5 fotógrafos

Para celebrar o Dia Mundial da Fotografia listei hoje nas minhas contas de twitter e google+ cinco dos meus fotógrafos preferidos – tem muitos outros, claro, mas preferi fazer uma lista mais emblemática do que considero fotografia de qualidade, emocionante, instigante. São eles os franceses Robert Doisneau e Henri Cartier-Bresson, o suíço Robert Frank, o brasileiro Sebastião Salgado e o cubano Alberto Korda. Todos os demais não citados nessa lista por favor sintam-se homenageados porque certamente foram influenciados (ou influenciaram) um desses da minha lista. E eu, humilde fotógrafo diletante, me considero discípulo principalmente desses cinco.

Vou apenas republicar aqui o que escrevi no Google+ – com uma ou outra observação extra. Fiz na correria, de cabeça, sem consultar portanto fontes mais fidedignas que minha memória. Aqui apenas acrescentarei alguns links que considero importantes. Não revisei o texto e, portanto, se tiver algum erro absurdo (ortográfico, gramático ou de conteúdo), por favor avise na área de comentários!

ROBERT DOISNEAU

O francês Robert Doisneau era o fotógrafo dos subúrbios parisienses – os banlieue – dos cafés, da gente comum, da rua. Circulava com sua câmera e ia registrando a rotina das pessoas. Começou como fotojornalista (é um dos pioneiros da profissão) em pequenos jornais franceses e foi também fotógrafo de moda.

Ele ficou famoso com a foto do casal se beijando nas ruas de Paris, que era tida como um belo instantaneo da vida comum mas que o próprio fotógrafo confessou depois ter sido ‘montada’ – o casal estava na verdade posando para ele para um ensaio de moda. De qualquer maneira, a foto é belíssima.

Mas a minha preferida do Doisneau é a do sujeito deitado em sua cama, de boné, fumando, e admirando as fotos de mulheres semi-nuas pregadas na parede. Não parece o Robert De Niro?

HENRI CARTIER-BRESSON

Lembro do dia que levei Martim e Sofia pra verem a exposição dele que rolou no Sesc Pinheiros (veja aqui algumas fotos dessa exposição). Escrevi sobre ela em setembro de 2009 – aqui.
Pra minha surpresa, eles amaram e até assistiram parte do documentário que tava passando sobre a vida e a obra do fotógrafo francês.

Numa das passagens mais interessantes do documentário, Bresson é questionado sobre as muitas fotos que tirava (andava sempre com uma camera a tira-colo, fotografando tudo e a todos) e ele responde: “quantas coisas interessantes vc vê por dia?” Aí o entrevistador responde: “Muitas”. “Pois então, eu também. E as fotografo.”

Ele falou algo assim, nao literalmente do jeito que descrevi, mas a essência está aí. Bresson é da escola do ‘instante mágico’, de vc clicar o momento e eternizá-lo. Vc clica no momento exato que vê a cena interessante. Hoje isso já nao rola tanto, apesar de haver tantos ‘momentos mágicos’ fotografados por aí. Simples: o cara pega e ‘metralha’ com a camera, tira trocentas fotos do mesmo momento, é claro que vai rolar uma puta foto.

E outro ensinamento de Bresson pra vida: fotografia é luz, olho e geometria. É isso aí!

ALBERTO KORDA

Um dos fotógrafos mais interessantes que conheço é o Alberto Korda, cubano que imortalizou a imagem de Che. É dele a clássica foto do guerrilheiro de boina olhando para além do horizonte. O que poucos sabem é que aquela foto foi feita num momento de muita dor para os cubanos – e para Che em especial. Ele estava num evento em praça pública em Havana para homenagear os mortos num atentado terrorista realizado num porto cubano que matou dezenas de trabalhadores – procura no youtube que vc encontra as imagens da tragédia.

