O pesadelo brasileiro em Castelo dos Sonhos

Passei o dia ontem escrevendo, editando, enviando pra imprensa e subindo pro site do Greenpeace notas sobre o perrengue que alguns ativistas foram vítimas lá no Pará. O bicho pegou legal. Umas 300 pessoas – entre madeireiros, políticos da região e assentados – cercaram o caminhão do Green, que trazia uma tora de castanheira de 13 metros, nas proximidades da cidade Castelo dos Sonhos e simplesmente não deixaram passar. A árvore seria usada numa exposição aqui no sul maravilha sobre a destruição da Amazônia.

Os caras ficaram praticamente um dia inteiro sob cárcere privado, na sede do Ibama que fica numa base do Exército. O clima tava tão tenso que os militares chegaram a pedir pro pessoal do Greenpeace sair para não pôr a segurança do local em risco. Ou seja, o Exército não se sente seguro naquela região!! Faroeste caboclo na veia, que mostra bem a falta de governo no interior do país – e ainda reclamam quando o estado brasileiro contrata gente. A lenda da máquina inchada é alimentada pelos mesmos jagunços da informação que atestam o aumento (que não houve) da carga tributária.

Enfim, é em Castelo dos Sonhos que o Brasil vive seu pior pesadelo…

(E, como sempre, há o outro lado da história toda. Me mandaram o link do blog de um radialista que mora em Castelo dos Sonhos com a versão dos madeireiros. Explica mas não justifica o que fizeram com os ativistas do Greenpeace. Eles não querem que a dura e trágica realidade da região seja conhecida por muitos. Com o ato de violência que cometeram, foi um belo tiro no pé, não?)

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10 respostas para O pesadelo brasileiro em Castelo dos Sonhos

  1. Fábio José de mello disse:

    Tiveram sorte de ter saído de lá com vida.
    Numa certa tarde, há pouco tempo, em Theobroma (RO), depois de ter ficado com uma foice debaixo do meu delicado pescoço, pensei comigo: morrer nesse fim de mundo é fácil; viver é que é difícil.

    O que me salvou? O colete azul do IBGE. “Aqui, seu moço, nóis costuma matá quem usa colete amarelo”, me tranqüilizou o homem da foice. Amarela é a cor do Ibama.
    Outra coisa que eu ouvi dos povos dos assentamentos: o Ibama daquela região age muitas vezes com desnecessária brutalidade.
    Não sei se os ambientalistas, com todo o respeito, não precisam rever seus métodos de atuação.

  2. escriba disse:

    Sei não , Fabião. Até onde eu sei, os assentamentos da região onde aconteceu o conflito agora no Pará são ilegais e eram usados por madeireiros para retirar madeira ilegalmente da floresta. O pessoal do Greenpeace fez tudo nos conformes: pediu e obteve autorização para retirar a árvore, contratou um caminhão e estava levando a tora para uma exposicao sobre a destruicao da Amazonia. Kd a brutalidade? Brutais foram o cerco e as ameaças que o ‘povo’ de Castelo dos Sonhos aos ativistas. Enquanto a confusão rolava, e os ‘assentados’ afirmava que era um absurdo o Ibama ter autorizado o Greenpeace a retirar aquela arvore de lá, vários caminhoes saiam do local carregados de toras – e tudo ilegal, já que a justiça e o ibama interditaram aqueles ‘assentamentos’. Coloco entre aspas porque na verdade quem manda ali são os madeireiros e fazendeiros. O povo, ali, é pura massa de manobra. Infelizmente.

  3. Fábio José de mello disse:

    Não digo nesse caso específico, Jorge.
    Deixa eu te contar uma história:
    Há o problema das queimadas em Theobroma (como no resto de Rondônia). Muitas delas criminosas, outras por necessidade dos assentados. As criminosas, segundo os assentados, ficam impunes. O IBAMA só aparece para esculachar os caras, tipo pé na porta e tudo mais. De acordo com um figurão do IBGE, a coisa está tão feia que é possível que haja mudanças na direção do órgão naquele estado.

    Então, meu camarada, vai todo mundo pro mesmo balaio. É nesse sentido que eu vejo que é preciso rever alguns conceitos. Há alguns anos, conversando com o então prefeito Jorge Viana, ele nos dizia: “ok,eu não posso extrair mogno. Tá, mas como eu posso?”.
    Estive recentemente lá no Norte. Muitos ambientalistas foram contra a construção das usinas no Rio Madeira. Só que o povo inteiro está a favor. E aí, meu irmão, como é que fica? Faço essa pergunta porque eu mesmo fiquei encafifado.

  4. escriba disse:

    esse é um problema e tanto, Fabio: como mostrar pra populacao que, de repente, aquele projeto não é tão bom assim para a região. Muitas vezes a questão ambiental antagoniza à questão economica desenvolvimentista por falta de esclarecimentos adequados, de pôr os pingos nos iis.
    O equilibrio é necessário, com certeza. No caso da Amazonia, varias entidades ambientalistas mostraram recentemente, com o Pacto Nacional pela Valorização da Floresta, como é possível desenvolver a região amazonica com a floresta em pé. Muitos acham que derrubar árvores é a unica forma de sobreviver da floresta.

