Informação a la carte

Inspirado em sites como o iGoogle e Facebook, a BBC lançou em dezembro a versão beta de sua página, totalmente redesenhada e, melhor, aberta para que o usuário determine quais as notícias ele prefere ver na capa. Web 2.0 na veia. O usuário vai poder personalizar a primeira página com diversos ‘widgets‘ criados pelo pessoal de desenvolvimento da BBC. Ave Ajax!

Richard Titus, chefe da equipe de design da BBC, explica em seu blog todas as mudanças feitas, de onde veio a inspiração e como foi o processo. Estima-se que o novo site esteja no ar para todos a partir deste mês de janeiro.

Basicamente, é o seguinte: os jornalistas da BBC escolhem as histórias que vão para o site como um todo, mas vc escolhe as que merecem destaque na página. Vc é quem escolhe o conteúdo que mais lhe interessa, acrescentando e removendo as caixas de editorias específicas. Por exemplo: eu prefiro ver na capa matérias de música, política internacional, meio ambiente e música. Já vc quer esportes, literatura, economia e agenda cultural. E por aí vai. Também é possível determinar qual assunto merece mais destaque na página, se vai ficar em cima ou embaixo, etc.

Hoje eu uso o iGoogle como minha página inicial no computador, mas já estou tentado a mudar para esse novo site da BBC. Espero que a novidade chegue logo ao Brasil, porque não aguento mais manchetes sobre o novo show da Ivete Sangalo, o BBB8, engarrafamentos em SP e o novo samba-enredo da Portela, entre outras pérolas do nosso jornalismo…

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Daft hands

Viral como deve ser: simples, direto, divertido. Resultado? 12 milhões de visitas. Parece até que a música do Daft Punk foi feita especialmente para esse clipe – e não o inverso.

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Baleias e racismo

Esse vídeo está provocando bastante polêmica no YouTube, ao classificar de racista a pressão que o governo australiano faz para que o Japão desista de caçar baleias. O autor do vídeo, Sasuke77 – provavelmente japonês e morador da Austrália, e com certeza a favor da caça -, lembra que muitos australianos matam cangurus e dingos com requintes de crueldade e essas são espécies muito mais ameaçadas de extinção do que jubartes e minkes. Imagens e trechos de gravações caseiras com cenas fortes não deixam margens para dúvidas.

A certa altura, Sasuke77 afirma: “Os australianos não devem usar as baleias para justificar uma ideologia racista”. Concordo plenamente. Não muito tempo atrás, em 2005, a Austrália deu mostras do racismo latente que vinga entre seus jovens. Milhares deles, brancos e loiros, foram às ruas dos subúrbios de Sydney surrar árabes e qualquer outra pessoa de etnia diferente da deles, devido a um incidente ocorrido na região de Cronulla.

E também concordo com Sasuke77 quando afirma que a solução para acabar com a crueldade no tratamento dos animais é nos tornarmos cada vez mais vegetarianos. Acho que é mesmo o futuro de nossa evolução. Enquanto isso não acontece, diz ele, o Japão tem todo o direito de caçar baleias. Pelo menos o faz para comer, enquanto os australianos dizimam cangurus e dingos por farra. É aí que o autor do vídeo se equivoca, ao misturar alhos com bugalhos.

A matança que vemos no vídeo de animais australianos é promovida por pessoas cruéis, que assim o fazem apenas por diversão – o argumento de que o dingo e o canguru provocam danos em plantações e propriedades não justifica tamanha carnifica e insensibilidade à vida de um outro ser vivo. Não é uma política de estado, é apenas um dos sinais exteriores da psicopatia particular de alguns grupos de indivíduos.

Já a caça às baleias é patrocinada pelo governo japonês e serve a apenas um pequeno grupo de consumidores, uma elite gastronômica que não quer perder o privilégio de manter uma tradição milenar e poder continuar a degustar seu sushizinho de baleia. Além disso, existe uma moratória contra a caça comercial de baleias desde 1986, que vem sendo sistematicamente desrespeitada pelo Japão. Eles travestem a caça de ‘pesquisa científica’ e assim continuam vendendo a carne nos mercados locais – que, diga-se de passagem, são cada vez menores.

Além disso, tal e qual a elefantes e outros grandes mamíferos, baleias são seres complexos socialmente e reagem muito mal quando caçados. O estresse causa problemas sérios em suas comunidades, o que para muitos pode ser a explicação de suícidios em massa de baleias que encalham em litorais mundo afora.

Sasuke77 acerta ao apontar o risco do exarcebamento racial devido à briga entre Austrália e Japão em relação à caça de baleias, mas erra ao misturar a ação do governo australiano em defesa das baleias a de cidadãos australianos que cometem barbaridades com animais.

Para criticar o Japão e sua ‘caça científica’, não é preciso ser racista; para estudar baleias, não é preciso disparar um único arpão.