Che estava num palanque onde autoridades do governo revolucionario cubano estavam discursando. Nem estava na primeira fileira. Korda estava na galera, fotografando a manifestacao para um jornal e de onde estava nao conseguia ver Che. Mas um bom fotografo precisa de sorte e Korda teve: Che deu dois passos a frente, ficou na borda do palanque e Korda conseguiu fazer duas fotos. Uma delas virou ícone mundial – a historia dessa foto tá bem registrada no documentario Chevolution.

Eu conheci Korda. O entrevistei para o Jornal do Brasil quando esteve em SP para expor algumas de suas fotos. No papo, conheci a sua foto mais emblemática – e que tornou a minha preferida. É de uma menina segurando um pedaço de madeira, que ela tratava como boneca. Esse registro mudou completamente a vida de Korda, que era até entao fotografo de moda em Havana nos tempos do ditador Batista. Ele passou a acompanhar os passos dos revolucionarios liderados por Fidel, Che e Camilo Cienfuegos. E se tornou o fotógrafo da revolução.

Aqui a historia da minha entrevista com o Korda.

SEBASTIÃO SALGADO

Ir a uma exposição do Sebastião Salgado, brasileiro de Aimorés (MG), é uma experiencia e tanto. Mesmo quando fotografa cenas terríveis em algum campo de refugiados na África profunda ou nas periferias da Bolívia ou Peru, Salgado consegue nos oferecer belas cenas. Eu sei, dificil falar em algo belo numa fotografia de uma crianca faminta ou de extrema pobreza, mas a beleza aqui é de como aquele registro nos impacta, nos emociona, nos coloca em contato com o que normalmente ignoramos, nos aproxima de realidades distantes. E ele sabe lidar com os jogos de luzes num cenário como poucos. O seu segredo? Conviver com o objeto de sua fotografia até ‘desaparecer’. Todo fotógrafo sabe o quanto é invasivo, o quanto perturba a cena quando aponta sua câmera para alguma direção. E isso tira a naturalidade da cena e do fotografado, quase sempre. E como Salgado e tantos outros bons fotógrafos usam lentes de 35 a 50mm (em geral), precisam ficar próximos das cenas. Com uma tele de 300mm é fácil, quero ver é fotografar ali, na cara do gol!

ROBERT FRANK

Robert Frank era suíço e foi um dos que melhor fotografou o povo americano. Sua obra-prima é o livro The Americans (1958), que registra a vida da população dos Estados Unidos nas mais variadas regiões do país. Passou quase tres anos viajando pelo país, levou a família com ele. Fez quase 30 mil fotos, das quais apenas 83 foram publicadas no livro. A introdução do livro foi escrita por Jack Kerouac.

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6 respostas para 5 fotógrafos

  1. Daniel Seguro disse:

    Ótima seleção, dentre todos gosto mais de Bresson já que também sigo a linha que fotografar tudo haha

    Grande abraço

  2. Anônimo disse:

    Obrigado, Daniel! É, o Bresson era foda mesmo. Já tive essa pegada, mas ando preguiçoso demais. Até tentei organizar um grupo no Flickr de saídas fotográficas aqui em Brasília, mas poucos se animaram – na verdade, só eu e um outro camarada vamos com mais frequencia. Enfim…

    abs!

  3. rafael disse:

    gosto da do fotografo Sebastião Salgado. mt boa msm. abraço e parabens pelo blog

  4. Anônimo disse:

    Obrigado, Rafael! O blog anda meio devagar, quase parando, mas de vez em quando ainda emplaco um ou outro post. E também gosto muito do Salgado, por onde ele anda , heim? Sabe se ele tá com algum projeto em andamento?

    abraço!

  5. José Guedes disse:

    Eu gosto muito dessas fotografias de pessoas, de tipos. Quando bota o ser humano como algo cheio de significados e intensidade, como neste último que tem fotos dos americanos. Ainda mais com um prefácio escrito por Kerouac!

  6. Real nice style and design and wonderful content material , nothing at all else we want : D.

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