Fonte: Quanto Tempo Dura?
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Imagine um mundo onde as pessoas em todos os lugares, em todas as empresas, em todos os governos, comecem a copiar indiscriminadamente e revelar a verdade.
O regime depende de nosso silêncio, não fiquemos mais em silêncio!
Via Adbusters
(tô compilando lá no Delicious vários artigos interessantes sobre o tema. Boa leitura!)
“O poder controla cada cidadão, mas cada cidadão, ou pelo menos um pirata informático – qual vingador do cidadão –, pode aceder a todos os segredos do poder.” (Umberto Eco sobre o caso Wikileaks)
Sugestão de trilha sonora para este post: The Trooper

O caso Wikileaks tem dominado o noticiário on e offline desde que os caras começaram a vazar detalhes das conversas, impressões e articulações de diplomatas americanos – de outros países – pelo mundo, mostrando o que realmente há por trás da cortina da geopolítica mundial. A imagem não é nada bonita mas em vez de discutir os procedimentos revelados pelas mensagens vazadas, resolveram partir com tudo pra cima do fundador da Wikileaks, o australiano Julian Assange, hoje preso na Inglaterra acusado de ofensa sexual grave na Suécia (transou sem camisinha com uma mulher no país nórdico – lá isso é crime e dá cana). Uma armação descarada.
Mas enfim, há muito texto por aí que dá um bom resumo sobre o caso – como este da Carta Capital. O jornal inglês The Guardian foi, a meu ver, quem melhor soube organizar os dados vazados pelo site Wikileaks – aqui a íntegra, aqui compilados segundo critérios depurados (nomes, locais, situações).
O que me levou a escrever o post no meu cada-vez-mais bissexto blog foram dois artigos fundamentais sobre não só o Wikileaks mas liberdade na internet e futuro do compartilhamento de informações. Um é este editorial da revista Wired, que crava: o site Wikileaks e seus métodos são bons para a democracia.
Já o francês Libération traz artigo brilhante do escritor Umberto Eco, em que explica como o caso Wikileaks escancarou a hipocrisia que rege as relações entre Estado, cidadão e os meios de comunicação, e pode provocar mudanças significativas na relação do poder com a internet. Leia aqui.
Ah, sim: o caso também desfaz de vez a ilusão de que a internet é 100% democrática. Não é. Basta você incomodar os poderosos para que eles ponham suas asinhas pra fora e você seja defenestrado – discretamente ou não. O site original do Wikileaks saiu do ar por ataques de negação de serviço (DoS), sites auxiliares foram desligados porque as empresas que davam o espaço alegaram conflito com seus termos de serviço (a Amazon, por exemplo) e empresas de cartões de crédito e de pagamento online como a PayPal, por onde o Wikileaks recebia doações, se negam a recebê-las agora. O sistema, quando se mexe, é crueeel….
Mas a internet é uma beleza justamente porque consegue quase sempre se transformar num campo perfeito para a ação de guerrilha. Centenas de pessoas emprestaram seus domínios para hospedar o Wikileaks e seu conteúdo. Você pode derrubar um, dois, até 20, mas outros 50 vão aparecer e fazer o mesmo. Já ‘elvis’, os dados estão no ar e ninguém tem mais como tirar.
É a boa briga de sempre entre Davi e Golias.
ADENDUM: Acabei de ler mais um bom texto sobre o caso Wikileaks. É mais uma vez do jornal The Guardian. Um trecho:
É uma revolução, e todas as revoluções geram medos e incertezas. Caminhamos para um Novo Iluminismo da Informação? Ou a revanche daqueles quer querem manter controle a qualquer custo nos levará a um novo totalitarismo? O que ocorrer nos próximos cinco anos definirá o futuro da democracia no próximo século. Por isso, seria ótimo que os nossos líderes respondessem aos desafios de hoje com um olhar sobre o futuro.
A íntegra aqui.
