A destruição e o futuro, agora e ao vivo

O Greenpeace está no meio da floresta amazônica para transmitir ao vivo a destruição da região. Vai ser hoje, pelo site do grupo ambiental, a partir das 12h30. E às 17 horas haverá um bate-papo no portal Terra com Márcio Astrini, da campanha de Amazônia do Greenpeace.

Na página Queimadas na Amazônia, há fotos, vídeos e mapas da destruição da floresta. Em janeiro deste ano, havia 511 focos de incêndio na mata. Em julho, esse número pulou para 2.414! Não à toa quase 20% da Amazônia já virou lenda…

E o julgamento pelo STF da demarcação das terras indígenas de Raposa Serra do Sol também está sendo transmitido ao vivo lá no portal Terra – em vídeo e por texto. Começou às 9 horas e deve rolar o dia inteiro.

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Neil Gaiman: 1 entrevista, 1 livro

Sabe aquele papo de quem vai comprar a Playboy na banca e diz que é por causa das entrevistas? Pois é, a edição de agosto da revista justifica tal desculpa. Pegaram o Neil Gaiman lá na Flip e fizeram 20 perguntas para o criador de Sandman. Ele fala de seus ídolos, da fama, do amigo Alan Moore, das adaptações de suas obras para o cinema, de seus medos. O resultado tá aqui.

E a editora Conrad liberou um trecho do livro Coisas Frágeis para leitura online. A nova obra de Gaiman traz nove contos carregados da mais pura essência humana. Agridoce do início ao fim.

Meu aniversário tá chegando, viu?

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Maurren de ouro e algumas reflexões olímpicas

Legal ver Maurren Maggi conquistando hoje de manhã uma histórica medalha de ouro olímpica no atletismo. Foi a primeira de uma mulher brasileira na modalidade – aliás, a primeira medalha individual de uma mulher brasileira em Olimpíadas. Ela merece. Quando foi suspensa por doping às vésperas dos Jogos de Atenas 2004, achei que sua carreira tinha acabado. Que nada. Batalhou e deu a volta por cima agora em Pequim.

Fui um dos primeiros a entrevistá-la em 1999, para o Jornal do Brasil, quando ela começou a aparecer bem no ranking da Federação Internacional de Atletismo (Iaaf). Morava no alojamento do centro esportivo do Ibirapuera, em SP e era já treinada por Nélio Moura, seu técnico que chorou feito criança no Ninho do Pássaro quando a russa Tatyana Lebedeva saltou 7,03 metros na última tentativa, ficando a um centímetro da marca de Maurren (7,04). Ouro pra meninona de São Carlos, que corria os 100 com barreiras e gostava de se vestir de preto com as amigas e sair na noite paulistana pra zoar.

O ouro de Maurren levantou o Brasil no quadro geral de medalhas em Pequim – está em 26o. lugar agora, com 2 ouros, 3 pratas e 7 bronzes (12 no total) – e ainda temos mais duas garantidas, no vôlei de quadra, masculino e feminino, só falta saber a cor delas. Não é um resultado ruim, levando-se em conta que a atividade esportiva não é uma prioridade no país. Estamos próximos de Cuba (2, 6, 11 – 19 no total) e a frente de países como Dinamarca, Suíça, Hungria, Noruega, Suécia e, claro, Argentina.

É bom frisar também que alguns países tem muito menos medalhas que o Brasil, mas como ganharam mais ouro, aparecem na frente no quadro geral – é o caso da República Tcheca e a Eslováquia, que têm apenas seis medalhas, das quais 3 de ouro. É uma questão de critério. Os americanos levam em consideração o total de medalhas, e por isso a imprensa local mostra o país na frente da China, diferentemente do que acontece na contagem do COI e de outros países. Talvez fosse legal dar pontos para cada medalha – 3 para ouro, 2 para prata e 1 para bronze. Aí certamente teríamos um panorama mais fiel do desempenho dos países nos Jogos Olímpicos. Por esse critério de pontuação, China e EUA estariam neste momento empatados no quadro de medalhas, com 200 pontos cada. O Brasil teria 19 pontos.

