O pesadelo brasileiro em Castelo dos Sonhos

Passei o dia ontem escrevendo, editando, enviando pra imprensa e subindo pro site do Greenpeace notas sobre o perrengue que alguns ativistas foram vítimas lá no Pará. O bicho pegou legal. Umas 300 pessoas – entre madeireiros, políticos da região e assentados – cercaram o caminhão do Green, que trazia uma tora de castanheira de 13 metros, nas proximidades da cidade Castelo dos Sonhos e simplesmente não deixaram passar. A árvore seria usada numa exposição aqui no sul maravilha sobre a destruição da Amazônia.

Os caras ficaram praticamente um dia inteiro sob cárcere privado, na sede do Ibama que fica numa base do Exército. O clima tava tão tenso que os militares chegaram a pedir pro pessoal do Greenpeace sair para não pôr a segurança do local em risco. Ou seja, o Exército não se sente seguro naquela região!! Faroeste caboclo na veia, que mostra bem a falta de governo no interior do país – e ainda reclamam quando o estado brasileiro contrata gente. A lenda da máquina inchada é alimentada pelos mesmos jagunços da informação que atestam o aumento (que não houve) da carga tributária.

Enfim, é em Castelo dos Sonhos que o Brasil vive seu pior pesadelo…

(E, como sempre, há o outro lado da história toda. Me mandaram o link do blog de um radialista que mora em Castelo dos Sonhos com a versão dos madeireiros. Explica mas não justifica o que fizeram com os ativistas do Greenpeace. Eles não querem que a dura e trágica realidade da região seja conhecida por muitos. Com o ato de violência que cometeram, foi um belo tiro no pé, não?)

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Desvendando o curta de Lelouch

Com a internet, difícil pergunta ficar sem resposta. As muitas dúvidas que eu e muita gente tinha sobre o curta C’etait un Rendezvous, de Claude Lelouch foram desfeitas com este outro vídeo aqui, garimpado pelo meu camarada Fábio José (esse cara ainda vai ter um blog, e dos bons!).

Até onde meu pobre francês permitiu (seria legal alguém pôr umas legendas em português na parada), pesquei o seguinte: o filme foi começou às 5h45 em Paris, às margens do rio Sena, na Port Dauphine e levou nove minutos até Montmartre, a bordo de uma Mercedes 450 SEl prata. Lelouch escolheu esse carro, em vez de um esportivo, por causa da suspensão hidramática, para evitar que a imagem ficasse muito trêmula. Ele montou a câmera no párachoque dianteiro e tinha 10 minutos de filme apenas. Foi o próprio cineasta francês quem dirigiu o carro e não um piloto de F1 como se cogitou à época – Jacques Laffitte e Jack Ickx, estavam entre os possíveis candidatos. A velocidade foi mesmo alta em vários trechos. Na grande avenida que o leva ao Arco do Triunfo, ultrapassou os 200 km/h, além de vários sinais vermelhos, que lhe renderam algumas multas e quase a prisão.

Ao jornalista que o acompanhou no carro refazendo o trajeto, narrou as curvas e frenagens, além de explicar que escolheu o caminho na hora, durante a filmagem, o que explica as viradas bruscas e aparente indecisão em alguns momentos.

Lelouch se diz maravilhado por constatar que a luminosidade em 2006 é idêntica a de 1976. Já eu fiquei impressionado como Paris mudou muito pouco no visual em 30 anos. A paisagem é quase a mesma. Confira!

O curta na íntegra:

https://vimeo.com/92541091

 

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Rendez-vous no cinema em SP

Depois que filmou, em 1976, o curta Rendez-vous pelas ruas de Paris, Claude Lelouch teve tantos problemas com a polícia que a obra submergiu e virou cult, sendo apreciada apenas em cineclubes e festinhas descoladas. Mas a internet é uma benção e ressuscitou esse legítimo roadmovie nos Dailymotions e Youtubes da vida. Agora, o filme retorna triunfante à sala de cinema, na retrospectiva dedicada ao diretor francês na 31a. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Já vi inúmeras vezes na telinha do computador, mas numa telona deve ser muito foda. Ó só:

https://vimeo.com/92541091

O Lelouch tinha que dar uma coletiva para explicar algumas interrogações que pairam sobre o filme. Por exemplo: era ele mesmo quem dirigia o carro? Há quem diga que era um piloto de F1 da época – qual o nome? Quantas multas recebeu? O carro foi apreendido mesmo? Era uma Ferrari 275 GTB ou uma Mercedes 450 SEL, conforme afirmam estes hereges? Ele usou alguma trucagem de imagem ou som?

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Apple dá um passo atrás com o iPhone

Em maio passado, Steve Jobs publicou no site oficial da empresa um comunicado em que admitia sentir a pressão para que produzisse aparelhos mais ecológicos – a Apple figurava então entre os últimos lugares na última edição do Guia de Eletrônicos Verdes do Greenpeace. Meses depois a empresa lançou o iPhone, causando frisson entre consumidores de todo o mundo. Vendeu aos borbotões e um dos aparelhos acabou na mão do Greenpeace, que levou o bichinho a um laboratório para uma bateria de testes. Será que Jobs pôs em prática todo o seu discurso ambientalmente correto ou era tudo jogo de cena? Pois o resultado do exame minucioso feito no iPhone foi revelador.