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Tim tim

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Licor de maconha lançado em Amsterdã. O que será que os moralistas e defensores da proibição às drogas dirão a respeito? Vou encomendar uma garrafa e oferecer à primeira pessoa que for lá em casa e defender as aventuras do Capitão Nascimento e do Bope…

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Antídoto ao Tropa de Elite

Minha maior crítica ao filme de José Padilha é a sua falta de equilíbrio no trato de um tema tão delicado como o consumo e tráfico de drogas. O diretor deixou-se levar pelo fascismo da elite policial carioca e fez um filme sem nuances, maniqueísta, comprando a tese – conscientemente ou não – de que o problema todo está no consumo apenas. Não há espaço para divergências e o (anti) herói Capitão Nascimento é alçado nas quase duas horas de projeção como o vingador que muitos desejam e exigem.

Padilha é um ótimo diretor de documentários. Na ficção ainda tá devendo. Num universo que tem 11 dimensões ou mais, ele conseguiu no máximo duas para cada personagem.

Meu Nome Não é Johnny, que acabei de assistir, é um primor justamente por conseguir tratar do mesmo tema sem idiossincrasias. Temos ainda a atuação brilhante de Selton Mello (que apaga o mico no pretensioso O Cheiro do Ralo), uma direção ágil e equilibrada, trilha sonora empolgante e um puta roteiro bem amarrado. Retrata com fidelidade a classe média consumidora, o tráfico, a polícia, o Rio da década de 1990, o Baixo Gávea, o cárcere, o manicômio judiciário. E usa com perfeição o humor para dar leveza ao tema. O filme defende o ponto de vista de que ninguém é irrecuperável, mas não o faz ostensivamente. É equilibrado.

Há quem diga que Profissão de Risco (com Johnny Depp) é o melhor filme já feito sobre a cocaína. Meu Nome Não é Johnny chega muito perto disso. Em todos os quesitos.

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Zeitgeist, o filme

“A TV não é a verdade. A TV é um parque de diversões! A TV é um circo, um carnaval, uma trupe andarilha de acrobatas contadores de histórias, dançarinos, cantores, malabaristas, malucos coadjuvantes, domadores de leões e jogadores de futebol. Estamos no negócio de matar o tédio. Então, se você quer a verdade, vá até Deus. Até seus gurus. Até vocês mesmos. Porque é aí que você encontrará qualquer verdade real. Mas, cara, você nunca encontrará qualquer verdade em nós. Nós lhe diremos qualquer coisa que queira ouvir. Nós mentimos pra valer. Nó lhe diremos que Kojak sempre prende o assassino e que ninguém pega câncer na casa de Archie Bunker. E não importa o tamanho do problema enfrentado pelo herói, não se preocupe. Apenas confira o seu relógio. No final ele vencerá! Nós lhe diremos qualquer merda que você queira ouvir! Nós lidamos com ilusões, cara. Nada disso é verdadeiro. Mas vocês sentam aí dia após dia, noite após noite. De todas as idades, cores, credos. Nós somos tudo o que vocês sabem. Vocês estão começando a acreditar nas ilusões que nós transmitimos aqui. Vocês estão começando a acreditar que o tubo da TV é a realidade e que suas próprias vidas são irreais. Vocês fazem qualquer coisa que a TV lhes diz pra fazer! Vocês se vestem como a TV, comem como a TV, educam suas crianças como a TV, vocês até pensam como a TV. Isso é loucura em massa, seus maníacos! Em nome de Deus, vocês são a realidade! Nós somos a ilusão!”

(Discurso do âncora da TV fictícia UBS, Howard Beale, no filme Rede de Intrigas, vencedor de quatro Oscars em 1977 – melhor ator (Peter Finch), melhor atriz (Faye Dunaway), melhor atriz coadjuvante (Beatrice Straight) e melhor roteiro original. Perdeu o Oscar de melhor filme para Rocky…)

Desligue a rádio Escriba e curta esse documentário, Zeitgeist, um dos mais interessantes e impactantes que já vi desde The Corporation. O filme vem circulando pela internet, em blogs, Youtube e Google Video há meses, eu mesmo fiquei sabendo no final do ano passado, mas só hoje tirei duas horas agora a noite pra assistir. De tirar o fôlego.

A estréia fora da internet será no próximo dia 15 de março e o site oficial está cadastrando quem quiser promover sessões públicas ou privadas, com direito a receber DVDs e material promocional. Será o Z-Day. O Escriba se cadastrou e, se conseguir chegar à lista final, divulgarei aqui onde será a sessão.

Quem não quiser esperar pode ver abaixo o que há por trás das cortinas:

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Hackers da ALF atacam site Pró-Carne

O grupo Animal Liberation Front (ALF), que luta pelo fim dos maus-tratos a animais, hackeou o site do Instituto Pró-Carne na virada do ano, colocando na página principal links para matérias sobre problemas que o consumo de carne causa na saúde humana (tem outra aqui). Onde deveria estar um informe do instituto, os caras colocaram frases de nomes da literatura e ciência advogando o fim do consumo de carne, como Charles Darwin, Leonardo da Vinci, Arthur Conan Doyle e Albert Einstein.

