Em entrevista, Harold Bloom fala sobre amor literário, Rei Lear, autoconhecimento e leitura passiva

bloom

“Se Falstaff e Hamlet são ilusórios, então o que somos eu e você?”

Excelente a entrevista com o crítico literário e professor Harold Bloom hoje na Folha. É o tipo de sujeito que não faz concessões em relação ao que considera boa literaturaShakesperiano até o último fio de cabelo e defensor da literatura formalista (a arte pela arte), é criticado por desprezar a cultura pop literária e desconfiar da qualidade de autores só porque fazem parte de determinados grupos minoritários, conforme explicitou na entrevista à Folha:

“É bobagem acreditar que você pode beneficiar grupos insultados, explorados ou desfavorecidos lendo e ensinando a ler obras menores só por causa da pigmentação da pele, orientação sexual, gênero ou origem étnica.”

CONTOS_E_POEMAS_PARA_CRIANCAS_EXTREMAMEN_1262394340PAnos atrás eu comprei os quatro volumes da antologia Contos e Poemas para Crianças Extremamente Inteligentes de Todas as Idades, que reúne 39 contos e fábulas e 74 poemas clássicos da literatura mundial. Uma maravilha. Independentemente das suas posições estéticas literárias , sou seu fã por me oferecer o caminho para conhecer excelentes autores de acordo com o bom senso estético que eu sei que ele tem – e tendo até a concordar com algumas de suas posições formalistas em relação à literatura, ainda que goste também de autores mais populares (sem que pra isso precise endeusá-los e colocá-los em patamares aos quais não pertencem. Cada macaco no seu galho…)

Seu último livro, A Anatomia da Influência, foi lançado no Brasil em 2013. “É o meu canto do cisne”, afirmou Bloom, que está com 83 anos e saúde muito frágil. O livro comenta obras de autores como Shakespeare, Walt Whitman, Paulo Valéry, Shelly, John Milton e James Joyce, entre outros. Um manjar para quem gosta de literatura.

Outros bons trechos da entrevista com Bloom na Folha:

O que é “amor literário”?
Você está apaixonado? Mesma coisa. Incluindo inevitáveis ambivalências, dificuldades, incompreensões.

—-

Por isso encorajo estudantes a lerem em voz alta, a irem a um lugar onde possam ficar sozinhos e ler em voz alta. Ler de verdade, ler Shakespeare, ou os poetas Wordsworth, ou Wallace Stevens, ou Hart Crane, algum escritor difícil, é um processo extremamente ativo no qual você tem que lutar com todas as suas faculdades, mesmo se não puder compreender tudo, para tirar mais daquilo.

Já com o visual, mesmo que exista alto como olhar de forma reativa (não que eu saiba muito sobre isso, não sou guiado pelo visual, sou orientado puramente pelo verbal), como o visual é muito fácil relaxar e ser passivo. Você não pode ler passivamente.

Leia aqui a íntegra da entrevista.

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