(porque tenho a desconfiança de que nunca vou ler um texto como esse num jornal brasileiro?)
Já para Emily Bell, professora de jornalismo e diretora do Tow Center na Universidade de Columbia, e ex-editora-chefe do guardian.co.uk, as informações vazadas pelo Wikileaks marcam um momento crítico para o jornalismo, o ensino da profissão e sua prática:
Journalism is not just an intermediary in this, it is part of this. Journalists need to know what they think about the mission of Wikileaks and others like it, and they need to know where they would stand if the data dropped onto their desks and the government pressured them to be silent.
Leia o artigo dela na íntegra aqui.
ADENDUM 2: Mais um texto fundamental, desta vez da Rolling Stones sobre Jacob Appelbaum, o cracker por trás do Wikileaks. Trecho:
Em julho, pouco antes de o WikiLeaks divulgar os documentos confidenciais da guerra do Afeganistão, Assange deveria fazer a palestra principal na Hackers on Planet Earth (HOPE), uma grande conferência realizada em um hotel de Nova York. Agentes federais foram vistos na plateia, presumidamente esperando Assange aparecer. Só que quando as luzes se apagaram no auditório, não foi Assange quem subiu ao palco, mas sim Appelbaum.
“Olá a todos os meus amigos e fãs em vigilância nacional e internacional”, começou Appelbaum. “Estou aqui hoje porque acredito que podemos fazer um mundo melhor. Infelizmente o Julian não pôde vir, porque não vivemos nesse mundo melhor agora, ainda não chegamos lá. Queria fazer uma pequena declaração aos agentes federais no fundo da sala e para aqueles aqui na frente, e serei muito claro: eu tenho comigo, no bolso, algum dinheiro, a Declaração dos Direitos e uma carteira de motorista, e é só. Não tenho um sistema de computação, nem telefone, chaves, nenhum acesso a coisa alguma. Não há motivo absolutamente algum para me prender ou me incomodar, e caso vocês se perguntem, sou um norte-americano, nascido e criado aqui, que está descontente com como as coisas estão.” Fez uma pausa, interrompida por aplausos ensurdecedores. “Citando Tron” acrescentou, “‘Luto pelo usuário'”.
O cara é bom pacas no que faz, como vc pode conferir no texto aqui. Já trabalhou para a Rainforest Action Network e Greenpeace EUA e agora trabalha para o Tor Project (um software que garante o seu anonimato online) e Wikileaks. É um ativista anarco-libertário, que tem como mantra apenas uma coisa: a comunicação livre de vigilância:
Qualquer pessoa em qualquer lugar deveria poder falar, ler e formar suas próprias crenças sem ser monitorada. As coisas tinham de chegar a um ponto no qual o Tor não é uma ameaça, e sim utilizado por todos os níveis da sociedade. Quando isso acontecer, venceremos.
ADENDUM 3: E a tal Anna Ardin, heim? Ela é uma das moças que acusou o Assange de crime sexual. Ela tem se empenhado em apagar tweets e posts em blogs que revelam muito mais do que disse à polícia sueca. Na investigação que um abnegado fez pela internet, descobrimos que ela estava feliz da vida por ter ‘fisgado’ o ativista australiano. Depois, mudou de atitude. Quem é essa figura? Bom, sabe-se que é de origem cubana e tem ligações com grupos anti-castristas e ligados à CIA. É filiada atualmente ao Partido Social Democrata sueco. Aqui tem uma foto dela. E o seu twitter (@annaardin) parece ativo ainda – mas com o conteúdo protegido.
Essa mulher ainda vai dar o que falar…
(se você chegou até aqui e ainda tá com vontade de ler mais sobre o assunto, visite meu perfil no Delicious. Coloquei dezenas de links para artigos publicados em jornais e revistas de todo o mundo. Os bons jornalistas estão deitando e rolando, produzindo um material delicioso de se ler. Destaque para os textos de dois dos meus preferidos: Pepe Escobar (Asian Times) e Robert Fisk (The Independent).
