Possivelmente tudo isso junto, porque a verdade é que ninguém viu direito como foi. De repente o chanfalho de um dos meganhas estava na mão do mulato, e o grito que lhe saiu da boca, dos olhos, pelos poros, sei lá!, deve ter sacudido a Lapa dos Arcos a Conde Lage:

– Agora o barulho é meu!

Dois bêbados se esborracharam no chão, empurrados pela meganhada em carreirão de dar vergonha, enquanto o mulato sacudia o chanfalho e fazia piruetas, mestre-sala glorioso numa passarela apinhada de gente que ria e aplaudia e não se cansava de aplaudir e rir. PErguntei espantado, a um basbaque que estava ao meu lado, quem era aquela fera.

– Madame Satã.

Triste saber que quase não há textos na internet sobre Madame Satã. Dei um google e vieram mais links sobre o filme do Karim Ainouz do que sobre o personagem em si. Filmaço, diga-se de passagem:

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Para ler os principais trechos no Google Livros, clique aqui

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Editorial colaborativo pede ação global pelo clima

Cinquenta e seis jornais de todo o mundo publicaram hoje um editorial colaborativo, capitaneado pelo inglês The Guardian, defendendo uma ação incisiva dos líderes globais contra as mudanças climáticas na Conferência da ONU COP 15 que se realiza a partir de amanhã em Copenhague ((Dinamarca). O texto foi publicado sob esta licença Creative Commons e sendo assim este modesto blog também dá sua contribuição. Segue o texto:

Hoje, 56 jornais de 44 países dão o passo inédito de falar com uma só voz, por meio do mesmo editorial. Tomamos essa atitude porque a humanidade enfrenta uma séria emergência.

Se não nos unirmos para tomar uma ação decisiva, as mudanças climáticas devastarão nosso planeta, acabando também com nossa prosperidade e nossa segurança. Os perigos têm se tornado evidentes há uma geração. Agora, os fatos começaram a falar por si: 11 dos últimos 14 anos foram os mais quentes já registrados, o gelo do Ártico está derretendo e a alta nos preços do petróleo e dos alimentos no ano passado é um exemplo do caos que pode estar por vir. Nas publicações científicas, a questão não é mais se os seres humanos devem levar a culpa pelo que está acontecendo, mas quão curto é o tempo que temos para reduzir os danos. Até aqui, a resposta mundial tem sido fraca e sem entusiasmo.

As mudanças climáticas foram causadas ao longo de séculos e têm consequências que durarão para sempre. As nossas chances de frear o problema serão determinadas nos próximos 14 dias. Apelamos aos representantes dos 192 países reunidos em Copenhague a não hesitar, não entrar em disputas, não culpar uns aos outros, mas aproveitar a oportunidade advinda deste que é o maior fracasso político moderno. Esta não deve ser uma luta entre ricos e pobres ou entre Ocidente e Oriente. As mudanças climáticas afetam a todos e devem ser resolvidas por todos.

A ciência envolvida é complexa, mas os fatos são claros. O mundo precisa agir para limitar a 2ºC o aumento da temperatura global, um objetivo que exigirá que as emissões mundiais de gases-estufa alcancem um teto e comecem a cair nos próximos cinco a 10 anos. Um aquecimento maior, de 3ºC a 4ºC – o menor aumento que podemos esperar se continuarmos sem fazer nada –, poderá levar seca aos continentes, transformando áreas agrícolas em desertos. Metade das espécies poderá ser extinta, milhões de pessoas poderão ser desalojadas, nações inteiras inundadas pelo mar.

Poucos acreditam que Copenhague ainda possa produzir um tratado definitivo; progresso real nessa direção só pôde surgir com a chegada do presidente Barack Obama à Casa Branca e com a reversão de anos de obstrucionismo americano. Mesmo agora, o mundo se encontra dependente da política interna americana, pois o presidente não pode se comprometer completamente com as ações até que o Congresso americano o faça.

Mas os políticos em Copenhague podem e devem definir os pontos essenciais de um acordo justo e efetivo e, especialmente, estabelecer um cronograma para transformá-lo em um tratado. O encontro sobre o clima das Nações Unidas em junho próximo, em Bonn (Alemanha), deveria ser o prazo final. Como um negociador colocou: “Nós podemos ir para a prorrogação, mas não podemos bancar uma nova partida”.

