
-
Posts recentes
Comentários
Arquivos
Categorias
Meta


Foto de Christoph Schaarschmidt
(peguei lá no Ello)
Vai, livro natimudo,
E diz a ela
Que um dia me cantou essa canção de Lawes:
Houvesse em nós
Mais canção, menos temas,
Então se acabariam minhas penas,
Meus defeitos sanados em poemas
Para fazê-la eterna em minha voz
Diz a ela que espalha
Tais tesouros no ar,
Sem querer nada mais além de dar
Vida ao momento,
Que eu lhes ordenaria: vivam,
Quais rosas, no âmbar mágico, a compor,
Rubribordadas de ouro, só
Uma substância e cor
Desafiando o tempo.
Diz a ela que vai
Com a canção nos lábios
Mas não canta a canção e ignora
Quem a fez, que talvez uma outra boca
Tão bela quanto a dela
Em novas eras há de ter aos pés
Os que a adoram agora,
Quando os nossos dois pós
Com o de Waller se deponham, mudos,
No olvido que refina a todos nós,
Até que a mutação apague tudo
Salvo a Beleza, a sós.
Poema de 1919 de Ezra Pound, poeta, músico e crítico literário americano, nascido em 1885 e morto em 1972, em Veneza, na Itália. Foi contemporâneo de T.S. Elliot, James Joyce e W. B. Yeats, entre outros, com quem conviveu em Londres, onde morou até 1920. Influenciou a geração beatnik de Allen Ginsberg, William Burroughs e Jack Kerouac, e os concretistas paulistas. Para Pound, o poema deve ser escrito de forma mais próxima da língua falada.
Gentil, faceiro,
um cavaleiro,
sob sol e sombreado,
seguiu avante,
cantarolante,
em busca do Eldorado.
Mas o andarilho
ficou tão velho,
no âmago assombrado,
por não achar
nenhum lugar
assim como Eldorado.
E, enfim diante
de sombra errante,
parou, quando esgotado
e arguiu-lhe “onde,
sombra, se esconde
a terra de Eldorado?”
“Sobre as montanhas
da lua e entranhas
do Vale Mal-Assombrado,
vá com coragem,”
disse a miragem,
“se procuras o Eldorado”.
(Feliz aniversario, Edgar Allan Poe!)
O corpo é onde
é carne:
o corpo é onde
há carne
e o sangue
é alarme.
O corpo é onde
é chama:
o corpo é onde
há chama
e a brasa
inflama.
O corpo é onde
é luta:
o corpo é onde
há luta
e o sangue
exulta.
O corpo é onde
é cal:
o corpo é onde
há cal
e a dor
é sal.
O corpo
é onde
e a vida
é quando.
Affonso Romano de Sant’Anna

Já tenho meus dois filmes favoritos pra torcer no Oscar 2016: Spotlight e Ex-Machina.
O primeiro é um filme sóbrio, sobre como a premiada equipe investigativa do jornal Boston Globe, chamada ‘Spotlight‘, colocou a igreja católica em cheque no início dos anos 2000 ao publicar reportagens sobre envolvimento de dezenas de padres da igreja católica em casos de pedofilia na cidade. Durante a sessão, não parei de pensar em Todos os Homens do Presidente e, vou te falar, não fica muito atrás não, viu? Michael Keaton e Mark Ruffalo esbanjam técnica e emoção, como Redford e Hoffman fizeram no longa de 1976 – aliás, Todos os Homens do Presidente concorreu em oito categorias no Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, ficando apenas com quatro (Ator Coadjuvante, Som, Direção de Arte e Roteiro Adaptado). Será que Spotlight terá melhor sorte? A ver.
O Spotlight é uma equipe dedicada do Boston Globe para fazer jornalismo investigativo. Ficam meses, até ano, em cima de uma história, apurando, lapidando, até que ela esteja pronta para ser publicada. Quem dera o jornalismo brasileiro tivesse equipes desse tipo e nível – teríamos mais jornalismo e menos politicagem nas páginas de jornais e revistas. Sei que uma equipe dedicada como a do Spotlight é algo caro pacas pra se manter, mas se pudesse absorver pelo menos o espírito do trabalho deles na lida diária, já seria um avanço e tanto.
Meu segundo favorito ao Oscar 2016 é um sci-fi distópico, que trata de temas bem atuais: inteligência artificial, androides, transumanismo, póshumanismo. Como será a convivência de seres humanos e máquinas conscientes? “No futuro, as máquinas vão olhar para nós como nós olhamos para dinossauros”, diz um dos personagens a certa altura do filme. Pois é, e não estamos muito longe disso não…
Ex-Machina marcou a estreia de Alex Garland como diretor. Ele é escritor e roteirista dos bons, especialista em criar dualidades calmaria-porradaria em suas histórias (A Praia, Extermínio). Talvez por isso agradou tanto ao diretor Danny Boyle, com quem trabalhou em alguns filmes.
Apesar de ambos terem sido bem elogiados pela crítica e público, não devem ganhar muita coisa no Oscar. Mas vale a torcida. E a ida ao cinema!

thymournia
Thymournia (Ali Sheikhaleslami) é um fotógrafo e artista gráfico iraniano. Suas fotos, pelo menos as que vi até o momento, me remetem a um universo de sonho, daqueles que resvala no pesadelo, com Nine Inch Nails ou Death in Vegas como trilha sonora.
Depois exploro mais o site oficial e assisto à vídeo-reportagem de uma TV iraniana sobre uma exposição dele em Teerã (a tradução em inglês do programa está neste PDF). Agora quero apenas viajar nas imagens.