ATUALIZANDO (25/8): Acabamos com 3 ouros, 4 pratas e 8 bronzes. Pelo sistema de pontuação, fizemos 25 pontos e estaríamos em 18o. lugar na tabela. China realmente ficou à frente dos EUA, com 223 pontos contra 220. Refiz a tabela de medalhas lá no orkut, se quiser conferir.

Por falar em quadro de medalhas, saca só este do New York Times – genial!! Tem de 1896 a 2008. Vale guardar o link porque valerá para os próximos Jogos também.

Apesar das 12 medalhas já conquistas (mais as duas que virão no vôlei), não é raro escutar e ler por aí que o desempenho do Brasil é vergonhoso, que vários atletas estão amarelando, perdendo medalhas certas, etc. A pressão e o deboche é tão presente que muitos atletas estão pedindo desculpas por não terem correspondido às expectativas – talvez infladas pelo falso bom desempenho no Pan do Rio em 2007.

Esses idiotas da objetividade ignoram quem fica fora do pódio e, contraditoriamente, reclamam que o esporte brasileiro não vai para a frente. Só confirmam a velha máxima: brasileiro não gosta de esportes, gosta de ganhar.

Nada mais distante do espírito olímpico. Assim, o esporte brasileiro só tem a perder.

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NOTINHAS OLÍMPICAS

* Independentemente do critério a ser usado para ranquear o quadro de medalhas, a China vai despontando como a grande vitoriosa dos Jogos de Pequim. Seus atletas têm obtido vitórias em esportes como atletismo, esgrima e boxe, que nunca foram suas especialidades.

* A grande decepção são os EUA, principalmente no atletismo, onde costumam sempre fazer barba, cabelo e bigode. Em Pequim, ficaram de fora de várias finais e abriram uma grande crise. Algo me diz que isso está diretamente relacionado ao caso Balco e aos casos de doping de atletas como Justin Gatlin e Marion Jones.

* Destaque para a Grã-Bretanha (ou Reino Unido, como queiram), que ocupa a terceira colocação no quadro de medalhas do COI (tem 93 pontos, segundo o critério de pontuação. Ficaria atrás da Rússia, que é 4a. no quadro do COI, mas tem 103 pontos). A próxima Olimpíada será em Londres (2012) e todo país-sede melhora muito seu desempenho nos Jogos imediatamente anteriores, atingindo o auge em casa. Sempre foi assim – fiz um levantamento em TODAS as Olimpíadas e não falha. Vale também para Jogos Pan-Americanos.

* Preciso urgentemente trocar de sofá. Dormir toda noite no velhão lá de casa tá me deixando todo torto… É o preço que estou pagando para poder curtir o máximo dos Jogos de Pequim. Em 2012, espero ter um sofá-cama…

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Aberta a temporada de caça à Raposa (Serra do Sol)

O STF pode fazer história, para o bem ou para o mal, no próximo dia 27 de agosto, quando julgará a demarcação das terras indígenas em Raposa Serra do Sol, em Roraima. Os ministros da mais alta corte brasileira estão sob pressão de madeireiros e fazendeiros para desfazer a demarcação, o que seria um retrocesso e tanto. Quis o destino que tal decisão fosse tomada este ano, quando a Constituição brasileira completa 20 anos. Foi ela que sacramentou os direitos dos índios a suas terras – algo tão óbvio que essa discussão toda é meio surreal. Mas com tantos interesses econômicos envolvidos – plantações de arroz, madeira, minérios, fronteiras, etc -, não espanta ver a parte fraca da corda sofrer tal pressão.

Uma série de ONGs iniciou um movimento em defesa dos direitos indígenas na página Makunaíma Grita – Cidadania com Respeito à Cidadania e colocou no ar uma petição online de apoio à demarcação das terras em Roraima – clique aqui para assinar. Quem puder e quiser, espalhe! No momento há pouco mais de 3 mil assinaturas.

E nesta quarta-feira (20/8) vai rolar manifestação em frente ao Sesc Paulista (avenida Paulista, 119 – Paraíso), às 10 horas, para exigir que o STF não mexa na demarcação da Raposa Serra do Sol.