Basicamente os testes revelaram que o novo queridinho do mercado de eletrônicos contém substâncias e materiais tóxicos em sua composição, como PVC, em níveis bem acima da concorrência – a Nokia por exemplo não usa mais PVC em seus celulares.

Veja abaixo o vídeo feito pelo Greenpeace desnudando o iPhone:

(hoje é dia do Blog Action Day especial sobre meio ambiente, em que milhares de blogs mundo afora discutem o tema proposto. O Escriba não poderia ficar de fora, claro!)

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Mulher ao volante

Ok, a vaga não era das maiores, mas com um pouquinho mais de noção espacial até que ela conseguiria. Tem uma hora que ela estica o braço para fora do carro, não sei se para medir a distância da calçada ou se para segurar no poste e tentar puxar o carro… :)

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Morte e vida

Fiquei sabendo, ao chegar hoje a Holambra, da morte de Paulo Autran, o nosso Lawrence Olivier, e do Nobel da Paz dado a Al Gore e aos cientistas do Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas. Um grande homem que se vai, vários outros que têm seus esforços premiados.

Autran uma vez deu uma bela cusparada em Paulo Francis – quem se candidata a repetir o gesto com o simulacro do crítico, o bobo da corte Diogo Mainardi? São poucos os artistas que têm hoje uma personalidade tão interessante e digna como Autran.

Não sou muito de teatro e vi apenas uma peça de Autran (O Crime do sr. Alvarenga, de Mauro Rasi). Mas ela teve papel decisivo em minha vida. Era na verdade o último ensaio geral antes da estréia num teatro da rua Augusta e lá conheci a Ana. Ela estava com a galera dela e eu com uma amiga do Rio que era a cenógrafa do espetáculo. Dali fomos todos para o Mestiço e depois a uma festa no Morro do Querosene. O resto é história. Isso foi há 8 anos.

Enquanto isso, Al Gore e o IPCC da ONU são premiados com o Nobel da Paz. Nada mais justo. Espero que isso ajude na conscientização das pessoas de que é preciso agir o quanto antes para salvar esse mundão velho sem porteiras – mudando hábitos, economizando, consumindo menos, exigindo mais respeito à vida por parte da indústria e de governos, menos deboche por parte da imprensa.

Apesar de Bush e dos Lomborgs da vida – e dos que lhes dão crédito -, até acho que o pessoal tá caindo na real sobre a situação em que nos encontramos. Mas temo que as ações demorem a acontecer, uma coisa é saber que a merda tá feita, outra bem diferente é arregaçar as mangas e batalhar pra mudar o estado das coisas.

Gore e o IPCC têm o grande mérito de reverberar com o seu peso político o alerta que vinha sendo dado há tempos por ambientalistas. Os eco-chatos tinham razão. Espero que tenhamos tamanha consciência também sobre outro assunto que vai dar o que falar muito em breve: a agricultura sustentável e ecológica x agricultura industrial e transgênica. Aqui, novamente, os ambientalistas são tratados como obscurantistas pela imprensa e indústria. Vamos repetir os mesmos erros?

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Em defesa da legalização das drogas

A edição de setembro/outubro da revista americana Foreign Policy, fundada em 1970 e especializada em relações internacionais, traz matéria de capa sobre a legalização total e irrestrita das drogas, um tema que voltou à baila no Brasil com o filme Tropa de Elite. O artigo é assinado por Ethan Nadelmann, fundador e diretor-executivo da entidade Drug Policy Alliance, que congrega instituições, pesquisadores e estudiosos que buscam uma nova abordagem para as drogas, mais humanista e menos policialesca e moralista.

Segue o abre do material:

A proibição falhou – de novo. Em vez de tratar a demanda por drogas ilegais como um mercado, e viciados como pacientes, os responsáveis pelas políticas que tratam do problema no mundo aumentaram os lucros dos barões da droga e ajudaram na criação de narco-estados que amendrontariam Al Capone. Finalmente, um regime mais inteligente de controle das drogas, que valorizasse a realidade sobre a retórica está surgindo para substituir a guerra às drogas.

Quem acompanha este blog sabe da minha posição favorável à legalização de todas as drogas. Todas. A proibição não reduziu o consumo, não evitou mortes de jovens, não educou, não diminuiu o poder dos criminosos, pelo contrário. Morre mais gente hoje devido à guerra contra as drogas do que do consumo delas. Como justificar o gasto de bilhões de dólares nessa guerra para erradicar a produção e consumo de drogas no mundo?

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Costinha e as raspadinhas

Esse eu peguei lá no blog do meu camarada Baitelo. É um comercial para as Raspadinhas do Rio (uma loteria local), dirigido por Cacá Diegues. Na primeira parte, Costinha grava a sério o comercial. Depois vem a putaria… :)

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Silvio Santos no motel e os trotes de Aristarco Pederneiras

Antigamente a gente recebia por email arquivos de som (geralmente em wav) com piadinhas e paródias. Agora o pessoal tá colocando tudo no YouTube. Já posso apagar boa parte das tranqueiras que entulham meu HD. Abaixo dois clássicos trotes do seu Aristarco Pederneiras (criação do Cocadaboa) e duas zoações com Silvio Santos. Pra variar, é bom pausar a rádio Escriba.

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Beba com preocupação

Tá explicado porque a Budweiser é uma cerveja tão ruim…

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