Na parte do site dedicada a ‘deliciosas receitas’, o pessoal da ALF colocou imagens de animais ensanguentados. E no alto da página, um link para o documentário Terráqueos, que trata de nossa dependência dos animais e do desrespeito com que os tratamos. Ver abaixo:


(pause a rádio Escriba para não atrapalhar o filme!!)

Se o site voltar ao normal, tranquilo, é só clicar aqui para ver a boa hackeada que a ALF fez por lá.

Clique aqui para conhecer a filosofia por trás do movimento de liberação animal.

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Ambientalismo cético em baixa

Zapeando a TV na noite de ontem, parei na CNN quando ia começar o programa Future Summit sobre mudanças climáticas. Cinco debatedores foram escalados: Ólafur Grímsson, presidente da Islândia; Barrie Pittock, cientista australiano integrante do IPCC; Sunita Narain, do Centro de Ciência e Meio Ambiente da Índia; Bertrand Piccard, explorador e aviador francês; e Bjorn Lomborg, professor dinamarquês e autor do livro O Ambientalista Cético.

O debate foi intenso e o apresentador, um sujeito grandão, histriônico, teve que intervir por diversas vezes para o programa não descambar pro bate-boca de botequim. Mesmo com pouco tempo, cerca de uma hora, os convidados tiveram a chance de dar o seu recado.

Grímsson defendeu o uso agressivo de energias renováveis como faz o seu país, que hoje tem praticamente 100% de suas fontes com base em fontes geotérmicas – uma surpresa pra mim, não tinha idéia que algum país no mundo já estivesse tão avançado nessa área. “Nós éramos um dos países mais pobres da Europa e hoje estamos entre os mais ricos, graças ao uso de fontes renováveis. Se a Islândia pode, outros países podem também. É uma questão de vontade política.” Todos os esforços têm que ser feitos, diz ele, para mudar a forma como obtemos e usamos energia.

Narain concordou com o presidente islandês mas criticou os países mais ricos por não investirem mais em energias renováveis e não aceitarem cortes em emissões de gases do efeito estufa. “Os interesses corporativos de quem lucra com o carvão e o petróleo têm guiado as políticas de governos, principalmente dos mais ricos”, disse ela. Narain afirmou ainda que o grande desafio para os países em desenvolvimento é encontrar a fórmula para crescer sem poluir como fizeram os países desenvolvidos.

Piccard também frisou a importância da vontade política para mudar as prioridades energéticas do mundo, lembrando que o presidente Kennedy disse que levaria o homem à lua em 10 anos porque o governo americano assim o queria. “A mesma decisão firme tem que ser tomada em relação às energias renováveis.” O francês detalhou seu incrível projeto de avião que voará, dia e noite, usando apenas a energia do sol. O primeiro avião será construído no final deste ano. Em 2009, pretende atravessar o Atlântico e, em 2011, dar a volta ao mundo.

O australiano Pittock foi o mais pessimista de todos, afirmando que o ponto de não-retorno pode já ter sido atingido – ou seja, o planeta vai aquecer além dos fatídicos 2 graus Celsius, desencadeando uma série de problemas climáticos graves. “Mas ainda assim temos uma oportunidade única para mudar de vez nossa dependência em tecnologias energéticas sujas e assim devemos proceder para não piorar o que já está ruim.”

O cético Lomborg… bom, ele apanhou mais que tapete em dia de faxina. Ninguém comprou sua sua posição de que combater as mudanças climáticas, com corte de emissões e mudanças de hábitos poluidores, é perda de tempo e que o mundo tem que investir em tecnologia e em outras prioridades, como fome e doenças. Manteve um sorriso cínico durante todo o programa e fez o seu jogo – o mesmo das grandes corporações, que deram a ele em 2001, no Fórum Econômico Mundial, o título de Líder Global para o Amanhã (alguma surpresa?)

A boa notícia foi que nem ele ousou defender a energia nuclear como solução para o combate às mudanças climáticas. Ela foi descartada por todos por ser cara, ineficiente e problemática, tanto em termos de segurança (por promover o risco de proliferação de armas atômicas) como também ambiental (não há até hoje destinação adequada para o lixo nuclear).

Quanto mais distantes ficarmos de Lomborg e suas idéias, mais perto esstaremos de uma solução ambientalmente sustentável.

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Feliz Mundo Novo

Recebi do meu camarada Adauri essa série bem legal de cartões de Natal e Ano Novo feitos por Fabio Yabu, do blog Mude o Mundo. As festas já passaram, mas fica a mensagem.

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Amigo é pra essas coisas

John Garcia, um dos melhores vocais do roquenrol, manda ver numa versão fuderosa de Lil Devil, do The Cult, no casório de um amigo! Que presentão, heim?


(Já tava esquecendo de pausar a rádio Escriba, né não? Vai lá então!)

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