No coração do acordo, deve estar um acerto entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento, determinando como o fardo do combate às mudanças climáticas será dividido – e como partilharemos um novo e precioso recurso: os trilhões de toneladas de carbono que poderemos emitir antes que o mercúrio do termômetro atinja níveis perigosos.

As nações ricas gostam de citar a verdade matemática de que não pode haver solução até que gigantes em desenvolvimento como a China tomem atitudes mais radicais do que as adotadas até agora. Mas o mundo desenvolvido é responsável pela maior parte do carbono acumulado na atmosfera – três quartos de todo o dióxido de carbono (CO2) emitido desde 1850. Por isso, precisa tomar a liderança: todos os países desenvolvidos devem se comprometer a fazer cortes profundos, reduzindo suas emissões dentro de uma década a níveis muito mais baixos do que os de 1990.

Os países em desenvolvimento podem argumentar que não causaram a maior parte do problema e também que as regiões mais pobres do mundo serão atingidas com mais força. Mas passarão a contribuir cada vez mais para o aquecimento global, e, deste modo, devem se comprometer a agir de forma significativa e quantificável por conta própria. Apesar de ficar aquém do que muitos esperavam, o recente comprometimento dos maiores poluidores do mundo, Estados Unidos e China, com metas para redução de emissões foi um importante passo na direção certa.

A justiça social exige que o mundo industrializado coloque a mão no fundo do bolso e reserve dinheiro para ajudar os países mais pobres a se adaptar às mudanças climáticas, assim como a investir em tecnologias limpas que permitam seu crescimento sem aumentar as emissões. Um futuro tratado também deve ser muito bem esboçado – com rigoroso monitoramento multilateral, compensações justas para a proteção de florestas e avaliações confiáveis de “emissões exportadas”,

para que o custo possa, com o tempo, ser dividido de forma mais equilibrada entre os que elaboram produtos poluentes e aqueles que os consomem. E a justiça requer que o peso com o qual cada país desenvolvido deve arcar individualmente leve em conta sua capacidade de suportá-lo; novos membros da União Europeia, por exemplo, normalmente muito mais pobres do que os antigos, não devem sofrer mais do que seus parceiros ricos.

A transformação custará caro, mas muito menos do que a conta paga para salvar o sistema financeiro mundial – e imensamente menos do que as consequências de não se fazer nada.

Muitos de nós, particularmente no mundo desenvolvido, terão de mudar seus estilos de vida. A era de voos que custam menos do que a corrida de táxi até o aeroporto está chegando ao fim. Teremos que comprar, comer e viajar de forma mais inteligente. Teremos de pagar mais pela nossa energia e usá-la menos.

Mas a mudança para uma sociedade de baixo carbono traz a perspectiva de mais oportunidades do que sacrifícios. Alguns países já descobriram que adotar a transformação pode trazer crescimento, empregos e uma melhor qualidade de vida. O fluxo de capital conta a sua própria história: no ano passado, pela primeira vez, o investimento em fontes renováveis de energia foi maior do que na produção de eletricidade a partir de combustíveis fósseis.

Abandonar nossa dependência do carbono dentro de poucas décadas requererá uma façanha de engenharia e inovação sem precedentes na história. Porém, enquanto a ida do homem à Lua e a fissão do átomo nasceram do conflito e da competição, a corrida do carbono que vem por aí deve ser liderada por um esforço conjunto para atingir a salvação coletiva.

A vitória sobre as mudanças climáticas exigirá o triunfo do otimismo sobre o pessimismo, da visão sobre a miopia, o êxito do que Abraham Lincoln chamou de “os melhores anjos da nossa natureza”.

É nesse espírito que 56 jornais de todo o mundo se uniram por meio deste editorial. Se nós, com tantas diferenças de perspectiva nacional e política, podemos concordar sobre o que deve ser feito, então certamente nossos líderes também poderão.

Os políticos em Copenhague têm o poder de moldar o julgamento da História sobre esta geração: uma geração que viu um desafio e o encarou, ou uma geração tão estúpida, que viu o desastre chegando mas não fez nada para evitá-lo. Imploramos que façam a escolha certa.

