O bom velhinho, o ‘homem de bem’ e uma Ferrari em Paris

Fui para o Rio na terça entrevistar um ícone do ambientalismo brasileiro, o almirante Ibsen Gusmão. Foi um dos primeiros defensores das baleias e da preservação marinha no Brasil. Na varanda de sua aconchegante casa num condomínio na Barra, conversamos por quase duas horas sobre problemas e soluções para os oceanos do planeta. Aos 83 anos, o bom velhinho dá um show de lucidez. Contou duas histórias dignas de nota: uma sobre a lagosta que era tida como praga pelos pescadores nas décadas de 1940 e 1950 (chegavam a matar o bicho e jogar de volta no mar) e outra sobre um restaurante que freqüentava no Japão quando passou um tempo por lá na década de 1960. Uma vez o dono o chamou e disse, animado: “Olha, hoje temos aquele peixe que o senhor gosta, e sem nenhuma radioatividade!” Muitos peixes sofriam com o problema devido aos testes nucleares realizados no Oceano Pacífico na época.

A entrevista é para um projeto do Greenpeace sobre oceanos. Estou conversando com especialistas no assunto para montar um perfil detalhado sobre a atual situação da ‘Amazônia Azul’. Hoje vim para Brasília entrevistar um diretor do Ibama e outro da Secretaria de Pesca sobre estoques pesqueiros. Amanhã (sexta) converso com uma conselheira do Itamaraty, que representa o Brasil na ONU nas discussões sobre oceanos. Ela vai me dar um panorama geral da situação no país e no mundo. Serão feitas mais ou menos umas 40 entrevistas para a produção de um relatório no final do ano. Já estou ficando craque no tema! :)

Apesar de todo o terrorismo midiático, não tive problema algum para voar até agora – apenas um atraso de duas horas em Congonhas na ida para o Rio, tranqüilo. Fui de Gol para o Rio e vim de TAM para Brasília. Volto pela TAM também para SP. Em Congonhas, no Santos Dumont e no aeroporto aqui de Brasília, os saguões de embarque estavam cheios, mas não confusos. A movimentação da imprensa era intensa, todos em busca daquele ‘homem de bem’ indignado, levemente desesperado, para o show diário de manipulação da informação nos telejornais noturnos. O ‘homem de bem’ está ficando nervosinho, e os jornalistas, fiéis seguidores da cultura do medo, dão mais e mais corda a ele. Se viessem me entrevistar, lhes daria um sonoro top, top, top, uh!

Em tempo: Estava meio sonolento nesse último vôo, do Rio para Brasília, quando de repente, naquela telinha diminuta à minha frente, começa para minha surpresa um filme lendário: Rendezvous, do Claude Lelouch, um curta filmado em 1976 nas ruas também sonolentas de Paris. Foi feito, dizem, a bordo de uma Ferrari 275 GTB. O cara acelera a bichinha pra valer nas ruas vazias numa manhã qualquer da capital francesa. O motivo? Confira abaixo:

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3 respostas para O bom velhinho, o ‘homem de bem’ e uma Ferrari em Paris

  1. andre passamani disse:

    rapaz,
    sabe que eu vi um clipe de uma banda de rock modernim do ano passado (arctic monkeys?) que era uma cópia exata (quase) dessa porra?!

  2. andre passamani disse:

    eu sou burro pacaraio… não é cópia não… é o mesmo filme!

    olha isso:

  3. Cris disse:

    Queria ver eles filmarem isso na hora do rush…

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