O mais grave é que, dependendo da decisão do STF, o resultado poderá afetar também as unidades de conservação na Amazônia e demais regiões florestais do país. Se interesses econômicos e políticos interferirem nesse processo, muito em breve poderemos ver extensas áreas de preservação sendo liberadas para a exploração econômica sem critérios, mais ou menos como já acontece hoje. Dá para imaginar o desastre que estar por vir, não?

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Algemas para quem precisa

Enquanto no Brasil a Justiça alivia a barra dos engravatados, funcionários da Disney fantasiados como personagens infantis são enquadrados nos conformes em protesto na Califórnia por melhores condições de trabalho. Agora, o mais bizarro é que os daqui merecem as algemas, os de lá nem tanto.

Vai entender…

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Cidade Limpa não pode ser prioridade de SP, diz arquiteta

A entrevista abaixo com Hermínia Maricato, professora, arquiteta e ex-secretária de Habitação da prefeitura de São Paulo (gestão Luiza Erundina, PT), foi feita para um jornal da grande imprensa mas acabou engavetada. Como quem tem amigo não morre pagão, caiu nas minhas mãos e faço questão de publicar. Só não entendi porque o material não foi aproveitado no site do jornalão…

Maricato vai direto ao ponto: a gente dá muita atenção para soluções cosméticas, como a Lei Cidade Limpa, enquanto coisas muito mais importantes ficam em segundo plano.

A professora lembra que, enquanto brincamos de limpar as fachadas da cidade (o que na prática é totalmente falso…), mal conseguimos nos locomover, respiramos ar poluído, bebemos água podre e ignoramos a situação de 1 milhão de pessoas que moram em favelas construídas em áreas de proteção ambiental simplesmente por não terem onde morar na cidade. Priorizar a retirada de anúncios das fachadas no meio de tudo isso é “ridículo”, diz Maricato.

Como é ridícula também a falta de coragem dos políticos de tomar medidas duras para resolver alguns desses problemas. Veja o Kassab, por exemplo: ensaiou o envio de um projeto de lei à Câmara Municipal de SP instituindo o pedágio urbano na cidade, como parte da Política Municipal de Combate às Mudanças Climáticas, mas já desistiu – em ano de eleição, provavelmente ficou com medo de perder votos dos milhões de motoristas paulistanos. Faz tempo que acho que a medida é uma das melhores medidas para diminuir o tráfego de automóveis particulares pela cidade – juntamente com o rodízio ora em voga. Em Londres rola desde 2003.

Mas enfim, vamos à entrevista:

A professora e arquiteta e ex-secretária da habitação da prefeitura de São Paulo na gestão Luiza Erundina (PT), Hermínia Maricato fala nessa entrevista sobre a Lei Cidade Limpa de São Paulo. Segundo ela, é ridículo a cidade colocar essa limpeza como prioridade enquanto outras limpezas, como a do ar e da água, e outras necessidades, como a mobilidade, ficam em segundo plano.

No começo deste ano Hermínia lançou o livro “Brasil, Cidades: Alternativas para a Crise Urbana”, publicado pela Editora Vozes. Ela é professora da Faculdade de Arquitetrua e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP).

Como a sra. avalia a Lei Cidade Limpa?
A questão vista isoladamente evidentemente é muito virtuosa. A lei se propõe a fazer uma despoluição visual na cidade, na paisagem urbana. E é interessante. Claro que, até mesmo olhando isoladamente, nós não deveríamos nos ater apenas aos anúncios, mas a toda instalação elétrica, que é ultra poluidora, à quantidade de fios, postes, o próprio calçamento, enfim normatizar um pouco muros, cercas, calçadas. O problema é quando, no contexto da cidade, essa lei ganha prioridade. É simplesmente ridículo.

Por que ridículo?
Porque você tem metade da cidade na ilegalidade. Então ele é um programa por excelência que segue uma orientação na gestão urbana no Brasil, que dialoga com a cidade legal, com a cidade da elite, com a cidade formal. Quando você tem metade da cidade na ilegalidade, acho que é preciso discutir como vai se aplicar a lei. Como você vai aplicar a lei só nas fachadas e numa parte da cidade? E se tenho 10% da população morando em favelas, por exemplo.

