Missão cumprida, Odetta!

Morreu ontem uma das cantoras que mais admiro, Odetta. Era a voz dos movimentos pelos direitos civis dos anos 60 nos Estados Unidos. Segundo os médicos, foi o coração. A eleição do primeiro presidente negro em seu país talvez tenha sido demais para a cantora, de 77 anos. Descanse em paz.

Não se engane pela figura frágil da senhora da foto acima. Odetta era uma força da natureza cantando. O NYT fez uma bela homenagem, The Last Word: Odetta, que começa com uma arrepiante interpretação de Nobody Know You (When You’re Down and Out, de Otis Redding e depois algumas entrevistas e pequena biografia. Demora um pouco pra carregar – e tem quase 20 minutos – mas vale cada segundo que vc passar em frente ao monitor do computador.

Quando a vi pela primeira vez em ação, no documentário sobre Bob Dylan (No Direction Home), me encantou sua postura ao violão e potente voz. O documentário pode ser visto no YouTube, em 18 capítulos, começando por aqui. No filme, ela canta Water Boy:

Se fosse recomendar algo dela para quem quiser conhecer melhor seu som, indicaria dois discos: Odetta Sings Ballads and Blues (só com clássicos do gênero) e Odetta Sings Dylan (só com músicas de Bob Dylan). É de ficar escutando o dia todo…

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Galeano Ali Chomsky

Eduardo Galeano:

Quando eu estava na escola, a professor nos explicou que Vasco Núñez de Balboa tinha sido o primeiro homem a ver os dois oceanos, a ver os dois mares de uma só vez, o Pacífico e o Atlântico, desde uma montanha no Panamá; o primeiro homem.

Eu levantei e a mão e disse: – Senhorita, senhorita…

– Sim?

– Os índios eram cegos?

– Fora!

Foi minha primeira expulsão.

Íntegra aqui.

Tarik Ali:

A vitória de Barack Obama supõe uma mudança geracional e sociológica decisiva na política dos Estados Unidos. É difícil, nestes momentos, predizer seu impacto, mas as expectativas suscitadas entre a gente jovem que impulsionou Obama seguem sendo grandes. Talvez não tenha sido uma vitória arrasadora, mas foi suficientemente ampla para permitir que os democratas ficassem com mais de 50% do eleitorado (62,4 milhões de votantes) e colocassem uma família negra na Casa Branca.

O significado histórico deste fato não deveria ser subestimado. Basta lembrar o que ocorreu no país em que a Ku-Klux-Klan chegou a ter milhões de membros capazes de executar uma campanha de terror e morte contra cidadãos negros com o apoio de um sistema jurídico discriminatório. Como esquecer aquelas fotos de afroamericanos linchados diante do olhar complacente de famílias brancas que desfrutavam seus piqueniques enquanto contemplavam – para dizê-lo na voz memorável de Billie Holliday – “corpos negros balançando-se com a brisa do sul, um fruto estranho pendurado nos álamos”?

Íntegra aqui.

Noam Chomsky:

É importante lembrar que o espectro político nos EUA é bastante estreito. É uma sociedade controlada pelas empresas, basicamente, é um Estado de partido único, com duas facções, democratas e republicanos. As facções têm algumas diferenças e estas, às vezes, são significativas. Mas o espectro é bastante estreito. A administração Bush, porém, se situava bastante além do final do espectro, com nacionalistas radicais extremos, crentes extremos no poder do Estado, na violência no exterior e em um alto gasto governamental. De fato, estavam tão fora do espectro que foram criticados duramente inclusive por parte do poder, desde os primeiros tempos.

Seja quem for que assuma o mandato, é provável que desloque o tabuleiro político para o centro do espectro. Obama talvez faça isso em maior medida. Diria que, no caso de Obama, haverá algo como um renascimento dos anos Clinton, adaptado certamente às novas circunstâncias.

Íntegra aqui.

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Sustentabilidade segundo Saramago

Saramago está na área e eu perdi a oportunidade de fazer mais uma entrevista com um de meus ídolos – semana passada foi a vez do Fritjof Capra, que em breve enriquecerá um de meus posts, aguarde. Mas minha camarada Lúcia esteve na coletiva de imprensa que rolou com o escritor português e, melhor, conseguiu fazer uma pergunta que eu enviei. Simples: “O que é vida sustentável?”