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Na onda de Cibelle

Faz tempo que abri mão de ficar atualizado com as novidades da música pop para poder garimpar com afinco o som de outras eras. Como requer a todo bom expedicionário musical, aprendi a não dar atenção a qualquer bobagem. Toda hora pinta por aí a-grande-sensação-do-momento, que quando você vai conferir é pura lenda. Ou marketing, como preferir.

Raramente escuto rádio e o que me chega da produção contemporânea geralmente vem pelas indicações de amigos, pela genealogia de outros artistas ou pelo velho e bom acaso. Sendo assim, não é raro eu me encantar por um artista que despontou tempos atrás e sair em desabalada carreira procurando tudo sobre ele. Foi o que me aconteceu hoje com a cantora Cibelle.

Estava curtindo a blip.fm enquanto editava uns textos no trabalho quando pintou esta versão de Footloose (lembra do filme?):

Pô, na hora eu parei o que estava fazendo e prestei atenção àquela voz delicada e provocante, numa versão pra lá de divertida daquele sucesso dos anos 80 – ah, sim, sou tarado por versões. Tenho penca delas. Todos os volumes de La Musique de La Paris Derniere. Enfim.

Uma rápida consulta ao oráculo e descobri que a música fazia parte de uma coletânea chamada Hollywood, Mon Amour e que Cibelle tinha dois discos gravados. Tratei de encomendar todos, claro. Fiquei sabendo ainda que ela tá na área há quase 10 anos!

Sem problemas. Assim que chegarem os discos, vou apreciá-los com calma e recuperar o tempo perdido. Do pouco que já ouvi – pelos youtubes da vida -, tá aprovado. Não interrompo fácil minha expedição musical pelo passado, mas mesmo submerso no som de outrora vez ou outra as (boas) vibrações da superfície chegam até mim. Podem demorar, mas chegam. E com o ouvido cada vez mais treinado, sei bem distinguir a marola do tubo perfeito.

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Livros pop-up, você ainda vai ter um

Livros pop-up estão na moda ou é impressão minha? Tenho visto vários bem legais nas livrarias de SP e Brasília e, claro, tenho dado alguns pros meus filhos. Martim ganhou recentemente um sobre Moby Dick, projetado por Sam Ita (considerado um dos gênios dessa arte pop-up) e a Sofia levou a Enciclopédia Mitológica de Fadas e Criaturas Mágicas.

Agora tem esse Alice no País das Maravilhas, baseado no livro do Lewis Carroll. Quer saber? Quero é pra mim!

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Consumo consciente

Taí um presente legal para este Natal: Nada.

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Arte de rua só é arte se estiver numa galeria?

Fui com as crianças, no último fim de semana, à exposição d’Os Gêmeos na Faap. Uma beleza. Vários dos clássicos da dupla paulistana de grafiteiros estavam lá, para deleite do público. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas não pude deixar de perceber uma instigante contradição no que via ali: o público que babava com as obras expostas é o mesmo que despreza não só grafiteiros e pichadores, como também a rua e seu povo, que são a alma da arte d’Os Gêmeos.

Talvez, quem sabe, estimulados pelo texto da responsável pela curadoria da exposição, que logo na entrada do salão advertia: o que se veria lá dentro não tinha nada a ver com “vandalismo da pichação”. Será que a gente só dá valor ao que está numa galeria, com a chancela de homens e/ou instituições de bem?

Ora, ora, ora, a sra. Celine, acho que muito em breve você vai se envergonhar do que escreveu e quem sabe até se desculpar. Isso porque a pichação ‘vândala’ já começa também a ganhar galerias de arte pelo mundo. Veja aqui, por exemplo, o que a Fundação Cartier, uma das mais respeitadas instituições do mundo em termos de arte contemporânea, tem a dizer sobre a pichação – principalmente a de São Paulo.

Viu lá? Pois é… Os garranchos ficam até mais respeitáveis, não?

Pode ser, mas o lugar desse tipo de arte é na rua…

(Trailer do documentário O Pixo, de autoria do fotógrafo João Wainer, lançado este ano e que vem fazendo um baita sucesso na Europa)

Obras d’Os Gêmeos em seu habitat natural, a rua – aqui e aqui.

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V de Vingança em tipografica cinética

(Dica do meu camarada @Alelex88. Que data melhor do que este 5 de novembro pra postar isso, não? Remember, remember, the fifth of november – o personagem de V foi inspirado em Guy Fawkes)

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Sábado Poe

Tirei este sábado para por alguns poemas do Edgar Allan Poe no twitter e reencontrei este vídeo com o Christopher Walken recitando O Corvo – recomendo ouvir com as luzes acesas… 🙂

The Raven

Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
“‘Tis some visitor,” I muttered, “tapping at my chamber door-
Only this, and nothing more.”