Mas aí questão não se torna mais difícil, mais complexa?
Claro que é uma tarefa complexa. Não é uma tarefa para uma gestão. Mas quando nós vamos ter uma lei efetiva em cidades como as nossas? Porque torná-la efetiva apenas nas fachadas, apenas em relação aos anúncios? Eu diria que é um governo de fachada, uma sociedade de fachada. Não que a gente não deva se preocupar com as fachadas. As fachadas são importantes em várias cidades do mundo e também no Brasil. Se você for para São Luiz do Paraitinga, existe uma recuperação que aumenta a auto-estima dos moradores, não só recuperação de fachada. A recuperação de fachada na França é matéria constitucional.

As fachadas são importantes mas há outras questões mais importantes?
Não quero dizer que isso não é importante, que não é objeto de uma política pública. Mas é ridículo quando isso é a prioridade. Principalmente em uma cidade onde os mananciais estão ocupados por uma população gigantesca, mais de 1 milhão de pessoas, morando em áreas de proteção ambiental simplesmente porque não conseguem morar na cidade. E a prefeitura está tendo uma atitude muito ruim com esses moradores porque ela está derrubando as casas e acusando-os de crime ambiental. Crime ambiental é da sociedade, que não provisionou essa população de moradia, que não tinha onde morar e acabou indo para os mananciais. Crime ambiental todas as gestões fizeram na hora que permitiram que essa população se instalasse ali. E ali o poder de polícia sobre o uso do solo é de diversas entidades dos governos federal, estadual e municipal. Então, quem cometeu o crime ambiental não é o sujeito, coitado, que está morando lá, em condições muito ruins, por sinal. A discussão, então, é um programa evidentemente classista. É uma visão da cidade de que a prioridade é cuidar das fachadas.

Nessa visão que a sra. critica a beleza, a limpeza, fala mais alto?
Não é propriamente beleza. Se você pega o exemplo do Time Square de Nova York, do qual todo mundo fala, é uma poluição bárbara. Agora, é um padrão. Um padrão que seria impossível em São Paulo com essa tolerância zero aí. Precisa ficar muito claro isso: essa lei não está sendo aplicada na cidade toda. Até porque se eu considerar uma parte da cidade, não são os anúncios que estão ilegais, são as ruas, as casas, tudo… É tudo! Se não encara essa fratura urbana, vai encarar o quê? A limpeza das fachadas? Mesmo considerando que ela é necessária. Não estou de forma alguma dizendo que ela não é importante, não é necessária. O que estou dizendo é que é um absurdo ela se tornar a prioridade e você não discutir as questões de fundo. Aliás, em uma cidade onde não se consegue nem respirar e onde a questão dos automóveis não está sendo enfrentada. E ela, sem dúvida, é uma prioridade.

Na visão da sra. a prioidade de São Paulo é outra?
Sim, a questão da mobilidade na cidade. A mobilidade por meio do automóvel é predominante. E isso novamente não é tarefa de uma gestão. Mas se essa sociedade e esses governos não encararam o problema da matriz baseada na circulação automobilística, essa cidade está absolutamente condenada. Aliás, moro aqui e está cada vez mais insuportável. Como você estabelece prioridades?

A cidade é limpa nas fachadas mas não cuida da limpeza do ar que respira?
Do ar que você respira! Da água que a gente bebe! Dos mananciais que estão ocupados por mais de 1 milhão de pessoas! É incrível essa nossa capacidade de botar a cabeça em um buraco que nem um avestruz e ignorar os problemas centrais. Incrível! E todo mundo bate palma! ‘Tá bom, mas pelo menos…’ Não tem pelo menos! Tem coisas que são prioritárias. São delas que nós temos que cuidar como prioridade. As fachadas nós vamos cuidar com a importância que elas têm.