“Discutindo a crise, a mídia reproduz o mito da polaridade polícia versus tráfico, perdendo o foco, ignorando o decisivo: como, quem, em que termos e por que meios se fará a reforma radical das polícias, no Rio, para que estas deixem de ser incubadoras de milícias, máfias, tráfico de armas e drogas, brutalidade, corrupção?” (Luiz Eduardo Soares, ex-Secretário Nacional de Segurança, cientista político e professor da UERJ, no artigo Crise no Rio e o Pastiche Midiático, publicado em seu blog)
Uma das mais nefastas e emblemáticas consequências dessa mais nova onda de violência que vem se abatendo no Rio de Janeiro desde domingo é a irracionalidade que toma conta de muita gente boa. Gente que prega a tolerância, a paz, a serenidade, em tempos de calmaria, mas que na hora do vamos-ver, se transforma num ferrenho defensor do pega-pra-capá, torcendo para que a polícia mate o maior número possível de ‘marginais’. O sangue vai aos olhos, cegando o sujeito, e alimentando a roda da confusão – que por sua vez só contribui para eternizar o estado de pânico que toma conta da cidade maravilhosa.
Debati o assunto com várias pessoas no twitter e no facebook, criticando principalmente o papel da imprensa nessa história toda, que em vez de agir com sensatez e a cabeça, prefere se tornar uma espécie de vingadora da classe média que a sustenta, pensando com o fígado, exigindo cadáveres como solução. Vi jornalistas dizendo: “Nessa hora, ou estamos com a polícia ou com a ‘vagabundagem’. Vergonhoso.
Esse mito de que vivemos um polícia x bandidagem, como bem aponta Luiz Eduardo Soares, é propagado pela imprensa – e papagaiado pela sociedade – por ser o mais simples e de fácil digestão pela legião de Homers que se entorpecem diariamente com imagens de perseguições, tiroteios e veículos em chamas, paralisados e apáticos. Cria-se assim um clima de falsa revolta, que não transforma, não educa, não mobiliza, só faz a população agir como um bando de zumbis, reverberando as abobrinhas do canal BláBláBlá News e seus comentaristas de aluguel. O que realmente temos é ‘bandidagem’ – ela está nos morros, mas também nos quartéis, assembleias, barracos, duplex, condomínios de luxo, coberturas, etc.
O tráfico só se estabeleceu no RJ porque contou com a sociedade da ‘banda podre’ da polícia carioca.
Soares diz que preferiu não dar entrevistas sobre a crise no Rio justamente porque os entrevistadores não querem discutir o assunto, apenas legitimar suas teorias próprias e alimentar a roda da confusão.
Ler o artigo dele hoje de manhã foi um achado. Encontrar uma voz sensata em meio à balbúrdia que temos por aí é um santo remédio.
PS: Sempre que estoura uma crise dessa no Rio de Janeiro eu revejo um dos documentários mais incisivos e contundentes que já vi: Notícias de uma Guerra Particular, de João Moreira Salles e Katia Lund. Nesse trecho aí, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Hélio Luz, coloca o dedo em algumas feridas abertas dessa história toda:
(Entrevista ao Canal Encuentro, da Argentina, para a série Presidentes de Latinoamerica)
Lula comemora hoje 65 anos, dos quais oito como presidente do Brasil. Nesse período transformou o país, provando ser possível haver crescimento econômico com distribuição de renda, justiça social e desenvolvimento sustentável. Sem medo de errar, afirmo: foi o melhor presidente da República que o Brasil já teve, superando dois outros ícones, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek.