Eis a resposta:

É emprego. É viver como sobrevivente. Ter consciência da precariedade dos bens, poupando, conservando, enfim assumindo a abordagem de sobreviventes. Deveríamos viver como sobreviventes, poupar, não desperdiçar, limpar terreno e ar, de modo que se possa viver.

Hoje temos a cultura do mais, em tempos de crise como este, as pessoas caem, a classe média perde sua condição. Os governos são responsáveis pelo que acontece – os ricos, os riquíssimos.

O Estado é inimigo, dizem quanto menos melhor, mas é o Estado que é chamado à responsabilidade para salvar o Citibank, a GM. E o Estado somos nós, nossos impostos.
Não há alternativa política, não há alternativa econômica. E vamos viver de remendos.

É sustentável desde que se tenha emprego.

Mais Saramago lá no Ladybug.

Em tempo: no próximo sábado (dia 29) é Dia de Nada Comprar, campanha mundial do pessoal da Adbusters que há 17 anos incentiva as pessoas a não se deixarem seduzir pelo canto da sereia do mercado. Vá à praia, ao parque, dar uma volta de bicicleta, leia um livro. Em tempos de crise financeira, até que não vai ser difícil deixar a carteira quietinha…

Se vc está pensando em fazer alguma atividade, performance ou protesto para marcar o dia, coloque na página wiki da campanha.

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Astros do YouTube

As celebridades da internet todas reunidas num só episódio do South Park! Tem o Numa Numa, o Dramatic Look, o Star Wars Kid, o bebê e sua gargalhada, o panda que espirra, o Tron man, os Backstreet boys asiáticos e outros! Genial !

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Toma que o lixo é teu

A Califórnia segue dando o exemplo. A Comissão de Proteção ao Oceano do estado americano está propondo três medidas para reduzir a quantidade de lixo que acaba poluindo o mar: banir as embalagens de isopor para alimentos, cobrança de taxas para o uso de sacolas de papel e/ou plástico, e (a principal delas, a meu ver) tornar os fabricantes responsáveis pela coleta e reciclagem das embalagens de seus produtos. É isso ou ver o mar se transformar numa imensa sopa de lixo!

Segundo a Comissão, essa última exigência já funciona em 33 países no mundo, encorajando a redução de material usado, reduzindo o peso final dos produtos, permitindo o uso de materiais recicláveis e obrigando os fabricantes a redesenharem seus produtos e embalagens. Na Alemanha, após quatro anos do início do programa, o lixo produzido por embalagens foi reduzido em 14%. É pouco ainda.

As empresas são contra, claro. Dizem que é melhor incentivar a reciclagem e ameaçam com desemprego. O velho discurso da indústria, mesquinha toda vida. Reciclar é bom, mas produzir menos lixo é ainda melhor. Reciclar gasta muita energia e recursos materiais e humanos. Ninguém em sã consciência acha confortável a quantidade de papel, plástico, isopor e quetais que acompanha um brinquedo, TV ou aparelho de som recém-comprado na loja. Repara só na pilha de lixo que se forma no Natal após a abertura dos presentes. É vergonhoso!

Lixo é um dos grandes problemas mundiais do século 21.

Pra mim, toda e qualquer empresa deveria ser responsável pela coleta e correta eliminação do produto que fabricou, seja uma embalagem, celular ou carro. Haveria exceções, claro – móveis por exemplo. Medidas como essa evitariam absurdos como a exportação de lixo eletrônico para países de Ásia, causando a intoxicação de milhares de pessoas.