A sra. acredita que o prefeito pode usar esse projeto Cidade Limpa como candidato à reeleição?
Ele usa muito. Foi um programa que fez um sucesso. E, diga-se de passagem, várias gestões tentaram aplicar a lei de anúncios e não conseguiram. Acho a lei exagerada. Não é necessário uma intolerância tão grande para que a paisagem urbana fique despoluída. Estou na rua e vejo, na mesma esquina, um poste de iluminação, um postinho que dá suporte às placas com os nomes das ruas, um outro postinho que sustenta a placa do trânsito, tudo isso na mesma esquina. E cheio de fios. Quer dizer, então está bom, vamos tentar começar um processo de despoluição não só dos anúncios. Realmente, é uma coisa de factóide mesmo e marketing. A despoluição é necessária, mas nem ela foi levada muito a sério.

Mas esse ‘factóide’, essa peça de ‘marketing’, como a sra. classifica, tem virtudes?
Não há dúvida de que há uma virtude no foco da coisa. Mas nós temos que abrir esse foco e falar: ‘bom, em que nós temos que jogar nossa energia?’ Diria que a questão da mobilidade em São Paulo é a número 1. Já tem técnico hoje fazendo cálculo do prejuízo para toda a sociedade. O fato é que esse prejuízo é distribuído. São as horas paradas das pessoas, profissionais, nos transportes. O preço de todo o suporte de ruas, de recapeamento, de sinalização de trânsito e, principalmente, como alguns professores da USP, meus colegas, estão apontando, o problema do custo na saúde. Nos dias piores os hospitais se enchem, principalmente de crianças e pessoas da terceira idade, porque o ar está irrespirável na cidade. Tenho um jardim com horta em casa e é impressionante. Você pega uma folha de couve, ela está coberta, negra. Se eu não regar, cuidar, aquilo vira uma casca em cima da planta. E é isso que vai para os nossos pulmões. E ainda tem os acidentes, que diminuíram mas ainda continuam muito altos… Os custos com combustíveis… Que contribuição estamos dando para o planeta? O que é mais importante? Alguém pode falar: ‘mas ele está fazendo outra coisa, fez isso pelas fachadas’. Então, a lei dos anúncio adquiriu principalidade.

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Somos sustentáveis?

Acabei de subir a publicação Indicadores de Desenvolvimento Sustentável – Brasil 2008, do IBGE, para a Biblioteca do Escriba. São cerca de 400 páginas de informação preciosa sobre o nosso país, de onde viemos, como estamos e para onde vamos. Qual o nível de nossa sustentabilidade?

Vale lembrar a definição de desenvolvimento sustentável, segundo a Comissão Brundtland:

Desenvolvimento sustentável é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforça o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações futuras … é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades.

A pergunta que não quer calar na verdade é: será que algum país no mundo atende a essa premissa?

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Circo de horrores


Um circo em Brasília conseguiu na Justiça reaver animais apreendidos pelo Ibama por conta de maus-tratos e falta de segurança. Os bichos estavam famélicos, sujos, feridos e guardados em jaulas precárias. E pior: os juízes autorizaram também a retomada dos espetáculos!

Depois reclamam quando comparam o Judiciário a um grande picadeiro…

O único animal que fica legal em circo é o bicho-homem. Confira aqui uma boa lista de circos que não apelam para essa crueldade para nos divertir.

(dica da Lulu, minha correspondente na Itália)

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Nunca diga adeus a Isaac Hayes

Volto do Aquário de São Paulo, onde passei o Dia dos Pais com a molecada, e dou de cara com essa notícia: morre Isaac Hayes, aos 65 anos, de causa desconhecida. Dureza… Uma das vozes mais emblemáticas do soul (estilo Barry White), um figuraça no palco, autor de canções inesquecíveis (a trilha de Shaft já lhe garante o título de gênio).

Para homenageá-lo, poderia por pra tocar o Hot Buttered Soul, Black Moses ou mesmo a trilha de Shaft, mas vou curtir solenemente o Wattstax, dois álbuns duplos de 1973 que reproduzem o woodstock negro que rolou um ano antes em Los Angeles e que teve Hayes como sua atração principal. O evento foi organizado pela gravadora Stax para relembrar o sétimo aniversário dos conflitos de Watts (um bairro de LA) entre a polícia e a comunidade negra local, que deixou 34 pessoas mortas e milhares de feridos.

