No Pan do Brasil, esporte é detalhe

Passei o dia de ontem circulando pela Esplanada dos Ministérios de Brasília para entrevistar gente da Seap e do Ibama para o projeto do Greenpeace. Só cheguei no hotel no início da noite e assim que cheguei no quarto procurei zapear a TV para levantar o que rolou de interessante no Pan. Sou aficionado por esporte e sempre que posso acompanho as provas, do badminton ao tênis, do hipismo ao basquete e atletismo. Depois de passar por todos os canais, desisti de saber o que aconteceu. Não há espaço para esportes na TV, apenas para o ufanismo barato e louvação de mais um lote de medalhas que engorda nossa posição no quadro geral. Mas e as grandes disputas? O que de bom aconteceu em termos de esporte, não de sucesso brasileiro? Cadê?

Quem não tem tempo de assistir às competições e vê apenas o noticiário no final do dia é capaz de pensar que só o Brasil ganha medalhas no Pan. Adotamos de vez o estilo americano de informar os resultados: o que é nosso, mostramos; o resto não existe. A legião de repórteres e produtores que circulam pelos locais de provas na cidade maravilhosa são incapazes de fugir do óbvio e caem sem pestanejar na mesma regra geral da torcida, que não está nem aí para o esporte, o que importa é a vitória do seu time.

Ainda que o Pan do Rio não apresente o que de melhor há no cenário mundial, ainda assim há muito o que explorar no evento. Por exemplo, que time B americano é esse que, mesmo sendo juvenil e universitário em sua essência, lidera com folga o quadro de medalhas? E o time renovado de Cuba, que mesclou grandes campeões com uma nova geração, já pensando nos Jogos Olímpicos de Pequim? Quem são essas novas feras da ilha de Fidel? Todas as equipes vieram com seus titulares? Não? Por que? Quais as prioridades? O que fazer para o Pan poder atrair as estrelas?

Não vi também nenhum perfil dos poucos nomes de peso que estiveram por aqui, dentro e fora das arenas de competição, como Ana Guevara, Ivan Pedroso e Felix Sanchez (atletismo), Gary Hall Jr. (natação) e Teófilo Stevenson (boxe), entre outros. Pouco ou nada se falou deles. Quem continua no auge? Quem está em decadência? E sobre os novatos? Quais atletas obtiveram resultados significativos o suficiente para almejar a glória nas Olimpíadas de 2008? Quais as grandes revelações que o Pan nos deu no atletismo, natação, ciclismo, tiro, decatlo, ginástica? Ou não houve? Por que ignoramos por completo tantas boas histórias que certamente existem num evento esportivo desse tamanho?

Perguntas que o jornalismo-mutley (medalha, medalha, medalha) brasileiro não responderá jamais. E no final de tudo, farão aquelas matérias pout-pourri resumindo o que aconteceu no Pan, geralmente cheias de belas imagens com disputas acirradas, sofrimento heróico de atletas menos cotados, vitórias emocionantes, e um texto meloso, a la Armando Nogueira, cheio de parábolas e hipérboles. Boa parte dessas imagens porém ninguém viu ou comentou durante o Pan simplesmente porque foram ignoradas – principalmente se não havia brasileiro. Queremos exaltar nossas vitórias, massagear nossa auto-estima, e encontrar desculpas para as derrotas.

Agora entendo porque alguns insistem chamar a competição de Pan do Brasil… Nele, os demais países não têm vez mesmo.

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2 respostas para No Pan do Brasil, esporte é detalhe

  1. Mabi Marques disse:

    Não deu no New York Times!!!!
    Caraca Jorge concordo com tudo o que você disse!!!!! Esse nacionalismo à la Medici anos 70 é duro de engolir…

    os americanos não só mandaram atletas classe D como um “gerente” de imprensa (Kevin Neuendorf) racista que desrespeitou 2 países ao mesmo tempo.
    By the way no New York Times hoje 26/07, há somente uma pequena nota no resumo geral, falando sobre o softball, porque eles ganharam da gente. olha o link p os São Tomés da vida.
    http://www.nytimes.com/2007/07/26/sports/26sportsbriefs.html?_r=1&oref=slogin

  2. Mabi Marques disse:

    Larry Rother!!Roto rooter nele!!!!

    Gente tem que ler!!! Essa mala Rother fez uma reportagem sobre OBESIDADE e usou as fotografias (SEM PERMISSÃO) de turistas tchecas em Ipanema, como exemplo de mulheres CARIOCAS obesas. Chamou o Lula de pingunço e agora no mesmo NYT escreve a seguinte pérola sobre o PAN:
    Que nós brasileiros geramos um clima anti – americano, ao reagirmos exageradamente ao brilhante comentário do gerente de imprensa Kevin Neuendorf (Welcome to the Congo!!!)
    Ora o moço desrespeita dois países ao mesmo tempo, se deixa fotografar com um higienizador de ambientes e um desinfetante para mãos e nós temos preconceitos contra os americanos?????? Let´s talk about prejudice boy!!!!!!!

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