Algumas impressões da minha primeira experiência com o Uber

uber

Escrever sobre algo que todo mundo já comentou, tuitou, reclamou ou elogiou é sempre difícil. Sei que o Uber, aplicativo que oferece carros executivos para traslado pela cidade, já foi cantado em verso e prosa por mais de meio mundo – pro bem e pro mal – mas ainda assim senti necessidade de falar uma coisa ou outra sobre o serviço, depois de minha primeira experiência na madrugada de ontem, altamente positiva.

Então aqui vão algumas informações básicas que levantei conversando com dois motoristas, e algumas impressões do serviço.

Tinha uma festinha pra ir longe de casa e queria beber sem me preocupar em como voltaria. Bom motivo pra enfim testar o Uber, não? Tá, poderia pegar um taxi comum, por um dos inúmeros aplicativos como 99 Taxis ou Easy Taxi, ou mesmo chamar um da Alvorada, cooperativa de Brasília que dá 20% de desconto nas corridas. Mas a curiosidade falou mais alto. Baixei o aplicativo, cadastrei meu cartão e chamei uma das muitas ‘baratinhas pretas’ que se mexiam na tela do telefone.

Vc nem precisa por o endereço onde o Uber vai te pegar, porque na verdade o que importa é a localização fornecida pelo celular. O cara chegou rápido, menos de 10 minutos, mas podia ter chegado antes, se não tivesse se enrolado um pouco com a localização dada pelo GPS. Sem problema, acontece.

Quando você chama o carro, já tem ideia do quanto vai gastar mais ou menos, e o preço é bem razoável. Aí chega o carrão preto, o motorista sai, abre a porta pra você, te oferece água e te chama de ‘senhor’ ou ‘doutor’. Meio ostentação, meio over, mas tranquilo, o cara é treinado pra isso – em geral, são profissionais que trabalharam em empresas, servindo a executivos – e dá pra levar de boa.

Papo vem, papo vai, levantei algumas questões sobre o serviço, sobre como ele ficou sabendo, a treta com os taxistas comuns, as vantagens que ele vê no Uber em relação aos outros. Segundo o motorista que me levou pra balada, já existem cerca de 1.200 carros Uber aqui em Brasília. Taxis comuns são 3.800, mais ou menos. Ele ficou sabendo do aplicativo por amigos, que por sua vez foram mapeados pela empresa por já terem trabalhado com empresas atendendo executivos.

No início, como bônus para conquistar os motoristas, o Uber dava R$ 60 por hora que ficassem conectados online – além de 80% de cada corrida. Agora, o bônus já não existe mais. Um carro como o que peguei ontem (um Toyota Corolla 2014 automático) chega a fazer R$ 7 mil por semana. Mas nem todos os motoristas são donos do carro – o de ontem alugava o veículo, pagando uma diária (não disse de quanto), como fazem também taxistas comuns. Ainda assim, tira R$ 700 líquido por semana, sem rodar muito. “Mas se Deus quiser em breve terei meu próprio carro”, disse ele confiante. E afirmou ainda que sabe de vários taxistas que já estão pensando em aderir ao Uber.

Perguntei sobre a briga com os taxistas, que estão partindo para agressões físicas em alguns casos, e me disse que soube de algumas broncas, mas nada sério. O motorista da volta já contou uma história mais tensa. Ontem tava rolando o show do Wesley Safadão no estacionamento do Estádio Nacional, mais de 40 mil pessoas reunidas e, claro, uma infinidade de táxis – e Ubers. Quando um carro do aplicativo chegou para pegar um cliente, já no final do show, taxistas o bloquearam com seus veículos. O clima ficou esquisito mesmo quando uns outros 60 carros Ubers chegaram ao local avisados pelo companheiro cercado. Se a polícia não chega pra dispersar, sei não…

Essa tática dos taxistas de constranger e ameaçar motoristas (e clientes) Uber tem seu efeito nefasto. Eu, por exemplo, pensaria duas vezes antes de chamar um para me pegar no aeroporto. É confusão na certa.

Nos quesitos conforto e segurança, o Uber é imbatível em relação aos táxis comuns. Os carros são bem melhores, o motorista é educado e atencioso, e tem um detalhe que faz a diferença. Toda transação financeira entre passageiro e motorista é feita virtualmente, via aplicativo. Pode até deixar a carteira em casa (mas não o celular, claro). Acredito que isso minimiza o risco (e medo) de assalto de ambas as partes.

Então, basicamente, é isso: um serviço de melhor qualidade, com menor preço. Difícil remar contra essa maré, não? Melhor surfar a onda e regular/integrar o Uber ao sistema de transporte das cidades.

Há inúmeras questões ainda a serem discutidas sobre o aplicativo – questões jurídicas, demobilidade urbana, situação trabalhista e capitalismo 2.0. Muitas já foram apontadas e estão sendo discutidas, outras aparecerão no meio do caminho. Há quem lembre que as questões que o Uber levanta hoje são semelhantes às que surgiram na Nova York da década de 1930. É inegável, no entanto, que o Uber conquistou corações e mentes mundo afora – e não apenas dos ricos, esnobes ou descolados. A periferia de São Paulo, por exemplo, já usa e aprova.

E o Uber certamente vai gerar filhotes muito em breve. Que tal um Uber só de carros esportivos ou antigos? Ou até, porque não, de carros sem motoristas?

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