    É meio como lavar calçada. Mesmo explicando para a dona de casa que está com a mangueira na mão jogando litros de água fora que a calçada pode ficar limpinha se for varrida, em vez de lavada, ainda assim ela vai ficar p da vida e dizer que o problema é só dela. Mas não é.

  5. Fábio José de Mello disse:

    É complicado, Jorge.

    No caso das usinas, apenas uma delas irá injetar diariamente R$ 12 milhões na economia local. É um impacto muito forte, para uma população carente de tudo.
    Outra coisa que me intriga: no Interior de São Paulo, se você puser fogo na mata, em minutos a Florestal chega e atua o caboclo. Dependendo do caso, dá cadeia.
    Em Rondônia, o estado inteiro queima! É simplesmente impressionante. Vi áreas imensas serem devastadas. Uma riqueza incalculável virando cinza. Certo dia o fogo aproximou-se da área urbana de Theobroma. Perguntei para um grupo de pessoas se não havia pelo menos bombeiros para apagar as chamas. Todos caíram na gargalhada.

    E a cana está subindo para o Norte, que já é o maior exportador de carne do país. Juntando um mais um…
    Aê, nunca é demais: feliz aniversário!

  6. Microempresário disse:

    Sou do Sul, não entendo muito de Amazônia. Mas estive por lá mes passado, primeira vez na vida, e voltei pensando o seguinte:

    1 – O povo da região, mesmo os mais “esclarecidos”, acreditam piamente que a floresta é tão grande que não vai acabar nunca. E que portanto não há problema em derrubar árvore, caçar onça, fazer queimada.
    2 – Ouvi vários políticos e jornalistas no rádio. Nenhum falava em trabalhar, em criar indústria ou o quer que seja para criar renda, emprego, sustentabilidade enfim. Todos só falavam das obrigações do governo federal, que é quem tem que sustentar todo mundo, distribuir dinheiro, garantir moradia, saúde, comida, roupa e transporte.

    3 – Em consequencia, se o pobre taca fogo no mato para plantar alguma coisa ou para fazer pasto para boi, a culpa é do governo que não lhe deu dinheiro ou cesta básica.
    4 – A opinião do povo em geral é que funcionários do governo, seja estadual, federal, INCRA, IBAMA, FUNAI, etc., são privilegiados que ganham bem, tem picape a diesel para ir onde quiser com combustível de graça e que não fazem nada, exceto ganhar propinas.
    5 – Ninguém que emita a opinião acima quer que isto acabe; pelo contrário, sonha com o dia em que conseguirá uma boquinha assim para si ou para seus filhos.

    Faz tempo que sou pessimista quanto ao futuro do Brasil. Fiquei ainda mais.

  7. cristolande sousa macedo disse:

    obrigado pela oportunidade de poder falar sobre esses conflitos em nossa região,somos cientes da extração de madeira que não e´totalmente legal,mas,posso diser que não houve agressão aos mesmos,querem deixar uma pessima imagem nessa região.tratando as pessoas dessa cidade como criminosos não levam em conta que somos cidadãos brasileiros e dependemos de progresso em nossa região.adoro essa cidade e daqui não desistirei nunca ,porque sou mais um brasileiro brigando pelos nossos direitos e não aceito ser chamado de criminoso e essas terras e´dos brasileiros.vamos todos lutar por dias melhores e assim ser-mos merecedores de ser chamados herois.CASTELO DE SONHOS PA 06/01/2009.

  8. Lorrana Rafaela disse:

    Olá,sou de Cuiabá (MT),vivi muitos anos em Castelo de Sonhos e sou completmanete apaixonadaa e defendora do mesmo!Discordo definitivamnete do greenpeace e do autor da matériaa,vcs deixaram Castelo com uma imagem de um lugar onde existem pessoas ignorantes,mais lá existem pessoas que como todo mundo querem dignidade.Castelo foi esquecido pelo governo,há anos lutamos pela emancipação,mais nunca somos ouvidos!Se não querem que os moradores sobrevivam da madeira,então ajudem na economia,ou querem que todos morram de fome?!

  9. nancy disse:

    Castelo es el lugar mas hermoso en naturaleza de brasil pero el peor del mundo justicia no existe nada;la gente se mata como si fuera nada la mayoria son matadores asesinos corruptos prostitutas;el kilombo esta casi a ladode la iglesia a 100metros por ai nomas es todo joda por ai existe muchas persona buenas peo a la vez montones de animalez violadores de jovenes vivi mucho tiempo aiii conosco muchooo este paraiso de dios infierno de matones

  10. Caminhando e cantando disse:

    Caminhando e cantando

    […] Update: faltou! Aviso do nosso Escriba sobre descalabros no interior do Brasil. […]

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