Muito poderia falar aqui do presidente, para quem trabalho com orgulho desde junho de 2009, coordenando o Blog do Planalto. Ao contrário do que se possa pensar, foram poucas as vezes que tive a oportunidade de falar com ele pessoalmente. Uma foi na apresentação do projeto do blog, quando a minha equipe mostrou o novo mundo da internet, blogs e redes sociais ao presidente (foto), que acompanhou tudo com a maior atenção, fazendo aqui e ali comentários sobre a evolução da produção e distribuição da informação pelas novas tecnologias. Tomei a liberdade, ao final da reunião, para mostrar a Lula uma das homenagens mais divertidas que a internet já produziu para ele, o Dancing Lula:
Outra ocasião foi quando levei meus filhos para conhecê-lo no gabinete provisório instalado no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em Brasília. Poucos antes de entrar para uma reunião com a então ministra Dilma sobre o PAC, ele me recebeu e ao Martim e Sofia com simpatia e simplicidade, recebendo do meu filho um desenho de presente. Pediu a ele explicação do que estava desenhado e Martim, todo empolgado, deitou a falar! Foi divertido ver a cena!
Houve uma terceira vez, agora no primeiro turno da eleição deste ano, no Palácio da Alvorada, quando ajudei a monitorar a votação pelo país e dar relatórios curtos sobre quem estava sendo eleito. Na oportunidade dei ao presidente uma camisa que minha família fez na campanha de 1989, com a foto dele com o meu tio, Mário Lago, e uma quadrinha deste, que diz: “Fazer o céu com pouco a gente faz, basta uma estrela, uma estrela e nada mais.” – ver aqui.
Guardarei esses momentos com carinho no coração, porque tenho certeza de que dei minha contribuição para um país mais justo e democrático. Salve, Lula!
Nada como um bom infográfico para explicar o que as palavras nem sempre conseguem. Principalmente em época eleitoral, em que muito se fala sem base em dados. Esse trabalho do @ilustrebob nos dá o caminho das pedras para entender porque o governo Lula tem índices recordes de aprovação – e para desfazer alguns mitos que alguns espalham por aí na maior cara dura:
Fonte: ilustreBOB
Sou fã inveterado do cineasta russo Andrei Tarkovski, que tem os filmes mais poéticos e filosóficos do cinema mundial – só Bergman chega perto. São filmes longos, lentos, exigem do espectador atenção total. Nada é entregue mastigadinho, o que dificulta o trabalho de quem tá acostumado com o cinema comercial hollywoodiano.
Mas o problema maior é achar os filmes do Tarkovski – pra ver no cinema, alugar, comprar… Nem o lançamento da versão de Solaris de Steven Soderbergh (que é bem legal também) fez com que o filme original, um dos melhores do cineasta russo, ficasse mais acessível. O jeito é contar com festivais, mostras e homenagens, como a que teve tempos atrás aqui em Brasília, no CCBB – era uma retrospectiva do cinema russo e nela pude ver Stalker.
Podemos contar também com a internet, claro! Fuçando aqui e ali é possível encontrar alguns dos filmes do Tarkovski para baixar. Agora achei esta página para assistir online os sete longas dele e também um documentário. Mais uma vez a internet cumpre o seu papel de democratizar o acesso à cultura. o/
Estava eu circulando pela rodoviária de Brasília fotografando com meu camarada @alduxx quando de repente sou convidado pra participar de uma entrevista do coletivo Garapa. O pessoal tava ali, coletando depoimentos sobre Poder. O resultado você vê no vídeo acima.
PS: Aqui estão as fotos que fiz na rodoviária.
Com tempo suficiente, a vida marinha poderia se adaptar às mudanças climáticas. Infelizmente, os animais evoluem muito lentamente. Mas nós podemos mudar tão rápido quanto quisermos. Pequenas ações podem fazer a diferença. O que você fará para ajudar a vida marinha e o nosso futuro?
Transcrição da narração de John Cleese para o vídeo do Monterey Bay Aquarium (produção Free Range Studios, os mesmos de Meatrix e Story of Stuff)