7/20 – O Grande Gatsby – Scott Fitzgerald

“Sorriu compreensivamente – muito mais do que compreensivamente. Era um desses sorrisos raros que tem em si algo de segurança eterna, um desses sorrisos com que a gente talvez depare quatro ou cinco vezes na vida. Um sorriso que, por um momento, encarava – ou parecia encarar – todo o mundo eterno, e que depois se concentrava na gente com irresistível expressão de parcialidade a nosso favor. Um sorriso que compreendia a gente até o ponto em que a gente queria ser compreendido, que acreditava na gente como a gente gostaria de acreditar, assegurando-nos que tinha da gente exatamente a impressão que a gente, na melhor das hipóteses, esperava causar. Precisamente nesse ponto, o sorriso se dissipou – e vi-me diante se um jovem elegante e grosseirão, que passava um ou dois anos dos 30, e cuja maneira cerimoniosa se falar pouco faltava para ser absurda. Pouco antes de ele haver dito quem era, eu tivera a impressão de que ele escolhia as palavras com cuidado.

(…) Quando ele se afastou, voltei-me imediatamente para Jordan – constrangido a revelar-lhe a minha surpresa. Eu esperava que o Sr. Gatsby fosse um indivíduo de meia-idade, corpulento, robicundo.

“Quem é ele?, indaguei. “Você o sabe?””É apenas um homem chamado Gatsby.””De onde vem ele? É o que quero dizer. E o que é que ele faz?”

(…) “Seja lá como for, ele dá grandes festas.”

Trecho de O Grande Gatsby, de Scott Fitzgerald (1925), um dos livros mais empolgantes que li até hoje.

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