Hayes tocou três músicas para uma platéia de mais 100 mil pessoas no estádio Los Angeles Coliseum: o tema de Shaft, Soulsville e Ain’t no Sunshine. Uma beleza. Vi o festival pelo DVD que comprei tempos atrás. Hayes é ovacionado quando entra com sua então tradicional jaqueta de correntes douradas. E manda ver no piano, alucinado.

Um dos grandes sucessos de Isaac Hayes é Never Can Say Goodbye (Black Moses, 1971). Realmente, muito difícil dizer adeus para um cara como esse. Dá uma conferida nos vídeos aí embaixo e vê se estou exagerando – no primeiro, ele canta o grande sucesso; no segundo, sua apoteótica entrada em Wattstax, apresentado pelo reverendo Jackson para tocar o tema de Shaft:

(Ah, também estiveram presentes em Wattstax: Carla e Rufus Thomas, Albert King, Staple Singers, The Bar-Kays, Eddie Floyd, Little Milton e Jimmy Jones, entre outros. Não à toa foi considerado à época como a resposta negra para Woodstock. Na boa? Pelo naipe dos convidados de ambos os festivais, fico com Wattstax. Fácil.)

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Pusilanimidade olímpica

A abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim foi uma das mais lindas que vi desde Moscou-80, a China é um país fascinante e seu povo merece todo o respeito, mas não dá pra ignorar que o governo chinês tem pisado seguidamente na bola – seja ela política ou ambiental.

Há quem diga que política e esportes não se misturam. Ledo engano: atletas alemães já se manifestaram contra a repressão chinesa, um refugiado sudanês desfilou na cerimônia de abertura dos Jogos como porta-bandeira da delegação americana, turistas penduraram uma faixa pró-Tibete em Pequim às vésperas do início dos Jogos. Suspeito que mais protestos virão. E é bom que seja assim.

Como lembra Carlos Arribas, correspondente do El País em Pequim, também tentaram evitar que as Olimpíadas de Berlim em 1936 fossem alvos de protestos, devido à ascenção de Hitler e seu partido nazista ao poder quatro anos antes:

O olimpismo prefere celebrar nestes dias o 40º aniversário dos Jogos do México, o punho erguido do “black power”, Tommie Smith e John Carlos no pódio dos 200 m rasos, símbolo do poder do esporte para mudar a sociedade, mas a realidade, mais obstinada que os desejos, o obrigam a lembrar os jogos de 1936, os da Berlim nazista enfeitada de suásticas até a náusea, e não somente para falar da bela parábola das vitórias do negro Jesse Owens no altar da exaltação do ariano, e de sua admirável amizade com o louro Lutz Long, atletas que só se moviam por altos ideais e não por dinheiro, como os de hoje, as histórias que passaram à história e que servem para que muitos lembrem os jogos de 1936 como um oásis de pureza, tolerância e bom jogo em meio aos 12 anos de pesadelo nazista, e que alimentaram o mito do espírito olímpico. (aqui a íntegra do texto)

Tentar despolitizar um evento dessa importância é pusilânime. Ninguém aqui é anti-China nem anti-Olimpíadas: queremos o diálogo. E ter o direito de dizer o que pensamos, na hora que pensamos, como pensamos. Até na China.

E o que podemos fazer aqui de fora? Pra começar, que tal participar de um aperto de mão olímpico?

Revela a experiência que o mundo
Não pode ser plasmado à força.
O mundo é uma entidade espiritual,
Que se plasma por suas próprias leis.
Decretar ordem por violência

É criar desordem.
Querer consolidar o mundo a força
É destruí-lo,
Porquanto, cada membro
Tem sua função peculiar:
Uns devem avançar,

Outros devem parar.
Uns devem clamar,
Outros devem calar.
Uns são fortes em si mesmos,
Outros devem ser ancorados.
Uns vencem na luta da vida,
Outros sucumbem.
Por isso, ao sábio não interessa a força,

Não se arvora em dominador,
Não usa de violência.
(Lao-Tsé, no Tao Te King, livro que por sinal acabo de incluir na Biblioteca do Escriba)

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