-
Posts recentes
Comentários
Arquivos
Categorias
Meta
“O fundamento do tempo é a memória”
Ontem revi pela enésima vez 12 Macacos, filme apocalíptico de Terry Gilliam. É ficção científica de primeira, com toques steampunk, e atuações primorosas de Bruce Willis, Madeleine Stowe e Brad Pitt, à época um ator em ascenção, Por sua atuação nesse filme, Pitt ganhou prêmio Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante e foi indicado ao Oscar na mesma categoria. Brad Pitt é, sem dúvidas, um dos melhores atores de sua geração.
“Não existe certo nem errado, só opinião popular.” (Jeffrey Goines, personagem de Brad Pitt em 12 Macacos)
O que poucos sabem, apesar de estar escrito nos créditos iniciais do filme, é que 12 Macacos foi inspirado num curta-metragem francês de 1962, o La Jetée (o curta também inspirou o jogo RPG Fallout).
Achei o curta no Youtube, e para felicidade geral dos garimpadores de raridades, está legendado! É bem mais sombrio que 12 Macacos, e tão instigante quanto.
ADENDUM: tiraram do ar no Youtube, mas no Vimeo continua firme e forte:
Incluiria fácil nessa lista a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro
Sempre que circulo por Brasília de bicicleta e vejo algo digno de ser fotografado – uma cena, um bicho, um prédio interessante -, lamento não estar com minha câmera a tira-colo. Faz tempo que desencanei de sair por aí fotografando, algo que praticava com certa frequência, como nos sabadões fotograficos pela capital federal.
Mas fotografar sem tesão é pior do que não fotografar. As imagens saem da câmera sem alma, desconexas. E os périplos tornam-se inúteis. A gente insiste e tal, esperando que a tal musa inspiradora apareça do nada, de repente, no momento mais insólito. Como ela não veio, parei geral, deixando minha Canon G11 encostada.
Acho que está na hora de tirar ela da gaveta. Quem sabe não tenho a mesma sorte do fotógrafo americano Christopher Herwig que, pedalando por São Petersburgo, na Rússia, em 2002, se deparou com a beleza dos pontos de ônibus da cidade, começou a fotografá-los e não parou mais.
De lá pra cá, viajou mais de 30 mil quilômetros de carro, ônibus e táxi, em 13 países – ex-repúblicas soviéticas e países da então Cortina de Ferro. A brincadeira cresceu e ganhou forma de livro – Pontos de Ônibus Soviéticos. A primeira fornada de 1.500 exemplares já foi toda reservada, mas uma segunda edição deverá sair em breve e vendida online. Já tô na fila!
Herwig gravou um vídeo sobre o projeto e publicou no Vimeo. Se você ainda está cético em relação à pretensa beleza de simples pontos de ônibus, prepare-se:
O inexplicável horror
De saber que esta vida é verdadeira,
Que é uma coisa real, que é [como um] ser
Em todo o seu mistério
Realmente real.
(Fernando Pessoa)
Em setembro de 2014, reproduzi aqui um artigo do Financial Times que mostrava o enfraquecimento das empresas de comunicação e consequente crescimento das empresas de relações públicas. Esse crescimento já interfere diretamente na produção do conteúdo jornalístico – dentro e fora da grande imprensa.
De forma vil, jornais brasileiros e alguns sul-americanos (como o argentino Clarín) comprovaram essa tese da maneira mais trágica possível. Ao publicarem imagens dos piloto jordaniano sendo queimado vivo pelos radicais do Estado Islâmico – nos seus portais na internet ontem e na capa dos jornais hoje -, a grande imprensa brasileira se transformou em RP dos facínoras. Tudo que o EI queria com a filmagem da execução de Muath al-Kasaesbeh era ver as imagens circularem mundo afora, aterrorizando corações e mentes. E eles contam, sempre, com a falta de escrúpulos da grande imprensa, que faz tudo por mais audiência – ainda mais em tempos bicudos.
Divulgar as imagens da execução desrespeita a vítima e sua família, alimenta a ânsia de sangue da audiência e não acrescenta coisa alguma à notícia. Totalmente desnecessário. E torpe.
PS.: Acabei de consultar a página Newseum, que tem as capas de 915 jornais desta quarta-feira. Além dos grandes jornais brasileiros (com exceção de O Globo, diga-se de passagem), apenas o Clarín argentino e o Ethnos grego publicaram a foto de Muath queimando vivo dentro da jaula em suas capas.
Afrobeat na veia da orquestra Poly-Ritmo de Cotonou, banda de Benin, país da África ocidental. Essa música faz parte da coletânea African Scream Contest: Raw & Psychedelic Afro Sounds From Benin & Togo 70s.