Ah, distinctly I remember it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow;- vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow- sorrow for the lost Lenore-
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore-
Nameless here for evermore.

And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me- filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating,
“‘Tis some visitor entreating entrance at my chamber door-
Some late visitor entreating entrance at my chamber door;-
This it is, and nothing more.”

Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
“Sir,” said I, “or Madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you”- here I opened wide the door;-
Darkness there, and nothing more.

Deep into that darkness peering, long I stood there wondering, fearing,
Doubting, dreaming dreams no mortals ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word, “Lenore!”
This I whispered, and an echo murmured back the word, “Lenore!”-
Merely this, and nothing more.

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping somewhat louder than before.
“Surely,” said I, “surely that is something at my window lattice:
Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore-
Let my heart be still a moment and this mystery explore;-
‘Tis the wind and nothing more.”

Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven of the saintly days of yore;
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door-
Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door-
Perched, and sat, and nothing more.

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore.
“Though thy crest be shorn and shaven, thou,” I said, “art sure no craven,
Ghastly grim and ancient raven wandering from the Nightly shore-
Tell me what thy lordly name is on the Night’s Plutonian shore!”
Quoth the Raven, “Nevermore.”

Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning- little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blest with seeing bird above his chamber door-
Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,
With such name as “Nevermore.”

But the raven, sitting lonely on the placid bust, spoke only
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered- not a feather then he fluttered-
Till I scarcely more than muttered, “other friends have flown before-
On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before.”
Then the bird said, “Nevermore.”

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
“Doubtless,” said I, “what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master whom unmerciful Disaster
Followed fast and followed faster till his songs one burden bore-
Till the dirges of his Hope that melancholy burden bore
Of ‘Never- nevermore’.”

But the Raven still beguiling all my fancy into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird, and bust and
door;
Then upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore-
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt and ominous bird of yore
Meant in croaking “Nevermore.”

This I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl whose fiery eyes now burned into my bosom’s core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion’s velvet lining that the lamplight gloated o’er,
But whose velvet violet lining with the lamplight gloating o’er,
She shall press, ah, nevermore!

Then methought the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by Seraphim whose footfalls tinkled on the tufted floor.
“Wretch,” I cried, “thy God hath lent thee- by these angels he hath sent thee
Respite- respite and nepenthe, from thy memories of Lenore!
Quaff, oh quaff this kind nepenthe and forget this lost Lenore!”
Quoth the Raven, “Nevermore.”

“Prophet!” said I, “thing of evil!- prophet still, if bird or devil!-
Whether Tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate yet all undaunted, on this desert land enchanted-
On this home by horror haunted- tell me truly, I implore-
Is there- is there balm in Gilead?- tell me- tell me, I implore!”
Quoth the Raven, “Nevermore.”

“Prophet!” said I, “thing of evil- prophet still, if bird or devil!
By that Heaven that bends above us- by that God we both adore-
Tell this soul with sorrow laden if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden whom the angels name Lenore-
Clasp a rare and radiant maiden whom the angels name Lenore.”
Quoth the Raven, “Nevermore.”

“Be that word our sign in parting, bird or fiend,” I shrieked, upstarting-
“Get thee back into the tempest and the Night’s Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken!
Leave my loneliness unbroken!- quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!”
Quoth the Raven, “Nevermore.”

And the Raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon’s that is dreaming,
And the lamplight o’er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted- nevermore!

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Mostra de Cinema de SP agora também online (parte dela, pelo menos)

Se vc, como eu, não estará em São Paulo durante a 33a. Mostra Internacional de Cinema, que começa nesta sexta-feira (23/10), não se desespere. O site The Auters, dedicado ao cinema independente, vai liberar digrátis 25 dos 700 filmes da mostra em seu site a partir de sábado (24/10). Veja a lista aqui.

Mas atenção: só conseguirão ver os filmes no site os 300 primeiros que acessarem após a primeira exibição de cada um deles durante a mostra. Vai ser um pega-pra-capá, mas enfim… preparem suas bandas largas!!

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