Quem é ela? Ou Sexo x Realidade – versão Escriba

Recebo o texto QUEM É ELE? ou SEXO X REALIDADE, da minha amiga Beatriz, e sou convidado a escrever o ponto de vista do personagem masculino do conto dela. Talvez seja interessante ler primeiro o texto da Bia (aqui). Ou não. Enfim, como quiser.

– Você volta amanhã?

– É, minha irmã caiu no banheiro e precisa ir ao médico. Desculpe, não tem outro jeito, preciso voltar.

– E não tem ninguém que possa levá-la? Tem que ser você?

– O que você quer que eu faça? Deixe minha irmã se virar sozinha?

– Tá, eu sei, eu sei, ela ajudou a criar você quando sua mãe morreu, blá blá blá…

– Você é muito egoísta. Não gosto desse seu jeito…

– E eu não gosto quando você fuma esse cigarro fedorento no meu quarto. Pode pelo menos ir pra varanda?

– Engraçado, você dizia que gostava até do cheiro, que deixava um gosto bom na boca, que me dava um cheiro de macho.

– Tá, eu sei, mas você anda fumando muito. O cheiro desse troço é forte demais.

– Você podia ser mais compreensiva num momento difícil como este. Cadê aquela mulher doce que conheci na viagem?

– Deve ter se perdido junto com minhas malas na volta… Aliás, tenho que ligar pra companhia aérea pra ver se já acharam. Me passa a bolsa?

– Levanta e pega, uai.

– Grosso!

– Grande e grosso! E você gosta.

– Babaca. Deve ser por isso que nenhuma mulher quis casar com você. Quem vai querer conviver com um ogro?

– Mulher não falta nesse mundão que queira a boa vida que posso dar a elas. Mas casar pra quê se sempre tem uma dona solta por aí…

– Caramba, o que foi que vi em você? Me diz?

– Um homem como deve ser e Deus permite.

– E ainda carola! Céus!

– Seu problema é falta de Deus, já te falei…

– E o seu é falta de noção. Vai, volta pra ajudar sua irmã. Me deixa dormir.

– Para de bobagem e vem cá fazer um chamego no seu homem…

– Sai com essa piroca pra lá. Hoje não vai rolar nada. Perdi o tesão.

– Deve estar numa das malas extraviadas. Mas tudo bem, eu dou conta, e você vai gostar mesmo assim…

– Olha, eu sabia que você era bronco, mas tá passando dos limites. Vou dormir, boa noite. Se quiser, pode ficar aqui, no quarto ou na sala, se preferir. Mas me deixa. Ou prefere que eu chame um taxi?

– Tá me expulsando? Ára, você se irritou por besteira e ainda quer sair por cima? Tome tenência, muié!

– Fala baixo. Ou melhor, não fale nada. Boa noite!

– Vocês dondocas da cidade são todas iguais, uma hora estão todas derretidas e n’outra mais duras que lombo de mula.

– Fecha a porta quando sair.

– Fecha você.

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