O rápido avanço da tecnologia tem sido de mão-única, com o desenvolvimento de produtos cada vez mais modernos e eficientes, mas o uso de substâncias tóxicas na sua fabricação e a falta de preocupação com o seu destino final – o lixo – põe tudo a perder. Sem falar na tal obsolescência planejada

Veja o caso dos Estados Unidos: em fevereiro do ano que vem, com a adoção da TV digital por lá, estima-se que cerca de 10 milhões de aparelhos antigos sejam dispensados no país, gerando um problema monstro. Apesar disso, poucas empresas têm programas amplos de reciclagem para atender a essa demanda e evitar que esse lixo contamine pessoas e o meio ambiente – provavelmente na Índia, China ou Paquistão. Para pressionar grandes fabricantes como Sony, Samsung, LG e Toshiba, entre outras, a evitarem essa catástrofe, ONGs americanas formaram a Electronics TakeBack Coalition e deram início à campanha Take Back My TV.

Os consumidores também têm seu papel nessa história toda. Na hora da compra, dê preferência a produtos que tenham pouca embalagem e que tenham sido fabricados de forma sustentável e responsável. Se informe na loja, ligue para o fabricante pelos serviços de atendimento ao consumidor, exija seu direito de saber o que está comprando. E questione sobre programas de reciclagem, principalmente de aparelhos eletrônicos. Quanto mais pessoas encherem os SACs (serviços de atendimento ao consumidor) das empresas, mais elas se sentirão pressionadas a tomar alguma medida. De tanto levar bica nas canelas, uma hora terão que se mexer.

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Cai a máscara verde da Petrobras, Aracruz Celulose e Copel

A Bovespa acabou de anunciar que a Petrobras, Aracruz Celulose, Companhia Paranaense de Energia (Copel), CCR Rodovias, Copel, Iochpe-Maxion e WEG foram excluídas da lista das empresas do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa. Esse índice é composto de ações de companhias que apresentam alto grau de comprometimento com a sustentabilidade e responsabilidade social. No lugar delas entraram a TIM, Telemar, Unibanco, Celesc, Duratex e Odontoprev.

No caso da Petrobras, é resultado direto do esforço de ONGs e secretarias estaduais de Meio Ambiente, que vinham há tempos denunciando a estatal por descumprir resolução de 2002 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) para diminuir a partir de 2009 a quantidade de enxofre no diesel que vende no Brasil. Apesar de ter tido sete anos para se adequar à resolução, a Petrobras e a Anfavea (da indústria de automóveis) afirmam que não tiveram tempo para tal e se recusaram a cumprir a determinação.

Apenas na cidade de São Paulo, o ar poluído mata de 12 a 14 pessoas por dia, segundo estimativa de Paulo Saldiva, professor de medicina da USP (Universidade de São Paulo) e uma das autoridades no debate sobre os efeitos da emissão de poluentes na saúde. “Embora abasteça 10% da frota do país, o diesel é responsável por 45% da emissão de partículas em São Paulo e quase metade das mortes causadas pela poluição”, calcula Saldiva. (fonte: CMI)

Segundo o professor Saldiva, os dados mostram que a poluição do ar mata mais do que a aids e o trânsito juntos na cidade de São Paulo.

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Zé Pereira agora só na internet

A boa revista editada pelo ‘vovô’ Zé José (ou Eduardo Souza Lima para os desconhecidos) agora está apenas na internet. Sinal dos tempos. Quer saber mais sobre quadrinhos, política, música, cinema e cultura de boteco em geral? Então visite www.revistazepereira.com.br

Em breve, no site, a cobertura completa do Festival de Cinema de Brasília.

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Angus moleque

Lembra do concurso de covers do som Rock’n’Roll Train promovido pelo pessoal do AC/DC? Pois um dos vencedores é esse moleque aí, de 13 anos. Mandou bem! Levou pra casa uma dessas belezinhas aí de cima – provavelmente ganhou a da direita, idêntica à usada pelo Angus Young. O outro vencedor (novo dono da outra guitarra) fez uma animação stop-motion meio sem graça…)

(se quiser ver alguns dos outros 222 concorrentes, clique aqui)

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Super Obama

Dica para o dia de Zumbi dos Palmares: a obamania chegou ao mundo dos jogos online, com Super Obama World, ao estilo Super Mario Bros. O cenário é o Alasca e entre os inimigos estão pitbulls de batom (referência à Sarah Palin) e lobistas engravatados.

Mete bronca, negão!

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Galinhas pacifistas

(direto da base na Sierra Maestra)

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